1.3. TÜRKİYE’DEN AVRUPA’YA GÖÇ
1.3.1. İşgücü Göçü: Misafirlik
Houve um crescente aumento da política do Deutschtum vinculada ao nacional- socialismo sobre as associações alemãs no estrangeiro. Verein für das Deutschtum im Ausland – VDA (associação para o germanismo no exterior), associação criada no século XIX, em 1938 perdeu a sua independência, passando a ser controlada pelo partido nazista e a ter seus dirigentes isolados, porque a sua política do Deutschtum foi considerada tradicional e não tão agressiva como a da NSDAP (LUTHER, 2004, p. 145).101
Uma das instituições que historicamente aborda assuntos referentes à cultura é a escola. Neste sentido, as instituições escolares teuto-brasileiras ou alemãs trabalhavam em sala de aula a temática do Deutschtum. Baseando-se nesta premissa, a análise de uma carta de novembro de 1935 possibilita mais indicativos desta política. Este documento foi produzido pelo próprio AA, no setor de Cultura, com o fim de sistematizar os dados das escolas de língua alemã no exterior.102 Nele constam os países em que se localizavam estas instituições, quantidade e número de alunos de cada uma delas. Ao fazer a análise dos dados deste documento, observa-se que somente no Brasil havia aproximadamente 1.260 escolas, freqüentadas por aproximadamente 50.000 alunos. Estes números, comparados com os existentes nos demais países, que é de 259 instituições, proporciona a informação de que o Brasil possuía quase 200% de unidades escolares a mais que no restante do mundo (Quadro 1).103 No entanto, o número de educandos no Brasil não chega a ser o dobro. Uma das
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Hess diversas vezes teve que intervir na tentativa de delimitar os campos de atuação do AO e do VDA. Em novembro de 1934, Hess determinou que o AO responderia aos assuntos referentes aos cidadãos alemães no estrangeiro e o VDA aos descendentes de alemães no exterior (MORAES, 2005, p 117, MÜLLER, 1997, p. 99). Schubring (2003, p. 18 e ss.) descreve a dificuldade de trabalhar com o VDA, pois o arquivo em Berlim referente as décadas de 1930 e 1940 foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial. Todavia, no AA existe a documentação do departamento escolar.
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Conforme Paiva (1987, p. 14 e ss.), o VDA de Hamburgo tinha como objetivo apoiar as escolas de língua alemã localizadas fora da Europa, sendo que o sul do Brasil foi o principal campo de atuação. Este apoio tinha duas finalidades: primeiro, evitar a perda do Deutschtum pelos descendentes de imigrantes alemães e, num segundo plano, ser um instrumento para o comércio externo alemão. No entanto, os recursos não eram suficientes para atingir plenamente os objetivos traçados. Conforme Schubring (2003, p. 17), a partir de 1908, houve uma cooperação entre o VDA e o AA, o último assumiu a agência responsável pela obtenção de empregos para os professores nas escolas no estrangeiro. Todavia, a situação piorou após a I Guerra Mundial, em virtude dos interesses estarem centrados no continente europeu.
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Observando os dados que este documento apontou, por curiosidade, se pesquisou no Findbuch (índice) do AA a documentação sobre as escolas alemãs no Brasil até 1945. No índice há 77 páginas com inúmeros maços de documentos sobre este tema. Estes maços contêm relatórios das escolas, dos distritos e da situação regional, além de dados estatísticos e jornais regionais em língua alemã. Outro dado, a data de início desta documentação é final do século XIX. No entanto, havia poucos maços de documentos sobre o período da tese e os que pareciam mais interessantes estavam inacessíveis e sendo recuperados por terem sido danificados nos bombardeios que Berlim sofreu em 1945.
possíveis hipóteses para estes dados é que muitas escolas no Brasil tinham um número de estudantes reduzido, como, por exemplo, as turmas multiseriadas dos colégios comunitárias do interior do Rio Grande do Sul.
País Escolas Alunos
Escolas alemãs no exterior (exceto o Brasil) 259 32.604
Brasil + ou – 1.260 + ou – 50.000
Total de escolas alemãs no exterior + ou – 1.519 + ou – 82.600 Quadro 1 - Escolas alemãs no exterior
Fonte: Autora (2009).104
Outra informação no contexto educacional refere-se ao fato de que o AA, desde 1933, proporcionou e acompanhou professores brasileiros que foram convidados a participar de atividades dentro da Alemanha. A Deutsch-Ibero-Amerikanische Ärzte-Akademie (Academia Médica Germano-Ibero-Americana)105 foi a principal entidade financiadora das viagens de professores universitários do Brasil, com o fim de conhecerem instituições acadêmicas e hospitalares na Alemanha. Também contribuiu para promover uma visão favorável da Alemanha nacional-socialista entre as elites científicas da Ibero-América.106 Entre 1936 e 1939, esta academia organizou a visita de cerca de 1.000 médicos ibero-americanos de distintas especialidades à Alemanha, sendo que 30% do total eram oriundos do Brasil (REGGIANI, 2005, p. 59 e 60).107 Na documentação pesquisada, percebe-se que os 104
Dados obtidos no documento do Kult S 9, de novembro de 1935, arquivado dentro do Büro des Chefs der Auslandsorganisation a)Verbände, Vereinigungen; b) NS-Feiertage im Ausland; c) Reichsparteitag; (1935- 1940), com o código de arquivamento: R-27271 do PAAA.
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Criada em 9 de abril de 1935, por iniciativa do presidente do Instituto Ibero-Americano de Berlim, general Wilhelm Faupel, do governador dessa cidade, Julius Lippert, e do chefe da clínica cirúrgica do hospital de Charité, Ferdinand Sauerbruch. O propósito da academia era de promover a cooperação entre médicos alemães e das nações ibero-americanas, oferecendo aos ibero-americanos a oportunidade de ampliar os conhecimentos em medicina e higiene popular, através de visitas a instituições médicas do III Reich. Paralelamente, buscava recuperar o prestígio da ciência médica alemã. Para isto, contava com a proteção do Ministério do Interior do Reich e do Ministério de Ciência, Educação e Instrução Popular da Prússia. A academia estava subordinada à tutela do Ministério dos Assuntos Exteriores (REGGIANI, 2005, p. 57 e 58). No entanto é importante esclarecer que a Revista Médica Germano-Ibero-Americana surgiu em 1928, sendo assim é anterior à criação da Academia Médica Germano-Ibero-Americana e não têm uma vinculação direta. Os objetivos da revista, com a ascensão do III Reich, era divulgar os avanços e as pesquisas científicas da medicina alemã e noticiar as visitas de médicos latino-americanos à Alemanha. Esta revista circulou até 1938. Maiores informações ver texto de Sá e Silva (2007).
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A academia constituiu um apêndice científico-cultural da política exterior do regime. Conforme Reggiani (2005, p. 61), desde o princípio esta instituição esteve ligada ao partido, primeiro através do fundador e militante nazi Faupel e depois pela intervenção da Auslandsorganisation, que realizava a seleção dos médicos que visitaram o Reich.
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Durante a pesquisa no AA, percebeu-se que existia um considerável volume de documentos relativos a viagens de professores brasileiros para a Alemanha, atividade intensificada a partir de 1936, conforme documentos que constam na pasta Reisen ausländischer Professoren – Brasilien (1933 a 1938, Band 2), (com
professores universitários de São Paulo e do Rio de Janeiro, que atuavam nas faculdades de medicina, foram os mais patrocinados. Outro dado: a maioria dos indivíduos beneficiados não tinha sobrenomes de origem alemã. Na documentação do AA, na pasta referente às viagens de professores universitários brasileiros para a Alemanha, encontra-se uma carta de 9 dezembro de 1937, em que Karl Ritter108, o novo embaixador alemão, expressou a necessidade de existir uma parceria entre a diplomacia e o partido nazista, para serem evitados futuros problemas em alguns encaminhamentos (Figura 2). Este foi um dos primeiros documentos assinados por Ritter como Embaixador Alemão no Rio de Janeiro. Provavelmente não tenha sido redigido por ele, pois ele desembarcara no Brasil no dia anterior.
Neste mesmo contexto, professores universitários alemães estavam sendo financiados para visitarem países latino-americanos.109 Grande parte dos profissionais que vieram ao Brasil, na década de 1930, era da área médica e os principais estados visitados eram Rio de Janeiro, São Paulo110 e Rio Grande do Sul.111 Muitos beneficiados fizeram relatórios das visitas, tanto as de caráter acadêmico (nas universidades) quanto as oficiais nas dependências diplomáticas e nas células nazistas, além das observações referentes as suas áreas específicas e sobre o Deutschtum.112 Alguns textos trazem informações sobre o nacional-socialismo na América Latina.
código de arquivamento: R-65670 do PAAA), de um dos departamentos de cultura do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha (Kulturabteilung III). Neste sentido, cabe fazer uma pequena correção à afirmação de René Gertz (2000, p. 205 e ss.) de que esta ação intensificou-se somente a partir de 1939.
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Karl Ritter nasceu em 1883 e faleceu em 1968. Em 1922, iniciou a carreira diplomática. De 1924 a 1937 exerceu o cargo de diretor do setor de economia do AA. Em 16 de junho, foi nomeado Embaixador Alemão no Rio de Janeiro. Chegou ao Brasil em 8 de dezembro, e em 14 de dezembro entregou as credenciais a Vargas (KEIPERT, s/d, no prelo). Conforme Lopes (2008, p. 318), Ritter antes de começar carreira diplomática trabalhou no Instituto Econômico do Estado e no Ministério da Fazendo. Sendo assim, sua carreira não foi construída como a dos demais servidores do AA, faltando experiência na prática da diplomacia e sobrando na área econômica.
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Moraes (2005, p. 67) observa que, logo após a Primeira Guerra Mundial, políticos, intelectuais e pesquisadores visitaram o Brasil com o objetivo de fazer conexões ou propaganda entre organizações estatais e privadas. Bock (2005, p. 19) conclui que o objetivo de financiar pesquisas na América Latina tinha o intuito de conhecer e desenvolver o comércio.
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No departamento Kulturabteilung II, nos dados referentes ao Hochschulwesen (ensino superior) há uma pasta Hochswesen und Studium in Brasilien (de 1928 a 1937), com código de arquivamento R–63965 do PAAA, e uma outra Hochswesen und Studium in São Paulo (de 1934 a 1937), com código de arquivamento: R–63966 do PAAA. Nelas, o partido está sugerindo ou apoiando pessoas interessadas em irem para o Brasil. Um dos principais destinos foi São Paulo, tanto que foi necessário criar uma pasta só para este caso.
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Os centros tradicionais de medicina localizavam-se em São Paulo e Rio de Janeiro, todavia no Rio Grande do Sul existia este curso desde 1898 e no Paraná desde 1912.
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Existem muitos relatórios; no entanto, não foi feito um levantamento se todos os professores financiados tiveram de fazê-los. Entre os pesquisadores que vieram ao Brasil nesta época, estavam os geógrafos Gustav Giemsa e Ernest G. Nauck. Estes publicaram o resultado da pesquisa nos “Anais Geográficos”, sendo que tiveram financiamento da Fundação Científica de Hamburgo. O espaço de tempo em que permaneceram no Brasil foi de dois meses, durante o ano de 1938. No prefácio da obra traduzida para o português consta um
Figura 2 - Carta da Embaixada Alemã do Rio de Janeiro ao AA
Fonte: documento arquivado no departamento Kulturabteilung III, na pasta Reisen ausländischer
Professoren – Brasilien (1933 a 1938, Band 2), com código de arquivamento: R-65670 do PAAA.113 agradecimento ao auxílio e ao apoio proporcionado durante os trabalhos preparatórios em São Paulo, do “dirigente do Partido Nacional Socialista Alemão, no Brasil, von Cossel” (GIEMSA & NAUCK, on line, 2005). 113
Tradução Livre:
“Através desta confirma-se o recebimento da carta do IIA, de 11/11 daquele ano, enviada junto com o decreto acima citado. Na referida carta encontra-se a frase: “a proposta teria partido de um senhor von Cossel”, e, a seguir, se observa que, por isso, se pode partir do pressuposto de que toda a questão, desde o início, não foi
Os documentos citados fazem parte do acervo do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha; no entanto, constatou-se que foram enviadas cópias ao AO-NSDAP. Ao mesmo tempo, houve correspondência dos consulados alemães no Brasil relatando as visitas destes professores.114 Dados que reforçam a tese de que o partido nazista estava interferindo e atuando na política exterior da Alemanha. Bock (2005, p. 19) conclui que as pesquisas financiadas eram motivadas pela perspectiva política, pois era mais uma forma de fazer a propaganda partidária.
A partir da documentação pesquisada conclui-se que Hitler e o partido nazista estavam construindo formas de interferir dentro do Ministério das Relações Exteriores. Este foi um processo lento que sistematicamente intervinha em diversos assuntos, tendo seu auge em fins de 1937 e início de 1938.