2.1. HALKA AÇIK ANONĠM ORTAKLIKLARDA ÖNEMLĠLĠK
2.1.1. Halka Açık Anonim Ortaklığın Malvarlığının Tümünü veya Öneml
Apesar do movimento dos educadores, de discussão, de encontros, fóruns, entre outras formas de organização, o curso de Pedagogia chegou, ao início dos anos 2000, em conflito e beirando à perda de sua identidade, conforme explicita Silva (2006). O quadro apresentado era de a formação do professor dos Anos Iniciais em Educação Infantil, em nível superior, ficar sob reponsabilidade do Curso Normal Superior. Já a formação dos profissionais de educação, prevista no artigo 64 da LDB 9394/96, passava a ser assumida em nível de pós- graduação e a formação para o magistério das matérias pedagógicas estava em vias de extinção até 2007. Qual seria, então, a identidade do curso de Pedagogia no contexto da política educacional da época?
Envolto em um véu de instabilidade, o curso permaneceu mantido como licenciatura, no entanto, os projetos de novos cursos de Pedagogia, encaminhados para análise e aprovação da SESu e do MEC, foram devolvidos para revisão e reorganização, sendo ser reapresentados como Curso Normal Superior, com distinta habilitação de Anos Iniciais ou Educação Infantil. Concomitante às discussões de restituir a identidade do curso de Pedagogia e, por conseguinte, atribuir-lhe a formação do professor em nível superior para atuação nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil, o momento seguiu com as reformulações estabelecidas pelas diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, por meio da Resolução CNE/CP 1, de 18 de fevereiro de 2002 e a instituição da duração e a carga horária dos cursos de licenciatura com a Resolução CNE/CP 2, de 19 de fevereiro de 2002.
No tocante ao estágio curricular obrigatório, essas resoluções foram marcantes, porque os cursos de Pedagogia e Normal Superior passaram, também, a ser regidos pelas resoluções. Em princípio, essas resoluções legitimam os Pareceres CNE/CP 9/2001, CNE/CP 27/2001 e CNE/CP 28/2001, não somente no aspecto legal, mas também na instituição dos pressupostos amparadores da formação de professores. Há de se ressaltar que tanto os pareceres, quanto as resoluções acenavam o pensamento dos dirigentes, influenciado pelo o momento educacional, refletindo, por sua vez, o momento político, social e econômico pelo qual passa o país e o mundo como um todo.
A Resolução CNE/CP 1/2002 contemplava a prática em todas as disciplinas dos cursos de licenciatura, não apenas nas pedagógicas. Já a Resolução CNE/CP 2/2002 discriminava a carga horária de quatrocentas horas de prática e quatrocentas horas de estágio curricular supervisionado a ser iniciado a partir do início da segunda metade do curso. Expunha ainda a Resolução CNE/CP 1/2002 que deveria permear a formação desde o começo e não ser reduzida apenas aos estágios: ―[...] a coordenação da dimensão prática transcenderá o estágio e terá como finalidade promover a articulação das diferentes práticas, numa perspectiva interdisciplinar‖ (BRASIL, RESOLUÇÃO CNE/CP 9/2001, p.6). Deve ser desenvolvida em situações contextualizadas, com ênfase nos procedimentos de observação e reflexão, podendo
―[...] ser enriquecida com tecnologias da informação, incluídos o computador e o vídeo,
narrativas orais e escritas de professores, produções de alunos, situações simuladoras e estudo de casos‖ (BRASIL, RESOLUÇÃO CNE/CP 9/2001, p.6). O estágio deve, outrossim, ser realizado em escola de Educação Básica, a partir da segunda metade do curso, com a colaboração da escola formadora e escola campo.
Embora as Resoluções não façam diferenciação entre prática de ensino e estágio curricular supervisionado, os apontamentos quanto aos procedimentos para efetivação de ambos são semelhantes. Aos nossos olhos, os documentos não apresentaram distinção clara entre procedimentos de observação (e reflexão da prática) e procedimentos de estágio que também contemplam tais atividades. A pequena diferença reside na possibilidade de a prática ser realizada com apoio das tecnologias da informação, incluindo o computador e vídeo, narrativas e situações simuladoras, e o estágio ser realizado em escolas campo.
Não seriam essas também possibilidades de atividades a serem devolvidas nos estágios? Tomando como base essa perspectiva, o estágio e as práticas não poderiam ser unificados? Aparentemente a distinção apresentada nas resoluções tinha como função superar a dicotomia teoria e prática que permeou toda a história do curso de Pedagogia, estendendo-se também às licenciaturas. Posto dessa forma, a prática asseguraria a observação e a reflexão em todas as disciplinas e desde o início do curso. Não poderia, contudo, o estágio curricular cumprir essa função?
Corroboramos a afirmação de Pimenta e Lima (2010) de que essas Resoluções apresentaram equívocos e retrocessos, sendo um deles a distribuição das 2800 (duas mil e oitocentas horas) da carga horária de cursos em prática, estágio, atividades científico-culturais e aulas destinadas aos conteúdos de natureza científico-cultural. Há uma fragmentação que perpetua a separação teoria e prática, isto é, entre o pensar e o fazer, mantendo o desprestígio da área de formação e a desvalorização dos professores como intelectuais. Assim proposto, o
estágio não constitui ―[...] nem prática, nem teoria; apenas treinamento de competências e
aprendizagem de práticas modelares‖ (PIMENTA; LIMA, 2010, p. 87).
Essa visão de estágio caminha no sentido contrário às pesquisas realizadas nesse período, sobre saberes e identidade dos professores. Estas demonstraram avanços ao conceber que tanto o curso de formação, como o estágio visam ―[...] renovar nossa concepção não só a respeito da formação dos estagiários, mas, também, de suas identidades, contribuições e
papéis profissionais‖ (PIMENTA; LIMA, 2010, p. 88). O estágio constitui-se um ―[...] campo de conhecimento formativo dos futuros professores e integrante do projeto curricular‖
(PIMENTA; LIMA, 2010, p. 88). Consideramos que, pela forma como o estágio tem sido tratado nas Resoluções, ainda é visto como complementar e secundarizado no processo de formação do professor e do pedagogo, mantendo o perfil assumido em todo o histórico do curso de Pedagogia.