1.3. YEREL DİPLOMASİ VE BELEDİYELER ARASI İŞBİRLİĞİ
1.3.2. Belediyeler Arası İşbirliği Gereksinimi
As parcerias podem ser consideradas como a espinha dorsal do projeto. Isso porque, sem elas, sua viabilização ficaria mais difícil. São seus principais parceiros:
• SEBRAE-CE;
• Federação das Indústrias do Estado do Ceará;
• Secretaria Estadual da Cultura e Desporto;
• Universidade Federal do Ceará;
• Instituto de Revitalização para o Trabalho (ONG);
• Central de Artesanato do Ceará, entre outros.
A seguir, cada parceria será descrita brevemente com o objetivo de fornecer ao leitor um panorama da importância de cada uma delas. Seja através de auxílio na capacitação das mulheres empreendedoras, seja no apoio à comercialização de seus produtos, seja na formação de oficinas de educação não formal visando à ampliação da cidadania dos envolvidos no projeto, cada instituição parceira é fundamental para o bom andamento do projeto.
Para promover a capacitação profissional das mulheres o Movimento conta com o apoio do SEBRAE-CE. Neste caso, o trabalho também segue a linha de estímulo à cidadania. Segundo Francisco Vidal, consultor do SEBRAE-CE, o trabalho segue dois eixos. O principal é o resgate da auto-estima. Posteriormente, busca-se democratizar o acesso dos artesãos a mercados consumidores de renda mais alta.
Nos cursos mensais, de 80 horas, são trabalhados aspectos básicos de auto- sustentabilidade econômica para pequenos negócios (capacitação tecnológica e gerencial). No que tange à capacitação tecnológica, auxiliam na melhora da qualidade do produto e no seu design para torná-lo passível de exportação. Já no que tange à capacitação gerencial, são oferecidos cursos para inserção no
mercado de trabalho. A linguagem utilizada nos cursos é simplificada, de modo a facilitar a compreensão por parte do público beneficiário. Muitas vezes essa instituição contrata parceiros para que esses disponibilizem cursos para os grupos de mulheres conforme sua competência. O SEBRAE-CE também fornece o apoio necessário para a participação em feiras/exposições e auxílio para a comercialização do produto.
A Federação das Indústrias do Estado do Ceará é outra entidade parceira. Por meio do Instituto Euvaldo Lodi ela fornece apoio logístico, técnico e financeiro na realização dos cursos e de alguns eventos comerciais.
A Secretaria Estadual de Cultura e Desporto, por sua vez, auxilia na divulgação dos eventos e disponibiliza, para algumas artesãs do Movimento, espaço privilegiado para a comercialização dos produtos nas dependências do Centro de Arte e Cultura Dragão do Mar, situado em um local de grande afluência de turistas.
Outra parceria é feita com a Universidade Federal do Ceará (UFCE). Alguns professores atuam junto ao Movimento como consultores de plano de trabalho e promovem a capacitação do corpo técnico. O trabalho em parcerias é estimulado pela SETAS. Conforme o entendimento do Secretário de Ação Social, Edílson Azim Sarriline, trata-se de uma forma de “agregar valor” às atividades desenvolvidas na Secretaria.
O Instituto de Revitalização para o Trabalho (IRT) é uma das ONG’s que pode ser destacada como parceira. O IRT nasceu para responder às necessidades das entidades comunitárias do movimento popular na educação para a transformação social e na Geração de Trabalho e Renda, seja na área rural ou urbana do Estado do Ceará. Toda a ação institucional dessa entidade se desenvolve na perspectiva de melhoria da qualidade de vida das populações socialmente vulneráveis a partir de uma intervenção que contribua para o desenvolvimento humano. Assim, é adotado, como eixo norteador de sua
prática, a educação popular, o desenvolvimento local integrado e sustentável, a socioeconomia solidária e a valorização da subjetividade humana29.
No caso do Movimento, o IRT atua na realização de diagnósticos socioeconômicos e no seu monitoramento e avaliação. Além disso, buscam revitalizar o desenvolvimento humano, valorizando a dimensão do trabalho como expressão do prazer, criatividade, produção e reprodução da vida. Através de oficinas educativas com os líderes comunitários (agentes multiplicadores em suas comunidades) desenvolvem a consciência da cidadania nas comunidades.
4.3.2.1. CEART
Outra parceria importante a destacar é a CEART. A CEART é um órgão estadual cuja função principal é viabilizar a produção e a comercialização artesanal, funcionando como um entreposto comercial. No que se refere à produção artesanal, a CEART oferece cursos de treinamento e cadastramento dos artesãos (teste de habilidade e carteira do artesão), como se fosse um controle de qualidade dos produtos vendidos ali. Quanto à comercialização, a CEART possui lojas e organiza feiras dentro e fora do Brasil para que os artesãos cadastrados possam escoar os seus produtos30.
No caso do Movimento, as beneficiárias são capacitadas para se adequar ao padrão de qualidade estipulado pela CEART. Somente mediante a posse dessa “carteirinha” elas podem utilizar os pontos de comercialização da Central de Artesanato do Ceará. Isso faz com que as artesãs sempre busquem um maior conhecimento e apuramento de suas técnicas para que seus produtos sejam passíveis de exposição e comercialização nos eventos organizados pela CEART.
29 Dados contidos no folheto informativo do IRT.
30 A CEART promoveu a participação dos artesãos na Gift Fair em São Paulo (17-22/08/2002) e também
Há também um trabalho desenvolvido junto ao Sindicato dos Artesãos Autônomos do Ceará. Para um artesão expor seus produtos em feiras e praças públicas é necessária a obtenção da carteira de artesão (a mesma que a CEART oferece). O sindicato vai até os Centros Comunitários para cadastrar as artesãs e emitir as carteiras. Dessa forma, o processo é mais rápido e simples.
Além disso, a CEART zela pelo controle de qualidade dos produtos oferecidos, controlando-os sempre. Os testes de qualidade são feitos para os seguintes produtos: bordado, renda, tecelagem e areia colorida (técnicas tradicionais). Através desses testes, a CEART promove a valorização dos saberes tradicionais, pois acredita que cada produto possui uma história, uma tradição e uma identidade que devem ser preservadas. Assim, juntamente com o Movimento, acaba por estimular a sociodiversidade preservando os diversos saberes tradicionais espalhados pelo Estado.
A CEART tem como objetivo principal o desenvolvimento e a melhoria de qualidade de vida do artesão. O artesanato é visto como um negócio, não é visto só pelo “fazer”. O artesão é considerado um empreendedor. Nesse contexto, a CEART atua na preservação da cultura como forma de afirmar a identidade cultural de seus artesãos e na melhoria de sua qualidade de vida (renda). Dentro desses dois eixos, insere-se o apoio à produção artesanal e à comercialização.
A partir de um estudo, estabeleceram-se tipologias de artesãos. Constatou-se que mais de 50% da mão-de-obra no mercado informal do Ceará trabalha com artesanato. Além disso, constatou-se que a produção artesanal era de baixa qualidade e que a maioria dos artesãos eram mulheres. Isso justificou o fato de se investir em artesanato e mulheres no Movimento das Mulheres Empreendedoras. Uma outra constatação foi o fato da técnica artesanal se perder de geração para geração, descaracterizando-a. Com o fim desse estudo, em 1995, houve um projeto de inovação da produção artesanal. Esse projeto apoiava principalmente as mulheres (pela quantidade mulheres artesãs presentes) para que elas se tornassem empreendedoras. Receberam
capacitação para melhorar seus produtos e torná-los competitivos. Foi dado um salto qualitativo muito grande em comparação com a situação de descaso anterior. Essas mulheres tornaram-se multiplicadoras em seus municípios. “É claro que a renda gerada pelo artesanato não é muito alta, mas para um artesão R$ 100,00 é uma renda altíssima”, afirmou Josete Andrade, diretora da CEART.
A estratégia utilizada para reafirmar o artesanato como prática de valor e difundi-lo foi a seguinte:
1) Foram selecionados os municípios com maior potencial (74);
2) Houve a abertura de espaços para a comercialização dos produtos e 3) Criou-se o Fundo do Artesanato.
A maior dificuldade enfrentada pela CEART é o fato do recurso estar disponível no banco e não poder repassá-lo para o artesão. Ele só pode recebê-lo por meio de cheque o que gera uma enorme burocracia.
As lojas da CEART (quatro no total, sendo uma delas localizada dentro do Aeroporto Internacional) são uma alternativa para o artesão do interior do Estado. Existem atualmente 56 entidades que deixam seus produtos na loja para que eles sejam vendidos. Porém, o atraso no pagamento desses artesãos constitui-se no maior problema dessa estratégia. É importante mencionar que os preços desses produtos sofrem um acréscimo que varia de 5 a 50% de seu valor (no caso de móveis). Isso porque as mercadorias que são vendidas mais rapidamente acabam por financiar aquelas que têm pouca saída. Existe a consignação para determinados tipos de produtos: aqueles que não têm muita saída ou aqueles que têm muita concorrência. Para eliminar o problema de atraso no pagamento, criaram-se algumas soluções:
a) Adiantamento do valor da mercadoria para o artesão. Todo artesão que entrega alguma mercadoria para a CEART recebe seu recurso independentemente da venda.
c) Produtos são feitos mediante encomenda da CEART. Até ficarem prontos, a CEART já providenciou o seu pagamento.
A CEART não busca somente vender os produtos dos artesãos. Ela busca dar autonomia ao artesão na venda de seus produtos e evitar que ele seja explorado.
Para o artesão, possuir a carteirinha da CEART lhe dá prestígio e o benefício de não pagar o ICMS.
Com relação à receita, o projeto recebe anualmente cerca de R$ 140 mil. A principal fonte de recursos é o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que responde por cerca de R$ 120 mil anuais. Os outros R$ 20 mil são repassados pelo Tesouro Estadual (através da SETAS) e se destinam à realização de eventos culturais, shows promocionais e exposições.
A prefeitura também é um parceiro extremamente importante, pois é com ela que são negociados os espaços para as feiras em shoppings, supermercados e áreas públicas.