3.1. Mevcut Durum
3.1.1. Ulusal Politika ve Strateji Belgeleri
3.1.1.2. KENTGES
Ao considerar a importância da mediação para o desenvolvimento infantil, especificamente no que diz respeito ao desenvolvimento da linguagem, o uso de recursos lúdicos diversos é percebido por estudiosos da área (Motta, Marchiore & Pinto, 2008), como meio de facilitar a aquisição de novas habilidades bem como a interação entre o adulto e a criança.
Desse modo, as crianças mais novas devem ser estimuladas para atividades mais livres, com exploração de objetos diversos, por exemplo. Este é um dos caminhos iniciais para que os pais se apropriem das experiências diárias a fim de torná-las momentos de aprendizagem. Logo, conforme afirmam Freitas, Del Prette e Del Prette (2007), a partir de uma perspectiva comportamental, haverá a possibilidade de estabelecer interações mais
favorecedoras ao desenvolvimento da criança com deficiência visual, através de comportamentos comunicativos reforçadores.
Uma das maneiras de facilitar a interação da mãe com a criança com deficiência visual é através dos brinquedos. De acordo com Motta, Marchiore e Pinto (2008), os jogos e brinquedos que desenvolvem as percepções táteis e auditivas ajudam a criança a aprimorar esses sentidos, compensando a deficiência visual. O uso dos brinquedos apropriados à faixa etária da criança e a sua condição visual pode ser um dos caminhos para que o adulto, no caso, a mãe, faça o papel de mediadora, buscando facilitar e despertar a participação da criança.
Vygotsky (2007) preconiza que há uma relação entre a brincadeira, o brinquedo e o desenvolvimento da criança. Isto porque através do brinquedo, o qual é em sua estrutura básica uma fonte de desenvolvimento, é possível a promoção de mudanças nas necessidades infantis e mesmo na configuração da sua consciência. Através da brincadeira a criança constrói o mundo do qual faz parte, por meio de representações diversas, das relações entre os símbolos e os seus referentes externos (Bornstein & Tamis-LeMonda, 1995).
Por volta dos dois anos de idade, período este em que há um aumento nas habilidades cognitivas e sociais infantis, os brinquedos tornam-se mais atrativos e o foco das interações socialmente estabelecidas. Nesse sentido, a inclusão de brinquedos diferenciados e mais complexos, com atividades que tenham um fim em si mesmo, por exemplo, pode exigir do adulto maior participação no que se refere à mediação.
No caso da interação mãe-criança e o uso de brinquedos, Vygotsky (2007) assevera que por meio destas atividades se criam zonas de desenvolvimento proximal, posto que, através da brincadeira, as crianças apresentam um comportamento que transcende o seu comportamento diário. Destarte, a criação de zonas de desenvolvimento proximal pode ser
detectada através da brincadeira, já que o brincar pode ser concebido como um indicativo de desenvolvimento e desse modo promover saltos nas esferas cognitivas, sociais e linguísticas.
Em estudos realizados (Hueara, Souza, Batista, Melgaço & Tavares, 2006; Souza & Batista, 2008) foi verificado que o ato de brincar favorece o desenvolvimento cultural da criança. Várias pesquisas (Santos, 2005; Santos & Dias, 2010; Souza & Batista, 2008) sobre a brincadeira e sua relação com o desenvolvimento infantil baseiam-se em métodos observacionais, sendo uma forma adequada e plausível de estudar o comportamento infantil.
A esse respeito, Hueara et al. (2006) desenvolveram um estudo com quatro crianças deficientes visuais, na faixa etária dos quatro aos sete anos de idade, observadas em situação de brincadeira livre, ao longo de seis sessões, cujo objetivo foi descrever os modos que as crianças brincam, através de experiências de faz-de-conta. Os resultados evidenciaram que as crianças deficientes visuais foram capazes de reconhecer objetos, tanto através da função tátil como também pelo reconhecimento prévio sobre as propriedades dos brinquedos. A mediação do adulto também foi relevante, uma vez que ao nomear e indicar os objetos houve o favorecimento na compreensão das crianças, facilitando as atividades realizadas.
Com base no exposto, o presente estudo visou analisar, longitudinalmente, a interação de duas díades mãe-criança com deficiência visual, a partir de situações de brincadeira livre e de uma situação estruturada, na qual foram utilizados brinquedos apropriados à faixa etária e a condição visual das crianças. Trata-se de situações que possibilitaram o acesso à mediação materna durante os processos interacionais bem como o acesso as estratégias maternas utilizadas frente às mudanças de desenvolvimento da criança.
De acordo com Roveda (2007), ainda são em menor número os trabalhos realizados com crianças cegas nos primeiros anos de vida, devido às dificuldades metodológicas em equiparar as crianças em termos da idade e devido aos diferentes graus da deficiência visual. Considera-se que estudos que se proponham a observar as interações diádicas mãe-criança
com deficiência visual são de suma importância, posto que os resultados obtidos contribuirão em termos teóricos, ao fornecer informações sobre o desenvolvimento, bem como será possível propor estratégias de intervenção, a fim de favorecer tanto o conhecimento materno sobre o desenvolvimento da criança com deficiência visual como também a própria interação estabelecida.
Destaca-se, então, a importância do contexto social para a compreensão da aquisição da linguagem infantil. Para tanto, as considerações da pragmática, enquanto abordagem que enfoca a linguagem como atividade prática, responsável pela inserção da criança na cultura, são relevantes, posto que influenciaram de forma decisiva a Perspectiva da Interação Social dos Estudiosos da Linguagem, na qual se consideram os componentes inatos da linguagem, mas é enfatizado o papel do contexto social para o desenvolvimento linguístico da criança.
O próximo capítulo apresenta o surgimento da pragmática e traz as considerações da Perspectiva da Interação Social dos Estudiosos da Linguagem, com ênfase nos estilos comunicativos; nos contextos de atenção conjunta e sua relação com a intencionalidade e na descrição de estudos realizados. A importância das concepções maternas sobre o desenvolvimento infantil é enfatizada, uma vez que parte-se do pressuposto de que estas concepções podem fornecer indícios de como a díade interage.