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ULUSAL YETERLİLİK SİSTEMİ VE TÜRKİYE YETERLİLİKLER ÇERÇEVESİ

HAYAT BOYU REHBERLİK KALİTE GÜVENCESİ SİSTEMİNDE TÜRKİYE YETERLİLİKLER ÇERÇEVESİNİN YERİ

1. ULUSAL YETERLİLİK SİSTEMİ VE TÜRKİYE YETERLİLİKLER ÇERÇEVESİ

Quanto à variável classe social, podemos destacar os trabalhos de Karl Marx e de Max Weber como propostas teóricas de fundamental importância no que se refere à influência da análise de classe na manifestação da língua. Os citados autores se ocuparam em mostrar que a classe social fica definida por fatores econômicos. Para Marx (1983), as classes se estabelecem em função da propriedade do capital e dos meios de produção, de modo que a população fica dividida entre os que têm capital (classe capitalista) e os que não têm (classe proletária). Para Weber (1974), as classes respondem as diferenças de capital, que, junto à habilidade e à educação dão lugar a diferentes oportunidades e possibilidades dentro de um mercado: a classe proprietária, a administrativa, a de pequenos comerciantes e a trabalhadora.

As propostas de Marx e Weber foram posteriormente rejeitadas pela sociologia ocidental, fundamentalmente a norte-americana. Weber (1974), por exemplo, trata da formação e persistência dos estratos sociais, levando em conta quatro fundamentos chamados dimensões da estratificação: a ocupação, a classe, o status e o poder. A ocupação pode ser definida como o conjunto mais ou menos estável de atividades responsáveis pelas finanças; a classe é uma dimensão relacionada com os ingressos, considerada como meio de conseguir objetos; o status é uma dimensão associada à obtenção de respeito; o poder se define como a capacidade de realizar sua vontade própria, por mais que seja preciso passar por cima da vontade alheia.

De acordo com Abercrombie, Hill e Turner (1986), a divisão da população em três classes – trabalhadora, intermediária e alta – responde a um modelo convencional da estrutura britânica de classes.

A sociolinguística norte-americana baseou sua visão da sociedade em teorias da estratificação que operam com várias dimensões ou indicadores que se combinam para distinguir várias classes, segundo se manifestam essas dimensões: os indivíduos ficam classificados ao longo de uma escala social graduada, atendendo a atributos individuais como a educação, o salário ou a ocupação, entre outros. Desde essa perspectiva, os conflitos sociais ficam minimizados, ao conceber a sociedade como um ente unitário no

qual os indivíduos compartilham uns valores e umas mesmas normas de conduta e de prestígio (GUY, 1981, p. 41; MORENO, 1990, p. 173-200).

No seu estudo The Social Stratification of English in New York City, Labov (1966) utilizou a divisão de classe proposta por J. Micheal em 1962 que aponta para uma escala linear de classificação social baseada em um índice socioeconômico de dez pontos que combina três elementos: o nível de instrução, a ocupação e o salário familiar. López Morales (1983, p. 27-29) trabalhou com a variável nível sócio-cultural em seu estudo realizado em San Juan de Puerto Rico, revelando que o nível é considerado como uma variável de pós-estratificação e o distingue em quatro níveis: (baixo, médio- baixo, médio, médio-alto) para os quais se combinam três parâmetros (escolaridade, profissão e salário).

Dentro desta especialidade, os socioletos foram postos em relação direta e estreita com as variedades dialetais. Trudgill (1974) dá preferência à terminologia dialeto social para substituir o termo socioleto, opondo-os aos dialetos geográficos. Tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido, as variações sociolinguísticas e geolinguísticas se imbricam dentro de uma mesma comunidade de fala para dar forma ao emaranhado da variação linguística. Para este autor, quanto mais baixo o estrato social dos falantes, maior a possibilidade de identificar sua procedência geolinguística e, consequentemente, a identificação não resulta muito fácil quando os falantes são provenientes de uma classe mais elevada. Já no mundo hispânico, por mais alto que seja o status de um falante, torna-se muito simples identificar a sua procedência.

O problema encontrado no modelo de estratificação é o inconveniente de que nem todos os indicadores (ocupação, salários, etc.) ocupam o mesmo grau de importância. Outro entrave é que o número de pessoas pertencentes a um mesmo estrato social é variável de uma comunidade para outra.

De acordo com Sankoff e Laberge (1978), o mercado linguístico se vê dependente das atividades socioeconômicas desempenhadas pelos falantes, ou seja, em um mercado linguístico, os falantes que desempenham certas profissões tendem a fazer uso normativo da língua, enquanto outros, muitas vezes pertencentes a um mesmo nível sócio-econômico, não necessitam fazê-lo por desempenharem atividades que não exigem tal variedade.

Milroy (1987), primeiro em difundir o conceito de rede social entre os sociolinguistas, define tal conceito como um entramado de relações diretas entre

indivíduos, que atua como um mecanismo para trocar bens e serviços, para impor obrigações e para outorgar os direitos que correspondem a seus membros.

Essas redes dispõem de diferentes graus de densidade e multiplicidade que variam de acordo com os vínculos estabelecidos entre os indivíduos e a quantidade de pessoas que a forma.

A densidade de uma rede é determinada pela quantidade de membros que a compõe, de maneira que podem existir redes densas e de densidade baixa. As primeiras se caracterizam pela relação estabelecida entre si por todos os membros da rede, enquanto que as segundas se estabelecem pelo relacionamento que alguns membros mantêm com os demais, sendo possível que alguns não mantenham nenhum tipo de relação entre si.

Quanto à multiplicidade, podemos afirmar que, quando os membros da rede estabelecem entre si relações que envolvem vínculos de naturezas diferentes – amizade, vizinhança, companheirismo – estamos diante de redes múltiplas, enquanto que se as relações são de apenas um tipo de vínculo – somente com a vizinhança, por exemplo – se fala de redes de multiplicidade baixa.

Logo, encontramos nesta forma de classificação, um problema: considerando que os indicadores são variáveis de uma rede pra outra, resulta difícil comparar redes diferentes porque não se trabalha com os mesmos indicadores. Outra dificuldade encontrada é a de que, nem sempre, há como demonstrar estatisticamente a correlação entre os membros da rede e a variação linguística.

Milroy (1992, p.206-220) desenvolve o conceito de modo de vida apresentado por Hojrup (1983) a fim de relacionar as redes sociais de pequenas dimensões com outras estruturas ou grupos sociais de maior entidade. A prioridade é dada ao tipo de atividade desempenhada e as relações que os falantes mantêm com outros membros do grupo. O modo de vida que ambos propõem resume-se a basicamente três:

Modo de vida 1. Unidade primária de produção (agricultura, pesca,

pequenos serviços). Relações cooperativas entre companheiros de profissão. Família implicada na produção. Autoemprego. Escasso tempo livre: quanto mais se trabalha, mais se ganha. Redes sociais múltiplas e densas.

Modo de vida 2. Emprego em um sistema de produção que não é controlado

pelos trabalhadores. Trabalha-se para ganhar um salário e poder desfrutar em períodos de tempo livre. Relações de trabalho separadas do âmbito familiar. Certa mobilidade no trabalho. Redes de solidariedade com os vizinhos e companheiros.

Modo de vida 3. Profissão qualificada, capaz de controlar a produção e de

dirigir os trabalhos de outras pessoas. Tempo de férias dedicado ao trabalho. Trabalha-se para ascender na hierarquia e adquirir mais poder. Atitude competitiva com os colegas.

Os traços ideológicos que caracterizam cada modo de vida citado anteriormente seriam a família para o primeiro, o lazer para o segundo e o trabalho para o terceiro. Porém, deve-se valorizar que o conceito de modo de vida é estrutural: os traços definidores de um grupo são determinados pelo contraste com os dos demais modos.

Milroy (1992, p. 215) articula a relação existente entre a rede e o modo de vida através de um esquema que reflete uma estrutura de natureza sociolinguística que inclui um macronível, correspondente à estrutura social, política e econômica; um nível intermediário, que corresponderia aos modos de vida e um micronível, de redes sociais. Quando essas redes supõem relações fortes, favorecem a manutenção de usos linguísticos próprios, embora estejam distanciados do modelo legitimado ou de prestígio; em contrapartida, quando as redes oferecem relações fracas, favorecem os usos linguísticos normativos ou de prestígio.

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Benzer Belgeler