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2.1. MODERNİTEDEN POSTMODERNİTEYE KİMLİK

2.1.1. Kimliğin Oluşumu: Teorik Açılımlar

Como já foi apresentado, existe a concepção política de que o Estado Novo estava em construção desde a Revolução de 1930, e essa é uma característica permanente na questão econômica. Isto porque, desde 1930, pautou-se, de imediato, por combater a crise, e depois de 1933 procurou assegurar um crescimento acelerado. Entre 1930 e 1937, iniciou o

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Relatório do Dr. E. Scheu, professor da Handels-Hochschule Königsberg, que esteve na América do Sul de 16 de março a 2 de setembro de 1937, arquivado dentro do departamento Kulturabteilung III, na pasta Reisen deutscher Professoren ins Ausland (Mexiko, Mittel-und Südamerika), com código de arquivamento: R–65575 do PAAA.

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Conforme Alves (1999), o Brasil era importante para os Estados Unidos em termos minerais (por possuir matéria-prima para a economia industrial de guerra), políticos e geográficos. No entanto, o traço mais importante era a localização geográfica.

amadurecimento no âmbito do governo, de um projeto de desenvolvimento nacional centrado na industrialização, mas que até o final do Estado Novo tinha sido traçado apenas em suas linhas mestras (CORSI, 1993, p 03), pois ainda estava centrado na venda de matérias-primas.

Para atingir seus objetivos, Getúlio Vargas executou um jogo político/econômico com a Alemanha e os Estados Unidos.137 O período entre 1935 e 1939 caracteriza-se pela presença, no plano internacional, de dois sistemas de poder concorrentes, Alemanha e EUA. Estes estavam ansiosos por ampliar e solidificar alianças. Para tanto, proporcionaram concessões e vantagens de proteção. Este fato ampliava as possibilidades de decisão e ação do Estado Brasileiro. Este tipo de política econômica somente tem condições de co-existir quando os sistemas de poder rivais possuem capacidades equilibradas de acesso ao aliado em potencial, neste caso o Brasil. Gerson Moura nomeou este jogo de “eqüidistância pragmática” (MOURA, 1980, p. 62 e 63). 138 Assim, Vargas negociava com os Estados Unidos e a Alemanha, sem se comprometer com um só, isto é, mantinha uma distância que possibilitava negociar com os dois países com vantagens consideráveis. Isto era possível porque as duas nações desejavam aprofundar suas alianças. Corsi, utilizando-se destas concepções teóricas, afirmou que com “uma postura de certa eqüidistância entre os blocos imperialistas, ora se aproximando da Alemanha ora dos EUA, objetivava, além de uma ampliação do mercado externo, conseguir tecnologia e capitais para o desenvolvimento brasileiro” (CORSI, 1993, p. 8). Então, a política econômica desejada era importar tecnologias necessárias à indústria e exportar produtos agrícolas. Tudo isto, porque para um país dependente, que iniciava sua reorganização da economia para o setor urbano-industrial, era fundamental assegurar uma recuperação ordenada da economia, garantir às classes economicamente dominantes as condições de sua reprodução e fornecer ao Estado recursos materiais e políticos que permitissem manter a estabilidade interna e definir a política internacional (MOURA, 1980, p. 177).

A pergunta a ser feita, neste caso é como Vargas agiu, para possibilitar esta postura de certa eqüidistância? O método consistia “em aguardar que todos os ângulos das posições divergentes estivessem perfeitamente claros e em evitar decisões precipitadas, avaliando cuidadosamente as possibilidades inerentes a cada situação” (MOURA, 1980, p. 108-109).

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Conforme Carrizo (1994, p. 372), o Brasil estava ligado mais ou menos com a mesma intensidade com os Estados Unidos e com a Europa. Já os países do Caribe comercializavam com maior intensidade com os Estados Unidos. Por outro lado, Chile, Argentina, Uruguai e Bolívia tinham uma ligação mais forte com o Velho Continente.

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Neste contexto, segundo Alves (1999 e 2002), o Brasil era um país periférico que tinha uma relação de dependência comercial mútua com a Alemanha e com os Estados Unidos, uma relação de submissão, pois este país adquiria principalmente café, que para o mercado estadunidense era um produto supérfluo; no entanto, o país tinha interesses estratégicos no território brasileiro. Estas relações possibilitaram ao governo de Vargas tentar barganhar vantagens comerciais. Vale lembrar que esta análise refere-se ao período de paz.

Em síntese, a política comercial brasileira, a partir de 1934, estava centrada em acordos bilaterais, isto é, praticava-se o liberalismo com os EUA (livre comércio) e o comércio de compensação com a Alemanha e a Itália (feito à base de trocas de mercadorias). Em 1934, o Brasil não assinou um acordo comercial formal com a Alemanha para não comprometer seu comércio com os EUA, mas continuou efetuando o comércio de marcos compensados, ampliado por meio de um acordo “puramente técnico” e informal entre a Reichsbank e o Banco do Brasil (HILTON, 1977c, p. 103 e ss.). Em 6 de junho, fizeram o ajuste de compensação com vistas ao incremento das vendas de algodão, café, cítricos, couro, tabaco e carne (CERVO e BUENO, 1992, p. 233). Quer dizer, os líderes políticos brasileiros puderam agir dentro de certos limites que o contexto histórico permitia, pois a “política externa brasileira não era totalmente autodeterminada nem inteiramente produzida por condicionamentos externos” (MOURA, 1991, p. 104).

De 1936 a 1939, os Estados Unidos tentaram persuadir o governo brasileiro em relação ao comércio compensado com a Alemanha, pois sua maior preocupação era mostrar- se melhor parceiro comercial que os alemães (ALVES, 1999, p. 64). Estas tentativas tiveram três momentos139, sendo o último a negociação que marcou a maior aproximação com os Estados Unidos, que foi conhecida como a Missão Aranha (fevereiro de 1939), questão que será abordada nos capítulos subseqüentes. Antes, torna-se interessante esclarecer que, com a implementação do Estado Novo, a imprensa norte-americana expressa o seu temor de um alinhamento pró-Eixo; entretanto, no plano diplomático não houve esta interpretação, porque o Brasil apressou-se em desmentir a vinculação e designou para ministro das Relações Exteriores Osvaldo Aranha, o qual agradava o governo de Roosevelt e contrabalançava a equipe ministerial que, na sua maioria, era favorável aos países do Eixo (MOURA, 1980, p. 92-106).

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1.4.3 Comparações

As relações diplomáticas da Alemanha com o Brasil eram guiadas pelas necessidades comerciais de ambos os países. A Alemanha precisava buscar o maior volume possível de matérias-primas diversificadas e produtos agrícolas necessários, além de um excelente mercado consumidor de inúmeros produtos industrializados. Assim, possibilitaria a diversidade na sua produção e na dos países parceiros.

O Brasil era um parceiro econômico ideal para a Alemanha, pois tinha muitos produtos agrícolas para oferecer, além de desejar muitos produtos industrializados que os alemães produziam, principalmente máquinas. Essa comercialização foi tão intensa que, em 1937, o Brasil passou a ocupar, no mercado alemão, o primeiro lugar na compra de mercadorias (CERVO e BUENO, 1992, p. 234).140 Então, observa-se que o contexto histórico, político e econômico da Alemanha e do Brasil possibilitaram a intensificação e aproximação destes dois países. Em outras palavras, os dois países tentaram tirar o melhor proveito de cada situação e este jogo estava no seu auge em fins de 1937.

Também deve ser lembrado que o comércio de compensação poderia atender às aspirações das forças armadas brasileira, na medida em que possibilitava a assinatura de contratos para o fornecimento de material bélico. Fato que de certa forma contribuiria para Vargas obter apoio do Exército nesta questão (CERVO e BUENO, 1992, p. 234).

O comércio entre a Alemanha e o Brasil se intensificou, em virtude da preocupação brasileira em diversificar mercados e da necessidade alemã por fontes de matéria-prima e mercados para seus produtos manufaturados. Para desenvolver este comércio, os países envolvidos necessitavam fazer concessões, além de agradar aos seus parceiros comerciais, demonstrando que a relação era de certa dependência mútua.

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