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Kendi Görüşünü Destekleme

3. Ebussuûd Efendi’nin Hayatı ve Eserleri

2.10. Kendi Görüşünü Destekleme

A fim de retratar um pouco da realidade das comunidades rurais da Cia Usina São João, passemos a relatar algumas histórias de uma de suas comunidades, a Fazenda

São Gonçalo. A Fazenda São Gonçalo é uma das maiores e mais férteis fazendas da Usina São João, por se localizar na várzea do Rio Paraíba. Produz 60 mil toneladas de cana de boa qualidade a cada safra e possui uma área total de 4.300 hectares. Nela trabalham 107 pessoas, entre trabalhadores efetivos e temporários. A maior parte das terras são planas, mas um terço de toda a área é de tabuleiro e planalto, de onde se tem uma das melhores vistas de João Pessoa e do pôr-do-sol.

É uma fazenda muito bem localizada, distando oito quilômetros da Usina São João e dos municípios de Santa Rita e Espírito Santo, cidades onde a maioria dos moradores estuda, tem outra residência, faz feira ou tem parentes. Na comunidade, vivem em torno de 250 pessoas, abrigadas em 54 casas. Há, ainda, prédios comunitários no local, quais sejam: duas igrejas, uma escola, um alojamento coletivo, instalações esportivas, uma pequena mercearia, um local para atendimento médico e odontológico, além dos prédios da administração e galpões para guardar os equipamentos e materiais de trabalho.

Os holandeses foram os primeiros donos da Fazenda São Gonçalo. Foram eles, inclusive, que construíram a igreja e o casarão. Estima-se que a igreja tenha sido construída em 1800 e sua arquitetura abobadada, no modelo europeu, revela a influência do estilo barroco, corrente artística e arquitetônica muito influente na Europa a esta época. Os holandeses viviam aqui no Nordeste comprando e vendendo açúcar para exportar para a Europa e fiscalizando a produção em engenhos como o São João, que recebia financiamentos holandeses para expandir a fabricação de açúcar para a Europa.

Algum tempo depois da partida dos holandeses, em 1920, um homem chamado Gonçalo tornou-se o proprietário da fazenda. Era um homem severo, que foi capaz de enterrar a própria filha viva junto ao namorado, por não admitir o seu namoro com um rapaz simples e empregado da própria fazenda. Gonçalo tinha um filho chamado Gonçalinho, rapaz farrista e jogador de carteado e que contraiu uma grande dívida para com a família Ribeiro Coutinho. Gonçalo desconhecia tal dívida e quando a descobriu, a mesma estava tão grande que não havia mais condições de pagá-la. Portanto, em janeiro de 1944, perdeu a fazenda para os Ribeiro Coutinho, que se tornaram os novos proprietários da terra. Esses empregaram como administrador um homem de nome Araújo, considerado muito violento, pois gostava de bater nos trabalhadores e colocá- los no “mané-velho”22.

22 Mané-velho era um quarto escuro onde os trabalhadores que cometiam qualquer indisciplina eram

Nesta época, em 1944, a fazenda São Gonçalo era muito grande, com muitas moradias, onde as pessoas podiam criar gado, cabras, plantar e fazer tudo mais que quisessem. Tinha, também, muitas vertentes de água e muitas fruteiras. Havia, na fazenda, duas olarias de tijolos e a energia era a motor, que funcionava de seis da manhã às dez da noite. Não havia meios de transporte, a não ser animais, e as pessoas iam até Santa Rita a pé, ou a cavalo. Atualmente, a Fazenda São Gonçalo faz parte das várias fazendas pertencentes à Companhia Usina São João. Seus moradores, em grande parte, trabalham na própria Usina. Muitos nasceram nesta fazenda e outros chegaram ali ainda muito cedo, na infância com seus pais, sendo grande parte deles do interior da Paraíba e que vieram para a fazenda visando emprego e melhores condições de vida.

As casas da Fazenda São Gonçalo ficam próximas umas das outras, fazendo com que todos se conheçam na comunidade. Esse é, inclusive, um dos motivos que, segundo os próprios moradores, faz da fazenda um lugar tranqüilo e seguro para se viver. Porém, ali a vivência não é marcada apenas pela proximidade física, mas, principalmente, pelo parentesco e pelas semelhanças. Muitos moradores possuem a mesma profissão e estudam juntos e isso, aliado ao fato de dividirem o mesmo espaço, colabora para que todos tenham estilos de vida muito parecidos e laços fortes de solidariedade. A noção de comunidade, no sentido mais estrito da palavra, pode aqui ser bem empregada, pois se percebe na fala dos moradores o sentimento de pertença a algo comum.

Esse sentimento de comunidade é percebido, também, de forma prática. Um exemplo disso é a prestação de serviços que é realizada quando alguém necessita, já que todos estão dispostos a colaborar com os demais moradores. As pessoas sem emprego, por exemplo, além de serem ajudadas por seus familiares a desenvolverem algum tipo de atividade lucrativa, são ajudadas por seus amigos da comunidade.

Existe, ainda, na comunidade uma organização religiosa, em que as pessoas que participam procuram compartilhar suas necessidades materiais. Essas se organizam de forma que possam saber quem são os mais necessitados, identificando-os através de visitas constantes aos lares da comunidade, para poderem ajudá-los.

Outra forma de organização que existe é o grupo de jovens, também ligado à igreja. Neste grupo, os jovens aprendem com as professoras e moradoras mais antigas, além da sociabilidade natural que se desenvolve com a convivência em grupo, assuntos práticos e atuais que precisam para enfrentar o cotidiano, através de palestras sobre educação sexual, orientações sobre como conviver em comunidades, como ser solidário,

como conseguir o primeiro emprego, a necessidade de se evitar a bebida, o fumo e as drogas e sobre o valor de elevarem a sua escolaridade.

A escola da comunidade é freqüentada pelas crianças durante o dia. À noite, funciona o programa de educação para jovens e adultos, que atende aos trabalhadores e seus familiares. Muitos destes abandonaram os estudos há muito tempo, na maioria das vezes nem aprenderam a ler; porém, admitem ser o estudo importante para suas vidas e tentam recomeçar. Outros, embora considerando importante o estudo, não freqüentam a escola, pois alegam falta de tempo e, principalmente, exaustão, em função do trabalho.

Enfim, podemos inferir que a comunidade São Gonçalo é marcada por relações de proximidade entre seus membros, visto que todos se conhecem e convivem entre si, comemorando juntos as principais festividades do ano e compartilhando os mesmos costumes e usos.

1.12. ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA QUANTITATIVA E