3. ARAŞTIRMANIN YÖNTEMİ
3.3. Veri Toplama Yöntemi
No Brasil o processo de reconciliação entre Igreja Católica e Estado, no início do século XX, será marcado, em algumas dioceses, pela criação de partidos políticos católicos. Em Mariana, durante episcopado do antecessor de Dom Helvécio, encontramos o Partido Regenerador, em 1908/1911, criado pelo líder católico Joaquim Furtado de Menezes, “explicitamente aprovado e recomendado pela autoridade competente, Dom Silvério Gomes Pimenta” (LUSTOSA, 1991, p. 32).
Posteriormente, através da Pastoral Coletiva de 1915, a orientação aos bispos pedia o não envolvimento nas lutas políticas do país. Apenas deviam manter boas relações com os dirigentes políticos. Da mesma forma, proíbe que “os Rvds. Parochos se envolvam na política local, pois
está provado que o procedimento contrário muito prejudica o seu ministério, afastando de si uma parte de seus parochianos” (Pastoral Coletiva, 1915, p. 407).
Aos fiéis a recomendação é de incentivo à participação política, sendo a abstenção eleitoral considerada contrária aos deveres do católico como cidadão, advertindo que:
Nas actuaes condições do paiz, o cathólico póde filiar se a qualquer partido, uma vez que os seus ideaes, os seus homens e os seus projetos, sejam nobres e patrioticos, devendo, porém, reservar para si toda a liberdade, quando se tratar dos interesses da Egreja, os quaes são superiores aos de quaesquer aggremiações partidárias. Em momentos de crise ou de lucta, o voto, o prestigio e as energias do bom catholico pertencem, antes de tudo, a Deus e a elle tão somente. Nessa emergência, o clero e os fiéis sigam confiadamente a orientação do respectivo Prelado, a quem unicamente pertence guial os em questões que interessam à sua consciência e à vida da Egreja (Pastoral Coletiva, 1915, p. 407).
Neste sentido, o episcopado considerava que uma emergência se colocava no momento, a prevenção rígida contra o avanço das ideias socialistas e comunistas no Brasil, além, é claro, de ter como prioridade a defesa junto ao Estado da concessão de plena liberdade para seus projetos, em especial aqueles relacionados à família e à educação. Enfim, o momento era de atuar também politicamente, mas através de uma nova estratégia no relacionamento entre a classe dirigente
eclesiástica e o poder civil, de discrição, na sombra, sem a criação de nenhuma agremiação partidária.
Em 1922, com a criação do Partido Comunista e a Revolta do Forte de Copacabana, o momento tornara se cada vez mais propício à reaproximação entre os dois poderes.155 Um passo importante neste processo foi dado pelo presidente do país, Arthur Bernardes (1922 1926), quando o mesmo visita oficialmente o cardeal Arcoverde, no contexto das comemorações do seu Jubileu de Ouro, em 1924. Foi a primeira visita oficial, depois da separação entre Igreja Católica e Estado, em que a autoridade eclesiástica foi honrada pelo chefe do Estado. O poder civil vê na instituição eclesiástica um braço forte capaz de lhe ajudar no restabelecimento da ordem. Neste momento o presidente aproveita a oportunidade para frisar:
a importância da colaboração constante das nossas autoridades eclesiásticas com o Governo do País, auxiliando a manutenção da Ordem e promovendo o progresso nacional.(...) Todos os motivos de ordem moral, acrescenta, todas as razões do Patriotismo estão aconselhando a necessidade de continuarmos irmanando a ação do Governo e da Igreja, no terreno moral, em bem dos mais altos interesses da coletividade (Álbum das
155 A Igreja Católica sempre teve o Comunismo como forte inimigo, o fato se deve em razão da oposição da filosofia comunista aos princípios básicos do catolicismo, especialmente pela negação da existência de Deus. O sucesso do movimento revolucionário de 1917 na Rússia intensificou a luta da hierarquia católica contra a pregação comunista, que no caso de um sucesso absoluto poderia levar ao desaparecimento da própria Igreja Católica. Para análise das relações entre Igreja Católica e Comunismo ver MOTTA:2002.
Festas Jubilares, p. 104 citado por GABAGLIA, 1962, p. 167).
Neste processo de reaproximação, a Igreja se dispõe a uma maior contribuição com o poder civil, objetivando infundir lhe o espírito cristão. Seu maior esforço será conduzido na área da família, na qual procura manter a indissolubilidade do matrimônio e o caráter religioso do vínculo, e da escola, onde procura reivindicar os direitos ao ensino da religião católica, ampliados depois para a proteção do ensino particular ministrado nos colégios católicos (AZZI, 1977).
A atuação de Dom Helvécio nos primeiros anos de seu episcopado em Minas Gerais seguia estritamente as diretrizes do episcopado nacional, especialmente as orientações de Dom Leme no Rio de Janeiro. Será com este sentido de obediência que podemos observar que o mesmo se colocava como um membro fiel a serviço da Instituição. Com relação aos partidos políticos, podemos encontrar no Boletim Eclesiástico de sua arquidiocese a entrevista do vigário geral do arcebispo do Rio de Janeiro, monsenhor Costa Rego, fato que reflete a posição do prelado marianense:
Mas a nossa fé e o nosso amor à Igreja e a Pátria estão acima dos interesses políticos, ou partidários. Neste ponto nada sacrificaremos à política partidária. Nem julgo que o momento actual seja opportuno para qualquer arregimentação partidária dos catholicos. Com maior razão devo dizer lhe que, em these não concordo com a
idéia de partido dentro da Igreja. A missão da Igreja é velar por todos com o mesmo espírito de fraternal amor. E todo o mundo sabe que em qualquer partido político a idèa do amor fraternal é cousa secundaria, senão inteiramente desconhecida.156
Ao final da apresentação da entrevista, o redator do boletim conclui com o tradicional “inconteste”, o que nos permite afirmar que os partidos católicos não tiveram espaço na arquidiocese de Mariana durante seu episcopado. Suas ações de aproximação com o Estado para as reivindicações e exigências seguiram as orientações da elite eclesiástica do Rio de Janeiro.