• Sonuç bulunamadı

HAYAT BOYU REHBERLİKTE KALİTE GÜVENCE SİSTEMİ

HAYAT BOYU REHBERLİK KALİTE GÜVENCESİ SİSTEMİNDE TÜRKİYE YETERLİLİKLER ÇERÇEVESİNİN YERİ

2. HAYAT BOYU REHBERLİKTE KALİTE GÜVENCE SİSTEMİ

Educação, nível ou grau de instrução, estudos ou escolaridade são os termos que mais nomeiam a variável que equivale ao tipo de formação acadêmica ou à titulação alcançados pelo falante. Essa variável é outro fator que determina diretamente a variação linguística dos falantes, pois é normal que as pessoas mais instruídas façam maior uso da variedade mais prestigiosa ou que mais se aproximam da norma.

É comum que a variável nível de instrução esteja incluída entre os fatores integrantes da classe social ou do nível sócio-cultural, perdendo o seu protagonismo singular. Isso não quer dizer que não se trate de uma variável importante no ato de determinar a variação linguística a ser escolhida. Isso não é obstáculo para reconhecer a relação existente entre educação, profissão, classe, status e poder. Torna-se muito óbvio que quanto mais preparado encontra-se o falante, maior a possibilidade de desempenhar profissões com maiores salários, status mais elevado e maiores relações de poder.

As investigações do sociólogo britânico Bernstein encontram-se intimamente ligadas às variáveis nível de instrução e classe social. Na verdade, ele busca demonstrar que, no processo de socialização dos indivíduos, a linguagem ocupa um espaço significativo quando relacionada com a classe, a escolaridade e o contexto em que se encontram os falantes. Isso deu lugar a uma teoria conhecida como teoria do déficit, desenvolvida por ele entre 1958 e 1971, a partir de estudos realizados com a sociedade britânica.

A teoria do déficit distingue duas formas de expressão linguística, de uso da língua ou códigos, denominadas respectivamente, código restrito e código elaborado, ficando o primeiro reservado às classes trabalhadoras, enquanto que o segundo abrange as classes médias. Para Bernstein (1965), todos os falantes, pertencentes a qualquer classe social, têm acesso ao código restrito, mas o mesmo não se pode dizer em relação ao código elaborado que, por sua vez, fica reservado apenas a alguns grupos. Neste caso, o código restrito é utilizado apenas em certas ocasiões como nas comunicações familiares.

A teoria do déficit se preocupa com as crianças de famílias ou bairros economicamente pobres, cujo uso da língua é “claramente deficiente”, pois, ao entrarem na escola, dispõem de recursos linguísticos limitados que podem representar uma barreira na escola e levar ao fracasso escolar, tendo em vista que nela se faz uso de um código elaborado.

Os estudos sociolinguísticos de Labov (1972b) contrastam com os pensamentos de Berstein ao evidenciar que os alunos não têm déficit linguístico, mas são portadores de uma significativa diversidade linguística. A teoria do déficit linguístico de Berstein (1965) perde a sustentação, pois os grupos sociais têm diferentes maneiras de falar, mas nenhuma delas pode ser taxada de deficitária, já que cada uma dessas formas de comunicar é lógica e estruturada. Logo, quando o professor corrige uma dada expressão linguística do aluno ao fazer uso de uma variante não padrão, está-se ensinando simplesmente esse aluno a pronunciar as palavras de acordo com os traços fonéticos da variante padrão, mas não está ensinando nada de novo sobre as relações lógicas entre os elementos oracionais.

As diferenças entre enunciados ou itens lexicais produzidos em variedades padrão e não-padrão não são diferentes cognitivamente, mas socialmente. Desse modo, entende-se que é tarefa da escola, ao compreender essa relação existente na atribuição de valores, tomar a iniciativa de explicar a existência dos fenômenos linguísticos variáveis e esclarecer o seu porquê, a partir de embasamento teórico e metodológico oriundo da pesquisa linguística.

Segundo Labov (1972), a teoria da deficiência linguística parte da ideia preconceituosa e falsamente científica segundo a qual podem existir variedades linguísticas melhores que outras. Para ele, os estudos de Antropologia e Linguística mostram que todas as culturas e todas as línguas são igualmente válidas, sendo inaceitável se falar em culturas ou línguas superiores. O mesmo vale para as variedades

de uma mesma língua usadas em uma mesma sociedade. Uma não é melhor do que a outra, já que as duas são adequadas ao meio em que se utilizam. A linguagem das classes desfavorecidas é diferente, e não deficitária, em relação à linguagem padrão, usada pelas classes dominantes.

Neste trabalho, discordamos da teoria anteriormente apresentada, tendo em vista que, diante de situações mais formais, como em uma apresentação de congresso, em uma entrevista de trabalho, bem como na escrita ou até mesmo no ensino formal, não somos igualmente aceitos ao escolher qualquer variação da língua. Logo, o ideal seria aceitar as variedades regionais no meio onde são utilizadas, mas oferecer condições a todas as camadas sociais para dominar a sua variedade além daquela considerada padrão perante às normas gramaticais. Embora saibamos que a teoria já defende esse parâmetro, sabemos que, na prática, isso não ocorre, ficando as melhores condições de vida, relegadas às classe mais altas, ou seja, que têm acesso à escola e, consequentemente, a um “melhor” domínio da língua normativa.

Segundo Soares (2000), as duas teorias citadas vêem a escola como redentora, isto é, como um espaço em que se possam superar as desigualdades sociais através do acesso de todos igualmente à cultura. Para ela, as soluções apresentadas por essas teorias acabam reproduzindo a situação de desigualdade que existe na sociedade, pois não questionam em nenhum momento a origem dessas desigualdades. Em ambas, o aluno carente, quer por possuir um código restrito, quer por usar um dialeto diferente da língua-padrão, precisa de uma especial atenção para que adquira a capacidade de se comunicar na língua padrão. A proposta que ambas apresentam significa deixar de lado a cultura e a linguagem das classes desfavorecidas da sociedade e educá-las segundo os valores da língua-padrão, das classes dominantes. Isso só reafirma a condição de subordinação das classes populares às classes dominantes.

Entendemos que oferecer condições ao aluno carente de poder comunicar-se fazendo uso da língua padrão não o coloca em uma situação de subordinação às classe dominantes, porém lhe oferta a possibilidade de igualar-se a estas classes.

Então, Soares (2000) critica as duas teorias anteriores por acreditar que a comunicação não é somente codificação e decodificação, mas sim uma relação de força simbólica, que é determinada pelos grupos sociais em que se dá o diálogo. Quer dizer, o meio em que se dá o ato de comunicação e o papel social dos interlocutores são postos em primeiro lugar na análise do ato de comunicação. Assim, o discurso de um advogado, que usa bem a língua-padrão, vale mais do que o discurso de um camponês,

que se comunica no seu dialeto não-padrão, mesmo que o conteúdo do discurso seja o mesmo em ambos os casos. No mercado linguístico o preço do discurso do advogado é maior porque ele, entre outros fatores, domina uma linguagem legítima (linguagem das classes dominantes), quer dizer, uma linguagem aceita por todos como válida.

Dentro da escola, a linguagem e a cultura dos estudantes provenientes das classes dominantes são transformados em capital, isto é, em valor no mercado cultural.

Por outro lado, os alunos das classes dominadas possuem uma linguagem considerada não-legítima e está nisso a origem de suas dificuldades, já que a escola é o espaço em que se veicula a cultura dominante.

Os problemas que apresenta esta variável se assemelham aos encontrados em outras – o estabelecimento de tipos ou categorias profissionais dentro de uma comunidade e a equiparação das categorias de comunidades diferentes. As profissões estudadas pelos sociolinguistas refletirão a realidade de uma comunidade.

A relação entre língua e profissão reflete em todos os níveis da língua, mas não resta dúvida de que o campo mais expressivo é o do léxico . Essa evidência nos reporta ao âmbito dos jargões profissionais, que são marcados por vocabulário específico de cada grupo.

Mediante a análise das classes sociais estudadas nesta investigação, aqui relacionadas ao nível de escolaridade, temos o propósito de avaliar se o grupo pertencente à classe mais alta, neste trabalho representado por pessoas com nível médio ou superior completo, tende ao uso mais normativo da língua do que aquele de classe econômica menos favorecida. Trataremos de confirmar nas gravações se os grupos pertencentes às classes baixas utilizam uma linguagem mais vulgar e menos padrão do que a usada pelos grupos de maior condição sócio-econômica.

Outline

Benzer Belgeler