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1.2. GÖÇÜ AÇIKLAMAK: TEMEL YAKLAŞIMLAR

1.2.5. İlişkiler Ağı ve Ulusaşırı Toplumsal Alanlar

Para entender a concepção de nacionalismo no Brasil é preciso retroceder um pouco no tempo. Durante o Império e a Primeira República a ênfase estava na construção das instituições e do corpo do Estado, que havia criado a independência em 1822.27 Somente no primeiro governo de Getúlio Vargas (1930 a 1945) o sentimento nacional teve maior relevância política (REIS, 1988, p. 191). Boris Fausto afirmou que foi no Estado Novo que “se forjou um projeto Nacional e se agiu” (2000, p. 123). O projeto foi concebido e imposto, isto é, acreditava-se que somente um Estado orgânico, centralizado e eficiente poderia formar uma Nação (ibidem, p. 127).

O debate sobre o que seria ou deveria ser a Nação brasileira fazia parte do pensamento de muitos intelectuais desde o final do século XIX e, conforme José Bereid (2000, p. 598) e Lucia Lippi de Oliveira (2000b, p. 610), foi desenvolvido essencialmente pelos intelectuais de direita.28

No início do período republicano, desejava-se a união e, por conseguinte, valorizavam-se as condições naturais da terra e o “caráter cordial” do homem brasileiro, o qual era fruto da fusão das três raças (negro, índio e branco) (OLIVEIRA, 1990, p. 143). O darwinismo social29 (desigualdade das raças, mal da miscigenação e a superioridade do branco) fazia parte das concepções de muitos teóricos brasileiros daquele período. As posições dos intelectuais variavam; alguns consideravam a população negra e mestiça uma raça inferior, que só traria prejuízos à população nacional, entre os quais estavam Nina Rodrigues30 e Oliveira Viana.31 Outros, como Silvio Romero32 (1851-1914), admitiam o

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O Brasil se tornou independente de Portugal; no entanto, continuou utilizando o mesmo idioma, a mesma estrutura de Estado, além de o novo governante ser filho do rei de Portugal e, com isso, perpetuar-se em grande parte a mesma estrutura anterior à independência.

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A direita nacionalista, durante os anos 20 e 30 do século passado, organizava-se em três pólos: católico, corrente que entendia que a Nação deveria manter a ordem e era liderado por Tristão de Ataíde; fascista, comandado pelos integralistas; cientificista, liderado por Azevedo Amaral e Oliveira Viana (CUNHA, 1981, p. 82). Esses intelectuais pensavam a Nação como um fenômeno incompleto, que seria realizado depois do caldeamento étnico, da integração territorial, da unidade cultural, da centralização do poder político e da penetração da autoridade estatal em todos os recantos do país (BEREID, 2000, p. 598). Azevedo Amaral (1938, on line) considerava a revolução de 30 como um movimento conservador - no sentido de preservar as marcas nacionais -, pois foi o momento de libertação da trágica experiência liberal da Primeira República.

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Lílian Schwarcz (2000, p. 30) afirma que esta ciência era uma “moda”, tanto que se consumiam mais manuais e livros de divulgação do que as obras ou os relatórios.

30

Nina Rodrigues (1862-1906) aceitava integralmente a teoria evolucionista, entre outras coisas, considerava o negro como uma raça inferior (LEITE, 1983, p. 235).

31

Oliveira Vianna (1883-1951) considerava os negros uma raça inferior que só seria superada com mais elementos arianos na população brasileira (CARNEIRO, 1988, p. 92).

melhoramento da raça através do progressivo branqueamento. Este último, defendia a idéia da “boa mestiçagem”33, isto é, considerava que a imigração dos povos europeus era necessária para que houvesse um branqueamento do elemento nacional (CARVALHO, 1995, p. 23).

Na década de 1930, Gilberto Freyre reviu a desvalorização do mestiço, transformando- o num elemento positivo (ORTIZ, 2002). Ele também acreditava que a mestiçagem racial e cultural era fundamental para se construir um Brasil plural, desde que fossem preservadas as tradições herdadas dos períodos anteriores e a língua portuguesa, à qual era atribuída a propriedade de criar a unidade (SEYFERTH, 2002). Freyre também recriminou a concentração de alemães no sul do Brasil, por representar uma ameaça à unidade do Estado Nacional.34

O debate sobre o problema imigratório foi intensificado durante os anos 30, conseqüentemente motivou a discussão sobre o papel que o imigrante deveria e poderia representar na sociedade brasileira. 35

Como se pode constatar, nos primeiros trinta anos do século XX, diversos modelos de identidade nacional competiam entre si, além de alguns intelectuais combaterem a imitação a modelos europeus pré-estabelecidos (OLIVEIRA, 1990, p. 175).36

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Este cientista e outros adaptaram o darwinismo social à teoria da eugenia, isto é, acreditavam que existiam raças superiores e inferiores, mas negavam que o cruzamento seria negativo. Conseqüentemente, fizeram uma interpretação diversa da teoria original, pois entenderam que, se houvesse um melhoramento da raça com maior quantidade de elementos europeus – raças superiores – no processo de miscigenação, chegaríamos a um aprimoramento da raça brasileira (MACIEL, 1999, p. 127).

33

Teoria impossível se comparada às definições européias, porque o darwinismo social considera que a miscigenação resultaria numa raça inferior, similar ao mulo, e o autor acreditava que a mistura com elementos europeus possibilitaria uma melhora na raça. No que se refere à imigração alemã, Sílvio Romero entende que se deve “dividi-los, espalhá-los, difundi-los para serem assimilados e não perturbarem a Nação brasileira, que é uma formação luso-americana, é o que convém” (ROMERO, 2001, p. 63). Da leitura observa-se que o elemento branco era desejável para proporcionar o branqueamento da raça, mas que ele também deveria integrar-se aos ideais nacionais.

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No entanto, em 1971, Gilberto Freyre demonstrou uma outra posição no prefácio do livro “Nós e a Europa germânica: em torno de alguns aspectos das relações do Brasil com a cultura germânica no decorrer do século XIX”. “Ao autor não se afigura desejável, do ponto de vista pan-brasileiro com que é notória sua identificação, uma integração que significasse uniformização absoluta, segundo os padrões luso-Católicos de convivências e de cultura que tornaram possível a definição do Brasil, quer como Estado-Nação, quer como cultura nacional. Daí admitir que ao lado da língua portuguesa como língua nacional pan-brasileira, essencial do Brasil, floresçam como línguas subnacionais, e dentro dos seus limites, a alemã, a japonesa, a nagô” (FREYRE, 2002, on line). 35

A concentração de grupos étnicos em determinadas áreas e a idéia de que uma das causas do desemprego foi a livre entrada de imigrantes favoreceu para que, na Constituição de 1934, houvesse artigos restringindo a entrada de estrangeiros (LESSER, 2001, p. 113). Isto provavelmente ocorreu porque a imigração e os imigrantes “só têm sentido de ser se o quadro duplo erigido com o fim de contabilizar os ‘custos’ e os ‘lucros’ apresentar um saldo positivo – idealmente, a imigração deveria comportar apenas ‘vantagens’ e, no limite, nenhum ‘custo’” (SAYAD, 1998, p. 50).

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Um dos meios de divulgação das idéias dos intelectuais brasileiros foi a Revista do Brasil, que, na sua primeira fase (1916-1925), foi um mosaico de idéias sobre a Nação brasileira. Percebe-se que “a viabilidade da nação parecia depender da natureza da interpretação dada ao secular problema da mestiçagem” (LUCA, 1999, p. 165).

Durante o Estado Novo, a idéia de construção da Nação brasileira foi intensificada na emissão de leis denominadas nacionalizadoras. Elas tentaram impor em diversos níveis da sociedade o sentimento de pertencimento à nação brasileira; no entanto, também entraram em choque com o Deutschtum e com o pertencimento étnico dos descendentes de imigrantes europeus. Este assunto será abordado mais intensamente no próximo capítulo.

Um outro fator, que ainda não foi abordado e que causou divergência na concepção de nacionalidade, causando fortes problemas nas questões diplomáticas, era a própria concepção jurídica sobre cidadania que era diferenciada no Brasil e na Alemanha. No nosso país existia/existe o conceito denominado de jus soli, significando que todo aquele nascido em território brasileiro automaticamente adquiria/adquire a nacionalidade deste país. Já na Alemanha, para se definir a cidadania, considerava-se/considera-se o conceito do jus sanguinis, o qual define a nacionalidade alemã somente para as pessoas que descendessem/descendem de cidadãos alemães.