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III. BÖLÜM

3.3. KARŞILAŞMALAR: KÜLTÜRLERARASI İLETİŞİM

4.1.1. İsveç’te Göç Süreçleri

Havia a divulgação na imprensa brasileira, desde fins de 1937, de uma campanha contra a Alemanha. Provavelmente, na avaliação de Ritter, o episódio do golpe integralista, embora frustrado, representasse o momento ideal para expor na imprensa alemã a situação política brasileira. Ritter, nas primeiras horas de 11 de maio, informou o ocorrido por telegrama, sugerindo que a imprensa alemã noticiasse o acontecimento, demonstrando o descontentamento em função da submissão brasileira às regras dos Estados Unidos e a traição

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A autora afirma que a documentação não deixa claro se houve ou não a participação do governo alemão (HARMS-BALTZER 1970, p. 93).

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Mesmo Kossok (1961), que afirma que houve colaboração entre autoridades nazistas com integralistas, não atribuiu essa colaboração a uma política governamental.

sofrida pelo movimento integralista, além de sugerir manchetes chamativas. Esta correspondência dentro do AA foi enviada para 16 departamentos.288 No dia seguinte, Ritter enviou um relatório com o mesmo teor do telegrama, porém, desenvolvendo mais o assunto. Também relatou a existência de boatos sobre a participação alemã no golpe.

Ritter observou que este contexto deterioraria ainda mais a imagem da Alemanha.289 Em 14 de maio, Ritter informou que os jornais estavam noticiando que a Alemanha teria financiado a revolta integralista.290 Cada uma destas notícias estava complicando o já delicado clima das relações diplomáticas.

Em Berlim, o AA já estava intervindo para auxiliar nas negociações. O Staatssekretär, Weizsäcker, em audiência com o embaixador brasileiro, conforme telegrama enviado a Ritter, solicitou que fossem tomadas medidas contra os jornais brasileiros que estavam publicando reportagens que difamavam a imagem da Alemanha. Além disso, também, informou ter dado total aprovação aos atos do embaixador alemão no Brasil, e de que havia sido seguida a proposta de Rittter, em fazer uma campanha mais dura na imprensa alemã.291 Provavelmente, esse contexto tenha acirrado ainda mais os ânimos dos envolvidos, nos dois países.

O governo brasileiro, na pessoa de Osvaldo Aranha, produziu em 17 de maio, isto é, dias pós-tentativa do golpe integralista e momento em que se suspeitava da participação de cidadãos alemães no mesmo, um ofício respondendo à correspondência de Ritter (citado no capítulo anterior).292 Nele constava:

não está nos hábitos da imprensa brasileira fazer campanha sistemática contra país algum, muito menos contra um país com o qual desejamos continuar mantendo as melhores relações de amizade. A censura oficial tem,

288

Telegrama nº 61, enviado em 11 de maio de 1938, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA.

289

Relatório B5 (continuação) Pol IX 762, enviado em 12 de maio de 1938, arquivado tanto dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA, quanto no Büro des Chefs der Auslandsorganisation, com o código de arquivamento: R–27196 do PAAA. Também consta no livro III Reich (1968, p. 47 a 49).

290

Telegrama nº 64, enviado em 14 de maio de 1938, Pol IX 740, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA.

291

Telegrama nº 89, enviado do AA para a embaixada no Rio de Janeiro em 14 de maio de 1938, Pol IX 735, em resposta ao telegrama nº63 arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA.

292

Versão em alemão da carta enviada por Ritter a Osvaldo Aranha em 10 de maio de 1938, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA.

aliás, instruções severas para impedir, nos nossos jornais, qualquer referência que se possa considerar injuriosa a qualquer povo amigo ou a qualquer chefe de governo estrangeiro. Se, nos últimos dias, houve, na nossa imprensa, alguma manifestação mais veemente com relação a cidadãos alemães, a propósito do recente golpe tentado contra o governo brasileiro, tais manifestações, perfeitamente justificáveis, foram motivadas pelo fato de se haver tornado conhecida a participação ou aparência de participação dos referidos cidadãos no mencionado golpe.293

O que fica demonstrado é que, o governo brasileiro estava justificando a atitude da imprensa. Com isto, a tensão entre as representações diplomáticas acabou se intensificando.

Em 16 de maio, Ritter informou que a imprensa brasileira havia noticiado de que até o embaixador alemão era suspeito de participação do golpe integralista. Ele relatou ao AA que desmentiu esta afirmação e a de que a Alemanha teria participado de todo o movimento. Este tema passou a ter, cada vez mais, repercussão dentro do AA, tanto que o documento onde se encontravam estes informes foi enviado a 10 departamentos diferentes.294

Na tentativa de auxiliar na questão, Weizsäcker relatou a Ritter a conversa com o Embaixador Brasileiro em Berlim, Muniz de Aragão, ocorrida em 17 de maio.295 Muniz de Aragão havia garantido que as reportagens, sobre a participação alemã no golpe integralista, estavam sendo publicadas em jornais de segunda categoria e não expressavam a opinião do governo brasileiro. No entanto, a polícia brasileira tinha informações de que, ou um cidadão alemão, ou uma pessoa de ascendência alemã, havia participado do golpe. Weizsäcker insistiu na necessidade do governo brasileiro em desmentir a participação governamental alemã neste acontecimento.296

Novamente, em 18 de maio, Muniz de Aragão participou de uma audiência com Weizsäcker. Nela, o Staatssekretär tinha em mãos os telegramas de Ritter, que relatavam as reportagens negativas sobre a Alemanha e sobre a participação de cidadãos alemães na 293

Cópia do ofício de 17 de maio de 1938, tendo como numeração brasileira NP/58/500.1, que foi enviada com o relatório B5 (continuação) Pol IX 822, de 19 de maio de 1938, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA.

294

Telegrama nº 67, enviado em 16 de maio de 1938, Pol IX 749, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA e dentro do Büro des Staatssekretärs, na pasta Brasilien (4.1938 a 2.1942, Band 1), com o código de arquivamento: R–29548 do PAAA.

295

Esta audiência foi descrita no documento Pol IX 747, arquivado dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA.

296

Telegrama nº 94 de 17 de maio de 1938, arquivado tanto dentro do Büro des Staatssekretärs, na pasta Brasilien (4.1938 a 2.1942, Band 1), com o código de arquivamento: R–29548 do PAAA, quanto no Büro des Chefs der Auslandsorganisation com o código de arquivamento: R–27196 do PAAA.

tentativa de golpe integralista. O embaixador brasileiro reiterou a informação de que as reportagens anti-Alemanha não representavam a opinião do governo brasileiro, e que as mesmas tinham sido impressas em jornais de segunda classe, mas que o governo já tinha tomado medidas para que os comentários jornalísticos fossem mais amistosos. Ainda solicitou que a imprensa alemã atenuasse seu discurso. Weizsäcker exigiu que o governo brasileiro negasse, sem reservas, a participação do governo alemão e de seus cidadãos na tentativa de golpe integralista. Também, informou ao Embaixador Brasileiro em Berlim, que a diplomacia alemã protegia os interesses dos seus cidadãos; no entanto, a opinião pública alemã não ficou indiferente quando foi foi transmitida a informação de que descendentes de imigrantes foram perseguidos por causa da sua origem.297 Esta fala demonstra que a sugestão feita por Ritter, em janeiro de 1938, abordada no capítulo anterior, foi executada em maio deste ano. Percebe- se que as campanhas na imprensa alemã e brasileira foram uma das formas de pressão nas relações diplomáticas e que estas estavam desagradando a ambos os países.

Ritter comunicou, em 21 de maio, que o governo brasileiro havia distribuído o seguinte comunicado: “Parte da imprensa brasileira assegurou que firmas e nacionais alemães participaram ou emprestaram apoio aos acontecimentos de 11 de maio no Rio de Janeiro. As autoridades brasileiras competentes declararam que até o presente não tem nenhuma prova que sustente essa afirmativa”. Na seqüência do telegrama, Ritter considerou encerrada esta questão, mas ainda questionou as palavras utilizadas no comunicado brasileiro, pois para ele não demonstrou que o governo estava insatisfeito ou contrariado com as notícias impressas anteriormente e que deixava a suspeita em aberto. Também afirmou que para a Alemanha, o mal-entendido gerado pelas reportagens era um tema importante, enquanto que para o governo brasileiro este era abordado num plano secundário. Todavia, em seu entendimento, este assunto deveria ser deixado de lado, para concentrar as negociações em questões econômicas.298 Esta correspondência foi enviada para 16 diferentes departamentos dentro do AA e gerou uma circular do Deutsche diplomatisch-politische Korrespondenz, que reproduziu

297

Documento interno do AA de 18 de maio de 1938, assinado por Weizsäcker, arquivado no Büro des Chefs der Auslandsorganisation, com código de arquivamento: R–27196 do PAAA. Também consta no livro III REICH (1968, p. 65 a 67).

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Telegrama nº 79, Pol IX 800, de 21 de maio de 1938, arquivado tanto dentro do Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Politische Beziehungen Brasilien zu Deutschland (6.1936 a 5.1938, Band 1), com o código de arquivamento: R–104939 do PAAA. Interessante que o livro III Reich (1968, p. 67) apresenta em nota de rodapé o comunicado do governo brasileiro feito nesta data.

o comunicado brasileiro e o contexto da situação desde o golpe de 10 de maio.299 Para Ritter, o texto publicado na correspondência diplomática (Deutsche diplomatisch-politische Korrespondenz) não esclareceu alguns pontos que ele havia abordado na carta de 21 de maio.300 Assim, foram encerradas as correspondências sobre este assunto. Interessante observar que, em 25 de junho de 1938, Severo Fournier, de ascendência italiana, foi acusado de participação no atentado do golpe integralista e ganhou asilo político na embaixada italiana no Rio de Janeiro. Dessa forma, passado mais de um mês em que se difundira que cidadãos alemães e a própria embaixada alemã tivesse participado do golpe, foi comprovada a participação de pessoas com descendência italiana, grupo que nem havia sido mencionado nas reportagens e nas suspeitas logo após o ocorrido.301