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Teşebbüsler Arası Anlaşmaların Hukuka Aykırılığının Tespitinde De

B. Teşebbüsler Arası Anlaşmaların Hukuka Aykırılığının Tespiti İçin

2. Teşebbüsler Arası Anlaşmaların Hukuka Aykırılığının Tespitinde De

Como já mencionado, a resiliência, por ser um fenômeno multifacetado, pode se manifestar de maneiras diferentes dependendo do contexto em que os indivíduos estão inseridos. Dessa maneira, o entendimento da cultura local e das expectativas que esta impõe sobre os indivíduos devem ser analisadas quando se estuda resiliência, considerando que podem induzir grandes diferenças na forma como as pessoas enxergam a si mesmas e como enfrentam adversidades.

Uma das maneiras da cultura interferir no desenvolvimento dos indivíduos reside na forma como ela trata pessoas de gêneros diferentes. Segundo Ripar, Evangelista e Paula (2008), a variável gênero é uma determinante do modo como cada cultura prepara distintamente as condições para as pessoas aprenderem a se relacionar com o seu contexto social.

Ao longo do desenvolvimento, meninos e meninas tornam-se progressivamente diferentes não apenas em termos da maturação orgânica, como também em termos de habilidades sociais e cognitivas, de atitudes e comportamentos, no modo como vivenciam os afetos, em virtude das aprendizagens relacionadas aos papéis de gênero em sua cultura (RIPAR; EVANGELISTA; PAULA, 2008, p. 39).

Papéis de gênero, conforme Rozemberg et al. (2013, p. 674), “são modelos socialmente construídos que definem o que é ser homem e o que é ser mulher em determinada cultura e tempo, sendo apresentados no ambiente familiar”. Pode-se afirmar então que, dependendo da cultura, serão esperados do homem e da mulher diferentes comportamentos de acordo com modelos socialmente construídos, ou seja, de acordo com os papéis de gênero. Shaffer e Kipp (2014) adicionam que os papéis de gênero refletem os estereótipos com os quais as pessoas classificam e respondem aos membros de cada sexo.

As pessoas desenvolvem um esquema mental que lhes remete ao comportamento considerado apropriado para seu sexo, sendo que esse esquema aparece ainda na infância. Neste período, as crianças aprendem a diferenciar os gêneros, identificam o seu próprio, adquirem a noção de que o gênero permanece constante e começam a imitar o exemplo de adultos com o mesmo gênero (RIPAR; EVANGELISTA; PAULA, 2008).

Na adolescência, em meio à puberdade, ao amadurecimento sexual e à passagem da infância para a vida adulta, ocorre a estruturação de uma identidade definitiva para a subjetividade (SHAFFER; KIPP, 2014). A formação dessa identidade influenciará os valores, as habilidades, os comportamentos e as motivações dos sujeitos assim como influenciará suas escolhas profissionais (RIPAR; EVANGELISTA; PAULA, 2008).

Além de influenciar a formação da identidade subjetiva das pessoas, a vida social e o mundo do trabalho classificam, hierarquizam e selecionam pessoas conforme o gênero (RIPAR; EVANGELISTA; PAULA, 2008). A esse fenômeno denomina-se divisão sexual do trabalho. Segundo Hirata e Kergoat (2007), a divisão sexual do trabalho tem dois princípios organizadores: o princípio de separação, associado à ideia de que existem trabalhos para homens e trabalhos para mulheres, e o princípio hierárquico, relacionado à noção de que o trabalho de um homem “vale” mais que o de uma mulher.

Esses princípios são válidos para todas as sociedades conhecidas, no tempo e espaço. Podem ser aplicados mediante um processo específico de legitimação, a ideologia naturalista. Esta rebaixa o gênero ao sexo biológico, reduz práticas sociais a “papéis sociais” sexuados que remetem ao destino natural da espécie. (HIRATA; KERGOAT, 2007, p. 599).

Ainda segundo Hirata e Kergoat (2007), esses dois princípios, ainda que encontrados em todas as sociedades conhecidas e legitimados pela ideologia naturalista, não são imutáveis. Na verdade, suas modalidades concretas variam bastante no tempo e no espaço. O que é estável não são as situações concretas, mas sim a distância entre os grupos de sexo, ou seja, a ideia de que um gênero é mais importante que o outro.

De acordo com Shaffer e Kipp (2014), na sociedade ocidental, meninas são tipicamente encorajadas a assumir um papel denominado “expressivo”, que está relacionado a ser gentil, carinhoso, cooperativo e sensível às necessidades de outros. Meninos, por outro lado, são incentivados a exercer um papel chamado “instrumental”, o qual envolve ser dominante, assertivo, independente e competitivo.

Maccoby e Jacklin (1974 apud SHAFFER; KIPP, 2014) revisaram mais de 1.500 estudos comparando homens e mulheres e concluíram que poucos estereótipos tradicionais de gênero são apoiados por pesquisas acadêmicas. Apontaram apenas quatro pequenas diferenças entre sexos que foram consistentemente apoiadas pela investigação científica, a saber:

a) habilidades verbais: garotas mostraram melhores habilidades verbais em muitos estudos. Garotas adquirem e desenvolvem habilidades verbais mais cedo que garotos e mostram uma pequena, mas consistente vantagem verbal em testes de compreensão textual e fluência da fala ao longo da infância e da adolescência; b) habilidades visuais/espaciais: garotos apresentaram melhor performance em

testes que tratam de habilidades visuais/espaciais, estas tratam-se da capacidade de mentalmente manipular ou fazer inferências a partir de informação pictórica. A vantagem masculina nesta área é pequena, mas pode ser detectada aos quatro anos de idade e mantém-se pela vida;

c) habilidades matemáticas: iniciando na adolescência, garotos mostram uma pequena, mas consistente vantagem em testes de raciocínio matemático; d) agressividade: garotos são mais agressivos verbal e fisicamente, isso já pode ser

detectado em crianças de dois anos de idade. Garotos também são cerca de 10 vezes mais propensos a se envolver em comportamentos antissociais e crimes violentos durante a adolescência. Para garotas, é mais provável que demonstrem formas disfarçadas de hostilidade, como esnobar e ignorar ou tentar enfraquecer relacionamentos e status social de outros;

Shaffer e Kipp (2014), apoiados em diversos estudos, enumeraram outras diferenças, como:

a) nível de atividade: mesmo antes de nascer, garotos são mais fisicamente ativos que garotas e permanecem mais ativos durante a infância, especialmente quando estão interagindo com colegas;

b) medo, timidez e assunção de riscos: garotas parecem ser mais temerosas e tímidas em algumas situações. Elas também são mais cautelosas e menos assertivas nessas situações, assumindo menos riscos que os garotos. A maior propensão dos garotos para correr riscos pode, em parte, ser explicado pelo elevados níveis de atividade dos meninos. Entretanto, essa diferença no comportamento também pode estar relacionada à forma como os pais reagem à propensão para correr riscos dos filhos. Os pais tendem a reforçar as regras contra assunção de riscos com as meninas e relaxá-las com os meninos. Como consequência, garotos tendem a assumir mais riscos durante a infância e a adolescência;

c) vulnerabilidade de desenvolvimento: desde o nascimento, garotos são mais vulneráveis fisicamente aos riscos pré-natais e perinatais e às consequências de doenças. Garotos também são mais propensos a exibir uma variedade de problemas de desenvolvimento, como autismo, dificuldades de leitura, defeitos de fala, déficit de atenção/transtorno de hiperatividade, distúrbios emocionais, entre outros;

d) sensibilidade/expressividade emocional: enquanto crianças, meninos e meninas não se diferenciam muito em suas demonstrações de emoção. Porém, depois dessa fase, garotos são mais inclinados a demonstrar raiva, enquanto garotas demonstram frequentemente as outras emoções. Aos dois anos de idade, meninas já usam mais palavras relacionadas a emoções do que os garotos. Já

nessa época, os pais tendem a conversar mais sobre sentimentos com as garotas e esse incentivo a reflexão sobre os próprios sentimentos pode ajudar a explicar porque meninas e mulheres caracterizam suas emoções como mais profundas ou mais intensas e por que elas se sentem mais livres para expressá-las do que meninos e homens. Quanto à empatia, garotas consistentemente avaliam-se como mais carinhosas e empáticas do que homens e meninos. Ainda assim, estudos em laboratório desenhados para induzir empatia revelaram que garotos expressam quase tanta preocupação e aflição, assim como excitação fisiológica, em relação aos infortúnios de outros quanto as garotas. Além disso, em contextos naturalistas, garotos têm mostrado ser pelo menos tão afetuosos e preocupados com o bem-estar de animais de estimação e parentes mais velhos quanto as garotas;

e) complacência: ainda no período da pré-escola, garotas tendem a ser mais complacentes que garotos com os pedidos e ordens dos pais, professores e outras figuras de autoridade. Quando tentam persuadir outros a concordar com suas ideias, garotas preferem usar sugestões corteses. Em comparação, garotos tendem a recorrer a exigências e estratégias de controle;

f) autoestima: de modo geral, garotos apresentam uma pequena vantagem sobre as garotas em autoestima. Essa diferença entre os sexos se torna mais notável no início da adolescência e persiste ao longo da vida adulta.

Shaffer e Kipp (2014) concluem que, apesar das diferenças apontadas entre os gêneros, homens e mulheres são mais parecidos psicologicamente do que diferentes e mesmo as diferenças mais reiteradas por pesquisas científicas ainda são modestas.

Shaffer e Kipp (2014) acrescentam que atualmente a maioria dos psicólogos desenvolvimentistas concordam que muitos, talvez a maioria, dos estereótipos de gênero são mitos culturais, ou seja, carecem de comprovação científica. Entre os mitos mais aceitos estão as noções de que mulheres são mais sociáveis, influenciáveis e ilógicas, menos analíticas e menos orientadas a realização de objetivos.

Ripar, Evangelista e Paula (2008) realizaram um estudo com adolescentes brasileiros para verificar o perfil de resiliência mais característico de cada gênero e utilizaram como instrumento de pesquisa a adaptação brasileira do Resilience Quotient Test (RQ Test) de Reivich e Shatté (2002), elaborada por Barbosa (2006). Ripar, Evangelista e Paula (2008) obtiveram os seguintes resultados:

a) os participantes de ambos os gêneros obtiveram maiores escores nos fatores de controle de impulsos, otimismo e análise do ambiente. Os menores escores foram encontrados nos fatores de administração das emoções e empatia, também considerando ambos os gêneros;

b) os únicos fatores de resiliência que apresentaram notáveis diferenças entre os gêneros foram alcançar pessoas (reaching out) e autoeficácia. Em ambos as garotas, tiveram melhor desempenho;

c) uma correlação negativa foi encontrada entre os fatores administração das emoções e controle de impulsos. Os adolescentes apresentaram altos níveis de controle de impulsos, enquanto tiveram resultados deficientes em administração das emoções. Em estudos norte-americanos, ao contrário, esses fatores apareceram correlacionados positivamente, o que poderia indicar diferenças entre a cultura brasileira e a americana;

d) alguns resultados contrariaram estereótipos tradicionais de gênero, reforçando a crítica de que essas características tão difundidas na sociedade não se sustentam no contexto da investigação sistemática, a saber:

- meninos apresentaram altos níveis de controle de impulsos e baixos níveis de autoeficácia, estes quando comparados às meninas;

- meninas obtiveram resultados elevados em autoeficácia e baixos em empatia.

Ripar, Evangelista e Paula (2008) concluíram que, sim, pessoas utilizam estratégias de enfrentamento parcialmente diferentes conforme o gênero.

A tese de Oliveira (2007), que tinha como um dos objetivos realizar um levantamento dos comportamentos indicadores de resiliência presentes no repertório comportamental de juízes e servidores públicos brasileiros e que também utilizou uma versão adaptada do questionário RQ Test, encontrou, entre outros, os seguintes resultados:

a) considerando ambos os gêneros, os resultados dos sete fatores de resiliência foram relativamente semelhantes entre si. Não foram encontradas discrepância significativas, o que demonstrou aparente equilíbrio no repertório comportamental dos participantes da pesquisa em relação a esses fatores; b) na análise comparativa entre gêneros, encontrou-se diferenças importantes nos

escores de administração das emoções e reaching out. Ambos foram maiores no sexo masculino, indicando que os homens apresentavam melhor habilidade de manter a calma diante de adversidades, assim como mostravam maior

predisposição a novas experiências, novos relacionamentos ou novos desafios externos.

Percebe-se, então, que muitos dos estereótipos de gênero comumente difundidos na sociedade não representam necessariamente a realidade, uma vez que estudos vêm observando resultados que não confirmam tais preconcepções.

Entretanto, não se pode ignorar a possiblidade de esses estereótipos serem internalizados pelos indivíduos. Segundo Biroli (2011), estereótipos e realidade podem alimentar-se um do outro, confirmando papéis, comportamentos e valores socialmente produzidos.

A definição da mulher como frágil e maternal é um exemplo; não é uma imagem apenas, mas a interpelação concreta para que mulheres, a cada geração, orientem seu comportamento de acordo com esses padrões, com as habilidades aí envolvidas. Internalizada, produz padrões reais de comportamento que confirmam, então, os estereótipos. Estes passam, assim, a coincidir com aspectos constatados e verificáveis da realidade (BIROLI, 2011, p. 127).

Se difundidos amplamente, os estereótipos podem transformar-se em referências compartilhadas que fazem parte, simultaneamente da experiência individual e social (BIROLI, 2011).

Partindo dessa visão, percebe-se que a internalização dos estereótipos pode influenciar na expressão da resiliência, uma vez que essas preconcepções podem servir como orientadores de comportamento.