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Sosyal Güvenlik Yönüyle Öne Çıkan Vakıflar

A. VAKIFLAR

7. Sosyal Güvenlik Yönüyle Öne Çıkan Vakıflar

Uma questão adicional a respeito dos perfis dos diretores das ARIs diz respeito à possível existência de trade-offs entre filiação partidária e qualificação profissional. Segundo nossos dados empíricos, o IQP médio dos diretores não-filiados era de 0,44, contra 0,33 dos diretores filiados a partidos políticos. Desenvolvemos um teste estatístico t de comparação de médias, buscando testar a hipótese de que não haveria diferença estatísticamente significante entre as médias do grupo de diretores filiados e as daqueles não filiados a partidos políticos. Confome mostra a Tabela 33, a hipótese é rejeitada ao nível de 1% de significância, o que indica que há diferença significante entre os dois grupos: filiados partidários apresentam menor nível de qualificação profissional relativamente aos demais diretores de ARIs.

Tabela 33. Teste-t de comparação de médias – IQP conforme filiação partidária

GRUPOS OBSERVAÇÕES MÉDIA IQP

Não-filiados 142 0.44 Filiados 49 0.33 Combinados 191 0.41 Diferença 0.11 t = 2.744 Graus de liberdade = 189 H0: diferença = 0 Pr (|T| > |t|) = 0.006*

Fonte: elaboração própria

* - estatisticamente significante ao nível de 1% ** - estatisticamente significante ao nível de 5% *** - estatisticamente significante ao nível de 10%

Neste mesmo tópico, tomando desta vez as ARIs como unidade de análise, plotamos as médias de cada ARI nas duas dimensões analisadas – filiação político-partidária e Índice de Qualificação Profissional – num único gráfico, representado no Gráfico 4.

Para fins de plotagem no gráfico, utilizamos a medida inversa da filiação partidária – a proporção de diretores não-filiados a partidos políticos, indicada por um valor entre 0 e 1 – mensurada no eixo vertical, denominado “neutralidade político-partidária”35; enquanto o eixo horizontal mostra a escala da qualificação profissional dos diretores de acordo com o IQP. Dessa forma, o gráfico permite uma comparação das ARIs federais em relação a dois dos atributos centrais do modelo conceitual de agência reguladora.

Os resultados mostram um grau razoável de variação entre as ARIs federais, demonstrando como, entre órgãos que compartilham um mesmo desenho institucional, podem conviver padrões muito distintos de lógicas de nomeação. Seis das dez ARIs possuem um IQP acima da média (0,4136): Anatel, Anac, Aneel, ANS e ANA. Encontram-se abaixo da média ANTT, Antaq, Anvisa e Ancine. Em relação ao índice de neutralidade político- partidária, por sua vez, encontram-se acima da média (0,7537): Anatel, Anac, Aneel e Antaq. Abaixo da média estão ANA, ANP, ANTT, ANS, Anvisa e Ancine.

ANA e ANP apresentam situações interessantes, já que estão em um nível relativamente alto de qualificação profissional, mas apresentam, ao mesmo tempo, menores índices de neutralidade político-partidária, o que pode indicar que, em contextos específicos, o trade- off teórico entre qualificação profissional e filiação partidária não corresponda à realidade, sugerindo um caminho promissor para futuros estudos de caso.

Também nota-se como agências surgidas num mesmo setor e contexto, e com desenhos muito semelhantes - ANTT e Antaq – possuem, aparentemente, níveis semelhantes de                                                                                                                

     

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O rótulo “neutralidade político-partidária” talvez não seja totalmente apropriado, na medida em que a não –filiação partidária do indivíduo não é, necessariamente, garantia de neutralidade do ponto de vista das suas preferências partidárias. Ainda assim, optamos pela utilização do termo, na medida em que, quando tomamos a ARI como unidade de análise, o índice de filiações partidárias de seus dirigentes é um indicador comparativo importante do grau de envolvimento político-partidário do corpo diretivo da agência.

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Ver Tabela 31 (página 155)

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qualificação profissional, mas índices de neutralidade político-partidária bastante distintos, o que pode ser um indicativo de que, mesmo dentro de um mesmo setor, as lógicas de nomeação podem seguir padrões muito particulares de acordo com os segmentos específicos em que cada órgão atua.

Um destaque em particular é o caso da Anatel, que é a agência cujo perfil dos diretores mais se parece se aproximar do preconizado pelos proponentes do modelo de ARI, possuindo maiores índices de neutralidade político-partidária e qualificação profissional. Novamente, caberia aqui um estudo de caso mais aprofundado, de forma a identificar como oa evolução histórica do setor, bem como suas características econômicas e políticas, podem ajudar a explicar a consolidação de uma ARI capaz de operar, aparentemente, com maior nível de independência decisória, se comparada às demais, ao longo de diferentes mandatos presidenciais.

A Ancine, por sua vez, destaca-se no pólo oposto, obtendo os menores índices de qualificação profissional e de neutralidade político-partidária entre todas as ARIs. Vale talvez aqui retomar a dicussão a respeito da gênese desta agência, descrita na Seção 3, uma vez que a Ancine é efetivamente a mais atípica das ARIs, no tocante à sua atividade-fim, mais voltada ao fomento de atividade econômica do que à regulação (HOLPERIN, 2012). Nesse sentido, é sintomático que ela apresente valores aparentemente tão díspares em relação às demais ARIs, como se vê claramente no Gráfico 4.

Tomados em conjunto, os dados expostos no gráfico parecem provocar ainda mais indagações a respeito dos limites do desenho institucional, sugerindo que características setoriais ou históricas tenham maior peso, na definição das lógicas de recrutamento dos altos dirigentes públicos, do que as restrições de caráter formal, uma indicação que nos parece sugerir caminhos promissores para futuros estudos e pesquisas empíricas sobre as nomeações presidenciais.

 

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Gráfico 4. Neutralidade político-partidária e Índice de Qualificação Profissional (IQP) médios, por ARI (1997-2014) Fonte: elaboração do autor