3.7. TDBB’NİN KARDEŞ ŞEHİR FAALİYETLERİ
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Para BURRELL e MORGAN (1979), um paradigma reflete uma maneira particular de perceber o mundo e as pressuposições teóricas específicas com relação à natureza da ciência e da sociedade. Dentro de um mesmo paradigma, os teóricos compartilham um modus operandi e uma forma similar
de desenvolver teoria. Os quatro (4) paradigmas definidos pelos autores estão classificados e descritos em função de dois contínuos.
O primeiro diz respeito aos pressupostos da natureza das ciências sociais. Isto é, se a realidade a ser investigada é externa às pessoas (objetiva) ou o produto da consciência e cognição individual (subjetiva). Associados às perspectivas ontológicas, objetiva ou subjetiva, estão os pressupostos epistemológicos, ou seja, se o conhecimento pode ser adquirido (objetivo) ou se é algo que precisa ser vivenciado pessoalmente (subjetivo). O segundo contínuo refere-se à natureza da sociedade. De acordo com os autores, existem, de um lado, teóricos preocupados em explicar a ordem social e o equilíbrio enquanto, do outro, existem teóricos que visam explicar a mudança, os conflitos e coerção nas estruturas sociais. A união destas duas dimensões (natureza das ciências sociais e natureza da sociedade) dá origem aos quatro (4) paradigmas demonstrados na figura 6.1.
Fonte: BURREL, G.; MORGAN, 1979, p.12.
Segundo os autores, os quatro (4) paradigmas podem ser resumidos como segue:
1) Funcionalista: este é o paradigma dominante em estudos organizacionais. Representa uma perspectiva que está enraizada na sociologia da regulação e encara seu objeto de estudo como sendo externo e passível de observação. Os teóricos que se enquadram neste paradigma preocupam-se em fornecer explicações sobre o status quo, a ordem social, o consenso, a integração social, a solidariedade e a satisfação de necessidades. Estas preocupações gerais são analisadas a partir de um ponto de vista realista, positivista, determinista e normativo. É uma perspectiva de orientação pragmática, preocupada em compreender a sociedade de forma a permitir o desenvolvimento de conhecimentos que possam ser utilizados na prática. Para tanto, os autores deste paradigma fazem uso de modelos e métodos das ciências naturais para estudar os assuntos sociais. Alguns exemplos de teorias organizacionais que se enquadram neste referencial são a teoria da ecologia populacional, a teoria dos sistemas e a teoria da contingência.
Apesar da ênfase positivista, no início da década de 1920, o paradigma sofreu a influência de elementos do idealismo alemão como resultado das teorias de Max Weber, George Simmel e George Mead (BURRELL e MORGAN, 1979). Estas teorias rejeitam o uso de modelos mecânicos e biológicos para estudar a sociedade e introduziram ideais que enfatizam a importância de se compreender a sociedade a partir do ponto de vista do ator que está engajado nas atividades sociais. Desta forma, surgiram, dentro do paradigma, teorias menos objetivas, como é o caso da teoria da ação e das teorias em estratégia organizacional.
2) Interpretativista: está baseado na sociologia da regulação, porém, encara seu objeto de análise a partir de uma perspectiva subjetiva, ou seja, o objeto de estudo é produto da consciência individual. Teóricos que atuam dentro deste paradigma estão preocupados em compreender o mundo como ele é e os fundamentos da natureza social a partir da
experiência subjetiva de seus participantes. Segundo BURRELL e MORGAN (1979), os pesquisadores que se enquadram neste referencial teórico perseguem explicações no âmbito da consciência individual e a partir da perspectiva do participante, versus a do observador. A realidade social não existe enquanto realidade concreta e, sim, como uma rede de significados na consciência dos indivíduos. Os fundamentos deste paradigma foram estabelecidos a partir dos trabalhos de Kant, que refletem a filosofia social e enfatiza a natureza espiritual do mundo social. Os teóricos de teoria das organizações que trabalham de acordo com estas premissas questionam a existência concreta das organizações. De acordo com esta perspectiva, estas últimas seriam, apenas, construções sociais nas mentes humanas. Finalmente, estes teóricos questionam a validade dos pressupostos do paradigma funcionalista. Estudos organizacionais nesta área fazem uso dos conceitos da fenomenologia, etnometodologia e simbolismo. Como exemplo, podem ser citados os trabalhos de HATCH (1993) e ZUBOFF (1988) discutidos nesta pesquisa. 3) Humanista Radical: este paradigma pode ser caracterizado por sua preocupação em desenvolver uma sociologia da mudança radical a partir de um ponto de vista subjetivo. Seu referencial teórico é dominado por uma perspectiva da sociedade que enfatiza a importância de transcender os limites dos arranjos sociais existentes, visando libertar os homens de sua dominação. Na base das teorias que se enquadram dentro deste paradigma, está a idéia de que a consciência humana é dominada por superestruturas ideológicas que inibem os homens de atingir sua emancipação social e cognitiva. Os teóricos que atuam de acordo com as pressuposições básicas deste paradigma enfatizam temas como as mudanças radicais, os modos de dominação, a emancipação, a privação e o desenvolvimento do potencial humano. Os fundamentos deste paradigma foram estabelecidos a partir de trabalhos de Kant e Hegel, que re-interpretaram Marx. Adicionalmente, há uma forte influência dos autores da Escola de Frankfurt como Marcuse, Adorno , Horkheimer e Habermas.
Os pressupostos básicos deste paradigma deram origem à Teoria Crítica em Administração e ao Pós-Modernismo (ALVESSON e DEETZ, 2000). Para autores desta linha teórica, as organizações são construções sociais e históricas e são caracterizadas pelas relações de dominação entre gerentes e gerenciados. As teorias organizacionais desenvolvidas a partir deste referencial teórico têm como objetivo desmascarar as relações de poder, refletir de forma crítica sobre as práticas organizacionais opressivas e libertar os homens das restrições sociais impostas.
4) Radical Estruturalista: os teóricos que desenvolvem seus trabalhos dentro deste paradigma preocupam-se em desenvolver uma sociologia da mudança radical a partir de uma perspectiva objetiva. Apesar de conter similaridades com o paradigma funcionalista, no que diz respeito à ciência, seus fins são fundamentalmente distintos. Os autores situados neste paradigma estão preocupados com temas como as mudanças radicais, a emancipação e o desenvolvimento do potencial humano a partir de uma análise que enfatiza o conflito estrutural, os modos de dominação, as contradições sociais e as privações econômicas. Na base deste paradigma está a idéia de que a sociedade contemporânea é caracterizada por conflitos que geram mudanças radicais em suas estruturas através de crises políticas e econômicas. Os teóricos deste paradigma foram fortemente influenciados pelas obras de Karl Marx e de Max Weber. Na área de organizações trabalhos nesta linha foram desenvolvidos por autores como ALLEN (1975) e BRAVERMAN (1974).