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ÜÇÜNCÜ BÖLÜM BAĞDAT DEMİRYOLU

3.2. BAĞDAT DEMİRYOLU’NA İLİŞKİN TARTIŞMALAR

3.2.2. Tartışmaların Başlaması

A sociologia do trabalho define profissão como qualquer atividade econômica especializada e institucionalizada legalmente, em que os papéis sociais exercidos por seus atores podem sofrer modificações (mudanças culturais) ao longo do tempo e do espaço e que conferem nítida superioridade ao profissional em relação à sua clientela (PIRES, 1989). Esta superioridade relativa decorre da vantagem que o profissional leva em matéria de conhecimento e cuja autoridade está legitimada publicamente em relação ao leigo. O caráter de cientificidade — fornecido pelos seus saberes especializados e legitimados pela sociedade — confere-lhe uma posição de domínio como sujeito “que sabe” sobre o cliente, “aquele que não sabe”.

No caso dos profissionais de saúde, que têm como objetivo a prevenção, promoção, conservação e recuperação da saúde, esta superioridade relativa ao saber da cura ou do tratamento da doença parece encontrar-se mais acentuada em virtude da própria fragilidade da situação em que o paciente está: dor, medo, insegurança, ameaça ao próprio bem-estar, à sua integridade estrutural ou funcional ou, até mesmo, à vida. O paciente vê ampliada essa desigualdade frente ao agente de saúde porque está vivendo uma situação de maior ou menor vulnerabilidade; ou seja: o profissional de saúde é aquele que tem o domínio do conhecimento acerca das doenças e das novas tecnologias que estão em contínuo desenvolvimento e que são destinadas ao tratamento e ao diagnóstico das patologias. Este conhecimento que os profissionais de saúde detêm lhes confere-lhes um status que se produz em fonte de poder.

Os saberes são elementos de estratégia política utilizados em relações de poder, alguns saberes emergem e são legitimados pela sociedade em detrimento de outros. Para Foucault (1997), o poder é uma relação tática de dominação e resistência, ao processo de libertação, tendo a busca de verdade através de uma epistemologia do saber, do conhecimento.

Foucault (1997), ao estudar a formação dos saberes, levou em conta todos os saberes sobre temas específicos em diferentes épocas. Ele buscou identificar a lente, através da qual — sem se ater a nenhuma disciplina específica, através do

método da arqueologia e da genealogia do saber — foi propiciada a produção de determinadas concepções. Um exemplo disso foi o seu estudo sobre as diferentes acepções e discursos emitidos sobre a loucura; juntamente com as mudanças que ocorreram neste conceito ao longo do tempo; e que acabaram por possibilitar a constituição da psiquiatria. A análise feita por ele pretendeu demonstrar a relação estabelecida entre todos os saberes, em uma mesma época ou em épocas diferentes, e a forma como esses saberes atravessam os discursos e as práticas produzidas por eles; sobre os quais germinaram determinadas ciências.

As práticas discursivas impõem limites e coações da mesma forma que permitem que verdades aflorem, emergindo de um “solo fértil” em detrimento de outras verdades: a isso, Foucault (1997) cunhou de epistémê. A análise da epistémê, conforme argumenta Foucault, possibilita a identificação da visão de mundo, que é compartilhada por todos em um mesmo período histórico. Essa visão de mundo determina os postulados e as regras que constituem todo conhecimento, científico ou não, de uma mesma época, aprisionados em uma mesma forma estrutural de pensamento, da qual os homens não podem escapar. É possível, através da pesquisa histórica, analisar como e por que estes saberes se constituem e se transformam (arqueologia e genealogia do saber, respectivamente) através das práticas produzidas pelo discurso, ou seja: quais são suas condições de possibilidade.

A formatação das diversas profissões é resultado das práticas sociais que formam e posicionam o sujeito do conhecimento, por meio das regras discursivas do saber indispensáveis à constituição de uma ciência. Esse saber é utilizado como uma forma de poder cujo exercício produz mais saber que será empregado nas relações de poder e assim sucessivamente.

Os saberes estão presentes nas relações em que há disputa por poder. Essa dinâmica das relações se constitui em um jogo de verdades. Essas verdades estão estabelecidas por princípios inconscientes, paradigmas que determinam nossa visão de mundo. Segundo Morin (1991, p. 13):

Todo conhecimento opera por seleção de dados significativos e rejeição de dados não significativos: separa (distingue ou desune) e une (associa, identifica): hierarquiza (o principal, o secundário) e centraliza (em função de um núcleo de noções mestras).

No mundo ocidental, as ciências da saúde têm essas verdades constituídas dentro do modelo biomédico, em uma concepção mecanicista da vida – de causa e efeito – sustentadas por uma “biologização” do sujeito humano e do conhecimento cientifico. A supremacia do modelo biomédico como visão de mundo nas ciências da saúde impregna, ainda hoje, todas as ações e, pesquisas nesta área (CAPRA, 1999). A ênfase, dada ao modelo biomédico, no qual a base científica está fundada na biologia, é afirmada por Capra (1999), que ignora, exclui e reduz o homem a um mecanismo; desconsiderando todas as suas múltiplas facetas e características peculiares, sobretudo aquelas atinentes a sua dimensão cultural, simbológica e subjetivista, e que dificultam a compreensão dos médicos em diagnosticar a causa de muitas doenças da atualidade. As relações interativas do sistema nervoso do organismo vivo com o meio ambiente, ainda estão longe de serem entendidas, e são precisamente estas, as funções fundamentais da saúde e que interessam sobremaneira à medicina.

Como a medicina ocidental adotou a abordagem reducionista da biologia moderna, aderindo à divisão cartesiana e negligenciando o tratamento do paciente como uma pessoa total, os médicos acham- se hoje incapazes de entender, ou de curar, muitas das mais importantes doenças atuais (Capra, 1999, p.98).

Os profissionais de saúde são levados a transitar por fronteiras de um saber complexo que por vezes é impreditível, como é o caso dos saberes que lidam diretamente com as questões do homem, em relação a sua subsistência e as suas moléstias, postas no mundo fático.

O conhecimento adquirido e transmitido pela humanidade, desde então, segue a metodologia cartesiana de separar o todo em partes, e partir do simples, para entender o mais complexo. Na instituição universitária são produzidos e reproduzidos, saberes e verdades, estabelecendo padrões e seguindo o método da análise para a apreensão do conhecimento.

Com relação à instituição do saber universitário, é importante destacar o papel das universidades na formação do conhecimento legitimado. Conforme o autor Ben- David (1974), a institucionalização da ciência e a afirmação da universidade como instituição social implicou em que ela fosse aceita pela sociedade como atividade valorizada e reconhecida, com função social relevante, que possuísse normas e

regulamentação em determinado campo de atividade e que tivesse autonomia diante das outras atividades e estivesse adaptada às normas sociais em outros campos de atividade.

Foi somente no século XIX, com a revolução industrial, o crescimento das cidades e das populações, que a universidade tornou-se o centro da produção de conhecimento cientifico institucionalizado, disciplinarizado e profissionalizado. A idéia do mundo europeu, e mais largamente do mundo ocidental, era de que toda a razão, sabedoria e verdade, estavam concentradas na civilização ocidental, no interior das universidades.

As universidades permanecem até o presente momento como formadoras e disciplinadoras do saber e do conhecimento. Segundo Morin, a separação entre a cultura científica e a cultura humana iniciada no século XIX e agravada no século XX provocou uma fragmentação do conhecimento sobre a noção de homem entre as ciências biológicas e as ciências humanas. O autor argumenta (2000, p.113):

As ciências humanas se ocupam do homem; mas este é não apenas um ser físico e cultural, como também um ser biológico, e as ciências humanas, de certa maneira, devem ter raízes nas ciências biológicas que devem ter raízes nas ciências físicas — nenhuma dessas ciências, evidentemente, é redutível uma à outra.

Segundo o autor, é necessário olhar o homem na sua totalidade e complexidade, integrando todos os elementos que o compõem, bem como o ambiente e a natureza na qual está inserido e que dela faz parte.

O desafio está em encontrar a “via” de comunicação entre os saberes e caminhar em direção a compreensão da totalidade, embora se saiba como nos diz Morin (1991, p. 9), que: “o conhecimento completo é impossível”.

Hoje, é observada a busca por uma saúde holística, integralizadora que seja capaz de compreender o homem como um todo; e não, seccionado em partes, exigindo que no exercício da profissão de saúde sejam também consideradas as questões éticas da vida humana e do meio ambiente.

Dentre as diversas mudanças que têm ocorrido na área da Saúde, observa-se a emergência de um novo ator social/profissional pertencente a uma equipe multidisciplinar que não está mais isolado em seu saber, mas em permanente

contato com a equipe, com o usuário dos serviços de saúde e com o meio no qual está inserido.

4.3.2 Aspectos da gênese das profissões de Farmácia, de Enfermagem e de

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Benzer Belgeler