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No dia 13 de abril de 2013, durante o intervalo do turno da tarde na escola, o grupo EMdiálogo participou da realização de uma intervenção artística que aconteceu no pátio da instituição Castelo Branco. A prática com fitas entrelaçadas significava as diversas escolhas que os jovens precisam fazer, bem como as dificuldades e limitações que cruzam os caminhos do nosso cotidiano. A proposta abrigava o desenrolar das fitas, representando as opções de escolhas para ultrapassar os obstáculos que temos pela frente nos percursos que traçamos.

Em 13 de julho de 2013, a monitora Mírian Rocha postou no Portal EMdiálogo um comentário sobre a Intervenção realizada na escola, buscando esclarecer que promover uma intervenção significava um tipo de manifestação artística, geralmente realizada em grandes cidades. A monitora fez questão de elucidar que a intervenção consistia em uma interação com um objeto artístico ou com um espaço público, visando colocar em questão as percepções que se manifessem acerca do objeto ou espaço, voltado para uma experiência estética. Assim, procurava produzir novas maneiras de perceber o cenário da escola e criar relações afetivas com a instituição.

Para tanto, os jovens desenrolaram e amarraram em colunas um emaranhado de fitas coloridas. As fitas tomaram a passagem do pátio e esvoaçavam enquanto eram desenroladas dos nós param serem novamente atadas. O vídeo, denominado “Intervenção Artística”, foi uma das primeiras manifestações dos estudantes na escola em desconstrução e reflexão do ambiente escolar. Foi uma das produções que mais agradou os jovens, como pudemos observamos nas declarações no grupo do facebook e no Portal.

O vídeo performance “Intervenção Artística, seus caminhos e suas escolhas45”, foi uma

das primeiras imagens produzidas pelos estudantes na escola Castelo Branco. A composição que foi publicada no portal, também foi comentada em 04 de julho de 2013, pelo professor

Dr. Paulo Carrano, coordenador geral do Portal EMdiálogo.

Muito legal a intervenção artística e corporal na escola Castelo Branco, em Fortaleza! Ninguém duvida que a escola é um lugar para se aprender coisas, não é mesmo? Mas, quantas vezes os estudantes têm a oportunidade de aprender sobre si mesmo? O autoconhecimento não deveria ser tão valorizado quanto os ditos conteúdos curriculares? Não deveria ser também o corpo e o conhecimento de si chaves das aprendizagens escolares? Aprender a fazer boas escolhas é caminho para a liberdade. Parabéns pelo trabalho! Sigam interferindo! Forte abraço! (Comentário publicado no Portal EMdiálogo, na página do vídeo Intervenção Artística, pelo Professor Dr. Paulo Carrano, coordenador geral do EMdiálogo).

As fitas coloridas foram organizadas e trançadas pelos estudantes, sendo amarradas de modo que tecessem teias entre as colunas no pátio da escola. Cada integrante do grupo escolheu uma estrutura para amarrar uma fita, depois, os p´roprios estudantes exploraram os espações entre as fitas. Iniciaram um pouco tímidos, mas foram aprimorando coreografias espontâneas, individuais e em grupo.

Eu coloquei a primeira fita de modo que todos que tentassem atravessá-la passassem por extrema dificuldade, pois existem escolhas difíceis que tem a função de provar que as escolhas mais complicadas são geralmente as mais corretas (Comentário do Alex, participante do EMdiálogo na Escola Castelo Branco, publicado no Portal EMdiálogo, na página do vídeo Intervenção Artística).

O estudante Virgílio Maciel, fez a consideração de que escolheu lugares que por mais que as pessoas tentassem desviar, mesmo assim, teriam como obstáculo as fitas e assim, cruzariam as barreiras. Pois, quando os estudantes colocaram as fitas, eles estavam pensando na escola, nos outros estudantes que não eram integrantes do Coletivo EMdiálogo, não obstante fossem “convidados” a interagir de modo inusitado com as intervenções do EMdiálogo Castelo Branco.

Eu escolhi lugares, para que, por mais que as pessoas tentassem desviar, mesmo assim cruzariam as fitas. Porque, por mais que você faça escolhas tem coisas que você não pode desviar, e a cada escolha que você fizer irá te levar a lugares onde você terá que fazer novas escolhas (Comentário publicado na página do vídeo

Intervenção Artística, no Portal EMdiálogo, pelo estudante do Virgílio Maciel, do

projeto EMdiálogo na Escola Castelo Branco).

45

Intervenção Artística, seus caminhos e suas escolhas. Disponível em:

Fran Bernardino, monitora de teatro, atuante no projeto EMdiálogo em outra escola de Ensino Médio, comentou o vídeo Intervenções Urbanas em 12 de julho de 2013, percebendo como foi interessante promover o estranhamento dos alunos na escola, através da prática com fitas que recortavam o pátio. Em um comentário que foi publicado no Portal EMdiálogo, a monitora Fran, parabenizou a equipe e salientou que a arte estava fazendo parte da vida dos jovens da escola Castelo Branco e levando-os a interagir de modo mais profundo.

Como diz com precisão Vigotsky (1999, p. 267): “As emoções da arte são emoções inteligentes. Em vez de se manifestarem de punhos cerrados e tremendo, resolvem-se

principalmente em imagens de fantasia”. Vigotsky (1999) observa que a arte captura

sentimentos que são vitais. O papel da experiência estética atua como um meio para um estranhamento do real, do óbvio, do habitual, trabalhando com as subjetividades, como podemos observar: “Sobre todas as fitas achei muito interessante, porque mostra que nós podemos passar todas as barreiras da nossa forma, na brincadeira, na amizade, no carinho e

etc” (Luis, integrante do coletivo EMdiálogo)

Figura 6: Intervenções

Referência: Portal EMdiálogo

Sabe-se que a educação em arte privilegia uma relação subjetiva com o mundo. Vigotski (1999, p. 325) já apontava o ato artístico como um movimento criador. “Ensinar o ato criador da arte é impossível; entretanto, isto não significa, em absoluto, que o educador

senso comum, não como forma de ajustar-se ao social, mas de modo analítico e transformador.

Quando o monitor EMdiálogo estimulava o estudante a explorar, fazia-se necessário que oferecesse momentos de imaginar e que pudesse refletir sobre essa expressão. O monitor poderia favorecer a apreensão de significados na perspectiva subjetiva das relações da ação humana, por meio da arte. Sabemos que, por outro lado, historicamente, a educação brasileira apresenta uma postura autoritária e sem as riquezas da criação artística. Diferentemente do papel centrado na figura de um professor, como registro do tradicionalismo escolar, a postura do monitor das oficinas EMdiálogo assumiu o canal de propor mediação no estímulo ao pensamento e sua conexão com a vida, a cidade e suas intensidades estéticas, em conexão digitalcom estudantes de todo Brasil.

Assim, a arte é uma tecnologia dos sentimentos, como fala Vigotski (1999), e pode-se dizer que produz um efeito de caráter social, quando expõe suas formas- sentimentos. Nesse sentido que se pode afirmar que a arte cria um ambiente de sensibilidade, através dos sentidos que ela engendra, gerando condições para a inteligência se realizar, em sua leitura de mundo. Assim, o papel da afetividade é funcional na inteligência, pois o sentir se torna fundamental na elaboração da consciência de si.

Nessa perspectiva, a apreciação artística é construída pelos códigos culturais que podem mudar de um povo para outro, em fluxo de saberes singulares das experiências estéticas de uma cultura e seus símbolos, signos e significados. Duarte Junior (1991, p. 49) ao

dizer que “a arte é um fenômeno presente em todas as culturas”, e por ser espaço não

estagnado, não paralisa, mas movimenta a criatividade das coletividades e a imaginação, passando a representar um papel central na transformação da consciência de si e do outro.

Freire (1997, p. 165) trazia essa necessidade da arte de criar algo do sujeito que fugia à ditadura racionalista, e propunha então a dimensão da experiência educacional: “Como prática estritamente humana jamais pude entender a educação como uma experiência fria, sem alma, em que os sentimentos e as emoções, os desejos, os sonhos devessem ser reprimidos por uma espécie de ditadura racionalista”.

Nesse contexto reflexivo, podemos observar que na experiência do pensamento sobre o olhar, significamos a exploração dos sentimentos e seu refinamento, onde a imagem volta-se para si, na produção da própria história, em construção, desconstrução e reconstrução do universo perceptível. A percepção também possui seu aspecto não consciente: vislumbra o que esperamos enxergar ou o que pensamos ter identificado, e “esconde” o material não consciente nas dobras da fantasia e da ficção.

A poética artística imagética estimula a forma multidimensional da complexidade que não pode ser padronizada ou simplificada a uma única visão do todo. Segundo Morin (1996), a lógica não é suficiente, onde o racionalismo calculável elimina toda a subjetividade. A prática pedagógica quando acolhe a subjetividade e o mundo dos educandos, fomenta as dimensões do sujeito em um exercício da criatividade, oportunizando meios de ouvir o outro, para olhar para si mesmo. A Imagem, então, desponta nesse campo interativo como uma tentativa de nos apresentar as questões da experiência humana, que emergem no tempo e atravessam o tempo, pois são parte da História.

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