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A garantia do equilíbrio econômico-financeiro está no âmbito do direito. No entanto, a ciência econômica fornece os métodos para a análise dos custos e benefícios da concessão,85 tanto do ponto de vista da Administração Pública quanto do concessionário. Nessa seara, equilíbrio econômico e equilíbrio financeiro não se confundem.

Segundo Roy Martelanc, o equilíbrio econômico garante a rentabilidade do concessionário, em equivalência aos patamares praticados no mercado, mais seus méritos, menos seus deméritos, não sendo, entretanto, suficiente para se assegurar a viabilidade financeira da concessão. O equilíbrio financeiro, por sua vez, corresponde ao suficiente fluxo de recursos financeiros, sem os quais a concessionária não consegue prover, adequadamente, o serviço que lhe foi outorgado.86

Embora o conceito de equilíbrio econômico-financeiro seja indeterminado, dependendo, para sua configuração, das disposições contratuais, do regime da outorga da concessão (exclusividade, concorrência) e do próprio serviço concedido,

84 CÂMARA, Jacintho de Arruda. Tarifa nas concessões. São Paulo: Malheiros, 2009, p.171.

85 A análise da rentabilidade está relacionada aos investimentos, às receitas, aos custos e ao fluxo de caixa em

um espaço de tempo. Os métodos indicados para esta análise são Taxa interna de retorno – TIR e Valor presente líquido – VPL.

86 MARTELANC, Roy. Equilíbrio econômico x equilíbrio financeiro em concessões: um caso de transporte

urbano de passageiros. X Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración

Pública. Santiago, Chile, 18 - 21 Oct. 2005, p. 1-12. Disponível em

<http://www.iij.derecho.ucr.ac.cr/archivos/documentacion/inv%20otras%20entidades/CLAD/CLAD%20X/docu mentos/martelan.pdf>. Acesso em 22 fev. 2010.

bem como de métodos e equações econômicas para se obter o seu resultado, há algumas variáveis que deverão ser consideradas na sua composição.

Assim, a remuneração a ser paga ao concedente pela outorga, os custos e despesas do concessionário na prestação do serviço, os valores necessários à amortização dos investimentos efetuados, o lucro operacional do concessionário, a receita tarifária, as receitas alternativas, complementares ou acessórias ou de projetos associados e o prazo da concessão são elementos que devem compor a equação econômico-financeira nas concessões de serviços públicos.87

Além disso, é importante que se leve em consideração o regime adotado para a fixação da tarifa, principal instrumento para o restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro.

Antônio Carlos Cintra do Amaral alerta para o fato de a Lei nº 8.987/95 ter adotado o regime de tarifa pelo preço em substituição ao regime de tarifa pelo custo.

87 Segundo Roy Martelanc, o cálculo do equilíbrio econômico dinâmico é feito da seguinte maneira: “1.

Projetam-se as receitas, geralmente a partir da multiplicação do potencial de mercado projetado pela participação estimada da concessionária. O crescimento do mercado potencial é função de projeção demográfica e da evolução de hábitos de consumo. A participação de mercado depende da percepção de benefício e de custo em relação a serviços concorrentes. 2. Projetam-se os custos e despesas operacionais necessários à concessão, com base nos demonstrativos contábeis auditados, modificadas para refletir a sua efetiva necessidade operacional futura. 3. Projeta-se o lucro operacional da empresa, calculado após o imposto de renda. As alíquotas e normas dos tributos sobre a renda, com alterações não passíveis de reequilíbrio, são as da data da proposta comercial inicial. 4. Projetam-se os investimentos definidos em contrato e outros necessários à operação, tanto em ativo fixo como em capital de giro. A concessionária tem a opção de buscar a solução mais econômica e reduzir seus custos correntes por meio de investimentos, que incorrem no custo de oportunidade do capital. 5. Projeta-se o fluxo de caixa da concessionária, pela adição da depreciação e diminuição dos investimentos necessários à concessão. São excluídos os itens referentes exclusivamente à concessionária. 6. Calcula-se o investimento passado a remunerar, composto de investimentos líquidos necessários à operação, além de eventuais desequilíbrios, negativos ou positivos, a compensar. 7. Estima-se uma taxa de desconto que reflita o custo de oportunidade de longo prazo no mercado financeiro de investimentos de risco semelhante. 8. Calcula-se a tarifa que anula o valor presente líquido para a concessionária. O equilíbrio econômico dinâmico é obtido pela equiparação do valor presente do FC passado a remunerar com o FC futuro.” O autor adverte que “para o equilíbrio financeiro, é necessário mais, é necessária a efetiva entrada de caixa em tempo hábil para a solução de problemas imediatos. [...] O equilíbrio financeiro é obtido quando a concessão consegue pagar seus custos e despesas operacionais, fazer os investimentos necessários à operação e, se houver, saldar suas dívidas atrasadas com fornecedores e com o fisco. Os primeiros dois componentes estão considerados no fluxo de caixa operacional, portanto os passos iniciais são os mesmos do cálculo do equilíbrio econômico, seguidos de: 6. É somada, como fonte adicional de financiamento e com o efeito de reduzir a tarifa de equilíbrio financeiro, uma programação de recebimento dos créditos que a concessionária tem com o Estado. Estes são supostos recebíveis em recursos financeiros, sendo a distribuição temporal deste recebimento a mesma do plano de amortizações dos passivos operacionais vencidas, com a incidência da taxa de juros real. 7. É diminuída a amortização dos passivos operacionais em atraso, amortizada na forma da Lei para impostos e de forma conveniente e negociável para os fornecedores. 8. A tarifa de equilíbrio financeiro é a que torna possível o pagamento destes gastos operacionais”. (MARTELANC, Roy. Equilíbrio econômico x equilíbrio financeiro em concessões: um caso de transporte urbano de passageiros. X Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la

Administración Pública. Santiago, Chile, 18 - 21 Oct. 2005, p. 1-12. Disponível em

<http://www.iij.derecho.ucr.ac.cr/archivos/documentacion/inv%20otras%20entidades/CLAD/CLAD%20X/docu mentos/martelan.pdf>. Acesso em: 22 fev. 2010).

Na nova sistemática, a remuneração do concessionário é mutável, não sendo baseada, tão-somente, nos custos inerentes à execução do serviço.

Por se tratar de serviço explorado por conta e risco do concessionário, a apuração do valor da tarifa sofre influência de variáveis (receita tarifária, as receitas alternativas, complementares e acessórias ou de projetos associados, os custos, o ônus da concessão, a amortização dos investimentos efetuados e o lucro), relacionadas ao prazo da concessão, parâmetro para a fixação da equação econômico-financeira do contrato. A equação pode ser representada da seguinte maneira:88

-Remuneração ao concedente pela outorga da concessão (quando for o caso)

-Custos

- Amortização dos investimentos efetuados - Lucro

-Receita tarifária (a tarifa pode resultar da proposta ou ser fixada pelo concedente) - Receitas Alternativas, complementares, acessórias ou de projetos associados (com vista a favorecer a modicidade da tarifa).

Prazo da Concessão