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Medya Pazar Ekonomisi ĠliĢkisi ve Bu ĠliĢkinin Toplum Üzerindeki Etkisi

2.3. SĠYASAL ĠKTĠDAR VE MEDYA

2.3.3. Medya Pazar Ekonomisi ĠliĢkisi ve Bu ĠliĢkinin Toplum Üzerindeki Etkisi

Conforme argumentado por Lui, Wong e Liu (2009), pela abordagem da ECT é previsto que nas relações em que exista alto nível de especificidade de ativos, contratos formais tendem a ser utilizados como instrumentos de governança para redução das chances dos parceiros agirem de maneira oportunista.

Ao considerar a principal dimensão característica de uma transação segundo a ECT (WILLIAMSON, 1985), os autores supracitados destacam que a literatura oferece abordagens alternativas para relacionar a especificidade de ativos de uma relação cooperativa. Pela ECT é argumentado que a especificidade de ativos investidos numa parceria aumenta os riscos de oportunismo. Diferentemente, Dyer e Singh (1998) sugerem que uma estrutura de governança eficaz pode gerar benefícios relacionais por prover incentivos para iniciativas de criação de valor, como ativos específicos à relação. Para os mesmos, uma governança relacional eficaz pode permitir que as partes invistam em ativos específicos, diferenciando a parte com a qual a organização se relaciona e seus competidores, uma vez que os últimos incorreriam em altos custos para salvaguardar ativos específicos.

Considerando a existência de riscos e necessidade de coordenação e adequação para sustentabilidade de relações interorganizacionais, Jones, Hesterly e Borgatti (1997) abordam a integração do contexto social, a partir da Teoria Social de Redes e da Teoria

da Economia dos Custos de Transação. As transações caracterizadas por altos níveis de adaptação, coordenação e controle influenciam o surgimento de estruturas de integração dos membros participantes por meio de mecanismos sociais, como a restrição de aproximação entre as organizações, a ampliação da cultura organizacional, ou sanções coletivas e reputação. Para os autores, tais mecanismos sociais interagem para a criação de um sistema de transações no qual a coordenação e cooperação entre partes autônomas são não só possíveis, mas prováveis de serem estabelecidos em ambientes de rápidas mudanças.

Por outra abordagem, Gilson, Sabel e Scott (2010) analisam a relação entre a execução de contratos formais, encorajada por perspectivas judiciais, e contratos informais, pelos quais a performance das partes é motivada pela perda de reputação, possibilidade de perda de acordos futuros ou pela inclinação de reciprocidade por alguma das partes. Os mesmos autores destacam que a literatura dos contratos incompletos trata as duas estratégias (i.e. formal e informal) como fenômenos separados, sendo esta perspectiva contrastada por outra literatura que, ainda experimentalmente, considera a possibilidade da introdução e execução de contratos formais degradarem a contratação informal. Lui, Wong e Liu (2009) verificaram que, pela abordagem da ECT, as predições acerca da relação positiva entre especificidade de ativos e contratos formais, bem como a relação negativa entre contratos formais e comportamento oportunista, não foram encontradas na amostra estudada.

Tais resultados sugerem ainda que o contexto institucional, como o de mercados emergentes, implique em limitações às teorias de custo de transação e da perspectiva relacional, em função de limitações relacionadas aos órgãos normativos e de governança. É sugerido, desta maneira, que abordagens alternativas têm maior e menor relevância, dependendo do contexto transacional, uma vez que revelam diferentes aspectos da governança entre firmas (LUI; WONG; LIU, 2009).

Por meio de um experimento, Lazzarini, Miller e Zenger (2004) verificaram que o aumento nos custos contratuais aumenta a tendência dos compradores deixarem a relação, uma vez que os compradores não podem empregar os contratos para salvaguardar a transação. Ao analisar as decisões dos vendedores, os dados da pesquisa sugerem que os contratos facilitam a auto execução de dimensões não contratáveis,

sendo estes resultados consistentes com a noção de que contratos incompletos complementam acordos informais.

Para Lumineau e Malhotra (2011), mecanismos de governança contratuais e relacionais não são mutuamente exclusivos. Os autores destacam que a literatura aponta a utilização de ambos os mecanismos de forma adequada, como forma de gerenciamento do risco da relação entre firmas. Múltiplos mecanismos de coordenação e controle também são utilizados para gerenciar os riscos da relação, sendo que o que varia na maioria das relações entre firmas, não é o fato dos contratos serem empregados ou não, mas sim o grau em que os mecanismos contratuais são alavancados.

Malhotra e Lumineau (2011) utilizam uma perspectiva mais ampla sobre a complexidade contratual e uma abordagem diferenciada sobre os efeitos dos contratos nas atitudes relacionais e resultados das trocas. Os autores sugerem que a preferência da organização por determinada forma de estrutura de governança deveria também levar em conta a maneira como a tal estrutura molda os padrões que os atores farão julgamentos, e como a mesma influencia o comportamento na relação interfirmas, sendo relevante a exploração de como as decisões sobre o design contratual podem influenciar a relação interorganizacional.

Conforme Mayers e Argyres (2004), a ECT e a Teoria de Direitos de Propriedade têm sido amplamente utilizadas para o entendimento de aspectos das estruturas de tais contratos enquanto outras abordagens, como a sociológica, têm apresentado a tendência de enfatizar o papel da confiança como a base mais importante para as relações entre firmas, não enfatizando o papel dos contratos especialmente enquanto as relações entre firmas se desenvolvem ao longo do tempo.

Os autores destacam ainda que a literatura em relações cooperativas entre firmas, ao adotar a abordagem mais sociológica, não tem focado o fenômeno de aprender a contratar. Neste sentido, os mesmos sugerem que o processo de aprendizagem incremental verificado no estudo de caso tem similaridades com a Teoria Evolucionária de Aprendizagem Organizacional e as Teorias Comportamentais.

Por meio das abordagens de aprendizagem organizacional e das teorias comportamentais, os autores sugerem que as partes precisaram passar pelas experiências associadas a situações adversas antes de considerá-las nos contratos, sugerindo que a

aprendizagem se dá de maneira gradual e incremental ao longo de um período. Para os mesmos, tal verificação sugere que a capacidade preditiva exercida pelas firmas é mais limitada que aquela sugerida pela ECT.

Entretanto, Mayer e Argyres (2004) verificaram que as características de governança do contrato, conforme a ECT, se tornaram ainda mais importantes ao longo da relação, de forma que o processo de aprendizagem de contratação ocorreu na direção consistente com as prescrições da ECT, sugerindo-se assim que os riscos inerentes à incompletude contratual podem ser sobrepostos por novos contratos, adendos, ou novas provisões à medida que a necessidade é verificada na aprendizagem relacional, sendo que o tempo de relação passa a ter relevância na análise dos mecanismos necessários para governar. Conforme Schepker et alli (2014), a literatura empírica suporta a ECT, demonstrando que, à medida que os atributos transacionais aumentam, também aumentam os riscos transacionais e os custos de transação.

Para minimizar tais custos, os gestores adicionam cláusulas contratuais que expliquem as normas e processos para resolução de desacordos, dando soluções para eventos inesperados, além de aumentar a duração dos contratos para recuperar investimentos específicos, ou ainda tendem a criar laços econômicos ou hostages (SCHEPKER et alli, 2014).

Considerando que os contratos têm papel fundamental na ECT e que operam como mecanismos de governança, Faems et alli (2010) testaram o impacto da função de controle dos contratos na cooperação entre participantes da aliança e verificaram que, quanto mais importante a função de controle dos contratos, maior a tendência de comportamentos não cooperativos.

Tendo os contratos como mecanismo facilitador da coordenação, Faems et alli (2010) também verificaram que o impacto da função de coordenação na cooperação dos parceiros é bastante limitado, indicando que as cláusulas de coordenação têm um propósito informacional, mas não têm um impacto facilitador do comportamento cooperativo.

Conforme Dekker (2004), o principal foco da ECT é a predição da forma de estrutura de governança, em função das características da transação, sendo insuficiente para a explicação adequada da gestão e controle das formas interorganizacionais.

Dentre as razões que tornam a ECT limitada para o estudo do controle e coordenação das redes, cita-se o foco singular nas noções de oportunismo e minimização dos custos de transação, deixando de reconhecer a variedade das formas organizacionais e seus objetivos. Destaca-se também a falta de dinamismo desta teoria ao não considerar mecanismos sociais de governança, enquanto as organizações estão inseridas em um rico contexto social e de influências (DEKKER, 2004).

De forma a corroborar, Schepker et alli (2014) indicam que a ECT é a perspectiva mais proeminente em informar a estrutura ótima de governança e a função de salvaguarda dos contratos, mas destacam que outras perspectivas são necessárias para o entendimento de como os contratos são estruturados, considerando as capacidades relacionais (i.e. construir cooperação e criar confiança), bem como os contratos relacionais existentes entre empresas.

Lumineau e Malhotra (2011) destacam que as partes podem limitar a utilização da estrutura de governança contratual formal em função de, pelo menos, três questões: (1) da redução de custos associados ao desenvolvimento do contrato, monitoramento e execução – conforme a ECT; (2) pelo fato das partes possivelmente valorizarem a flexibilidade estratégica, reconhecendo que informações adicionais a respeito dos interesses, necessidades e capacidade que são revelados ao longo do tempo; e (3) as partes podem tender ao encorajamento do desenvolvimento mútuo de confiança e normas cooperativas, aspectos da governança relacional que podem ser preteridos ao se enfatizar a governança contratual.

De forma a corroborar, Williamson (1985) destaca que os argumentos relacionados aos custos de transação são melhor utilizados em conjunto a outras maneiras de se examinar os mesmos fenômenos.

Observa-se assim que os atributos transacionais considerados na ECT, em conjunto com os pressupostos comportamentais da teoria, indicam predominantemente a função de salvaguarda dos contratos. A presente revisão visa indicar a existência de funções adicionais ou alternativas aos contratos, como coordenação e controle em estruturas de

governança híbridas, bem como indicar que teorias complementares poderiam melhor direcionar os estudos de controle e coordenação de estruturas interorganizacionais, dado a existência de complexidade ambiental, comportamental e dependência entre as organizações.

Para Mayer e Teece (2008), a elaboração da estrutura eficaz de governança de uma aliança requer a utilização de múltiplas teorias, uma vez que nenhuma teoria sozinha pode explicar todos os elementos dos contratos. De forma a corroborar, Cimino (2015) destaca que a pesquisa em Economia dos Custos da Transação discute ocasionalmente a maneira como os custos das transações afetam o design contratual e, quando tal discussão é realizada, as normas relacionais não são consideradas.

Assim, são utilizadas a Teoria da Economia dos Custos de Transação (ECT) e suas extensões, a literatura de contratos formais e relações interorganizacionais, como fundamento teórico dos aspectos contratuais formais da governança e características contextuais, e a Teoria dos Contratos Relacionais como aparato teórico para embasar as análises dos aspectos relacionais da governança. A figura abaixo apresenta os fundamentos teóricos do presente estudo e os correspondentes aspectos observados.

Figura 2 – Fundamentos teóricos e os correspondentes aspectos observados na pesquisa

Fonte: elaborado pela autora

Aspectos observados na pesquisa Teorias que fundamentam as

análises

- Características contextuais da relação - Normas contratuais formais de governança

- Normas contratuais relacionais de governança

- Teoria da Economia dos Custos da Transação

- Literatura de relações inter- organizacionais

- Literatura em contratos formais - Teoria dos Contratos Relacionais