BÖLÜM 5. BULGULAR VE YORUMLAR
5 yıldan az çalışma deneyimine sahip olan gazetecilerden G-16, Türkiye’de veri gazeteciliğinin henüz benimsenmediğini, gazetecilerin kendilerini toplumun
5.3. Gazetecilere Göre Veri Gazeteciliğinde Haber Kaynakları Haber kaynakları, haber üretim sürecinin en önemli aktörlerinden biri olarak
5.3.1. Veri Gazeteciliği ve Kaynaklara Erişim
2.1- Psiquiatria forense
Psiquiatria forense corresponde, na verdade, ao terceiro momento da relação entre direito real207 e Medicina, que, historicamente, se desenvolveu do seguinte modo: - medicina forense ou medicina legal; - psicopatologia forense; e, - psiquiatria forense.
Medicina forense ou medicina legal consiste na aplicação de conhecimentos médicos na resolução de questões judiciais; ou, na definição de ODON RAMOS
MARANHÃO (1924-1995): “ciência de aplicação dos conhecimentos médico-
biológicos aos interesses do Direito constituído, do Direito constituendo e à fiscalização do exercício médico-profissional” e que “trata dos assuntos gerais relacionados ao Direito Penal, Direito Civil e Direito Processual”208. Os primeiros
trabalhos de medicina legal foram publicados, no Brasil, no inicio do século XIX. MARIA ADELAIDE DE FREITAS CAIRES, analisando o valor desses estudos, relata: “A
produção acadêmica ganha vulto com a criação das Faculdades de Medicina, a partir de 1832, mas não refletiam nosso meio, nossa formação racial. Apenas
206
FREUD, Esboço de Psicanálise, cit., v. XXIII, p. 163-329, p. 168. Fica claro, pois, que a Resolução nº 9 não pode ser cumprida por conteúdo que exponha o estudante de Direito a textos culturais sem, antes, ter estudado o corpo teórico dos textos metapsicológicos.
207 A expressão „direito real‟ refere-se, aqui, ao Direito, no âmbito dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e exclui – e é isso que interessa – o Direito, enquanto área de conhecimento acadêmico.
208 MARANHÃO, Odon Ramos. Curso básico de medicina legal. 7. ed. São Paulo: Malheiros, 1995, p. 25-30.
refletíamos o que se dizia, o que se doutrinava lá fora.”209
. Aliás, HÉLIO GOMES,
concordando com a precariedade dos primeiros estudos em medicina forense, afirma que o pleno desenvolvimento dessa área de atuação do médico deu-se com “Nina Rodrigues, que lançou os fundamentos de uma verdadeira escola Médico- Legal brasileira”210
.
O passo seguinte da relação entre Direito e Medicina deu-se através da psicopatologia forense, resultado da intimação dirigida ao médico para opinar sobre condições mentais de indivíduos suspeitos de cometimento de crime. Segundo JOSÉ ALVES GARCIA, psicopatologia forense “ocupa-se com os agentes que, em virtude
de mórbida condição mental, tem modificada a juridicidade dos seus atos e suas relações sociais”211; por isso, A
LBERTO JORGE TESTA WOELFERT considera-a
“indispensável no Direito Civil e no Direito Penal no que tange à capacidade civil e à imputabilidade penal”212. Some-se o ponto de vista de C
LÁUDIO COHEN e JOSÉ
ÁLVARO MARQUES MARCOLINO, segundo os quais psicopatologia forense é “aplicação
dos conhecimentos provenientes da área da Saúde Mental em todos os casos de ordem civil, penal ou laboral em que se torne necessária a comprovação do estado mental de um indivíduo”213
. São, todas, definições que, com propriedade, enxergam o caráter instrumental da psicopatologia forense.
O terceiro momento da relação entre Direito e Medicina adveio com a Psiquiatria forense, isto é, o conjunto de tarefas relativas à prática e ao exercício clínico do médico, cujo bacharelado tenha ênfase em Psiquiatria, junto ao
209
CAIRES, Psicologia jurídica, cit., p. 41.
210 GOMES, Hélio. Medicina legal. 18. ed. São Paulo: Livraria Freitas Bastos, 1977, p. 23. 211 GARCIA, José Alves. Psicopatologia forense. Rio de Janeiro: Revista Forense, 1945, p. 5. 212
WOELFERT, Alberto Jorge Testa. Introdução à medicina legal. Canoas: ULBRA, 2003, p. 147. 213 COHEN, Cláudio; MARCOLINO, José Álvaro Marques. Noções históricas e filosóficas do conceito de saúde mental. In: COHEN, Cláudio; SEGRE, Marco; FERRAZ, Flávio Carvalho (Orgs.)
Saúde mental, crime e justiça. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006 (coleção Faculdade de Medicina da USP; 3), p. 17.
Judiciário.214 Em 1904, FRANCISCO FRANCO DA ROCHA (1864-1933) definiu suas
balizas iniciais, com Esboço da psiquiatria forense, obra em que, com base em práticas e indagações provindas de sua atuação à frente do Hospital Psiquiátrico do Juquery, revelou o vínculo da atividade com a psicopatologia manicomial; segundo MARIA
ADELAIDE DE FREITAS CAIRES:
“Cabia à Psiquiatria Forense esclarecer questões específicas sobre a saúde mental do indivíduo e sua responsabilidade criminal, passando o judiciário, inicialmente determinado pelo Juiz de Execução da Pena, a incluir perícias periódicas, para verificar a cessação da periculosidade dos alienados mentais criminosos.”215
.
MARIA ELIZABETH GUIMARÃES ROCHA aprimora o conceito, da forma
como se segue:
“Psiquiatria forense é (…) um ramo auxiliar da Psiquiatria e da Medicina Legal às Ciências Jurídicas quando cabe esclarecer à sociedade se determinado indivíduo possui os requisitos mentais necessários para a compreensão do contrato social e pragmatismo suficiente para agir com base nessa compreensão (...) se vale de conhecimentos científicos psicológicos, psicopatológicos e psiquiátricos para empreender a busca pela verdade.”216.
214
V. GARCIA, Psicopatologia forense, cit., p. 6, negando validade à expressão psiquiatria forense, pela seguinte razão: “Relativamente à psiquiatria jurídica ou forense, cabe-nos lembrar que é também desacertada a combinação dos conceitos; psiquiatria implica, literalmente, a idéia de tratamento das doenças mentais, tarefa que habitualmente escapa ao perito médico chamado a examinar um alienado.”.
215 CAIRES, Psicologia jurídica, cit., p. 43, lugar onde MARIA ADELAIDE DE FREITAS CAIRES, exemplificando uma conquista da Medicina psiquiátrica, aplicada à prática forense, relata que, na década de 1920, Febrônio Índio do Brasil, autor de uma série de infanticídios canibalescos, foi, devido a diagnóstico clínico de esquizofrenia, considerado inimputável.
216 ROCHA, Maria Elizabeth Guimarães. Semiologia psiquiátrica pericial. In: Perícias médicas: teoria e prática. Coord. EPIPHANIO, Emílio; VILELA, José de Paula. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009, p. 182. V: TABORDA, José Geraldo Vernet; CHALUB, Miguel; ABDALLA-FILHO, Elias.
Essa disposição final, a de busca pela verdade, sinaliza perspectivas promissoras para a relação entre Direito e Psiquiatria forense. Daí pode nascer a pesquisa multidisciplinar com troca de informações e avanço conceitual, sobretudo no tocante às relações entre o Judiciário e a pessoa cuja mente é, nos autos, objeto de investigação. Além disso, o amadurecimento da relação entre Direito e Psiquiatria forense pode aperfeiçoar a compreensão acerca da dupla natureza – jurídica e médica – do fenômeno segundo o qual o equilíbrio ou o desequilíbrio da alma passam a ser condições de aplicação do direito e, dessa forma, contribuir para aprimoramento do ordenamento acerca da matéria.
2.2- Psicologia jurídica
A relação entre Direito e Psicologia, também nasceu no âmbito da Medicina, especificamente da Medicina psiquiátrica.
Segundo o depoimento de MARIA ADELAIDE DE FREITAS CAIRES, na
década de 1930: “A Psicologia foi ganhando o seu espaço por meio de segmentos dentro da Medicina e da Psiquiatria (por exemplo: Medicina Psicossomática, a cadeira de Psicologia Médica na grade curricular e tantas outras)”; de forma tal que a Psicologia “foi „adquirindo a visão psicopatológica‟ ou „sua natureza biológica‟, incorporada da sua vertente mais conhecida e com a qual se confunde, por vezes, a Psiquiatria.”217
. Segundo SONIA LIANE REICHERT ROVINSKI, o trabalho desses
primeiros psicólogos “foi de „psicologista‟, em que a atividade de aplicação de testes era prática rotineira”218
. Somem-se as pesquisas laboratoriais, representadas,
Psiquiatria forense. Porto Alegre: Forense, 2004, que, além de abordar temas acerca de perícias criminais e cíveis, relação entre psiquiatria e lei, interface entre direito de família e psiquiatria da infância e da adolescência e aspectos éticos peculiares à prática forense, estuda a história da psiquiatria forense no Brasil. Sobre as relações entre psiquiatria clínica e psiquiatria forense, v.: EÇA, Antonio José. Roteiro de psiquiatria forense. São Paulo: Saraiva, 2010.
217 CAIRES, Psicologia jurídica, cit., p.46. 218
segundo MARIA ADELAIDE DE FREITAS CAIRES, pelos: “Muitos aparelhos e
máquinas para medir as sensações, emoções, memória, complexos, entre outros [que] foram surgindo e norteavam, mundialmente, os métodos: psicofísico, psicométrico e psicofisiológico.”219. Essa metodologia marcou, profundamente, o
duplo caráter da Psicologia jurídica, tanto pela sua intenção em adaptar o individuo a sistemas e grupos sociais (escola, empresa, fábrica, penitenciária, família etc.) e pelo uso de teste psicológico, entrevista e observação. Some-se o esclarecimento de EMILIO MIRA Y LOPEZ (1896-1964):
“A Psicologia jurídica é a Psicologia aplicada ao melhor exercício do Direito. Infelizmente, o estado atual da ciência psicológica não permite utilizar seus conhecimentos em todos os aspectos do Direito e isso faz com que a Psicologia jurídica se encontre hoje limitada a determinados capítulos e problemas legais que são, em ordem cronológica: a Psicologia do testemunho; a obtenção da evidência delituosa (confissão com provas); a compreensão do delito, isto é, a descoberta da motivação psicológica do mesmo; a informação forense a respeito do mesmo; a reforma moral do delinquente, prevendo possíveis delitos ulteriores. A estes pode acrescentar-se um sexto capítulo, de higiene mental, que suscita o problema profilático em seu mais amplo sentido, isto é, como evitar que o indivíduo chegue a estar em conflito com as leis sociais.”220.
No entanto, a Psicologia jurídica de EMILIO MIRA Y LOPEZ avançou.
Tanto é que, em 2002, o Código Brasileiro de Ocupações, do Ministério do Trabalho, ampliou as atividades profissionais do psicólogo e discriminou a ocupação de psicólogo jurídico, devendo este, segundo SONIA LIANE REICHERT
ROVINSKI:
219 CAIRES, Psicologia jurídica, cit., p.45. 220
“Avaliar comportamentos, tratar, orientar e acompanhar indivíduos, grupos e instituições. Da mesma forma, são previstas atividades de educação (aulas, supervisão), pesquisa, coordenação de equipes e realização de tarefas administrativas. Dentro do grupo de atividades de avaliação estão especificadas as tarefas de: entrevistar pessoas, ler processos, investigar pessoas e situações-problema, escolher, aplicar e mensurar instrumentos de avaliação, elaborar diagnósticos, pareceres, laudos e perícias, responder a quesitos técnicos judiciais.”221
.
Há que se observar, no entanto, que a relação entre Direito e Psicologia jurídica limita-se à atuação do psicólogo, na qualidade de perito, em determinadas áreas do Judiciário, não alcançando jamais o campo de reflexão acadêmica. Isso porque, conforme já mencionado, nem MEC, nem CAPES definem uma área de conhecimento com o nome de Psicologia jurídica, nem na área de avaliação da Psicologia (70700001), nem na do Direito (60100001).222