O entendimento oficial dentro da ÖM tem sido de que a associação missionária foi formada em abril de 1892. Essa informação foi baseada nos escritos de Paul Ongman e Carl Andin, no ano de 1917, e também na biografia de Ongman escrita por Magnusson, em 1932. O pedido de doze alunos do seminário por ajuda financeira para o trabalho evangelístico – sete deles sendo mulheres – resultou na formação da missão evangelista. Mas foi então que a ÖM foi fundada? Em um ensaio escrito por ocasião do jubileu de 100 anos da fundação da ÖM, em 1992, sobre a história da formação da “Associação Missionária Nacional e Internacional Örebro”, Lennart Ahlbäck questionou essa descrição histórica. Ele alegou que a afirmação era baseada em uma interpretação errada de uma informação contida nas atas, e em um artigo publicado mais tarde por Ongman, também alegou que a associação havia sido criada em dezembro de 1891. Mesmo que haja algumas informações não tão claras sobre o assunto, o ensaio de Ahlbäck é confiável, tendo em vista a análise de todo o material.
O missionário sueco-americano Otis L. Leonard havia pedido às igrejas de Örebro ajuda para o seu trabalho em Paris. Atender a esse pedido não fazia parte do planejamento missionário da associação. Por isso Ongman se propôs a organizar uma reunião para aqueles que estariam interessados no assunto. Um encontro foi realizado no dia 4 de dezembro quando foi organizada uma pequena associação missionária para dar suporte a Leonard. As necessidades dos alunos do seminário também foram colocadas na pauta da reunião.
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Os alunos da Escola Bíblica promoveram uma reunião para reivindicar algumas conquistas futuras. Sugeriram alterações e aprofundamento nos estudos.86
Örebromissionen – ÖM.
Em 1892, John Ongman e um grupo de irmãos da igreja Filadélfia da cidade de Örebro, cerca de vinte e cinco pessoas, fundaram a
Örebromissionen – ÖM (Missão de Örebro). A intenção não era fundar uma
nova denominação, mas despertar, dentro dos batistas suecos, o interesse por missões transculturais.
Aspectos que norteiam a ÖM desde seu nascimento:
1. Forte ênfase em missões, sendo este o objetivo principal da cooperação das igrejas que integram o quadro da missão.
2. Aceitação do movimento carismático/pentecostal, com incentivo a experiência do “batismo no Espírito Santo”.
3. A abertura para o ministério feminino. Desde a Escola Bíblica em 1892 e o Seminário fundado em 1908, o espaço feminino estava garantido. Inicialmente eram aceitas para o trabalho de evangelismo e missionárias, posteriormente, a partir da década de 1960, para a função pastoral.87
A ÖM era subordinada à igreja local e não à comissão de missões da denominação. Desde cedo, no entanto, havia uma tendência em ver a ÖM como uma organização própria, sem vínculos com uma igreja local. Os relacionamentos entre igreja, ÖM e denominação não se davam sem problemas.88
O trabalho da ÖM – principalmente o envio de mulheres como evangelistas – era visto com desconfiança por muitas lideranças dentro da denominação Batista. A desconfiança logo passou a ser ligada ao que os evangelistas pregavam, especialmente aos ensinos de Ongman sobre
86 Ata da reunião dos alunos (ver Anexo 1. p. 117).
87 Ekström, Leif. Estudos sobre a história dos Batistas Independentes. Campinas. Editora Batista
Independente. 2008. p. 23.
88 Kappaun, Marciano (org.). Da Suécia ao Brasil: uma história missionária. Campinas. Editora Batista
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plenitude do Espírito Santo, à santificação, à cura por meio da fé e à ênfase no ensino bíblico da volta de Jesus. Também dentro da Igreja Batista de Örebro havia algumas desavenças. Ongman tinha grande força de vontade e estava acostumado com os Estados Unidos, onde havia “maior liberdade e independência na direção da igreja do que na Suécia”. O conflito que aos poucos se apresentou era na verdade uma questão de liderança e personalidade, e atingiu diversas questões concretas. Tudo isso levou Ongman a pedir demissão de seu pastorado, em novembro de 1896, mas ainda permaneceu à frente da igreja até o mês de agosto do ano seguinte.89
Örebro Missionsskola – Fundação.
Fundada em 1892, a Escola Bíblica de Örebro foi uma referência na formação de pastores e missionários suecos na virada do século XIX para o século XX.
Ongman tinha a preocupação de preparar bem os alunos para realizarem a missão de “pregar o evangelho a todas as nações”. Esta meta estabelecida pela escola atraia muitos vocacionados para ali estudarem, sobretudo os irmãos das “igrejas livres”90
, o que a tornou rapidamente famosa em todo país.
Ongman havia retornado dos Estados Unidos e em pouco tempo trabalho pastoral e de liderança começou a ser reconhecido; isto se deu, sobretudo, pela incrível visão de empreendedorismo missionário que ele tinha. A grande maioria das igrejas da época estava preocupada com a imigração, que esvaziou não só as igrejas, mas o país.
Örebro Missionsskola – Visão Missionária.
A ênfase da ÖM foi definida na reunião de abril de 1892. Iriam atender a necessidades “esquecidas em regiões escuras de nosso país”91
e “fora dos limites da nação, especialmente em campos pagãos”. O trabalho missionário
89 Kappaun (org.), 2012. p. 24.
90 Igrejas Livres é o nome atribuído às igrejas na Suécia para serem distinguidas da igreja do Estado, a
Igreja Luterana (desde 1 de janeiro de 2000 a Suécia é um país laico, mas ainda há fortes traços do luteranismo).
91 Queriam dizer que havia regiões específicas onde não existia igreja evangélica, e, por isto, eram tidas
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seria exercido em três áreas distintas: Suécia, Europa e o restante do mundo. Havia desde o princípio uma visão vasta do mundo e da tarefa.92
Como vimos anteriormente, nos aspectos iniciais da missão, eles desejavam comunicar o evangelho de Jesus a muitas nações, e, no início do século XX havia vários missionários espalhados pregando e evangelizando. Índia (1908), Brasil (1912), Congo (1914), China (1919) e República Centro Africana (1923) eram alguns desses países.