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YEN‹ KDV BEYANNAMES‹ DOLDURMA KILAVUZU

MATRAH VE VERG‹ B‹LD‹R‹M‹

Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram a observação participante, o diário de campo e a entrevista. A técnica da observação participante possibilitou obter informações detalhadas sobre a realidade do cotidiano pesquisado.

O observador, enquanto parte do contexto de observação, estabelece uma relação face a face com os observados […]. A importância dessa técnica reside no fato de podermos captar uma variedade de situações ou fenômenos que não são obtidos por meio de perguntas, uma vez que, observados diretamente na própria realidade, transmitem o que há de mais imponderável e evasivo na vida real (MINAYO, 1994, p.59).

Segundo Oliveira et al. (2014), o pesquisador tem que se inserir na prática social que está sendo investigada e não apenas ser um visitante, procurando olhar, identificar e compreender os processos educativos, se dispondo a ser acolhido e a acolher. Precisa ainda compreender o campo sem julgar e não buscar apenas resultados, se preocupando com o processo. Assim, envolver-se com os grupos ou comunidades, como os/as colaboradores/as da pesquisa, e juntos compreenderem a educação que se dá em suas relações.

De acordo com Brandão (2007, p.12), o trabalho de campo, através da observação participante, requer convivência, vivência de relações interpessoais de caráter social e afetivo, estabelecidos entre as diversas pessoas envolvidas na pesquisa.

A própria relação interpessoal e o próprio dado da subjetividade são partes de um método de trabalho, por isso que a gente vai falar em observação participante; que vai falar, numa outra dimensão, em pesquisa participante; vai falar em envolvimento pessoal do pesquisador com as pessoas, com o contexto da pesquisa e assim por diante, como dados do próprio trabalho científico.

O diário de campo permitiu a coleta sistematizada dos dados de campo, propiciando o relato sobre o contexto, tanto coletivo como individual, possibilitando a elaboração de diagnósticos, análise e apontamentos essenciais. Este recurso permite e facilita o olhar e a leitura investigativa do fenômeno em estudo, que surge nas interações com os/as colaboradores/as.

Segundo Lopes et al (2002), o diário de campo não segue um padrão pré-definido, no qual o/a pesquisador/a faz os registros à sua maneira, relacionado à sua memória. O recorte do real refere-se a questões, tanto teórico-metodológicos, quanto subjetivas (visão de mundo), registrando tudo o que considera relevante. Brandão (2007) acrescenta que precisa fazer parte

das anotações do diário de campo, os acontecimentos, as falas e o pesquisador na postura de ver e entender do que perguntar.

Ainda conforme Lopes et al (2002) o diário de campo é um movimento dialético entre um olhar mais aprofundado e o olhar atento do pesquisador.

[...] Ao descrever fatos, situações, gestos e acontecimentos sobre a realidade conhecida e mediada pela teoria, está realizando um processo interpretativo, pois no Diário de Campo os fatos são narrados numa perspectiva que foge ao senso comum – científica portanto. E quando mediada por embasamento teórico adequado, essa perspectiva pode se tornar dialética (LOPES et al, 2002, p.134).

A dialética intersubjetiva é o:

[...] processo no qual a discussão teórica em profundidade e o rememorar do pesquisador tornam possível a descrição densa, permitindo ainda a interpretação sociológica de ações, palavras, expressões e do ambiente no qual a coleta dos dados ocorre e possibilitando, ainda, análise da interação pesquisador e sujeito pesquisado (COSTA, 2002, p.151).

Os registros de dados desta pesquisa foram elaborados após realizações de campo, pois a escrita durante a ação pode ser inibidora e despertar curiosidade nos sujeitos, além de retirar “[...] a atenção dos pesquisadores de situações reveladoras” (COSTA, 2002, p.152).

A pesquisa qualitativa, segundo o autor, possibilita apreender e revelar situações como, por exemplo, a liberdade, tranquilidade, as relações entre as pessoas, valores, culturas, etc, o que não seria possível com outras técnicas. “[…] É perfeitamente possível atribuir ao diário de campo a possibilidade de realizar em profundidade (para um investigador e os sujeitos da pesquisa) a dialética do encontro de subjetividades” (COSTA, 2002, p.157).

A entrevista é uma técnica que, por meio do diálogo, possibilita a compreensão dos processos educativos que se desenvolvem entre indivíduos e/ou grupos. De acordo com Minayo (1994, p.57):

Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada.

Segundo Bogdan e Biklen (1994), na observação participante o/a pesquisador/a geralmente conhece os sujeitos, o que propicia que a entrevista seja realizada em momentos descontraídos de diálogos. É importante que o entrevistado se sinta à vontade nesta relação,

para expor suas ideias sobre o assunto investigado. Este autor e autora colocam que a entrevista tem que conter perguntas que permitam respostas exploratórias e também que a escolha do grau de estruturação depende do objetivo da pesquisa.

Em investigação qualitativa, as entrevistas podem ser utilizadas de duas formas. Podem constituir a estratégia dominante para a recolha de dados ou podem ser utilizadas em conjunto com a observação participante, análise de documentos e outras técnicas. Em todas estas situações, a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.134).

De acordo com Brandão (2007) para obter mais dados objetivos do campo pesquisado, pode ser interessante iniciar a entrevista por situações do cotidiano que tenham sentido para os/as colaboradores/as da pesquisa, como foco em suas experiências de vida.

Existem pessoas para quem o melhor caminho, em que elas se sentem respeitadas e valorizadas, é quando se perguntam coisas que têm a ver com a comunidade, a partir da experiência delas, a experiência de migrante, de trabalhador, de lavrador, de gente do povo, de artista popular. Para outras pessoas, esse perguntar pela vida ameaça. Então, eles respondem, quando respondem, objetivamente, quando se pergunta como é que se faz aquilo. Muitas vezes é interessante num caso começar a pesquisa por um fio de vida, por uma história de vida e passar para uma interpretação mais analítica, mais crítica (BRANDÃO, 2007, p.19).

Ainda segundo Brandão (2007), participar do cotidiano pesquisado possibilita orientação para a elaboração do roteiro da entrevista (APÊNDICE - B). Desta forma, o mesmo foi construído após vários dias de inserção e convivência no campo, permitindo identificar situações essenciais do contexto que pudessem contribuir com o objetivo da pesquisa.

Uma das coisas que eu acho que mais tem comprometido uma certa qualidade de trabalho de campo é que, hoje em dia, esse dado tão rico do ver e compreender, do participar diretamente de relações sociais, e que mais uma vez eu quero dizer, não só é material de pesquisa como é material para ser pensado, para daí se fazer o roteiro da entrevista (BRANDÃO, 2007, p.19).

O roteiro de entrevista foi construído de forma a trazer pontos que seriam abordados com os/as entrevistados/as. Estes pontos foram elaborados com base nas observações participantes. Outras pesquisas do Grupo de Pesquisa Práticas Sociais e Processos Educativos também foram consultadas de modo a ampliar o entendimento sobre como os/as

pesquisadores/as têm conduzido as entrevistas. Foi de especial ajuda a dissertação de Almeida (2014).

A entrevista na pesquisa qualitativa não pode parecer invasiva e desconfortável aos/as colaboradores/as, tendo a observação participante o papel de acrescentar dados do contexto, na entrevista. De acordo com Brandão (2007, p.25):

Eu evito muitas vezes, sobretudo nessas situações, essa entrevista profissional, que é uma coisa, às vezes, horrorosa, imaginem vocês: uma pessoa entrar pela casa de vocês, se apresentar, sentar e começar malhar vocês de perguntas. Eu prefiro fazer diferente. Eu prefiro provocar a produção de material, em cima de uma observação. Eu sento e digo: “Oh, pessoal, mas vocês cantaram bonito agora, heim? Faz muito tempo que eu não ouço um canto tão bonito”. Disse alguma coisa que faz com que as pessoas se sintam empaticamente ligadas a mim e digo alguma coisa que vai produzir das pessoas um comentário.

A entrevista foi realizada, parcialmente, com sete imersões ao campo com datas e horários definidos antecipadamente, com um dos participantes desse estudo. Mesmo assim, não foi possível finaliza-la, devido a fatores do colaborador, como, envolvimento compulsivo com uso de crack e álcool, efeitos durante e após o uso, em conjunto com a vulnerabilidade exposta na Mata do Gueto. A pesquisadora, nestes momentos, manteve o respeito às limitações desse indivíduo e a postura como colocada por Brandão (2007, p.26):

Jogo de cintura pessoal, capacidade de sentir através das pessoas, não através da gente. Eu tenho roteiro, mas o meu principal roteiro é minha sensibilidade, a minha vivência. Eu tenho a impressão que o melhor mestre de cada um de nós é cada um de nós.

A coleta de dados foi realizada semanalmente, sendo o dia e horário de cada contato, planejado junto com os/as colaboradores/as da pesquisa. Cada ida ao campo atingiu aproximadamente três horas de duração. Segue abaixo o cronograma das atividades realizadas, para concretizar este estudo:

PROGRAMA DE COLETA DE DADOS

DATAS ATIVIDADES

10.02.14 Reunião com a equipe do projeto Educar

11.02.14 Inserção no campo – Mata do Gueto

18.02.14 Reunião com a equipe do projeto Educar

02.04.14 Inserção no campo – Mata do Gueto

09.04.14 Inserção no campo – Mata do Gueto

14.04.14 Planejamento de campo com a equipe do projeto Educar

16.04.14 Inserção no campo – Mata do Gueto

30.04.14 Inserção no campo – Mata do Gueto

08.05.14 Inserção no campo – Mata do Gueto

16.05.14 Convivência no campo – Mata do Gueto

22.05.14 Convivência no campo – Mata do Gueto

30.05.14 Convivência no campo – Mata do Gueto

04.06.14 Assistir esquete de teatro – Mata do Gueto

16.06.14 Convivência no campo – Mata do Gueto

21.06.14 Convivência no campo – Mata do Gueto

24.06.14 Convivência no campo – Mata do Gueto

05.08.14 Entrevista 06.08.14 Entrevista 07.08.14 Entrevista 12.08.14 Entrevista 14.08.14 Entrevista 21.08.14 Entrevista 29.08.14 Entrevista

13.11.14 Retorno e Compartilhamento de Dados

27.11.14 Retorno e Compartilhamento de Dados

04.12.14 Retorno e Compartilhamento de Dados