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Ulusal Meslek Standartları ve Ulusal Yeterlilikler

OTURUMLAR 29 KASIM 2013

ULUSAL YETERLİLİK SİSTEMİ VE İŞ VE MESLEK DANIŞMANLIĞI YETERLİLİĞİ

1.2.1. Ulusal Meslek Standartları ve Ulusal Yeterlilikler

Nesta seção, discutiremos de início, os aspectos socioculturais da publicidade sob três dimensões: a dimensão econômica, sócio-histórica e psicológica. Em seguida, deter-nos-emos nos seus aspectos linguístico-discursivos.

Na dimensão econômica, destacamos que a publicidade emerge de um contexto sócio- econômico de produção, comercialização e consumo de bens (móveis e imóveis) e serviços, vinculando-se a um circuito de trocas com vários participantes. Segundo Charaudeau (1979) de um lado, situa-se o fabricante que, mediante estudo de mercado sobre a aceitação do seu produto, dirige-se a uma agência para elaborar uma publicidade. De outro lado, deste circuito encontra-se o público-alvo que consumirá o objeto propagandeado.

Esse tipo de discurso pode manifestar-se numa peça isolada ou numa campanha publicitária. Esta última, segundo Sampaio (1999), pode ser definida como a soma de diversos esforços publicitários integrados para cumprir determinados objetivos do anunciante, tais como: lançamento de uma nova marca no mercado, promoção de uma liquidação ou ainda sustentação das vendas e da imagem de um produto ou serviço já existente. A campanha de propaganda diferencia-se do anúncio ou do comercial isolado pela maior quantidade e

integração das peças de comunicação utilizadas – como cartazes, outdoor, anúncios, jornais e revistas, impressos televisivos e /ou radiofônicos, brindes, concursos, patrocínio de alguma modalidade esportiva – pela coordenação dos esforços e pela existência de um tema de campanha. O tema de uma campanha é composto por um slogan, frase, conceito visual, gráfico ou sonoro que resume a essência do posicionamento de um produto, marca ou empresa, integrando suas diversas peças produzidas.

Marcada por um “código moral”, a publicidade impede qualquer comparação explícita. Logo, o discurso publicitário tomará como parâmetro a valorização de um determinado produto, em detrimento de outro, sem marca, ou então a valorização deste mesmo produto em relação a todos os outros do mesmo tipo. Tomemos como exemplo o slogan do cigarro Carlton na figura abaixo: “Carlton um raro prazer” assinala o sentido segundo o qual este cigarro tem um sabor diferenciado em meio aos demais, já que entre os seus consumidores proporciona especial sensação. Já no slogan do cigarro Delta “A única boa escolha”33, sentido é o dessa marca de tabaco se constituir como única opção para o consumidor.

Além disso, evidencia-se a concorrência de mercado, suscitada pelo sistema econômico das sociedades ditas liberais. A ausência desta colocaria, provavelmente, o ato de venda e compra de forma imposta, sem alternativa e o fato de trazer ao conhecimento a existência de um produto, seria suficiente para provocar a compra, no entanto, a concorrência condiciona a concepção de um discurso de valorização, singularizando um determinado produto, bem ou serviço, a exemplo do cigarro da Marlboro, apresentado na figura abaixo, observemos o seguinte slogan: Marlboro, o cigarro mais vendido no mundo34. Em meio a tantas marcas, esta se notabiliza através da particularidade de ser a mais vendida no mundo inteiro, o que lhe confere maior prestígio junto aos consumidores.

Em alguns casos, elabora-se slogans que não exprimem qualificações propriamente dos produtos, mas apenas afirmam que tal marca é suficientemente conhecida, para que se faça necessário qualificá-la. Característica denominada por Charaudeau como efeito de notoriedade. Ainda apoiando-nos no mesmo teórico em certos casos, a publicidade apresenta um objeto de busca vago e impreciso, ao tratar de temas, como a eficácia, a aventura, a evasão, a felicidade, a liberdade. Característica apresentada por exemplo, pelo anúncio do cigarro Marlboro, em que se recorre a estes tema, como no anúncio abaixo.

33 “Le Seul bon choix”

Figura 5: Publicidade francesa 2

Fonte: L’Express (1987)

Em resumo, a valorização econômica de uma dada mercadoria através da publicidade implica em geral, em elaboração de certos mitos em torno dos quais agrega-se ao produto propagandeado ideias e conceitos que lhe imprime um valor superior àquele que seria correlato aos custos de sua produção.

Segundo Certeau, esses mitos:

...invadem a publicidade seja sob a forma do “chocosonho”, do retorno “direto à terra natal”, das associações entre “poupança” e “sonho” entre “felicidade” e “segurança”, ou entre “a festa” e a garrafa de Vichy... Pobres felicidades do rico na sociedade de consumo. Contudo, eles distribuem em vinténs o equivalente dos paraísos antigos. Os objetos expõem uma utopia que muito ao contrário de ser absorvida pelo consumo metamorfoseia o vocabulário de troca, isto é o comércio em uma literatura imaginária. (CERTEAU, 1995, p.45).

Já na dimensão sócio-histórica, geralmente, as publicidades delineiam a sociedade contemporânea sob o viés ideológico de um mundo idealizado, livre de crises, guerras, destruição ecológica, subdesenvolvimento e pobreza. Por meio dessa configuração, se mobiliza os sentidos, de modo a conferir ao discurso o caráter de ser atraente e propagador da ideia de um mundo perfeito, já que “os fabricantes de cosméticos não estão vendendo lanolina, estão vendendo esperança. Não compramos mais laranjas, compramos vitalidade. Não compramos simplesmente um automóvel, compramos prestígio” (LEISI, 1970, p, 35).

No tocante a comportamentos, nunca a sociedade contemporânea se preocupou tanto com a qualidade de vida, as questões relativas ao meio ambiente, a alimentação, determinando como as pessoas se vestem, escolhem os alimentos e os preparam, fazem exercícios físicos, procuram tratamentos de saúde alternativos, buscam uma vida mais saudável, conforme aspectos socioculturais do homem pós-moderno. Tal como podemos observar no anúncio seguinte, em que tanto seu registro icônico quanto o verbal traduzem a necessidade de preservação do nosso meio ambiente, através da prevenção contra o uso do tabaco, possibilitando assim um oxigênio isento de fumaça35 (substâncias tóxicas como o gás carbônico proveniente da queima de florestas) aspiração do grupo de reflexão por um liceu sem tabaco36, que se preocupa com a saúde dos adolescentes e também com a saúde do planeta.

Figura 6: Contra-publicidade francesa 2

Fonte: www.stop-tabac.ch

A publicidade apresentará ainda, clara ou implícitamente, um sistema de valores e atitudes que caracterizam as civilizações, as quais representam, incluindo comportamentos verbais e para-verbais, que variam de uma sociedade a outra, segundo inúmeros fatores. Segundo Lagneau (1974) através desse sistema descobrimos os mitos de uma época, bem como a escala de valores que fundamentam a prática social de um grupo ou de uma nação, de modo que ele deve ser levado em consideração em todas as atividades realizadas na sala de aula de FLE.

Este sistema de valores nos quais estão inseridos os hábitos podem ser influenciados e modificados através da publicidade e isto se dá mediante o envolvimento do consumidor com o anúncio, intensificando sua eficiência na criação de modelos de conduta e quadros de

35 “Oxygène sans fumée

referência, a exemplo dos anúncios do Guaraná Kuat da marca Coca-Cola que salientam o

direito a ser diferente, de experimentar o novo e de mudar de atitude diante do já estatuído e

convencionado como tradição.Ademais, ela privilegia uma visão dinâmica da sociedade, ao tratar, mesmo nas enrtrelinhas, das ideias mais atuais, dos fatos emergentes, das inovações tecnológicas, como ocorre em peças publicitárias relativas a celulares, notebooks, videogames e computadores, entre outros. Funcionando como testemunho de uma sociedade de consumo, o texto publicitário conduz a um sistema de representação da cultura a que pertence, permitindo estabelecer uma relação pessoal com a realidade fenomenológica. Esse sistema designa:

... os conjuntos de ideias e de valores próprios a uma sociedade. Estes domínios são tratados pela sociologia como realidades autônomas, existindo independentemente do que os psicólogos chamam representações ou imagens mentais. Toda a sociedade elaboraria assim vários sistemas de representações especializadas: do cosmos, da totalidade social, da magia e da feitiçaria etc. No espírito dos indivíduos, tais sistemas estão presentes apenas de maneira geralmente incompleta e parcialmente consciente. Falamos de representações coletivas que testemunham atitudes intelectuais de um grupo e não disposições mentais individuais. Esta concepção antipsicológica foi defendida principalmente por Émile Durkheim e por seus seguidores (BONTÉ; IZARD, 1991, p. 626).

Além disso a publicidade revela-se sócio-historicamente através da apropriação do

discurso dos movimentos sociais ou de certas comunidades, as quais ela se destina, num

esforço de se fazer parte integrante da sua cultura (CAMPOS, 1979). Em ambos os casos: “o discurso publicitário apresenta-se como um dos instrumentos de controle social e, para bem realizar essa função simula igualitarismo, remove da estrutura de superfície os indicadores de autoridade e poder, substituindo-os pela linguagem da sedução” (CARVALHO, 1996, p.17).

Entre outras estratégias verifica-se neste caso, a presença de expressões populares, como na publicidade culinária, produzindo efeito de sentido de pertencimento, visto que a publicidade sempre utilizará palavras com certa carga cultural de uma dada comunidade onde são empregadas, adequando-se assim ao já estabelecido.

De acordo com Williams (1992, p.53) que é um dos precursores dos estudos culturais37: “a propaganda tornou-se um fenômeno bastante novo e, caracteristicamente, estendeu-se a áreas de valores sociais, econômicos e explicitamente políticos, como uma nova espécie de instituição cultural empresarial”.

Por sua vez, Kelner (2001) acrescenta que os estudos culturais britânicos concebem todas as formas de cultura e comunicação como dignas de exame e critica, inclusive a publicidade, considerada um relevante objeto da análise das relações entre cultura, comunicação e ideologia.

Na dimensão psicológica da publicidade, devemos considerar que seu discurso pretende precipuamente modificar ou reforçar um dado comportamento relativo à adesão a uma atitude em particular ou aquisição de um bem ou serviço em geral, a exemplo das campanhas em prol do uso do preservativo no combate a AIDS e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), bem como publicidade de carros e de serviços turísticos oferecidos por agências de viagens, respectivamente.

Segundo Moderno (2009), a influência psicológica da propaganda sobre as pessoas decorre da persuasão emotiva e da persuasão inconsciente. A primeira indica uma forma de excitação perante uma situação que normalmente leva à aparição de um sentimento. Através de processos associativos, a publicidade tenta instigar principalmente os sentimentos de carinho, amor, felicidade e alegria, induzindo o público-alvo à adoção dos comportamentos propostos. Já a segunda mobiliza o inconsciente para estimular os instintos e a sugestão, de modo a influenciar às vezes, sub-repticiamente, despertando os desejos, fantasias e sonhos mais recônditos do sujeito. Dentre os instintos passiveis de ativação, sobressaem-se: o instinto sexual, o de auto-conservação e o de desenvolvimento de oposição, o de poder, o material, o de jogo e o gregário. Por outro lado, a sugestão influencia a pessoa, de maneira a neutralizar eventuais defesas contra o que esteja sendo propagandeado, pela manipulação da vontade em consequência da percepção despertada pela publicidade.

O anúncio seguinte exemplifica o mecanismo de sugestão do consumidor mediante o processo de identificação. Nele se apresenta um rapaz vestido formalmente com relógio e pulseira pressupostamente de valor com a identificação de ser Victor Oliva, empresário de

37 Segundo Kelner (200l, p.75) é uma perspectiva teórica que reconhece a diversidade de práticas culturais

contemporâneas. Constituída a partir dos estudos interdisciplinares do Centre of Contemporany Cultural States da Universidade de Birminghan, essa abordagem vem se dedicando ao estudo sobre formas práticas e instituições culturais e suas relações com a sociedade e a transformação social. Preocupa-se com a cultura além de estudar como esta participa no processo de integração e resistência de uma sociedade ao poder e as ideologias. Suas teorias foram enriquecidas pelas abordagens feministas e multiculturais, que trouxeram ao estudo, questões de raça, etnia, nacionalidade, classe, subalternidade e preferência sexual.

São Paulo, enunciando que sua adesão ao cigarro de marca Advance se deu não pela influência de outras pessoas que lhe ofereceram, mas principalmente pelo sabor. Passa-se a ideia do gênero masculino bem-sucedido, cujas escolhas são evidentemente acertadas e cujo exemplo deve ser seguido por aqueles que receiem o teor de substâncias nocivas contidas no cigarro, já que na parte superior, informa-se através da logomarca Souza Cuz (garante os baixos teores) e o sabor enquanto solução ao possível impasse e o não dever pelos riscos à saúde. Nesta imagem a ilusão de que os adeptos desta marca são pessoas felizes, bonitas e bem sucedidas economicamente. Para Kelner (2001, p.324) “os publicitários utilizam construtos simbólicos com os quais o consumidor é convidado a identificar-se para tentar induzi-lo a usar o produto anunciado.

Figura 7: Publicidade brasileira 3 Fonte: Visão (1981)

Consideramos que o anúncio publicitário aparentemente não se dirigindo a ninguém em especial, fomenta a ilusão de que se trata de um discurso endereçado individualmente a cada pessoa, ao mesmo tempo em que favorece a consciência de que cada um representa o membro de um grande grupo. Ampliando portanto, sua eficácia cultural, através da dupla ilusão que fornece à sociedade, qual seja: a ilusão de que todos pertencem a uma mesma classe social , mas que ao mesmo tempo cada ser humano é singular.

Assim, Leisi (1970), nos explicará que a publicidade objetivando realizar seus intentos explora bastante aqueles tipos de persuasão a fim de tornar o homem manobrável, submetendo-o a atrativos, a estimulantes e a pressões, sondando-lhe a alma e ao invés de sarar-lhe as feridas, provoca-lhe desejos que o leva ao ato visado: a compra. Verifica-se, o emprego de certas estratégias discursivas que explora os temores dos homens, seus desejos e

frustrações e até seus ocultos sentimentos de culpa, para transformando-os em slogan atingir determinados objetivos comerciais ou eleitorais.

Em certos casos, o consumidor se apresenta dissimuladamente induzido sem que se dê conta disso, através da propaganda subliminar – resultante do progresso da psicologia social e dos mass-média – que condiciona – sub-repticiamente os comportamentos. Neste caso, os sentidos não são percebidas conscientemente pelo público devido ao estímulo que não se constitui suficientemente intenso para atingir a consciência do indivíduo, mas que repetido várias vezes, é capaz de atuar sobre o seu inconsciente, alcançando um efeito desejado em suas emoções e opiniões. No campo da percepção visual (em TV e cinema, por exemplo), a propaganda subliminar apresenta uma transmissão com estímulos ultra-rápidos, a uma velocidade de até 1/3000 de segundos, uma vez a cada cinco segundos, o bastante para que sejam captadas somente pelo subconsciente. Em rádio, já se experimentou a transmissão de mensagens subliminares em frequências acima do espectro perceptível pelo ouvido humano. Não se tem ainda noção exata da eficácia desses processos, mas a sua aplicação é proibida por lei (RABAÇA, 1998).

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Benzer Belgeler