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A escola é um espaço em que há diversos níveis de organização, para que haja seu correto funcionamento.

Cada setor está a cargo de um profissional especializado ou com conhecimentos da área. Veja: a biblioteca necessita de alguém que domine a técnica de catalogação dos livros, revistas e periódicos. A sala de aula requer de um agente que domine o conteúdo a ser ministrado; a quadra requer um profissional da educação física. A secretaria, de pessoas com domínio de técnicas simples de arquivologia. A direção do estabelecimento, conforme a LDB 9394/96, precisa ser preparada especificamente no curso de pedagogia ou pós graduação na área de educação.

Enfim, a instituição escolar é uma organização complexa, cujo regular funcionamento depende da correta colocação das peças nos lugares adequados.

A vida de uma empresa terá sucesso ou fracasso pela escolha do tipo de organização a ser executado em seu interior.

A escola é uma organização e como tal necessita tomar decisões. É nesse aspecto que a escola pública se diferencia um pouco da instituição privada, enquanto organização. Nessa, as decisões não são necessariamente tomadas coletivamente, mas naquelas (as públicas) algumas vezes sim. De acordo com Motta, uma organização é uma “rede de tomada de decisões” (MOTTA, 1986, p. 14).

Inúmeras decisões são tomadas na escola, de modo que se atinja sua meta básica, que é o ensino. Mas a escola também é um conjunto de relações travadas entre pai-aluno-professor- diretor-funcionários.

50 De acordo com Botler,

(...) a organização escolar é vista como uma cultura, ou um conjunto de valores, crenças, ideologias, normas, regras, representações, rituais, símbolos, rotinas e práticas, apresentando também reflexos das culturas nacionais/globais. É vista, assim, não apenas como reprodutora das orientações normativas determinadas a partir do centro (do sistema educacional), mas também como articuladora (perifericamente), como centro de decisão política e de autocontrole, ainda que nem sempre de forma estável e homogênea (BOTLER , 2004, p. 04).

Verifica-se assim a complexidade da organização escolar, a ponto de as pessoas verem nela um ponto de referência no que diz respeito a “valores, crenças, ideologias”, dentre outros. Destaca-se, ainda, que a escola não só reproduz como também toma decisões internamente.

Daí pode-se dizer que é uma organização responsável por transformações do ser humano, cabendo-lhe efetuar mudanças em seus alunos.

Botler assevera, ainda, que a escola tem sua dinâmica própria, que mesmo existindo um conjunto de regras a serem socializadas em seu ambiente, ela desenvolve um estilo próprio de trabalho, englobando uma “cultura” a partir de sua construção. Ou seja, ela não é mera “reprodutora das orientações normativas determinadas pelo sistema educacional” (BOTLER, 2004, p. 07). Pois perifericamente articula decisões no seu interior.

E este deve ser o sentido de uma organização: desenvolver sua autonomia, embora existam normas pré-estabelecidas para que sejam aplicadas a ela. É importante que haja uma dinamização da liderança voltada à flexibilização dessas normas, evitando o espírito meramente legalista da organização, a fim de alcançar o objetivo maior: satisfação de seus clientes, que no caso da escola são os alunos e a comunidade. Essa satisfação não pode ser apenas social e econômica, deve ser também moral, psicológica e ética.

Botler focaliza a organização escolar em seu “potencial comunicativo crítico” (BOTLER, 2004, p. 05). O que inclui, segundo ela, sua organização interna, a participação dos indivíduos em sua organização, os tipos de diálogo que ali se estabelecem, buscando conhecer relações entre as possibilidades de argumentação interpessoal e o potencial de organização para a autonomia e emancipação. Este potencial comunicacional crítico desenvolve-se em conformidade com os referenciais valorativos e éticos da organização escolar, o que nos conduz a entendê-la enquanto auto-produção cultural.

A escola enquanto organização é de fato um ambiente de interação, de participação social de pais, alunos, professores, direção e demais funcionários e cada escola, resguardados

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os pontos comuns, advindos da legislação, tem sua dinâmica organizacional diferente.

Mesmo dentro de um município, há diferenças nos procedimentos, comportamentos e execução da política educacional pela escola. A “auto-produção cultural” apontada por Botler como inerente à escola, se dinamiza muito.

A auto-produção cultural de uma escola pública central, normalmente, é diferente da escola de bairros periféricos, pois deve-se levar em consideração os diferentes fatores, como: crenças, ideologias, representações, rituais, símbolos, rotinas e práticas, dentre outros inerentes a cada grupo de agentes que compõe uma e outra organização da escola (BOTLER, 2004, p.05).

Mas de qualquer modo, mesmo levando em consideração estas variações, a escola é um campo organizacional onde deve-se imperar a comunicação.

A escola, enquanto ente organizacional é também um espaço de comunicação constante entre seus agentes internos e externos.

A deficiência comunicativa em qualquer organização é uma gravidade que ocasiona seu estrangulamento. Quando se trata de uma organização escolar a situação é ainda mais complicada, pois ela é vista naturalmente como espaço de comunicação.

Botler diz que a “compreensão comunicativa é, portanto, competência política e a incapacidade de se comunicar ou se posicionar diante dos fatos, das idéias, da sociedade, abre espaços a formas de manipulação” (BOTLER, 2004, p. 07).

A escola deve incorporar a concepção segundo a qual os alunos devem se preparar em seu interior para serem agentes de transformação, não de conformação da sociedade. Necessitam possuir opinião própria, capacidade da construção do pensamento, deixando de ser copiadores para serem criadores de idéias. E isto se dá por meio da “Ação Comunicativa” (HABERMAS, apud BOTLER, 2004, p. 07). E quando esta for colocada em prática na organização educacional, superados estarão os modelos da sociedade tradicional e as formas de legitimação da dominação (BOTLER, 2004, p. 07).

Habermas diz que a “Ação Comunicativa” (HABERMAS, apud BOTLER, 2004, p. 07) está impregnada de uma racionalidade crítico-argumentativa. Esta “ação” parece ser adequada à organização educacional, onde uma dialética é estabelecida, contribuindo com o enriquecimento da “auto-produção cultural” da organização (BOTLER, 2004, p. 06).

Acredita-se que essa “Ação Comunicativa” seja própria das Ciências Humanas, em que há o ir e vir no desenvolvimento do pensamento permitindo a participação de todos os seus envolvidos no processo argumentativo de sua construção.

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A participação das pessoas em determinado projeto as torna felizes e muitas vezes esta questão ultrapassa a valorização financeira, pois as pessoas se sentem importantes quando integradas efetivamente às organizações.

Portanto, as características da organização escolar vão ser estabelecidas de acordo com sua capacidade de interação professor-aluno, professor-aluno-comunidade e ainda professor- direção-aluno-comunidade.

A escola enquanto organização diferencia-se de uma organização empresarial e Verdasca diz: a escola, na sua dimensão teleológica, é entendida como um sistema de princípios, de valores, de normas educativas e social e institucionalmente estabelecidas e, na sua dimensão instrumental, por um conjunto de unidades institucional e organizacionalmente estruturadas para o desenvolvimento de actos educativos, tendo em vista a prossecução e a realização dos seus fins (VERDASCA, 2007, p. 01).

A organização escolar compreende as “dimensões teleológica e instrumental”; ambas necessitam ser cuidadosamente desenvolvidas, sob pena de esquartejamento da organização.

Cury retrata bem esta questão, afirmando que muitas vezes é possível dominar uma organização, por meio dos conhecimentos acadêmico-profissionais que o ser humano possui, entretanto não ter controle de seu interior. Ou seja, esta pessoa teve a “dimensão instrumental” desenvolvida, porém a parte “teleológica” ficou a desejar. A escola precisa atentar para o desenvolvimento do conjunto: “dimensões teleológico-instrumentais”.

Cury afirma:

O maior desafio da educação não é conduzir as pessoas a executarem tarefas e dominarem o mundo que as cerca, mas conduzí-las a liderar seus próprios pensamentos, seu mundo intelectual. É possível ter status e sucesso social e ser uma pessoa insegura diante das contrariedades, incapaz de gerenciar as situações estressantes. É possível ter sucesso econômico, mas ser um “rico- pobre”, sem o prazer de viver, de contemplar os pequenos detalhes da vida. É possível viajar pelo mundo e conhecer vários continentes, mas não caminhar nas trajetórias do seu próprio ser e conhecer a si mesmo. É possível ser um grande executivo e controlar uma multinacional, mas não ter domínio sobre os próprios pensamentos e reações emocionais, ser um espectador passivo diante das mazelas psíquicas (CURY, 2006, p. 53).

Percebe-se características eminentemente instrumentais apontadas por Cury, as quais recebem críticas do autor, uma vez que estas, sem levarem em consideração a dimensão teleológica, se tornam deficientes.

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necessitam caminhar em direção à alternativa apontada por Cury, no sentido de preparar o aluno integral para dominar o todo: “o exterior e o interior”, no que diz respeito ao conhecimento. Dessa forma, as escolas estarão contribuindo também para a administração das frustrações humanas, o desenvolvimento de uma melhor qualidade de vida e o aprofundamento nas questões que dizem respeito à existência humana.