A realização deste relatório de estágio visou a resposta aos objectivos gerais definidos inicialmente, contemplando ainda uma demonstração de pertinência e complementação das temáticas subjacentes, que numa lógica transversal tentei expositivamente demonstrar como essenciais para o EESIJ e evolução qualitativa da enfermagem portuguesa.
Não sendo possível a descrição da globalidade de conteúdos adquiridos e partilhados nas experiências vivenciadas nos diversos campos de estágio, tentei relatar as principais actividades desenvolvidas e demonstrar reflexivamente no conhecimento e nas constatações produzidas, indicadores da evolução qualitativa na transição como EESIJ.
De evidenciar inclusivamente nestas considerações finais, a importância da entrevista com o Professor Paulino Sousa realizada já durante o último período de estágio, que permitiu a plena prossecução dos dois primeiros objectivos específicos delineados para o segundo objectivo geral, potenciando competências como perito em SIE que não foram logicamente partilhadas nos anteriores campos de estágio.
Na promoção do Desenvolvimento Infantil é consensual a vital importância da sua vigilância e avaliação, tendo constituindo o novo PNSIJ um instrumento essencial no desenvolvimento de competências como EESIJ, evidenciando as novas escalas da OMS e Mary Sheridan Modificada. Deste modo não poderia deixar de referir a sua entrada em vigor a 1 de Junho de 2013, vindo finalmente substituir o Programa-tipo de Actuação em Saúde Infantil e Juvenil revisto pela última vez em 2005, conforme norma da DGS de 31 de Maio do corrente ano. A CIPE enquanto linguagem unificada para a prática autónoma de enfermagem, permite a reflexão dos enfermeiros sobre as práticas, constituindo um instrumento essencial para a evolução qualitativa dos respectivos cuidados de enfermagem. Evidenciando os seus resultados e parafraseando Abel Silva, primordial perito e impulsionador na realidade nacional, a CIPE transporta o potencial de “Colocar mais Enfermagem na Enfermagem”, convicção que corroboro plenamente e que tentei globalmente promover.
63 A evolução para um modelo único de sete eixos operada na versão CIPE 1.0, evidencia a rotura conceptual de uma lógica padronizada para uma lógica combinatória, visando a possibilidade de construção de uma Ontologia ou vocabulário especializado na área da Enfermagem. Estimulando a combinação de termos CIPE com termos de outros vocabulários e termos locais existentes nos sistemas de informação (Web Ontology Protocol), recorre no entanto às potencialidades dos novos interfaces e plataformas tecnológicas (Web 2.0), que representam enormes despesas não comportáveis no actual panorama nacional das políticas de saúde.
A criação em 2007 do RMDE portugueses pela OE com base na versão CIPE 1.0 visando a produção automática de indicadores, não permite a sua fidedigna parametrização nos SIE pela evolução de alguns conceitos e focos de enfermagem relativamente à versão Beta 2, utilizada impreterivelmente pela SAPE na realidade nacional. No entanto e embora com limitações, será possível a criação de alguns focos/diagnósticos CIPE “Carregando” novos conceitos no actual aplicativo SAPE, como resposta da SPMS a esta realidade. Os SIS e inerentemente o aplicativo SAPE têm sido optimizados com novas funcionalidades destacando a Plataforma de Dados de Saúde, no entanto a produção automática de indicadores resulta do tratamento sistematizado da informação nos SIE, requerendo para o efeito a aquisição ou desenvolvimento de aplicativos informáticos específicos, que ficaram como responsabilidade das respectivas instituições hospitalares E.P.E.
A efectivação da capacidade institucional para produção de indicadores de enfermagem através de aplicativos informáticos próprios, representa neste momento a condição crucial nas actualizações SAPE que as instituições hospitalares serão alvo num futuro próximo. Segundo o professor Paulino Sousa, todas as instituições que não tiverem adquirido esta capacidade operacional, terão de fazer a actualização obrigatória de uma versão específica da SAPE, desenvolvida pela SPMS com novas potencialidades na análise da informação e criação automática de indicadores.
Esta actualização tem como objectivo operacionalizar efectivamente a criação de um RMDE portugueses, criando uma parametrização base do padrão
64 CIPE/SAPE que será actualizado e utilizado obrigatoriamente, substituindo os actuais padrões documentais das diversas instituições hospitalares. Nas instituições alvo deste procedimento não será possível a criação de diagnósticos nem intervenções CIPE, ficando todas as alterações e procedimentos no padrão documental dependentes de actualizações SAPE pela SPMS. No entanto representa para as mesmas uma redução de custos com aquisição e manutenção de mais um aplicativo informático e a operacionalização imediata de um SIE com requisitos de mensurabilidade e comparabilidade a nível nacional.
Na reunião com a enfermeira directora da minha instituição e em virtude da recente aquisição pela respectiva administração de um aplicativo informático para o efeito descrito anteriormente, foram globalmente apresentados conteúdos presentes neste relatório e discutidas possibilidades estratégicas institucionais para os SIE. Não havendo a obrigatoriedade da referida actualização SAPE, será exigida em alternativa uma global reparametrização institucional e resposta efectiva na criação de indicadores em enfermagem, desenvolvendo um padrão documental com critérios de mensurabilidade e comparabilidade compatíveis com princípios do RMDE definido.
Citando Pereira no seu notável trabalho sobre “Informação e Qualidade do
Exercício Profissional dos Enfermeiros”, tendo criado um RMDE com base nos
Focos de Enfermagem CIPE Beta 2 parametrizados actualmente no SIE CIPE/SAPE, “(…) com a viabilização efectiva do RMDE, criam-se condições
para ao longo do tempo, ir projectando tendências e modificações nos padrões de necessidades em cuidados das populações, o que implicará a incorporação de uma maior consciência ecológica na compreensão dos fenómenos” (Pereira,
2009, p.149).
Deste modo e de acordo com a respectiva área de especificidade de cuidados de enfermagem especializados, a CIPE constitui-se como um transicional instrumento de melhoria contínua da Qualidade dos Cuidados de Enfermagem à Criança/Família e essencial domínio para o Enfermeiro Especialista em Saúde Infantil e Juvenil.
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APÊNDICE I