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III. BÖLÜM: BELEDĠYE KANUNU VE BÜYÜKġEHĠR BELEDĠYE KANUNU’NUN AVRUPA YEREL YÖNETĠMLER ÖZERKLĠK ġARTI ĠLE
III.1. Türkiye’de Belediye Yönetiminin Tarihi Seyr
III.1.2. Tanzimat Sonrası Osmanlı’da Belediye Yönetiminin OluĢumu
Uma das decisões que marca a mudança de entendimento acerca da aplicação do princípio da legalidade e separação das funções na seara do regime
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A mudança tímida de posicionamento é evidenciada pelas decisões anteriores que acoimavam de ilegais e inconstitucionais atos normativos do tipo Portaria, Instruções, Resoluções, dentre outras editadas pelo Poder Executivo. Não apenas pelo STF, mas tambem pelos Tribunais estaduais e regionais federais. Cite-se o ADI-1823, que o STF suspendeu a eficácia ex nunc em sede de cautelar de artigos constantes de Portaria do IBAMA.
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BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADPF nº 101/DF. Relª Ministra Carmem Lúcia. Disponível em: www.stf.jus.br. Acesso: 26/06/2012.
jurídico ambiental ocorreu no ano seguinte ao do julgamento da ADI-3.378. É o que se evidencia, ainda em 2009, quando o Supremo Tribunal Federal julgou a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 101, ajuizada pelo Presidente da República, tendo como Relatora a Ministra Carmen Lúcia.
O Presidente da República pretendia que, por meio da ADPF, fosse declarada a lesão a preceito da Constituição perpetrada por inúmeras decisões do Poder Judiciário que declaravam a ilegalidade e a inconstitucionalidade de proibição feita à importação de pneus usados de qualquer espécie, inclusive os remoldados, com base em atos normativos do Executivo.
Várias ações judiciais, nos diversos graus de jurisdição, inclusive no Supremo, apresentavam diferentes interpretações e decisões (inclusive conflitantes entre si) sobre a matéria e geravam, à época, grande insegurança jurídica, tanto sob a óptica do cidadão (administrado), como da Administração Pública. Era preciso, então, um posicionamento do Supremo Tribunal Federal, inclusive para a orientação, fosse o caso, da política legislativa afeta a matéria.
Dentre os atos normativos que formavam o arcabouço de restrições às importações de pneus, foram citadas Resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente, Decreto do Chefe do Executivo, Portarias do Departamento deOperações de Comércio Exterior e da Secretaria de Comercio Exterior.
Em apertada síntese, no mérito, a Min. Cármen Lúcia julgou parcialmente procedente o pedido formulado para:
1) declarar válidas constitucionalmente as normas do art. 27 da Portaria DECEX 8/91; do Decreto 875/93, que ratificou a Convenção da Basiléia; do art. 4º da Resolução CONAMA 23/96; do art. 1º da Resolução CONAMA 235/98; do art. 1º da Portaria SECEX 8/2000; do art. 1º da Portaria SECEX 2/2002; do art. 47-A do Decreto 3.179/99 e seu § 2º, incluído pelo Decreto 4.592/2003; do art. 39 da Portaria SECEX 17/2003; e do art. 40 da Portaria SECEX 14/2004, com efeitos ex tunc;
2) declarar inconstitucionais, com efeitos ex tunc, as interpretações, incluídas as judicialmente acolhidas, que permitiram ou permitem a importação de pneus usados de qualquer espécie, aí incluídos os remoldados, ressalvados, quanto a estes, os provenientes dos Países integrantes do Mercosul, na
forma das normas acima citadas e que tenham incidido sobre os casos; 3) excluir da incidência daqueles efeitos pretéritos determinados as decisões
judiciais com trânsito em julgado, que não estejam sendo objeto de nenhum questionamento, uma vez que somente podem ser objeto da ADPF atos ou decisões normativas, administrativas ou judiciais impugnáveis judicialmente. Note-se que os dispositivos declarados válidos constitucionalmente são todos atos regulamentares que, na verdade, inovam na ordem jurídica, vedando a importação de pneumáticos, sem que exista lei formal em sentido estrito a definir expressamente tal proibição.
Por ocasião do julgamento, a Relatora afastou o argumento de que as restrições feitas por atos regulamentares aos atos de comércio exigiriam lei em sentido formal, bastando atos regulamentares, desde que autorizados pelo sistema jurídico, mesmo que a norma autorizadora seja a Constituição e seus princípios positivados.
O Supremo Tribunal Federal considerou perfeita a harmonia com o princípio da legalidade, uma vez que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior teria competência na área de desenvolvimento de políticas de comércio exterior, tal como na regulamentação e execução das atividades correlatas.
Nesse sentido, as normas editadas pelo seu Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), responsável pelo monitoramento e pela fiscalização do comércio exterior (portanto infralegais), seriam imediatamente aplicáveis a partir da própria Constituição, em especial as proibitivas de trânsito de bens, ainda não desembaraçados.
Em seu voto norteador, a eminente Relatora apresenta nitidamente uma concepção doutrinária pós-positivista. Revela sua adesão, a nosso sentir, à teoria neoconstitucionalista. Isto porque, apesar de justificar a capacidade normativa do Poder Executivo em norma autorizadora positivada, qual seja a Constituição, não deixa de fundamentar seu voto no necessário sopesamento entre direitos fundamentais em conflito, dentre os quais o direito à saúde, ao meio ambiente equilibrado, ao desenvolvimento econômico e ao livre comércio. Justificou, ainda, a Convenção da Basiléia, ratificada pela ordem jurídica interna, como fundamento normativo autorizador da regulamentação pelos atos do Poder Executivo.
Depreende-se que, segundo a Relatora, as decisões judiciais que permitiam a importação de pneus usados, além de negarem validade a atos normativos do Executivo (que seriam válidos à luz da Constituição), violavam preceitos fundamentais relativos ao direito à saúde e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Ponto fundamental para compreender a limitação ao exercício da capacidade normativa do Executivo, ainda que implícita na decisão, é a ressalva feita aos países do Mercosul. Nos casos de pneus remoldados importados dos países que integram o bloco, a importação foi tolerada, considerando o disposto nos artigo 2º e 3º do Protocolo de Brasília (norma de força internacional), bem como a decisão no Tribunal Arbitral ad hoc do Mercosul que, em 2002, concluiu pela ilegalidade da proibição.
Saliente-se que, segundo a própria Relatora, a ressalva decorreu fundamentalmente de decisão do Tribunal Arbitral do Mercosul irrecorrível, a qual resultou na alteração da Portaria SECEX 2/2002, que manteve a vedação de importação de pneus usados, à exceção dos pneus remoldados provenientes dos países-partes do Mercosul.
O julgado sob análise é, de fato, paradigmático. Impossível negar, à luz da decisão retratada, a admissibilidade no sistema jurídico brasileiro de capacidade normativa atribuída ao Poder Executivo diretamente pela Constituição para a tutela e proteção de direitos fundamentais, sempre, obviamente, afinada às ideias de coerência, unidade e ideal de completude do sistema.
Nesse mesmo sentido, negar (de forma absoluta) que o Poder Executivo possa atuar por meio de regulamentos autônomos, delegados ou autorizados, para somente admitir a regulamentação para fiel execução de lei significaria simplesmente fechar os olhos para o hodierno entendimento do Supremo Tribunal Federal.
O entendimento esposado na decisão acima era objeto de contra-argumentos baseados em decisões pretéritas do Supremo, como a que apresentava a seguinte ementa em julgamento proferido no ano de 2006:
COMO INSTRUMENTO CONSTITUCIONAL DE PRESERVAÇÃO DA INTEGRIDADE DE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS.
O princípio da reserva de lei atua como expressiva limitação constitucional ao poder do Estado, cuja competência regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou criar obrigações.
Nenhum ato regulamentar pode criar obrigações ou restringir direitos, sob pena de incidir em domínio constitucionalmente reservado ao âmbito de atuação material da lei em sentido formal.
O abuso de poder regulamentar, especialmente nos casos em que o Estado atua “contra legem” ou “praeter legem”, não só expõe o ato transgressor ao controle jurisdicional, mas viabiliza, até mesmo, tal a gravidade desse comportamento governamental, o exercício, pelo Congresso Nacional, da competência extraordinária que lhe confere o art. 49, inciso V, da Constituição da República e que lhe permite “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar (...)”. Doutrina. Precedentes. (RE 318.873- AgR/SC, Rel. Min. Celso de Mello, v.g.). Plausibilidade jurídica da impugnação à validade constitucional da Instrução Normativa STN nº 01/2005.”183
Em seu voto, o Ministro Celso de Mello expõe sua análise acerca das limitações à função regulamentar do Poder Executivo, colocando-a em contraposição a garantia constitucional dos direitos fundamentais
:
“Demais disso, cumpre reconhecer que a imposição estatal de restrições de ordem jurídica, quer se concretize na esfera judicial, quer se efetive no âmbito estritamente administrativo, para legitimar-se em face do ordenamento constitucional, supõe o efetivo respeito, pelo Poder Público, da garantia indisponível do ‘due process of law’, assegurada à generalidade das pessoas pela Constituição da República (art. 5º, LIV), eis que o Estado, em tema de limitação de direitos, não pode exercer a sua autoridade de maneira arbitrária. Cumpre ter presente, bem por isso, que o Estado, em tema de restrição à esfera jurídica de qualquer pessoa, física ou jurídica, não pode exercer a sua autoridade de maneira abusiva ou arbitrária, desconsiderando, no exercício de sua atividade, o postulado da plenitude de defesa, pois o reconhecimento da legitimidade ético-jurídica de qualquer medida imposta pelo Poder Público - de que resultem, como no caso, conseqüências gravosas no plano dos direitos e
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BRASIL. Supremo Tribunal Federal. AC - AgR-QO 1033 / DF - questão de ordem no Ag.Reg. na Ação Cautelar - Relator(a): Ministro Celso de Mello – Julgamento em 25/05/2006. Disponível em www.stf.jus.br. Acesso: 28/06/2012.
garantias (mesmo aqueles titularizados por pessoas estatais) - exige a fiel observância do princípio constitucional do devido processo legal (CF, art. 5º, LV).”184
Resta evidente, portanto, uma sensível evolução no pensamento do Supremo Tribunal Federal acerca de aspectos como a função normativa do Executivo, a separação das funções e o princípio da legalidade.
5.4.3. Outras decisões do Supremo Tribunal Federal afinadas a dimensão