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BÖLÜM 5. BULGULAR VE YORUMLAR

11 yıldan fazla süredir gazetecilik yapan G-5 ve G-6, veri gazeteciliğinin dünyada yeni bir gazetecilik türü olmadığını ve veri gazeteciliğinde haber üretim

5.1.3. Gazetecilerin Türkiye’de Veri Gazeteciliğine Yaklaşımı

A Educação de concepção essencialista contempla, conforme visto, as vertentes religiosa, leiga e institucional.

No entanto, se há, no Brasil colonial, ensino de direito canônico, tal se dá de tal modo integrado à Igreja Católica que não possui força necessária para ser reconhecido, em nível teórico, como constituinte de uma vertente religiosa. Da mesma forma, o fato de nem a reforma pombalina nem o período joanino terem implantado cursos de Direito no Brasil impede o registro de uma vertente leiga. Tal como a história se deu, a Educação jurídica brasileira iniciou-se após o advento do Estado de Direito, determinando a instalação de cursos de Direito, no Norte e no Sul do país – institucionalmente, pois.

Há, então, que se falar apenas em Educação jurídica essencialista de vertente institucional.

2.1- Educação jurídica essencialista de vertente institucional

O pano de fundo da Educação jurídica essencialista de vertente institucional é 1772, ano em que o MARQUÊS DE POMBAL inseriu questões iluministas,

relacionadas a Estado e nacionalidade, na pauta das preocupações jus-acadêmicas.93 Entre outras medidas, POMBAL reformou os Estatutos da Universidade de

Coimbra, impondo o ensino de História do Direito Português.94

A reforma pombalina influenciou a Educação jurídica brasileira, tanto no instante de seu nascimento, por meio do Decreto s/n, de 9 de Janeiro de 182595, que criou, em caráter provisório, um curso jurídico na corte do Rio de Janeiro, quanto no momento da instituição, pela Lei s/n, de 11 de agosto de 1827, dos dois cursos jurídicos do Império, o de São Paulo e o de Olinda. Isso, porque o Projeto de Regulamento ou Estatuto para o curso jurídico carioca – também observado por paulistanos e olindenses –, de autoria de LUIZ JOSÉ DE CARVALHO E MELO (1764-

1826), o VISCONDE DE CACHOEIRA, foi inspirado no Estatuto do Curso de Direito

de Coimbra. Seguindo o conceito racionalista de ciência e defendendo a tendência laicizante da revolução burguesa, LUIZ JOSÉ DE CARVALHO E MELO assumiu, na

exposição de motivos, o discurso ideológico jusracionalista para, repetindo a lição coimbrense reformada, condenar glosadores, Direito Romano e Direito

93

Antes disso, o movimento de atualização da formação jurídica, em Portugal: i- dialogara com o Humanismo de ANTÓNIO DE GOUVEIA (ca. 1505-1566), que, em 1543, publicou De conclusionibus

commentarius, obra em defesa da lógica aristotélica enquanto fundamento da ciência jurídica, e da tese de que os problemas jurídicos são suscetíveis de soluções categóricas; e, ii- introduzira o jusracionalismo, através da Lei da Boa Razão, de 1769, que (apesar de manter, conforme já prescreviam as Ordenações Filipinas, a vontade do monarca): - adotou novas fontes do direito, a saber: o estilo da corte (desde que aprovado por Assento da Casa da Suplicação) e o costume (desde que fosse conforme à boa razão, tivesse mais de cem anos e não fosse contra legem); - revogou as Leis Romanas, que „em boa razão não forem fundadas‟, abandonando recurso a parecer de glosadores, e, - sob a alegação de que no foro temporal não se pode conhecer sobre os pecados, baniu o Direito Canônico, que, se, desde 1211, impusera-se ao direito régio, deixou de ter valor até mesmo como fonte subsidiária.

94

A primeira obra portuguesa de História do Direito é de PASCHOAL JOSÉ DE MELO FREIRE (1738-1798), Historia juris civilis lusitani, de 1777.

95 V. BRASIL. Decreto de 1825. www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_63/Dec_1825.htm, acesso em 03 de Março de 2010: “Querendo que os habitantes deste vasto e rico Império, gozem, quanto antes, de todos os benefícios prometidos na Constituição, art. 179, § 33, e Considerando ser um destes a educação, e pública instrucção, o conhecimento de Direito Natural, Público e das Gentes, e das Leis do Império, afim de se poderem conseguir para o futuro Magistrados habeis e intelligentes (…) Hei por bem, ouvido o Meu Conselho de Estado, crear provisoriamente um Curso Juridico nesta Côrte e cidade do Rio de Janeiro.”.

Canônico.96 Fica claro, portanto, que o Império brasileiro, ao expressar sua noção de Direito e organizar cursos jurídicos, filiou-se ao pombalismo e ao iluminismo.97

Tais elementos inserem o começo da Educação jurídica brasileira nos marcos da Educação de concepção essencialista: conhecer princípios universais, no caso, os expressos pelo racionalismo iluminista. Nesses termos, LUIZ JOSÉ DE CARVALHO E MELO seguiu os princípios da Educação jurídica essencialista de vertente institucional,

considerando que o direito natural é o “estudo primordial em que mais devem de ser instruídos os que se destinam ao estudo da Jurisprudência”98

. Daí o modo inequívoco pelo qual o Regulamento assume seu credo essencialista:

“O professor desta cadeira [Direito Natural], dando as noções gerais do que se entende por Direito Natural, ou da Razão, tratará de levar os seus ouvintes ao conhecimento dos princípios gerais das leis, cujo complexo forma este código da natureza.”99

.

96 Cf.: Projeto de Regulamento do Estatuto para o curso jurídico criado pelo Decreto de 9 de janeiro de 1825, organizado pelo Conselheiro de Estado Visconde da Cachoeira, Tipografia Nacional, 1878.

97 A instalação das Faculdades de Direito brasileiras visou a garantir a unidade do território, estruturar o poder e resolver o problema da construção da nação e de sua direção política frente à emergência de movimentos separatistas. Daí que, estrategicamente, decidiu-se por um curso no Norte e outro no Sul do país. No fundo, o Estado apostou na Educação enquanto instrumento de, nos termos de CLOVIS BEVILACQUA, unidade moral do organismo político brasileiro; cf. BEVILACQUA, Clovis. História da Faculdade de Direito do Recife. 2. ed. Rio de Janeiro: INL, 1977. Sobre circulação de idéias jurídicas iluministas entre Brasil, Portugal e o resto da Europa, v: NEDER, Gizlene. Absolutismo e punição. In: Discursos Sediciosos, ano 1, n. 1, 1996. Sobre a formação jurídica no Brasil e a criação dos cursos de Direito, v. NEDER, Gizlene. Discurso jurídico e

ordem burguesa no Brasil. Porto Alegre: Fabris, 1995. 98

Seria possível identificar essa referência ao Direito Natural como traço leigo presente na

Educação jurídica de concepção institucional. Assim, em nome do principio da simetria, seria possível encontrar um traço religioso, presente na vertente institucional, que se comprovaria pelo papel conferido por VISCONDE DA CACHOEIRA ao Direito Público Eclesiástico: “É absolutamente necessário saber-se esta parte da jurisprudência, pois nela se ensinam os direitos do governo civil em geral sobre matérias da Igreja, e ocorrendo muitas vezes casos desta natureza, que os advogados devem defender, e os magistrados resolver, cumpre que os conheçam, e que tenham ciência dos motivos e razões em que eles se fundam.”. A presente tese não se incorpora a esse ponto de vista, pois considera que a preocupação com o exercício da advocacia lança as diretrizes nos rumos da Educação jurídica de concepção existencialista.

Os cursos de Direito de São Paulo e de Olinda possuíam um único currículo.100 Em 1854, ao currículo nacional foram acrescentadas as disciplinas Direito Administrativo e Direito Romano. A reconciliação com o Direito Romano – condenado por CACHOEIRA – é indício do advento de uma nova concepção de

Educação jurídica, a Educação jurídica de concepção existencialista, e, com certeza, significa o grito de independência do sistema de Educação jurídica brasileiro, escapando do alcance pós-colonial da mão portuguesa.101