• Sonuç bulunamadı

3.4. Kelâm Ekollerinin Kaza ve Kader Anlayışları

3.4.2. Mutavassıt Cebr

A concepção que se tem de história está muito aproximada da idéia de um conjunto de conhecimentos sobre o passado, que vêm de documentos relacionados à Humanidade, que depois de serem organizados, esses conhecimentos, em uma narrativa que, normalmente, segue a uma ordem cronológica, são finalmente divulgados, sendo que a análise dos elementos, que formam esses documentos ajudam no entendimento do presente e do fluxo natural que deve seguir a Humanidade, assim, torna-se a história um método de conhecimento.

Ao haver um deslocamento do foco investigativo que deixa de retratar a Humanidade para tratar de caminhos individuais, a noção que se tem de história alcança outra dimensão, onde o homem passa a buscar insistentemente, as metas que foram projetadas no tempo futuro, sempre com orientação, onde essa busca vai permitir ao indivíduo que tem uma dimensão social, encontrar um sentido para a experiência existencial que está desenvolvendo.

A própria expressão história de vida não deixa margens para que se debata se de fato cada existência humana é ou não uma história: Falar de história de vida é pelo menos pressupor – e isso não é pouco – que a vida é uma história. (BOURDIEU, 1996, p. 183)

Complementa dizendo que:

O sujeito não se constitui sozinho, faz parte de uma trama tecida com materiais procedentes de muitas outras histórias. Interpretar sua própria história, portanto, é compreender os fatos como colocações e deslocamentos no espaço social, o que denota ser indispensável que o contexto em que se deu sua formação seja reconstruído e nele sejam incluídas suas relações interpessoais, ou seja, cada pessoa reúne todas as características do seu grupo social e apenas em relação a esse grupo é que sua biografia pode ter algum significado. (BOURDIEU, 1996, p.190)

Levi (1996) afirma que essa concepção de indivíduo dá àqueles que usam a abordagem autobiográfica uma metodologia de investigação o reconhecimento das particularidades sem se esquecer das relações sócio-culturais, dessa forma, essa característica deixa longe este método das abordagens funcionalistas que acreditam em pessoas perfeitas, que possuem as mesmas características cognitivas e seguem os mesmos mecanismos de decisão.

O método biográfico considera cada indivíduo como um possuidor de uma história pessoal, com um projeto de vida que está ligado diretamente à história social. Ele vai assumir um valor muito especial ao tratar da construção ou reconstrução de uma identidade profissional, porque vai demandar novas atitudes formativas, principalmente nos programas de educação inicial e continuada. Assim, as ações formativas têm seu começo com a recuperação e a reconstrução, da história de cada profissional ou futuro profissional, dando-lhes meios de reflexão para que possam criticar cada fato que foi considerado importante em sua vida.

Essa possibilidade de reflexão pode acontecer individualmente ou em conjunto, garantindo-lhes, inicialmente, o reconhecimento das semelhanças existentes e a expressão dos fatos únicos.

Dessa forma, o indivíduo vai ampliar sua capacidade de questionar seus próprios valores e idéias, o que o levará a um distanciamento crítico de si mesmo e reaproximando-o de suas intenções e propósitos iniciais nos campos da educação em geral, onde é possível se fazer antecipações, o que fará com que seu projeto se torne a cada dia mais vivo.

A separação entre o que se estuda na escola e a experiência vivida pelos educandos confere à primeira um caráter não verdadeiro. Com o alargamento do conceito de formação para além da concepção de educação escolar, resultado da reflexão sobre o próprio percurso, o professor passa a valorizar as experiências de vida dos alunos também como geradoras de conhecimentos, esforçando-se em articulá-las aos conteúdos escolares. (PINEAU, 1988, p. 67)

Assim, faz-se necessário a ocupação de um novo espaço pelas experiências de vida de cada indivíduo, onde esse ponto de partida será o reconhecimento de essas experiências vão garantir a ligação entre a vida, a escola e o trabalho. Essa atitude obriga a uma valorização da autonomia em descobrir o caminho que o levará a aprender.

Pineau (1988) diz que entender essa ampliação do conceito de formação, onde se acredita que a formação do indivíduo acontece de três maneiras muito diferentes, mas que coexistem entre si, no decorres da vida, sendo elas:

a) ecoformação, b) autoformação e

c) heteroformação (a mais valorizada no ambiente escolar) Pineau (1988) acredita que:

Entre a ação dos outros (heteroformação) e a do meio ambiente (ecoformação), parece existir, ligada a estas últimas e delas dependente, mas à sua maneira, uma terceira força de formação, a do eu (autoformação), que torna o decurso da vida mais complexo e que cria um campo dialético de tensões. (PINEAU, 1988, p. 65)

O autor complementa que a biografia não representa somente um método para a formação de adultos, mas sim, um novo paradigma relacionado ao desenvolvimento de trabalhos com pessoas, seja na pesquisa, por ser uma abordagem sociológica clássica, ou por causa da educação formal, que integra à noção de experiência de vida uma vital dimensão, que vai gerar conhecimento, sendo este da autoformação, que é um resultado do exercício reflexivo do indivíduo sobre a sua própria existência.

Pineau afirma que:

Visto pela lente da autoformação e dinamizado pela narrativa autobiográfica, o processo de formação é considerado ”permanente, dialético e multiforme”, capaz de situar o sujeito dentro de um mundo sócio- cultural em constante mutação, do qual sofre influência de costumes,

valores e cultura. De seu contato com os “elementos constitutivos e elementares da vida” - o eu, os outros e a natureza -, o sujeito cria o significado de pertencimento a um grupo e a sua existência adquire um significado no contexto do mundo das relações sociais. (PINEAU, 1988, p. 76)

Já Dominicé reflete a questão dizendo que:

A formação pertence, de fato, a quem se forma. É verdade que todo adulto depende de apoios exteriores: ele é ajudado e apoiado por outros, e a sua formação acompanha o percurso da sua socialização. Mas, em última análise, tudo se decide numa lógica de apropriação individual, cuja explicação teórica nem sempre é possível (Dominicé,1998, p. 16).

Para o autor, a experiência é o pilar de sustentação de uma aprendizagem ativa, assim, a formação deixa de ver na escola e no professor o foco de agente por excelência, onde a autonomia dos indivíduos são evidenciadas, e ele vai se tornar um construtor ativo de saberes no decorrer de sua vida.

3.5. História de vida e autobiografia como fator importante na formação de