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AGRESİF VERGİ PLANLAMASININ ORTAYA ÇIKIŞ BİÇİMLERİ VE AGRESİF VERGİ PLANLAMASINI ÖNLEMEYE YÖNELİK ÇALIŞMALAR

1. AGRESİF VERGİ PLANLAMASININ ORTAYA ÇIKIŞ BİÇİMLERİ Giriş

1.2. Transfer Fiyatlandırması Yoluyla Örtülü Kazanç Dağıtımı 1. Genel Olarak

1.2.3. Örnek Senaryolar

Se a realidade é opaca, existem zonas privilegiadas – sinais e indícios – que permitem decifrá-la (Ginzburg, 2014, p.177). A partir da afirmação de Ginzburg é possível compreender que o paradigma indiciário, grosso modo, consiste na ideia de que nosso meio tem pequenos sinais que nos permitem compreender determinados fatos de forma mais profunda. De acordo com Ginzburg (2014), esse modelo epistemológico surgiu próximo ao final do século XIX no âmbito das ciências humanas e tem raízes em Morelli, Holmes e Freud, que, por sua vez, tem raízes, em tempos muito remotos, nas narrativas dos caçadores, os quais tinham a intenção de descrever um animal nunca visto por eles.

Morelli, no dizer de Ginzburg (2014), afirmava que havia nos museus muitos quadros atribuídos erroneamente a determinados pintores, mas que “devolver cada quadro ao seu verdadeiro autor é difícil: muitíssimas vezes encontramo-nos frente a obras não-assinadas, talvez repintadas ou num mau estado de conservação” (Ibidem, p.144). Assim, não poderia se dizer qual era verdadeiro ou não. Todavia, para Morelli, segundo Ginzburg:

É preciso não se basear, como normalmente se faz, em características mais vistosas, portanto mais facilmente imitáveis, dos quadros: os olhos erguidos para o céu dos personagens de Perugino, o sorriso dos de Leonardo, e assim por diante. Pelo contrário, é necessário examinar os pormenores mais negligenciáveis, e menos influenciados pelas características da escola a que o pintor pertencia: os lóbulos das orelhas, as unhas, as formas dos dedos das mãos e dos pés. (IDEM)

A partir disso, Morelli descobriu os traços que estavam nas obras originais, mas não estavam nas cópias e ainda fez inúmeras atribuições aos museus europeus. Embora tenha tido bons resultados, posteriormente, o método foi amplamente criticado por ser considerado “mecânico, grosseiramente positivista, e caiu em descrédito” (IDEM). Entretanto, um estudioso de Morelli, Wind, aproximou o trabalho de Morelli na busca por uma solução de um crime, ou seja, “qualquer museu de arte estudado por Morelli adquire imediatamente o aspecto de um museu criminal” (Ibidem, p.145). Ginzburg (2014) afirma que tal associação foi desenvolvida de forma brilhante por Castelnuovo, uma vez que se aproximou dos métodos de Sherlock Holmes, o qual o teórico reitera: “o conhecedor de arte é comparável ao detetive que descobre o autor do crime (do quadro) baseado em indícios imperceptíveis para a maioria” (IDEM). A perspicácia de Holmes era tão pujante que ele conseguia interpretar “pegadas na lama, cinzas de cigarros etc.” (IDEM).

Ginzburg (2014) ainda declara que Wind contribuiu com outra “preciosa intuição” ao aproximar os estudos de Morelli ao ensaio de Freud “O Moisés de Michelangelo”, em que o psicanalista diz que o método de Morelli estaria intimamente ligado aos procedimentos da psicanálise médica. Ginzburg também assegura que, diante dos possíveis encontros de Freud com os estudos de Morelli, o que chamava a atenção no psicanalista era:

A proposta de um método interpretativo centrado sobre os resíduos, sobre os dados marginais, considerados reveladores, Desse modo, pormenores normalmente considerados sem importância, ou até triviais, “baixos”, forneciam a chave para aceder aos produtos mais elevados do espírito humano: “os meus adversários”, escrevia ironicamente Morelli (uma ironia talhada para agradar a Freud), “comprazem-se em me julgar como alguém que não sabe ver o sentido espiritual de uma obra de arte e por isso dá uma importância particular a meios exteriores, como as formas da mão, da orelha e até, horribile dictu, de um objeto tão antipático como as unhas” [...] Além disso, esses dados marginais, para Morelli, eram reveladores porque constituíam os momentos em que o controle do artista, ligado à tradição cultural, distendia-se para dar lugar a traços puramente individuais, “que lhe escapam sem que ele se dê conta”. [...] Nos três casos, pistas talvez infinitesimais permitem captar uma realidade mais profunda, de outra forma inatingível. Pistas: mais precisamente, sintomas (no caso de Freud), indícios (no caso de Sherlock Holmes), signos pictóricos (no caso de Morelli). (GINZBURG, 2014, p.150)

Assim, para Ginzburg, tanto em Morelli, Holmes e Freud era possível capturar através de pistas uma realidade mais profunda sobre as coisas. O teórico também afirma que essa tripla analogia só é possível porque a medicina os une e essa é “a disciplina que permite diagnosticar as doenças inacessíveis à observação direta na base de sintomas superficiais, às vezes irrelevantes aos olhos do leigo” (Ibidem, p.151). Por outro lado, Ginzburg (2014) garante que isso (a medicina) não é suficiente, pois já que entre os anos de 1870 e 1880 “começou a se

afirmar nas ciências humanas um paradigma indiciário baseado justamente na semiótica. Mas as suas raízes eram muito antigas” (IDEM). Já que por milênios o homem precisou sobreviver e isso o tornou caçador.

Durante inúmeras perseguições, ele aprendeu a reconstruir as formas e movimentos da presas invisíveis pelas pegadas na lama, ramos quebrados, bolotas de esterco, tufos de pelos, plumas emaranhadas, odores estagnados. Aprendeu a farejar, registrar, interpretar e classificar pistas infinitesimais como fios de barba. Aprendeu a fazer operações mentais complexas com rapidez fulminante, no interior de um denso bosque ou numa clareira cheia de ciladas. (IDEM)

As gerações de caçadores foram transmitindo esse conhecimento para as próximas gerações por meio da linguagem oral – as narrativas de fábulas. Embora essa transmissão tenha sido de maneira tardia e deformada pode-se recorrer a tais narrativas. Ginzburg (2014) cita como exemplo três irmãos, os quais encontram um homem que perdeu um camelo ou cavalo e, por meio dos indícios mínimos, tentam reconstruir as características do animal. “O que caracteriza esse saber é a capacidade de, a partir de dados aparentemente negligenciáveis, remontar a uma realidade complexa não experimentável diretamente” (Ginzburg, 2014, p.152). Ginzburg (2014) ainda acrescenta que tais dados eram ordenados pelo caçador de modo a construir uma sequência narrativa, que o conduz a leitura das pistas. Seguindo os dizeres do teórico, é possível que o caçador tenha sido o primeiro a “narrar uma história porque era o único capaz de ler, nas pitas mudas (se não imperceptíveis) deixadas pela presa, uma série coerente de eventos” (Ginzburg, 2014, p.152). Isso, mais tarde, teria levado o ser humano à invenção da escrita. O autor também cita os mesopotâmicos, já que tais buscas por pistas invisíveis ao observador comum teriam conduzido esse povo à arte divinatória. No entanto, para ele, Ginzburg, ainda que parecidas, havia uma diferença substancial: a decifração era voltada para o passado, e a adivinhação, para o futuro. E, de acordo com ele:

Pode-se falar de paradigma indiciário ou divinatório, dirigido, segundo as formas de saber, para o passado, o presente ou o futuro. Para o futuro – e tinha-se a arte divinatória em sentido próprio -; para o passado, o presente e o futuro – e tinha-se a semiótica médica na sua dupla face, diagnóstica e prognóstica -; para o passado – e tinha-se a jurisprudência. Mas, por trás desse paradigma indiciário ou divinatório, entrevê-se o gesto talvez mais antigo da história intelectual do gênero humano: o do caçador agachado na lama, que escruta as pistas da presa. (Ibidem, p. 154)

Embora muitas disciplinas tenham surgido a partir dessa arte, com o passar dos tempos, a concepção sob a arte divinatória se alterou, sendo excluída das novas disciplinas. Mesmo rejeitada, essa arte acrescentou à medicina hipocrática a noção decisiva de sintoma

(Ginzburg, 2014, p.155), pois os médicos afirmavam que “é possível elaborar “histórias” precisas de cada doença” (IDEM) somente “observando atentamente e registrando com extrema minúcia todos os sintomas” (IDEM). Contudo, “o paradigma científico centrado na física galileana” (Ibidem, p.156) se sobrepôs à arte divinatória, uma vez que esse era conduzido pelas noções de “rigor” e “ciência”. De acordo com Ginzburg (2014), as disciplinas que eram regidas pelo paradigma indiciário não tinham espaço, pois eram disciplinas qualitativas, ou seja, tinham “por objeto casos, situações e documentos individuais, enquanto individuais, e justamente por isso alcançavam resultados que têm uma margem ineliminável de casualidade” (IDEM). Assim, excluía-se a individualidade a favor da quantificação e repetibilidade dos fenômenos – a matemática e o método experimental, respectivamente. Logo, as ciências humanas não se encaixavam no paradigma galileano, haja vista que precisavam considerar a “qualidade”, o individual e quanto mais individual, menos galileano era. “Quanto mais os traços individuais eram considerados pertinentes, tanto mais se esvaía a possibilidade de um conhecimento científico rigoroso” (Ibidem, p.163).

Nesse ponto, abriam-se duas vias: ou sacrificar o conhecimento do elemento individual à generalização (mais ou menos rigorosa, mais ou menos formulável em linguagem matemática), ou procurar elaborar, talvez às apalpadelas, um paradigma diferente, fundado no conhecimento científico (mas de toda uma cientificidade por se definir) do individual. A primeira via foi percorrida pelas ciências naturais, e só muito tempo depois pelas ciências humanas. O motivo é evidente. A tendência a apagar os traços individuais de um objeto é diretamente proporcional à distância emocional do observador. (IDEM)

Tendo seguido esse caminho, nas primeiras décadas do século XVIII, o paradigma galileano “tendia a subordinar o estudo dos fenômenos anormais à pesquisa sobre a norma a adivinhação ao conhecimento generalizante da natureza” (Ibidem, p.164). Até mesmo na estatística, que acabava de surgir, houve tentativa de introdução dos métodos da “matemática rigorosa aos problemas que haviam sido enfrentados pela arte divinatória de maneira completamente diferente” (Ibidem, p.165). No entanto, como Ginzburg (2014) atesta, as disciplinas de ciências humanas permaneceram “solidamente ancorado no qualitativo. Não sem mal-estar, sobretudo no caso da medicina. Apesar dos progressos realizados, seus métodos mostravam-se incertos, e os resultados, dúbios” (Ibidem, p.165). Isso se justifica diante de dois fatos:

“Em primeiro lugar, não bastava catalogar todas as doenças até compô-las num quadro ordenado: em cada indivíduo, a doença assumia características diferentes. Em segundo lugar, o conhecimento das doenças permanecia indireto, indiciário: o corpo vivo era, por definição, inatingível”. (Ibidem, p.166)

Ainda assim a medicina “sempre se mantinha, porém, uma ciência plenamente reconhecida do ponto de vista social” (Ginzburg, 2014, p. 166). Por outro lado, outras disciplinas indiciárias não tiveram tanta sorte. Algumas se encontravam em posições ambíguas, “a margem das disciplinas reconhecidas. Outras, mais ligadas à prática cotidiana, estavam simplesmente fora” (IDEM).

A capacidade de reconhecer um cavalo defeituoso pelas jarretes, a vinda de um temporal pela repentina mudança do vento, uma intenção hostil num rosto que se sombreia certamente não se aprendia nos tratados de alveitaria, de meteorologia ou psicologia. Em todo caso, essas formas de saber eram mais ricas do que qualquer codificação escrita; não eram aprendidas nos livros mas a viva voz, pelos gestos, pelos olhares; fundavam-se sobre sutilizas certamente não-formalizáveis, frequentemente nem sequer traduzíveis em nível verbal; constituíam o patrimônio, em parte unitário, em parte diversificado, de homens e mulheres pertencentes a todas as classes sociais. Um sutil parentesco as unia: todas nasciam da experiência, da concretude de experiência. Nessa concretude estava a força desse tipo de saber, e o seu limite – a incapacidade de servir-se do poderoso e terrível instrumento da abstração. (Ibidem, p.167, ênfase acrescentada)

No decorrer do século XVIII, a situação começa a mudar e é a literatura de imaginação que proporciona tal feito. Desse modo, Ginzburg (2014, p.168) relembra que a provável remota origem “veneratória do paradigma indiciário, a fábula ou conto oriental dos três irmãos que, interpretando uma série de indícios, conseguem descrever o aspecto de um animal que nunca viram”. Esse texto apareceu pela primeira vez em uma coletânea de Sercambi. Posteriormente, ele apareceu em várias versões. No entanto, Ginzburg (2014) atesta a necessidade de distinção do paradigma indiciário, ou seja, de um lado a natureza, de outro, a cultura, pois uma coisa é analisar pegadas ou rastros de animais e outra é analisar as escritas, os discursos ou as pinturas.

Enfim, a ideia de que a realidade é opaca e por isso há zonas privilegiadas – os sinais e os indícios – que permitem a decifração dessa realidade penetrou em muitos âmbitos sociais “modelando profundamente as ciências humanas” (Ibidem, p.177). E esses indícios se assumiam ainda “como elementos reveladores de fenômenos mais gerais: a visão do mundo de uma classe social, de um escritor ou de toda uma sociedade” (Ibidem, p.178). Dessa forma, nos estudos relacionados à prática pedagógica, o paradigma indiciário também pode ser muito revelador, uma vez que tais sinais nas escritas dos alunos nos indicam a visão de mundo que esse aluno tem. Logo,

O paradigma indiciário recupera a possibilidade de examinar pormenores e marcas individuais presentes nas várias atividades humanas, entre elas, a linguagem; permite

lidar com diferenças, mais do que com semelhanças, com anormalidades, mais do que com normalidades; por fim, permite ao analista ir em busca de explicações, mais do que tentar encontrar evidências para explicações e teorias já existentes. (SUASSUNA, 2008, p.368)

O paradigma indiciário como percurso metodológico para essa pesquisa nos ajudou muito a compreender as pistas que os alunos deixaram em seus textos e assim nos guiou no processo de compreensão de produção textual.