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1.3. TÜRKİYE’DEN AVRUPA’YA GÖÇ

1.3.2. Aile Birleşimi: Yerleşme

É importante explicar que a política exterior do AA, desde a República de Weimar, estava centrada no continente europeu, principalmente na região a leste (ALVES, 2002, p. 53). As ações na América e na África eram vistas como secundárias (LUTHER, 2004; MÜLLER, 1992; GAUDIG E VEIT, 1997, p. 35).

encaminhada pelos canais competentes, isto é, pelas instâncias oficiais responsáveis. Eu aponto, humildemente, para o relatório n. 1119/37, de 5/8/37, o qual mostra que as propostas foram, de acordo com as regras em vigor, apresentadas pela embaixada. Como se pode deduzir da carta da Academia Médica Ibero-Americana, esta instância considera a participação do Serviço de Intercâmbio Acadêmico e da Central da Reichsbahn, naquilo que tange ao sistema de transportes alemão, como “instâncias não corretas”. Humildemente, eu chamo a atenção para o reiteradamente manifestado pedido da embaixada alemã para que a pergunta sobre quais são as instâncias que devem envolver-se em viagens de professores, estudantes e em planos de intercâmbio na Alemanha, seja regulamentada no sentido de que, no futuro, com planos desse tipo lide exclusivamente a embaixada, em colaboração com o partido e a central da Reichsbahn”.

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Dados retirados do departamento Kulturabteilung III, na pasta Reisen deutscher Professoren ins Ausland (Mexiko, Mittel-und Südamerika), que abrange os anos de 1937 a 1940, com código de arquivamento: R–65575,

R–65576 e R–65577 do PAAA. Existem relatórios do período anterior, que estão arquivado em 11 pastas.

Alguns relatórios tinham papel timbrado do partido, outros eram com timbre dos consulados e alguns eram em papel simples. Nestes volumes, além dos relatórios, havia reportagens de jornais sobre estas visitas e gastos com as viagens. Uma das correspondências que se destaca era a enviada pelo consulado de Porto Alegre para o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, com data de 29 de novembro de 1938, sob o número 293/38. Este documento relata a visita a Porto Alegre dos professores Dr. Volhard e Huebschmann em 27 de outubro de 1938. Ambos foram recepcionados no campo de pouso por diversas pessoas, entre elas Aurélio Py e pelo reitor da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, Dr. Saint Pastours. Nesta ocasião, conforme o documento, o professor Saint Pastours demonstrou que estava interessado em que a disciplina de Patologia fosse ocupada por um professor universitário alemão (Relatório nº 293/38, de 29 de novembro de 1938, arquivado no departamento Kulturabteilung III, na pasta Reisen deutscher Professoren ins Ausland (Mexiko, Mittel-und Südamerika [Band 13, de 1938 a 1939], com código de arquivamento: R–65576 do PAAA).

Neste sentido, torna-se relevante refletir sobre as representações diplomáticas alemãs nos diversos países e especificamente nos dados referentes aos países latino-americanos, no intuito de compreender a importância do Brasil para as relações diplomáticas alemãs. Para este fim, foi utilizado um levantamento sobre os postos diplomáticos alemães em 20 de fevereiro de 1937. A partir destes dados, criou-se um quadro (Quadro 2), que aborda a distribuição dos representantes diplomáticos pelos diversos continentes. No documento consta unicamente o nome das cidades em que havia representantes diplomáticos, mas para esta análise foram pesquisados os países das respectivas cidades. Nos dados dos Consulados Gerais e dos Consulados nem sempre foi possível localizar a que países pertenceram, pois, em alguns casos, ou mais de dois países possuem cidades com o mesmo nome, ou estas cidades trocaram de nome ou não existem mais. Três cidades que tinham Consulados Gerais, não foram localizadas. O mesmo ocorreu com outras quatro cidades em que estavam estabelecidos Consulados Alemães.

Postos Diplomáticos Europa América Ásia e Oceania África Total

Embaixada 8 4115 2116 - 14

Legação 21 13117 3 2 40

Consulado Geral 13 6 10 3 35

Consulado 41 15 12 10 82

Total 83 38 27 15 170

Quadro 2 - Representações diplomáticas alemãs por continentes em 1937 Fonte: Autora (2009).118

Observando o Quadro 2 percebe-se que mais de 50% das embaixadas e das missões diplomáticas ficavam na Europa, confirmando o interesse alemão no continente europeu. No entanto, dos demais continentes, a América era a que tinha mais representatividade. Os países com embaixadas eram Brasil, Argentina, Chile e EUA. Interessante observar que as treze legações existentes na América localizavam-se nos países latinos. Sendo assim, pode-se afirmar que as relações exteriores da Alemanha com países europeus, até 1937, eram intensas, pois mais de 50% dos diplomatas atuavam neste continente. Entretanto, não pode ser descartado o fato de que o continente americano, mesmo tendo uma menor representação

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As embaixadas eram nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, Buenos Aires, Santiago e Washington. 116

As embaixadas localizavam-se na China e no Japão. 117

Todas na América Latina. 118

Dados do Quadro 2 e 3 foram sistematizados a partir do documento de 20 de fevereiro de 1937, arquivado no Inland II A/B, na pasta NSDAP – Die politisches Organisationen einschliesslich Fachschaften und Betriebszellenorganisation (1934 a 1944), com o código de arquivamento: R-99240 do PAAA.

diplomática do que a européia, teve uma grande importância nas relações exteriores da Alemanha. O detalhamento da representação diplomática na América possibilita outras relações (Quadro 3).

Postos Diplomáticos EUA Brasil Argentina Colombia Canadá Chile Outros Total

Embaixada 1 1 1 - - 1 - 4

Legação - - - 1 - - 12119 13

Consulado geral 4 1 - - 1 - - 6

Consulado 7 4 1 1 2 - - 15

Total 12 6 2 2 3 1 - 38

Quadro 3 - Representações diplomáticas alemãs na América em 1937 Fonte: Autora (2009).

O Quadro 3 demonstra a importância dos EUA para a diplomacia alemã, pois ao todo 12 representantes diplomáticos germânicos desenvolveram suas atividades naquele país. No entanto, o Brasil também tinha uma representatividade significativa, uma vez que tinha uma embaixada, um consulado geral e quatro consulados. Interessante observar que a embaixada estava localizada no Rio de Janeiro, centro político e administrativo do país e o consulado geral em São Paulo, que, neste período, era o pólo industrial e econômico. Conseqüentemente, regiões que atraíram mão-de-obra estrangeira qualificada, por isto tiveram um significativo número de Reichdeutsche.120 Contudo, estas duas cidades não se localizavam nas áreas que historicamente se caracterizavam como de colonização alemã, demonstrando que os interesses estavam centrados no comércio e não exclusivamente na preservação do Deutschtum, ou seja, o centro das preocupações, principalmente até 1937, não era a criação de uma área de influência cultural e sim o comprometimento com a compra de matérias-primas e a venda de produtos industrilializados. Os consulados estavam localizados nos três estados do sul do país (PR, RS, SC), área em que muitos imigrantes e descendentes alemães moravam, e na Bahia.121 Fato que demonstra a importância secundária da preservação do Deutschtum.

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Os países com Missão Diplomática eram os seguintes: Paraguai, Bolívia, Venezuela, Santo Domingo, Guatemala, Cuba, México, Uruguai, Haiti, Panamá, Peru, Equador.

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Dietrich (2007) afirma que em São Paulo estava o maior grupo nacional-socialista. Conforme a autora, este fato pode ser explicado pela grande colônia de alemães de nascimento.

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No relatório anual de 1937, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no “Quadro do Corpo C Estrangeiro” consta que os consulados descritos neste texto tinham diplomatas de carreira. Também menciona mais 11 consulados (Belém, Blumenau, Cruzeiro do Sul, Fortaleza, Joinvile, Manaus, Rio Grande, Recife, Santos, São Luiz e Vitória) e tantos outros vice-consulados; entretanto, na documentação alemã só existe informações ocasionais dos consulados onde não atuam diplomatas de carreira.

Foi em fins de 1935, que o governo alemão cogitou a hipótese de elevar a sua legação do Rio de Janeiro para nível de embaixada, a partir de então, passou-se a planejá-la.122 Em novembro de 1935, Vargas concordou em adotar o mesmo procedimento para a legação brasileira de Berlim. Na prática, estas representações diplomáticas foram oficialmente elevadas a embaixadas em 17 de junho de 1936. Este fato foi justificado em função do crescente comércio entre os dois países (HILTON, 1977c, p. 155 e ss.). Entretanto, desde 5 de junho de 1936, já existe correspondência utilizando o timbre da embaixada alemã do Rio de Janeiro.123

No contexto apresentado até este momento, observa-se que o Ministério das Relações Exteriores foi sofrendo mudanças significativas desde que Hitler tornou-se chanceler, mas foi um processo lento que, até fins de 1937, não havia alterado significativamente a política exterior alemã. No entanto, a partir de 1938, as relações entre a Alemanha e os demais países se alteraram, tanto porque o poder e a interferência do Führer tornaram-se um fato, quanto porque o país passou a se considerar uma grande potência.

No Brasil, desde 1937, houve manifestações de descontentamento de políticos brasileiros referentes a atividades de partidários nazistas. A situação, neste momento, representou um desconforto diplomático, tanto que o Embaixador Alemão no Rio de Janeiro, Schmidt-Elskop124, em julho de 1937 rebateu acusações (GERTZ, 1994b, p. 84 e 85; HARMS-BALTZER, 1970, p. 161 e ss.). Também deve ser lembrado o contexto diplomático brasileiro. No início da década de 1930, em função da crise de 1929, foi necessário que o Brasil fechasse alguns consulados, entre os países atingidos estava a Alemanha. A justificativa era que eles não correspondiam às necessidades de expansão comercial do país (KOTHE, 1997, p. 68). No entanto, com o passar dos anos, o Brasil foi aderindo ao comércio compensado que a Alemanha passou a desenvolver a partir de 1934. As relações comerciais se intensificaram a ponto de, em 1936, o Brasil passar a ter uma embaixada em Berlim. A inversão da importância da diplomacia brasileira na Alemanha se observa no transcurso da década de 1930.

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Período que também se pensou em elevar as legações de Buenos Aires e Santiago para nível de embaixada (HILTON, 1977c, p. 155). Fato que foi consumado logo depois. Conforme documentação analisada, em 1937, tanto a Argentina quanto o Chile tinham embaixadas alemãs.

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Carta nº 839/36, de 05 de junho de 1936, arquivada no departamento Politische Abteilung IX, na pasta Brasilien - Innere Politik, Parlaments-und Parteiwesen (7.1936 a 3.1938, único Band), com o código de arquivamento: R-104945 do PAAA.

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No contexto do período, a Alemanha e os Estados Unidos estavam se tornando potências dominantes de sistemas internacionais, isto é, cada país estava constituindo um sistema de poder.125 Estes dois países estavam criando suas áreas de influência, conseqüentemente tornaram-se potências concorrentes. O Brasil gravitava, na década de 1930, entre os dois sistemas de poder, tanto por não ter definido quais os interesses internos que seriam privilegiados, isto é, não ter sistematizado uma única política interna, quanto por estar tentando barganhar ganhos (MOURA, 1991).