1.3. TÜRKİYE’DEN AVRUPA’YA GÖÇ
1.3.4. Günümüz Avrupa’sında Türk Varlığı
A Alemanha, como diversos países, no início da década de 1930, estava passando por uma profunda crise na política comercial, pois necessitava promover a exportação, no entanto não conseguia pagar à vista as importações. Sendo assim, em 1934 foi criado o Novo Plano, que tinha dois critérios: que fosse aceita a troca de matérias-primas por produtos industrializados e que este comércio de matérias-primas fosse de acordo com as necessidades do consumo da Alemanha. Conforme Luis Bosemberg (2006, p. 27), este plano foi
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Para definir ‘sistema de poder’ serão utilizadas as palavras de Gerson Moura (1983, p. 577): “uma constelação de Estados cuja complexas relações econômicas, políticas e culturais caracterizam a existência de um centro hegemônico (a grande potência) e sua respectiva área de influência”.
direcionado para a América Latina e ao Leste Europeu. O governo alemão tinha como objetivo tornar o país auto-suficiente tanto em matéria-prima quanto em produtos industriais, pois somente assim o país seria imune a um bloqueio econômico (SEITENFUS, 2003, p. 16 e 17; STACKELBERG, 2002, p. 172; KOTHE, 1997, p. 67, HILTON, 1977c). Para isto, foi intensificando os laços comerciais com alguns países, para que estes enviassem os insumos agrícolas e minerais para a manutenção da população e a produção manufatureira, além de servirem de mercado aos produtos industriais. Segundo Alves (2002, p. 50), este sistema “comercial tornava quase uma condição sine qua non que os possíveis parceiros comerciais da Alemanha tivessem uma economia, em grande medida complementar à economia alemã”, neste sentido o comércio entre os dois países seria mais ou menos equilibrado, assim não haveria conflitos. Neste período, o governo alemão estava acelerando o rearmamento do país e desejava um rearranjo territorial que desmanchasse o tratado de Versalhes. Para concretizar todos os objetivos era necessária a aquisição do maior volume de matérias-primas possível, pois a marinha do inimigo poderia impedir as trocas comerciais com os países além-mar (ALVES, 1999, p. 63). 126
Segundo Seitenfus, alguns documentos recomendavam o comércio com a América Latina. Esta aproximação ocorreu em função da prática comercial internacional, que se intensificou depois da quebra da bolsa de valores em 1929. Neste período, para amenizar as perdas, os países que possuíam impérios coloniais aumentaram o controle sobre eles. Outros, que não tiveram esta possibilidade, mantiveram uma intensa relação comercial com os países pouco industrializados e primário-exportadores, para fomentar o comércio. Este conjunto de ações foi praticado para garantir um mercado protegido da concorrência e assegurar um desenvolvimento no futuro. Em 12 de dezembro de 1934, a Alemanha implantou de forma unilateral o comércio de compensação ou marcos Aski - Ausländer Sonderkonto für Inlandszahlungen [conta especial de estrangeiros para pagamentos domésticos] (BOSEMBERG, 2006, p. 29).127
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Charles Zorgbibe (1997, p. 564) descreve que a falta de matéria-prima era um tema muito importante, tanto que foi discutido na reunião secreta de 05/11/37, entre Hitler, os chefes do exército e o ministro das relações exteriores.
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Um resumo sintético do comércio de marcos compensados foi apresentado por Seitenfus (2003, p. 18): “O objetivo da Alemanha [...] é fazer com que suas importações sejam perfeitamente equilibradas pelas exportações. Assim, quando um país vende um produto à Alemanha, esta não lhe paga em divisas conversíveis, mas em marcos bloqueados. Portanto, o vendedor obriga-se a adquirir produtos alemães. Toda importação alemã resulta numa exportação de igual valor. O agravante do sistema prende-se ao fato de que a compensação, importação versus exportação, não se faz globalmente, mas país por país”. Para maiores detalhes pesquisar também no artigo de Menezes (1995, p. 193-216).
Os objetivos alemães vieram ao encontro ao contexto político e histórico existente no Brasil deste período, pois o país carecia de divisas em moeda estrangeira.128 Com o comércio de compensação seria possível suprimir a principal preocupação do governo brasileiro na esfera das relações internacionais, que era a de assegurar e ampliar mercados para a exportação de produtos primários (CERVO, 1986, p. 71). Deve ser lembrado que a economia brasileira era classificada como periférica, dependente e predominantemente agro- exportadora.
Em 1934, a indústria têxtil alemã necessitava de algodão, pois seus estoques estavam escassos e passaram a comprar do Brasil, tanto que até os fornecedores norte-americanos de algodão perceberam que as fábricas têxteis alemãs estavam dispostas a remodelar as máquinas a fim de trabalharem com o algodão brasileiro, mesmo que isto implicasse em altos investimentos (HILTON, 1977c, p. 114 e ss.).
A Alemanha estava disposta a viabilizar que as trocas comerciais envolvessem uma diversidade de produtos. Sendo assim, o comércio com o Brasil não estava centrado na compra de café, divergindo dos EUA.129 Neste sentido, diversos estados brasileiros demonstraram interesse na possibilidade de exportação para os alemães, entre eles estavam o Rio Grande do Sul e a Bahia. Nestes estados, os principais grupos que explicitaram seu interesse foram os pecuaristas e os produtores de cacau, atividade onde não estavam inseridos descendentes de imigrantes alemães (HILTON, 1977c, p. 113 a 114). Em síntese, diversos setores da economia brasileira estavam dispostos a incrementar a relação comercial com a Alemanha, pois assim conseguiriam vender o que havia de mais abundante no país (algodão, café130, borracha, tabaco, couro, arroz, carne e uma diversidade de matérias-primas), e, por outro lado, o governo obteve a promessa de conseguir aquilo que mais desejava, equipamentos para aparelhar o complexo siderúrgico e militar. Conforme Seitenfus (2003, p. 17), tanto Karl Ritter quanto von Neurath confirmaram o interesse alemão em ampliar sua zona de influência na América Latina, entre os países em destaque estava o Brasil. Ritter, que desde metade de 1925, era responsável pelas negociações econômicas do Ministério das
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Para Heloisa Machado da Silva (2000, p. 6), no Brasil, a partir de 1934, houve uma queda de importância nas exportações de café, que resultou numa diversificação das exportações, tendo um notável crescimento no setor do algodão.
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Deve ser lembrado que os EUA eram produtores de manufaturados e de produtos primários, por isto seu comércio com o Brasil centrava-se no café.
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O café não era considerado um produto essencial para a economia alemã, por isto não poderia fazer parte do comércio de compensação. No entanto, a Alemanha comprou este grão, pois assim abriu mercado para os produtos germânicos (BOSEMBERG, 2006, p. 29).
Relações Exteriores da Alemanha (Wirtschaftsverhandlungen131, proporcionou um florescimento das relações germano-brasileiras até fins de 1937.132
O projeto desenvolvimentista do Brasil estava realmente voltado para a implantação da grande siderurgia. Para isso, a burguesia industrial era a maior apoiadora. Já os representantes do agro-negócio e do comércio encontravam-se divididos em relação ao tipo de comércio internacional desejado, pois alguns setores queriam o comércio livre com os EUA e outros o comércio de compensação com a Alemanha (CORSI, 1993, p. 8 e 9).
A importância comercial que o Brasil adquiriu pode ser percebida porque em 1935, o AA desistiu de formalizar um acordo e de regular sistematicamente o contrato do comércio de compensação (HILTON, 1977c, p. 151 e 152). Além de que, em fins de 1937, houve a nomeação de Karl Ritter, o principal homem do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha nas questões econômicas, para ser o Embaixador Alemão no Rio de Janeiro (HILTON, 1977c, p. 237, 254).133
A relação comercial da Alemanha com o Brasil demonstrava certa dependência mútua, mesmo o Brasil sendo um país periférico e com uma economia primária-exportadora.134 Os interesses alemães no Brasil eram estritamente comerciais e de curto prazo, pois a criação do espaço vital era pensada em termos europeus, particularmente no leste (ALVES, 2002, p. 53 e ss.). Na documentação pesquisada percebe-se que o interesse comercial da Alemanha em relação à América Latina era explícito, a ponto desta enviar professores universitários da área do comércio para conhecerem e analisarem as possibilidades comerciais. O professor Dr. E. Scheu da Handels-Hochschule Königsberg, que esteve na América do Sul de 16 de março a 2 de setembro de 1937, sugeriu em seu relatório que, para o incremento das relações com o Brasil, fossem financiadas as atividades comerciais das colônias alemãs, com o intuito destas serem fortalecidas, tornando-se o elo de ligação comercial entre a Alemanha e o Brasil, como
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Posto que irá ocupar até junho de 1937, quando foi nomeado Embaixador Alemão no Rio de Janeiro, cargo que assumiu em dezembro de 1937.
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Conforme Hilton (1977c, p. 81), Ritter cunhou a expressão que sintetizou a orientação para os canais comerciais, “em vez da África e do Commonwealth, a América do Sul, os Bálcãs e o Extremo Oriente”.
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Interessante observar que no processo de Nurembergue a nomeação de Ritter para a embaixada no Brasil foi utilizada pelos seus defensores com o fim de inocentá-lo, pois o descreveram como um posto marginalizado (SEITENFUS, 2003, p. 24).
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A relação comercial entre os Estados Unidos e o Brasil era diferente, pois, o primeiro em grande medida era auto-suficiente nas necessidades agrícolas e minerais, fato que criava uma vantagem na negociação e, também possibilitava que os Estados Unidos tivessem maiores condições de pressionar o Brasil (ALVES, 1999, p. 58).
já estava ocorrendo na Polônia.135 Conforme suas palavras, se fossem adquiridos produtos das cooperativas coloniais de origem germânica se estaria fortalecendo o Deutschtum e fomentando a auto-suficiência das organizações comunitárias dos descendentes de alemães, como escolas, igrejas entre outras. Neste mesmo relatório, descreveu as regiões brasileiras que possuíam reservas de aço, chumbo e níquel, além de apresentar as possíveis formas de adquirir este material.136 Este relatório demonstra que esta não era uma prática governamental implementada na relação com o Brasil.
Em 1936, as negociações entre os dois países giraram em torno de uma proposta feita por um consórcio particular alemão-brasileiro, a Sociedade Internacional de Comércio (SOINC), e endossada por Berlim, no sentido de a SOINC agir como intermediária em uma troca de café por equipamento militar e ferroviário (SILVA, 2000, p. 11).
Em 1937, conforme Hilton (1977c, p. 237), o principal alvo alemão para incentivar o comércio era o Brasil. Tanto é que, na ocasião da viagem oficial de Sousa Costa, ministro da Fazenda do Brasil, aos Estados Unidos, em junho de 1937, a embaixada alemã de Washington foi instruída a acompanhar de perto as conversações. Outro dado que vem reforçar esta idéia é o de que o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha solicitou à imprensa do seu país que evitasse comentários sobre as negociações entre o AA e o Brasil ou sobre a viagem de Sousa Costa, pois estava se desencadeando uma lutaentre os EUA e a Alemanha pelo mercado brasileiro (HILTON, 1977c, p. 248 e 249).