III. BÖLÜM
5.1. Literatüre İlişkin Bir Değerlendirme
A carta de Aranha ocasionou discussões sobre a resposta que deveria ser dada à mesma. Dentro do departamento de política do AA, foi redigido o primeiro documento sobre a correspondência de Aranha do dia 6 de outubro. O autor do documento foi Ritter, e no mesmo não consta data.353 Este documento expressa a opinião de que não deveria ser dada nenhuma resposta ao ministro das Relações Exteriores do Brasil. Nele, há um pequeno retrospecto de todos os acontecimentos que envolveram as relações entre Alemanha e Brasil no último ano. Interessante, que, novamente, foi expresso o fato de que a Campanha de Nacionalização brasileira não permitir a interferência da diplomacia alemã; no entanto, as ações advindas dela não agradaram o governo alemão, porque este não entendia como, durante mais de 100 anos, foi permitida a atuação de escolas e igrejas alemãs e agora, de uma hora para outra, tudo estava proibido.354 O documento, produzido por Ritter, serviu de base para a resposta enviada do AA, pelo departamento de política, tanto a do LS Schubert, quanto a do Vortragender Legationsrat Freitag para a embaixada no Rio de Janeiro.355
A partir de 14 de outubro de 1938, o AA passou a exigir uma declaração de que a retirada de Ritter da Embaixada Alemã no Rio de Janeiro não fora motivada por uma prova de cumplicidade alemã na tentativa de golpe integralista.356 Inicialmente, o governo brasileiro aceitou redigir esta declaração na imprensa; no entanto, não houve acordo sobre o texto, e em 25 de outubro, Weizsäcker definiu que não seria mais tocado neste assunto.357
Em 5 de dezembro, novamente, foi retomada a discussão sobre a carta de Osvaldo Aranha, de 6 de outubro. Ritter, neste momento, considerou que deveria ser dada uma
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Entretanto, pela discussão que se seguiu, este foi o primeiro documento. 354
Documento elaborado por Ritter dentro do departamento do Politische Abteilung IX, pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (7.1938 a 11.1938, Band 3) discutindo a carta de 10 de outubro de 1938, Pol IX 1824/38, com o código de arquivamento: R–104941 do PAAA.
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Documentos em resposta à carta de 10 de outubro de 1938, Pol IX 1824/38, do LS Schubert e VLR Freitag, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (7.1938 a 11.1938, Band 3), com o código de arquivamento: R–104941 do PAAA.
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Conforme o diário de Vargas (1995, p. 163), Osvaldo Aranha, em 5 de outubro de 1938, conversou com Vargas sobre esta démarche.
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Correspondência de 14 a 25 de outubro de 1938, entre o AA e a embaixada do Rio de Janeiro, e vice-versa. Arquivada dentro do Büro des Staatssekretärs, na pasta Brasilien (05.1938 a 02.1942, Band 1), com o código de arquivamento: R–29548 do PAAA.
resposta por escrito e não oral, chegando a encaminhar uma redação para a mesma.358 Em 13 de dezembro, o gabinete do Staatssekretär também considerou que a referida carta exigia uma resposta, além de aceitar a redação de Ritter para a mesma, alterando a redação de um parágrafo e excluindo unicamente uma frase.359 Em 23 de dezembro, Woermann escreveu para a Embaixada Alemã no Rio de Janeiro, pedindo que fosse respondida a nota de Osvaldo Aranha, de 6 de outubro, com a redação que estava em anexo na carta.360 Comparando a documentação, verifica-se que a redação era a que foi redigida por Ritter com as alterações sugeridas por Weizsäcker. Neste contexto, percebe-se que Ritter, mesmo não estando mais no posto da Embaixada Alemã no Rio de Janeiro, tinha influência nas ações efetuadas por ela. Em 4 de janeiro de 1939, von Levetzow361 encaminhou uma carta a Osvaldo Aranha com a redação enviada pelo AA. Nela, afirmou-se o desejo alemão de manter e melhorar as relações com o Brasil, mas relembrou que a tensão diplomática havia sido iniciada pelo governo brasileiro, quando proibiu o partido nazista, efetuou prisões de cidadãos alemães e permitiu que a imprensa brasileira difamasse o governo alemão. Também foi informado que Ritter estava representando os interesses do governo alemão, e não uma posição pessoal. O documento finalizou desejando manter e melhorar as relações entre os dois países.362 Novamente, reafirma-se que a Campanha de Nacionalização não foi um dos itens que complicou as relações diplomáticas entre Alemanha e Brasil.
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Documento elaborado por Ritter, de 05 de dezembro de 1938, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (7.1938 a 11.1938, Band 3), com o código de arquivamento: R–104941 do PAAA.
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Documento redigido por Woermann, em 13 de dezembro de 1938, Pol IX 1824/38, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (7.38 a 11.38 - Band 3), com o código de arquivamento: R–104941 do PAAA.
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Carta de Woermann, de 23 de dezembro de 1938, Pol IX 1824/38, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (7.1938 a 11.1938, Band 3), com o código de arquivamento: R–104941 do PAAA.
361
Existem poucas informações sobre este diplomata. Pela correspondência, ele já atuava no posto do Rio de Janeiro em princípio de 1937. Quando Ritter foi considerado persona non grata, em outubro de 1938, von Levetzow passou a responder pela embaixada alemã no Rio de Janeiro, como encarregado dos negócios da embaixada, cargo que ocupou até outubro de 1939, quando se apresentou o novo embaixador. Permaneceu atuando no Rio de Janeiro até 27 de julho de 1941, quando foi designado para assumir o posto diplomático de Assunção, no Paraguai.
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Carta da embaixada alemã no Rio de Janeiro a Osvaldo Aranha, nº 2077/38, de 4 de janeiro de 1938, arquivada dentro do Politische Abteilung IX, pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (12.1938 a 4.1939, Band 4), com o código de arquivamento: R–104942 do PAAA.
Figura 6 – Carta de 25 de janeiro de 1939
Fonte: documento arquivado dentro do departamento Politische Abteilung IX, na pasta
Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (12.38 – 4.39 - Band 4), com o
Em 25 de janeiro de 1939, o governo brasileiro, na pessoa de Ciro de Freitas Valle, respondeu ao ofício da embaixada (Figura 6). Esta reencaminhou o documento ao AA em 31 de janeiro.363 Nela percebe-se que o governo brasileiro criou uma legítima aversão a Ritter. Parece que ele passou a ser o único culpado. Também fica explícito que o Embaixador Alemão no Rio de Janeiro atuou junto ao governo brasileiro em favor dos interesses dos cidadãos alemães e não das ações envolvendo a Campanha de Nacionalização. Outro dado, expresso no documento, era o entendimento do governo brasileiro de que as prisões de Reichdeutsche foram incidentes policiais. Mesmo assim, o governo brasileiro reafirmou o desejo de manter e melhorar as relações entre ambos os países. A Embaixada Alemã no Rio de Janeiro sugeriu que este assunto não tivesse prosseguimento.