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Anlaşma ve Uyumlu Eylem Kavramlarının Birlikte Kullanılması

C. Özel Durumlar

3. Anlaşma ve Uyumlu Eylem Kavramlarının Birlikte Kullanılması

“... porque a sorte é Mulher e só se submete quando é contrariada e surrada”. Maquiavel, O Príncipe, 1513.

6.1 Uma descrição etnográfica da Polícia Civil

Ver e fazer ver, ou seja, escrever o que vemos, significa “transformar o olhar em linguagem” (Laplantine, 2004, p. 6). Esse é o trabalho da etnografia. Ele consiste em se impor o desafio de uma interrogação permanente sobre as relações entre o que se vê no campo e o que se diz dele, ou sobre ele. A descrição etnográfica implica, portanto, em “fazer ver com palavras”, (idem, p.10), o que coloca como meta o relato, da maneira mais minuciosa possível, acerca da especificidade das situações com as quais nos confrontamos. A descrição, sendo uma atividade indistinta entre o olhar e o dizer, demanda, para ser compreendida, uma pluralidade de encontros com outros saberes, na busca de construção de um conhecimento sobre um campo no qual se adentrou, pelo qual se foi impregnado e afetado e sobre o qual se fala. Essa não é, contudo, uma experiência transparente: implica um olhar de alguém, que vê de um modo particular, que se move em torno dos objetos que vê e sobre os quais constrói uma leitura própria, e que, uma vez escrita, será lida por outros. Exercitar esse tipo de olhar e de escrita implica um descentramento de outros olhares e leituras, de outros lugares e de outras experiências. Demorar no que vê, olhar bem e olhar tudo, estar atento e ficar desatento ao mesmo tempo, a se deixar abordar pelo inesperado e pelo imprevisto e depois, escrever sobre a experiência: eis o grande desafio do fazer etnográfico.

Nesse capítulo e no seguinte, pretendo fazer uma descrição etnográfica, do que pude ver, registrar e pensar sobre a Polícia Civil em Sergipe, e, em particular, sobre as práticas da Delegacia da Mulher. Com base em registros de diários de campo, relatórios e artigos produzidos sobre experiências com as polícias sergipanas, das quais participei, apresento um relato que privilegia as falas dos próprios policiais e a descrição das situações nas quais esses discursos foram

produzidos. Por vezes, essas falas são registradas como depoimentos e destacadas do texto, outras vezes elas intercalam a minha própria escrita, numa tentativa de superar o distanciamento entre a minha condição de narradora e os atores protagonistas das práticas observadas.

6.1.1 – “Nossa polícia é um barco à deriva”

Com o processo de redemocratização do País, iniciado nos anos 80, começaram-se a abrir canais de debate e discussão entre as polícias e representantes da sociedade civil organizada, processo esse que tem permitido identificar parceiros e estabelecer alianças que possam contribuir para a implantação de novas políticas de segurança pública. Esse debate priorizou, inicialmente, as arbitrariedades do uso da violência policial, sobretudo daquelas que envolvem o trabalho direto da Polícia junto à população, ampliando-se depois para outras questões.

Nos últimos anos, entretanto, com a escalada da violência e da criminalidade difusas na sociedade brasileira, a questão da segurança pública tornou-se um tema central na agenda político-partidária do País, acirrando a antiga retórica do Estado em torno da necessidade de mais repressão. Esse discurso, se por um lado é apoiado pela população em geral, que se sente ameaçada, aterrorizada e desprotegida, por outro, é contestada por alguns setores da sociedade, evidenciando o campo de tensão e conflito entre Polícia- sociedade que perdura no País.

Mudanças nesse sentido têm sido lentamente observadas no Brasil e efetivadas à medida que se estabelece um “controle” das ações policiais pelas comunidades às quais elas se dirigem, pelos movimentos sociais e por outros atores sociais que lidam com o problema da segurança pública, mediante a construção de espaços públicos e da ampliação da esfera pública. Nessa perspectiva, a função da Polícia é vista para além da necessidade de repressão à criminalidade, voltando-se não só à defesa da cidadania e à proteção dos direitos humanos, mas também à construção desses direitos. Visto desse modo, o problema da segurança se relaciona diretamente ao grau de exercício da cidadania, necessária ao funcionamento democrático.

Entre as iniciativas que têm se destacado nessa perspectiva, situam-se experiências como os Conselhos Gestores, os Conselhos de Defesa Comunitária, os Fóruns Temáticos, os Cursos de Direitos Humanos para Policiais, entre outras, que se disseminaram pelo País e se desdobraram em várias outras experiências. Além de terem a função de discutir aspectos que envolvem a democratização das polícias e as ações na área da segurança pública, os debates produzidos nesses espaços públicos fornecem elementos para entender as corporações policiais, os códigos, crenças e valores dessa cultura institucional e as formas como são incorporados/reproduzidos pelos agentes policiais, muitas vezes de modo autômato, nas relações com segmentos da sociedade, em particular com os grupos vulneráveis e em situação de conflito.

As reflexões que apresento a seguir têm como base informações e dados coletados ao longo da execução do projeto “A polícia como protetora dos direitos

humanos”, através de cursos e grupos de discussão, sob a responsabilidade da

Comissão de Direitos Humanos da UFS (CDH), aos quais me referi na Introdução. A partir dos registros dos debates nas aulas e nos grupos com os policiais, foi possível construir um mapeamento de temáticas que revelam modos de funcionamento da organização policial em Sergipe e determinadas lógicas institucionais que regem a cultura institucional, presentes de forma diferenciada em relação às Polícias Militar e Polícia Civil. (Comissão, 2002; Mendonça Filho et al, 2002; Neves e Passos, 2002).

Nas primeiras aulas e debates os policiais mostravam-se bastante reticentes ao tema “direitos humanos”, estigmatizado dentro das corporações policiais e em muitos setores da sociedade, como “direitos de bandidos”. Ao se ampliar a noção de direitos humanos para a noção de cidadania, os policiais, sobretudo militares, mudavam o discurso, evidenciando o desrespeito aos seus próprios direitos por parte do Estado, decorrente de práticas orientadas pelo militarismo nas relações fortemente hierarquizadas e pelo conservadorismo na relação superior x contingente policial. Em relação à Polícia Civil, a temática mais fortemente enunciada era a vinculação e dependência econômica da ação policial em relação à política partidária, que lhes restringia a autonomia e o poder de decisão, com forte subordinação dos dispositivos da Segurança Pública aos interesses das elites governamentais e políticas locais.

As discussões passavam então, a ser articuladas em duas vertentes: uma que se voltava para fora da corporação (a relação polícia-sociedade) e outra para dentro dela (a relação Polícia-policial). A primeira tinha como objeto de discussão o trabalho realizado pela Polícia e os desafios do exercício da função policial junto à população. A segunda colocava em debate as relações institucionais internas às corporações: relações de poder, condições de trabalho, códigos de moralidade e conduta, normas e pautas do comportamento policial, tensões inerentes ao campo e ao “ser policial” e “fazer polícia”.

No que diz respeito à relação polícia–sociedade, impunha-se freqüentemente a imagem “criminoso-inimigo” atribuída pelos policiais àqueles que infringem normas sociais e lesam direitos dos outros, sejam eles individuais ou coletivos. Os autores de ações criminosas eram vistos como não-cidadãos, o que justificava, inclusive, o uso da violência e da tortura e as ações prioritariamente repressivas que deviam pautar as políticas de segurança pública. Essa perspectiva aparecia estreitamente vinculada ao “combate” da criminalidade, exigindo uma polícia tecnicamente mais bem preparada, mais armada e na maioria das vezes, apartada de perspectivas mais comunitárias ligadas à função policial, através da prevenção e do ordenamento da vida social.

Por outro lado, em relação ao uso da força, muitos policiais relatavam episódios em que o exercício da violência policial aparecia em grande parte, como a manutenção da “imagem esperada da população” do que seja polícia, mais do que a realização de uma “imagem do próprio policial” acerca do que deve ser sua atividade. Nesse sentido, uma parte dos policiais, tanto na Polícia Militar como na Polícia Civil, respaldava outras noções de práticas diferenciadas, contrárias à violência e ao autoritarismo que identificou a ação das Polícias durante a ditadura militar.

Outro aspecto evidenciado na tensão entre polícia e sociedade, diz respeito ao diálogo com setores, grupos, entidades e movimentos sociais, que propõem um “controle externo” da sociedade sobre as práticas policiais. Nos debates sobre esta questão os membros das duas corporações se mostravam polarizados: de um lado a criação de espaços públicos em torno desse tema era bem vista, percebida como a possibilidade de construção de parcerias, que favoreciam o exercício da atividade policial e a melhoria da sua imagem junto à população; de outro, a idéia dominante de que segurança pública é uma questão interna das

polícias e de outras organizações responsáveis por ela, ou, no máximo, de especialistas na área.

No que diz respeito ao funcionamento interno das organizações policiais, em ambas as corporações os policiais falavam com ênfase acentuada, na precariedade das condições de trabalho, na falta de equipamentos para a realização do trabalho e para a segurança dos policiais em situação de risco, na desvantagem em relação ao crime organizado e aos “bandidos comuns”, dados que revelam uma enorme fragilidade do indivíduo no exercício da função policial. Os baixos salários, sobretudo dos praças na Polícia Militar e dos agentes de polícia judiciária e investigadores na Polícia Civil, levavam os policiais à realização de pequenos trabalhos no setor informal, sem vínculo empregatício, para complementar sua renda, dados que evidenciam a falta de uma política de pessoal satisfatória nas corporações.

Em relação aos processos de formação policial, as duas corporações se mostraram como instituições sem programas de formação básica, onde o desempenho da atividade policial era visto prioritariamente como “tirar serviço”, com predomínio dos processos informais de aculturamento, muito mais eficazes do que a aprendizagem formal dos conteúdos que são ministrados nos treinamentos oficiais.

No caso da Polícia Civil havia algumas particularidades: até 2001, existiam apenas 18 delegados de carreira em todo o estado de Sergipe. Os demais, tanto na capital quanto no interior, exerciam o cargo através do sistema comissionado e sua indicação repousava inteiramente no poder discricionário dos líderes políticos locais (o governador do Estado, prefeitos, vereadores, padres, o comandante da Polícia Militar, etc). Estes, algumas vezes, sequer respeitavam o requisito básico exigido por lei para o exercício da função de delegado de Polícia: ser Bacharel em Direito. Além da irregularidade do fato, esse quadro gerava problemas institucionais graves, principalmente pela instabilidade e rotatividade dos/das delegados/as e de suas equipes e práticas policiais que primavam pouco pela legalidade. Desde a sua criação, em 1986 até 2001, apenas 1 (uma) delegada de carreira havia assumido o cargo na DEPM de Aracaju.

Além disso, grande parte dos policiais lotados nas delegacias estava em desvio de função, sendo transferidos de outros órgãos públicos para a Polícia Civil ou redistribuídos das Secretarias de Estado da Educação e da Saúde para a

Secretaria de Segurança Pública, sem concurso público e exercendo a função de “auxiliares de agentes de polícia judiciária”. Como afirmam Neves e Passos (2002, p.212), “a maioria não tinha nenhuma noção do que é ser policial até receber um distintivo e uma arma” e muitos declaravam que seu interesse em trabalhar na polícia se deu em função do “usufruto de alguns direitos vistos como vantajosos, tais como poder usar legalmente armas de fogo (abrindo a possibilidade de trabalho como segurança privada nas horas vagas) e não pagar passagem de ônibus”.

Ao ingressarem na Polícia Civil esses “auxiliares de agentes” não receberam nenhum tipo de formação para o exercício da função policial, sequer o curso inicial de 40 horas costumeiramente dado pela ACADEPOL aos policiais concursados. Somente em 2001, após muitos anos em que haviam sido alocados na organização policial, passaram por uma reciclagem de três meses. Muitas das policiais lotadas da DEPM encontravam-se nesta situação. Apesar de ter havido concursos públicos para policiais civis nos últimos anos em Sergipe, ainda hoje é possível encontrar policiais nessa condição; quase todos, porém, próximos à aposentadoria.

6.1.2 – Um novo contingente de delegados: “vinho novo em odres velhos?”

Em 2001, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Sergipe realizou concurso para delegados, tendo sido aprovados cerca de 60 candidatos, com média de idade de 25 anos e, na sua maioria, sem experiência de trabalho anterior na Polícia. Aproximadamente um terço dos aprovados era formado por mulheres. O curso de formação para os novos delegados, divididos em três turmas, teve uma duração de três meses e foi concluído com um Planejamento Estratégico, conduzido pela CDH, cujo tema foi a organização interna do novo grupo de delegados.

Alguns discursos de membros do grupo de novos delegados revelavam o desejo de serem “um marco de renovação e mudanças das práticas policiais no Estado”. A preocupação principal do grupo, como um todo, porém, centrava-se na nomeação dos aprovados e na sua falta de organização política para se contrapor aos modos cristalizados de funcionamento institucional. A tendência, porém, de se concentrarem no objetivo imediato da contratação, garantido por meios

individuais, dificultava a articulação de um funcionamento grupal comprometido com objetivos menos imediatistas e mais alinhados com as responsabilidades societárias da função pública de delegado de Polícia (Comissão, 2002).

O esquema do Planejamento Estratégico foi articulado em torno das seguintes questões: 1) Por que mudar? 2) Como somos hoje? 3) Como queremos ser? 4) Quais as etapas que nos separam do que temos como meta?

Os conteúdos enunciados como respostas dadas pelos novos delegados às questões acima, mostram que a motivação para a mudança das práticas policiais estava no interesse da maioria em “acabar com a ingerência da política partidária

dentro da instituição policial, melhorar a imagem da polícia e sua credibilidade, e evitar sacrifícios e/ou desgastes individuais”. Viam-se, entretanto, como “inseguros e apreensivos quanto à nomeação, ao exercício da atividade profissional e à possibilidade de implementação das mudanças almejadas; perseverantes e juridicamente preparados, à procura de estabilidade profissional e financeira, com vontade de acertar e interessados em mudar”; mas, também, “individualistas, desorganizados e submetidos às circunstâncias e interesses políticos que não dominavam”. Queriam ser “uma Polícia científica, eficiente e democrática, respeitada pela sociedade, não pelo medo, mas pela atuação pautada na legalidade, no respeito à dignidade humana e em princípios morais inegociáveis”.

Desejavam se firmar como “um grupo forte, coeso e organizado politicamente,

integrado à comunidade, imune aos vícios que contaminam a Polícia, com equiparação salarial e isonomia em relação às outras carreiras jurídicas”. As

ações apontadas como meios para viabilizar as mudanças almejadas foram: a instauração de um fórum mensal de reunião do grupo, a formação de uma associação ou dispositivo de representação, o estabelecimento de procedimentos- padrão apoiados nas discussões de um grupo de estudos jurídicos, a luta por eleição de representantes do Conselho Superior da Polícia Civil e pela nomeação de todos os aprovados no concurso. (Neves e Passos, 2002).

O novo grupo estava ciente de que garantir a nomeação de todos significava um confronto com fortes interesses de vários setores da política sergipana. Contudo, esperavam não só ingressar na Polícia Civil, mas poder exercer suas atividades com as melhores condições possíveis e com o respeito da sociedade. Nesse sentido, eles definiram a atuação da Polícia Civil à época, como

quanto às possibilidades de mudanças na corporação. Essa visão negativa da polícia foi explicitada em diversos momentos por muitos alunos, que chegaram a revelar seus próprios preconceitos em relação à instituição, sublinhando, inclusive, a “casualidade e oportunidade de ingresso na Polícia Civil”. Outro tema recorrente nos debates foi “a idéia de que, agora, a Polícia Civil vai trabalhar com a

legalidade”. O grupo, porém, mostrava-se dividido entre a crença de que a Polícia

Civil sergipana “pode funcionar sob a égide da legalidade, já funciona desse modo

ou jamais funcionará assim”. Alguns chegaram a afirmar que não havia como

escapar da tortura e que cerca de 10 a 30% dos novos delegados a usaria, uma vez que “a polícia trabalha com a violência, institucionalizada ou não” (Neves e Passos, 2002, p.205-224).

Vê-se, deste modo, que o grupo não era homogêneo em relação à necessidade de mudanças na Polícia Civil e no sistema de segurança pública, nem quanto aos meios para realizá-la. Alguns pareciam inclusive pouco interessados ou comprometidos com isso, buscando, ao contrário, apenas a garantia de um emprego público seguro, com possibilidades de ascensão profissional. Muitos, por outro lado, mostravam o interesse e empenho de incorporarem as discussões sobre direitos humanos e cidadania às suas práticas como delegados e cidadãos, bem como a tentativa de criar outro perfil da Polícia Civil sergipana. Assim, ao lado das possibilidades de mudanças vislumbradas com o ingresso dos novos delegados, evidenciava-se a fragilidade desse grupo frente às práticas antigas, fixadas por uma longa tradição e mantidas por relações de dominação consolidadas no campo policial, tais como: a vinculação com a política partidária, ações policiais que não primavam pela legalidade, falta de programas de formação policial adequados, desenvolvimento de ações policiais pautadas na informalidade e no amadorismo, precárias condições de trabalho, falta de organização da categoria, etc. As possibilidades de concretização das mudanças pareciam estar diretamente vinculadas à organização política dos membros comprometidos com elas e sua capacidade de se manter como foco de resistência, capaz de produzir desestabilizações (instáveis e circunstanciais, certamente) nas correlações de força que mantinham essas relações de poder dentro da Polícia Civil.

A seguir, procuro mostrar como esse cenário institucional se refletiu sobre as práticas das DEPMs no Estado de Sergipe, tendo como foco, porém, as

singularidades dos modos de funcionamento dessas unidades policiais, no atendimento de um público específico.

6.2 Duas décadas de funcionamento da DEPM em Aracaju (1986-2004): Práticas institucionais e seus impasses

6.2.1 Estrutura física e condições de trabalho

A Delegacia Especial de Proteção à Mulher do Distrito de Aracaju (DEPM), contava em 2002 em seu quadro funcional com 26 funcionárias/os: 1 delegada de carreira76, 1 escrivã de carreira, 3 escrivãs ad-hoc designadas para registro de Boletins de Ocorrência e instauração de inquéritos, 3 agentes de polícia judiciária incumbidos de funções cartorárias, 1 assistente social, 2 psicólogas, 1 agente de polícia responsável pela captura, 1 chefe de custódia e 13 agentes policiais em plantões de atendimento. Funcionava de segunda a sexta-feira, das 7:00 às 18:00 horas e não havia plantões nos fins de semana.

Apesar de não possuir sede própria, a DEPM estava situada num casarão antigo, que oferecia razoáveis condições físicas de atendimento, com sala de espera, secretaria e gabinete da delegada, salas para atendimento psicossocial, cartório e sala para registro de ocorrências, dividida com o arquivo. Este cômodo não garantia a privacidade necessária ao registro das queixas, além de ser passagem para a cozinha. A sede estava situada no centro da cidade, numa via de fácil acesso à população, próxima ao IML e a um posto de saúde que presta eventualmente serviços de assistência às mulheres com lesões corporais. Não havia, nem há, como disse no Capítulo 4, uma rede estruturada de apoio às mulheres em situação de risco, embora fosse possível encaminhá-las, quando se tratava de casos gravíssimos, para um albergue que acolhe a população de rua,

76 Antes do concurso para delegados era comum haver 2 delegadas lotadas na DEPM (uma titular