OTURUMLAR 29 KASIM 2013
İŞ VE MESLEK DANIŞMANLARININ MESLEKİ DOYUMLARI VE MESLEKİ DOYUMLARINI ETKİLEYEN FAKTÖRLER
Na perspectiva da Análise do Discurso Francesa, a interdiscursividade constitui a propriedade inerente ao discurso de ser atravessado por outro(s) discurso(s), consistindo:
(...) em um processo de reconfiguração incessante no qual uma formação discursiva é conduzida (...) a incorporar elementos preconstruídos produzidos no exterior dela própria; a produzir sua redefinição e seu retorno, a suscitar igualmente a lembrança de seus próprios elementos, a organizar sua repetição, mas também a provocar eventualmente seu apagamento, o esquecimento ou mesmo a degeneração (COURTINE e MARANDIN, 1981 p. 21 apud MANGUENEAU, 1993, p.113).
Sendo assim, o interdiscurso está para o discurso como o intertexto está para o texto, o que concorre para que Maingueneau, assumindo uma postura peremptória para os destinos da Análise do Discurso Francesa proclame o primado do interdiscurso ao afirmar que “a unidade de análise pertinente não é o discurso, mas um espaço de trocas entre vários discursos convenientemente escolhidos” (MAINGUENEAU, 1993, p. 11). Neste sentido, constitui um jogo de remissão implícita ou explícita à memória discursiva de que faz parte independentemente de sua extensão (uma frase, uma estrofe ou um livro) ou ainda de seu suporte (jornal, livro, internet).
Concebemos então interdiscurso como um sistema de discursos atinentes a um mesmo campo discursivo ou de campos distintos que instauram relações de delimitação recíproca um com os outros e que apresentam no dizer de Courtine (1981, p. 54 apud CHARAUDEAU & MAINGUENEAU, 2006, p. 286): “(...) uma articulação contraditória de formações discursivas que se referem a formações ideológicas antagônicas”.
Nossa visão esteia-se no fato de que a afirmação do primado do interdiscurso exclui que se coloquem em contraste formações discursivas consideradas independentemente umas das outras. Consequentemente, a identidade discursiva se apresenta indissociável de sua emergência e (de) sua manutenção através do interdiscurso, tendo em vista que toda enunciação não se configura isoladamente, mas a partir do atravessamento de múltiplas formas de retomadas de enunciados já efetivamente produzidos ou potenciais, embora se vinculem à ameaça de resvalar-se no que jamais se deve enunciar.
Segundo Maingueneau (1984, p. 30), os discursos se fundam na relação interdiscursiva, devendo-se então “construir um sistema no qual a definição da rede semântica21 que circunscreve a especificidade de um discurso coincida com a definição das relações deste discurso com seu Outro.’’ Neste sentido, um discurso nunca seria autônomo, visto que ele remete sempre a outros discursos e suas condições de possibilidades semânticas se concretizariam num espaço de trocas, isto porque os sentidos não se fecham, não são evidentes, embora pareçam ser.
Levamos a questão mais adiante ainda na medida em que se concebe esse Outro não como uma presença que se manifesta, quer explícita quer implicitamente, mas como uma ausência, como uma falta, como o interdito do discurso. Isto é, toda formação discursiva, no universo do gramaticalmente dizível, circunscreve a zona do dizível legítimo, definindo o conjunto de enunciados possíveis de serem atualizados em uma dada enunciação a partir de um lugar determinado. Ao fazer isso, ela circunscreve também uma zona do não-dizível, definindo o conjunto dos enunciados que devem ficar ausentes do seu espaço discursivo; delimita, dessa forma, o território do Outro que lhe é incomparável, excluindo-o do seu dizer.
Na relação do discurso com seu Outro, devem-se distinguir duas noções básicas (MAINGUENEAU, 1984): a noção de intertexto de um discurso compreendido como o conjunto dos fragmentos que ele cita efetivamente; a noção de intertextualidade que abrangeria os tipos de relações intertextuais definidas como legítimas que uma formação discursiva mantém com outras. Esta intertextualidade constitui-se em dois níveis: uma intertextualidade interna em que um discurso se define por sua relação com discurso(s) do mesmo campo podendo divergir ou apresentar enunciados semanticamente vizinhos aos que autoriza sua formação discursiva e uma intertextualidade externa em que um discurso define uma certa relação com outros campos conforme os enunciados destes sejam citáveis ou não.
Logo, a noção de interdiscurso torna-se mais precisa a partir da distinção estabelecida por Maingueneau (1993) entre universo discursivo, campo discursivo e espaço discursivo. O primeiro relaciona-se ao conjunto de formações discursivas de todas as espécies que coexistem, ou melhor, interagem em um dado contexto sócio-histórico. Embora seja finito, este conjunto é irrepresentável em sua totalidade, visto que se refere a instâncias heterogêneas de enunciados produzidos por práticas discursivas irredutíveis.
21 Segundo Dubois (2006, p. 527), no quadro da teoria lingüística geral, tal como é visualizada pela gramática
transformacional, a semântica é um meio de representação do sentido dos enunciados. A teoria semântica deve explicar as regras gerais que condicionam a interpretação semântica dos enunciados.
O segundo delineia-se como um conjunto de formações discursivas que se apresentam em estado de concorrência, latu sensu, delimitando-se por assumirem posições enunciativas definidas em uma dada área. Quando o analista do discurso deve recorrer a hipóteses explícitas e não simplesmente a uma partição aleatória e espontânea do universo discursivo, apesar da tradição legar-nos certos rótulos bastante usuais, mesmo entre leigos do discurso (campos discursivos religioso, político, literário etc.).
O terceiro e último abrange um subconjunto do campo discursivo, relacionando pelo menos duas formações discursivas que, pressupostamente, são cruciais para a devida compreensão dos discursos em questão. Este define-se a partir de uma decisão do analista do discurso mediante seu objetivo de investigação. Determinados subconjuntos precisam ser recortados, sobretudo, porque uma formação discursiva dada não se opõe semelhantemente à(s) outra(s) com que integram um dado campo: certas oposições podem figurar como fundamentais, outras como secundárias na constituição e/ou preservação de uma formação discursiva em particular.
Essas distinções mostram que não há campo discursivo insular, visto que o universo discursivo dotado de uma intensa circulação de uma região do saber para outra. propicia trocas bastante diversificadas conforme os discursos e as circunstâncias concernidas. Essa intercambialidade de campos toca também na questão da eficácia discursiva. Ao fazer a remissão a outro(s) discurso(s), o sujeito recorre a elementos elaborados alhures os quais, intervindo sub-repticiamente, criam um efeito de evidência que suscita a adesão de seu auditório. Fato que acontece, por exemplo, com o discurso publicitário, que recorre frequentemente a vocabulários técnico-científicos, a saberes de outros campos para melhor persuadir.
No nível da intertextualidade interna, interior ao campo, de maneira geral, a toda formação discursiva se vê associar uma memória discursiva. Esta, por sua vez torna possível a toda formação discursiva fazer circular formulações anteriores, já enunciadas. Ela permite, na rede de formulações a constituição do intradiscurso de uma formação discursiva, o aparecimento, a rejeição ou a transformação de enunciados pertencentes a formações discursivas historicamente contíguas.
Resta lembrar, nessas considerações, um outro aspecto igualmente importante na produção da leitura: a “incompletude”. Desta noção, podemos dizer que há relações de sentidos que se estabelecem entre o que um texto diz e o que ele não diz, mas poderia dizer, e entre o que ele diz e o que outros textos dizem. Essas relações de sentido atestam, pois, a intertextualidade, isto é, a relação de um texto com outros (existentes, possíveis, ou
imaginários). A fim de concretizar o que acabamos de afirmar, observe as figuras e abaixo apresentadas, a primeira propaganda do cigarro Hilton remete-nos a uma das fases do pintor holandês Piet Mondrian, principal teórico do neoplasticismo, que teve um breve período simbolista, fundamental para que atingisse a abstração. Este período costuma-se confundir com a radical abstração que caracterizaria o resto de sua obra, já revelando uma certa tendência à geometrização e à síntese da realidade. Fase caracterizada na figura 2. e a segunda também apresenta uma publicidade do cigarro Hilton e nos mostra uma releitura de um quadro de Toulouse Lautrec, pintor francês, da fase impressionista, mais precisamente, do fauvismo. Ele dedicou-se a litografia e entre as mais de trezentas que produziu destaca-se a série “Elles”, retratando a vida dos bordéis. Estes anúncios apresentam portanto a materialização de um texto através do sentido apresentado em outro, isto porque os sentidos de um texto passam pela relação dele com outros : “Há uma relação de sentido (interdiscursividade) e esta explica que todo discurso nasce em outro (sua matéria-prima) e aponta para outro (seu futuro discursivo). Assim sendo, na realidade, não se trata nunca de um único discurso, mas de um continuum” (ORLANDI, 2006, p. 18). E ela ainda afirma: “Quando se trata de discurso, não temos origem e não temos unidade definitiva. Um texto é uma peça de linguagem de um processo discursivo muito mais abrangente” (ORLANDI, 1996, p.61).
Figura 2: Publicidade brasileira 1 Figura 3: Publicidade brasileira 2
Fonte: Visão (1981) Fonte: Visão (1981)
Fato que será demonstrado através das análises que faremos dos anúncios publicitários de parte do corpus da nossa pesquisa, os quais corroborarão para a concepção
segundo a qual determinados discursos se movem com o passar do tempo e, às vezes, são desconstruídos para que outros dizeres se materializem e tenham consonância com seu novo momento histórico, social e ideológico. Daí a relevância da distinção entre os gêneros textuais e os gêneros do discurso conforme veremos na seção seguinte.
1.1.5. Entre os olhares dos gêneros textuais e gêneros discursivos contemplamos o