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3.4. Kelâm Ekollerinin Kaza ve Kader Anlayışları

3.4.3. Cebr ve Tefviz Arasında Orta Görüş (Mutavassıt)

Alguns pesquisadores como Finger e Nóvoa (1988); Dominicé (1998) e Josso (2004 e 2006) acreditam que as histórias de vida podem ser fatores importantes na formação profissional de adultos, pois suas experiências são valorizadas e tornam-se autoformadoras e geradoras de conhecimento, que serão essenciais para a vida profissional.

Para Josso (2004) as histórias de vida e as autobiografias são formas de narração biográficas que retém particularidades que as tornam diferentes, pois a autobiografia é oposta à tentativa de totalizar que é inerente ao método das histórias de vida, pois está ligada a trechos da vida, a pequenos recortes de uma existência, onde o ponto de partida tem um tema específico. Ao solicitar a um adulto que faça a sua narrativa de vida com foco essencial no trabalho, ele pode, através da autobiografia recuperar pequenos momentos de sua memória, assim, as histórias de vida são aquelas que têm o seu ponto de partida como foco global, englobando todas as dimensões da existência.

O indivíduo, através da abordagem biográfica, tem uma dimensão global da vida, mesmo que ela tenha sido perdida, uma vez que muitos acontecimentos, momentos e pessoas podem ficar fora de sua narrativa, onde o foco principal pode

ser uma reflexão crítica, pois alguns temas permitem um maior aprofundamento nas questões que estão relacionadas a ele, gerando conhecimento.

Essa duas maneiras de narrativa interpretam, com cuidado, através do investigador todos os momentos vividos, mas na abordagem autobiográfica é muito difícil fazer uma interpretação que acredite nos outros elementos considerados essenciais e que estão presentes na formação do indivíduo, que por muitas razões não fazem parte de sua narrativa, mesmo que parcial e temática. (JOSSO, 2006)

Por causa dessa dificuldade de interpretação, o processo de formação do indivíduo pode sofrer abalos, decorrendo na generalização, na redução, na simplificação, na distorção e na invasão. O que pode realmente aproximar a história de vida e a autobiografia como fortes instrumentos de formação é a firme certeza de que este processo de rememoração, ordenação e narrativa, que é intrinsecamente reflexivo, é transformador e gerador de conhecimento.

Sabe-se que em cada momento da vida vários são os fatores ligados à formação, onde os outros períodos podem inter-relacionar-se em volta de momentos onde o indivíduo, pode ser confrontado consigo mesmo e deve fazer escolhas que o levem a uma reorientação de si mesmo, através do desenvolvimento de novas idéias e valores que dirigiram suas escolhas e levaram a mudanças importantes ou não, levando os profissionais a vislumbrarem outras possibilidades que ainda não foram consideradas, como o fato de tudo o que foi vivido poder ter sido diferente.

Josso acredita que:

Essa experiência rechaça o determinismo, responsável pela visão fatalista que arruína as forças internas do sujeito, por si, intrinsecamente transformadoras. Chama a atenção para a ambigüidade de sentidos da palavra formação, já que ela designa tanto a ação de formar (ou de ser formado) do ponto de vista escolar, atada, pois, à educação formal, como a ação de formar-se, esta última podendo ocorrer em diferentes lugares, a partir de múltiplas experiências. (JOSSO, 2004, p. 37)

Assim, ao se historiar a própria vida seria o mesmo que representar uma oportunidade de sanção do indivíduo ao seu percurso de formação, podendo também, ser o começo de um profundo questionamento, o que pode ser positivo, já que investigar os pressupostos que estavam por trás das escolhas feitas no passado podem introduzir a um exercício crítico e reflexivo do tempo atual, abrindo novas possibilidades no futuro.

Antes de qualquer coisa, o indivíduo precisa tomar posse da sua própria história, pois ao estar vivo é possível construir uma história real, de fato. Ao se conquistar uma história de vida, é necessário que antes exista um trabalho de reflexão sobre qual seria o sentido da sua própria trajetória, de maneira que se possa, partindo de um processo de objetivação, contar a todos quais são os elementos que levarão o indivíduo a conduzir sua existência.

Dominicé (1998) acredita que a consciência do indivíduo que escreve a sua história de vida está centrada no seu processo de formação, o que dará garantia que ele seja íntegro e completo e quando acontecerem ausências, as falhas sobre um período da vida. Ao se exercitar a consciência o indivíduo se sente dono de sua própria vida, por isso que uma história de vida só existe quando este indivíduo domina sua vida, pois ao observar e prestar atenção ao que acontece consigo mesmo, é possível interferir na própria trajetória.

Quando um indivíduo escreve a sua própria trajetória pode estar integrado à sua sensibilidade, afetividade e imaginação, onde será possível perceber que essas dimensões tornam-se responsáveis por sua ligação com o mundo e com os outros.

Josso diz que:

Seus alunos reconstruam os percursos das suas vidas organizando-os em uma seqüência cronológica, a partir das experiências que provocaram algum tipo de ruptura e em que possam ser identificadas as buscas inconscientes que os orientaram vida afora, pois cada existência esclarece a autora, tem a tônica de uma determinada procura, donde se revela o desejo do sujeito. Essa busca, muitas vezes, só se torna consciente ao sujeito pela elaboração da narrativa, quando tem que organizar e relacionar os fatos de acordo com a sua lógica pessoal. (JOSSO, 2006, p. 215)

Vale ressaltar que as narrativas não trabalham com uma possível realidade ou verdade, mas sim com o imaginário, ao qual, na maioria das vezes não se tem acesso, por causa da sua condição de subordinação frente à racionalidade. Josso (2006) diz que a narrativa da história de vida é autenticamente imaginária, pois nasce das vivências que foram importantes na vida dos indivíduos, após serem submetidas a uma seleção e às ligações que se faz ao seguir seus próprios critérios. As vivências escolhidas não estão ligadas diretamente ao passado, mas demonstram que existe um presente vivo, que engloba o passado e o futuro, estando relacionadas às questões da formação do sujeito.

Assim, recordar é um ato repleto de emoções e de lembranças que podem ser traumáticas, pois essas vivências formadoras tem, na maioria das vezes, uma

ligação com uma forte emoção, mesmo que sejam pouco valorizadas na educação, podendo ser entendidas como perturbadoras. Dessa forma, o adulto precisa entender que as emoções fazem parte dessa narrativa e precisa ser manifesta, ultrapassada pelo indivíduo, até que se chegue a um nível reflexivo, gerando traumas e, algumas vezes vivências negativas, mas sempre com algum conhecimento, pois a reflexão sempre faz parte dessas vivências tornando-se experiências refletidas. (CATANI, 2003)

Para Josso:

Durante a audição das narrativas, o sujeito pode se dar conta do caráter associativo da rememoração e descobrir que o que o impulsiona a construir o seu percurso encontra-se justamente em seu caráter subjetivo. Na verdade, por meio da troca de experiências que provocaram mudanças, os sujeitos partilham a própria subjetividade, já que a objetividade da narrativa é uma ilusão; sendo assim, a construção do percurso pessoal de formação é uma obra, a um tempo individual e coletiva. (JOSSO, 1988, p. 42)

Ao se refletir criticamente sobre a própria vida, o indivíduo é motivado a fazer uma revisão de suas bases teóricas e conceituais que estão inseridas nas suas escolhas, o que vai resultar no autoconhecimento, pois ao conhecer a si mesmo, o indivíduo percebe que existem várias possibilidades de escolha e percebe-se apto a interferir diretamente em sua vida presente, onde o reconhecimento de sua trajetória e de sua história torna-o poderoso para mudar, quando necessário. Mas para que isso aconteça, faz-se necessário escolher, para que suas escolhas resultem em desejos.

A narrativa também pode ser um resultado de decisão, onde o indivíduo vai tomar decisões embasadas em suas emoções e desejos, sendo, muitas vezes, obrigado a resolver um conflito entre o que pensava que os outros esperavam dele e o que acreditava querer tornar-se para ser, autenticamente, ele próprio.

A partir de uma percepção cognitiva, a interpretação feita pelo indivíduo é seguida de uma reflexão sobre a narrativa escrita por ele, o que vai levá-lo a responder como, quando e porque faz certas escolhas teóricas e quais seriam as idéias e teorias que usa para refletir sobre a própria narrativa, compreendendo a sua dinâmica de criar ou não escolhas, reagindo e orientando a sua vida em cada período destacado, onde, depois de refletir, o indivíduo passará por um processo de não-identificação com as próprias idéias, o que, pode criar uma possibilidade de mudança.

Josso afirma que:

Pautado na importância do esforço do sujeito em localizar o que foi estruturante e mobilizador em sua vida, tem início um outro momento, em que o formador trabalha com um tema que faça parte do horizonte de reflexão dos participantes e seja potencialmente gerador de novos significados e questionamentos. (JOSSO, 1988, p. 45)

Assim, o caráter formador das histórias de vida e das autobiografias que é inserido no processo da aprendizagem da reflexibilidade, se mostra na abertura que os sujeitos começam a ter na sua relação com os saberes, que, conforme Josso:

implica-os diretamente como sujeitos que utilizam os referenciais que edificaram e dos quais se apropriaram no seu percurso de vida para construírem significados que não têm outra legitimidade senão a de serem o resultado pensado das suas experiências. (JOSSO, 1988, p. 48)

A autobiografia tem sido importante instrumento de investigação e de formação inicial e continuada de profissionais há várias décadas, nos mais diferentes contextos, pois no decorrer de um período de formação é necessário praticar exercícios que ajudem o criador das narrativas a se situar no tempo e no espaço.

Muitas são as pessoas que começam a fazer parte desse processo, pois o indivíduo criador relembra fatos ocorridos com elas e muitas vezes, se esquece de outras, fazendo com esse trabalho um eixo condutor.

Conforme Mignot:

A família, a escola, a faculdade e o ambiente de trabalho compõem o espaço-tempo de formação dos professores de arte. Esses ambientes se fazem presentes ora nas lembranças relacionadas à infância e adolescência, ora no modo como concebem o exercício profissional ou desenham novos projetos. (MIGNOT, 2003, p. 28)

Ferrarotti (1988) afirma que existem dois grupos de materiais que podem nascer do método biográfico:

a) os materiais biográficos primários: são as narrativas recolhidas pelo investigador na interação direta com os sujeitos, e

b) os materiais biográficos secundários: se compõem de materiais recolhidos pelo investigador, mas não foram derivados da interação entre os indivíduos, sendo eles: as correspondências, as fotografias, os recortes de jornal, dentre outros.

O autor complementa, afirmando que:

Devemos voltar a trazer para o coração do método biográfico os materiais primários e a sua subjetividade explosiva. Não é só a riqueza objetiva do material biográfico que nos interessa, mas também e, sobretudo, a sua pregnância subjetiva. (FERRAROTTI, 1988: 25)

Ao se ler os relatos de vida, é possível perceber uma maior qualidade de interação entre o autor e o leitor, que estão cheios de intencionalidade comunicativa, conforme Ferrarotti vê:

A idéia de que a biografia só faz sentido em um processo formativo de professores pelo seu caráter de comunicação interpessoal complexa e recíproca entre o narrador e o observador, vez que até mesmo o monólogo autobiográfico mais solitário é uma tentativa de comunicação, supõe um interlocutor. (FERRAROTTI, 1988, p. 25-27)

Através da abordagem autobiográfica é possível perceber que os programas de formação de adultos, podem ser muito beneficiados pelas expressões subjetivas feitas, que normalmente é ignorada e diminuída em seu dia a dia, pois conforme Nóvoa (1999), o profissional não pode ser separado da pessoa, da mesma maneira que a identidade está ligada a uma identidade profissional.

Para se elaborar uma autobiografia são necessários dois momentos distintos:

a) Momento individual:

- Lembrar algumas histórias interessantes de sua vida relacionados à educação;

- Dar título às histórias que foram lembradas;

- Depois do conjunto de histórias, faz-se necessário criar um título para a autobiografia;

- Escolher a história que o autor acredite ser mais interessante para dividir com o grupo.

b) Momento coletivo:

- Dividir sua história com um pequeno grupo;

- Depois da narração das histórias, é necessário escolher com seu grupo a que mais chamou a atenção de todos, para que juntos possam apresentar, de forma criativa, para a turma. (SOUZA; PASSEGGI e ABRAHÃO, 2008)

É importante aos escritores procurar escrever a autobiografia sem ter a preocupação com o tempo cronológico, onde é possível mostrar aquelas histórias que você pode narrar, sem que com isso se sinta exposto, pois não é preciso dizer tudo a respeito da história a ser escrita, mas o que achar conveniente narrar até mesmo omitir.

Outras pessoas também podem fazer parte da escrita autobiográfica, onde elas poderão dar depoimentos a respeito dessas histórias, principalmente se elas tenham participado delas, ajudando também com fotografias e outros documentos históricos. Assim, enriquecer uma autobiografia com fotografias e outros documentos que possam ilustrar as histórias é importante.

Não se deve escrever a Autobiografia na véspera da entrega, assim, controlar o tempo e se antecipar é essencial, procurando recordar e lembrar de tudo o que já aconteceu em suas vidas.

Elaborar um pequeno projeto autobiográfico faz-se necessário antes do projeto final, pois esse será o início do trabalho. Vale lembrar fatores importantes, citados por Moura (2004):

a) Informar o título da autobiografia;

b) Relacionar os títulos das histórias recordados e intitulados;

c) Descrever o método a ser usado para escrever a autobiografia, como: - escrever somente a partir de suas recordações;

- contar com a ajuda de amigos e familiares por meio de entrevistas e depoimentos;

- usar fotografias, documentos diversos, músicas e poesias que marcaram suas histórias da educação;

- montar um breve cronograma relacionando as ações que precisam ser feitas para a elaboração da autobiografia e estabelecer prazo para que cada uma seja desenvolvida;

- indicar referências bibliográficas, caso sejam usadas;