A metodologia está relacionada com os caminhos percorridos pela investigadora no processo da pesquisa científica, na qual ela define seus métodos e técnicas, pautadas na escolha de concepções teóricas abordadas, sendo estas, coerentes e adequadas no que se pretende investigar e desenvolver na pesquisa. Fazem parte desse processo a escolha do local e grupo de pesquisa, a construção de critérios e estratégias para o campo, além de organização e análise de dados. “[...] a metodologia inclui as concepções teóricas de abordagem, o conjunto de técnicas que possibilitam a construção da realidade” (MINAYO, 1994, p.16).
Segundo Navarrete et al. (2009) “[...] é o corpo teórico ou teoria do conhecimento de que se dota o investigador para a aproximação geral ao estudo de um objeto. Faz referência ao conjunto de teorias, conceitos e ferramentas [...] para aproximar-se a compreensão do mundo” (p.22).
Como metodologia foi utilizada a pesquisa qualitativa, pois “[...] possibilita abranger a totalidade do problema investigado em suas múltiplas dimensões” (MINAYO, 1994, p.43). A
pesquisa qualitativa permite um olhar para o fenômeno através do subjetivo, processos e significados.
A diferença entre qualitativo-quantitativo é de natureza. Enquanto cientistas sociais que trabalham com estatísticas apreendem dos fenômenos apenas a região “visível, ecológica, morfológica e concreta”, a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas (MINAYO, 1994, p.22).
Segundo Chizzotti (1995), a pesquisa qualitativa, no alcance do conhecimento, tem como um dos princípios, a relação entre o mundo objetivo e subjetivo do sujeito, separando então, de uma teoria explicativa, “[...] parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto” (p.79).
Na pesquisa em educação, a abordagem qualitativa não se preocupa em testar hipóteses e sim com a pesquisa em diversos contextos, descrever detalhadamente o cotidiano das pessoas, locais e conversas, pesquisar a complexidade dos fenômenos, através de pequenas amostragens teóricas. O pesquisador deve cumprir o papel de manter uma relação de empatia, confiança e igualdade, sendo que o objetivo principal é pesquisar a partir da compreensão dos sujeitos sobre seus comportamentos e experiências humanas (BOGDAN; BIKLEN, 1994).
O uso do método qualitativo em educação é recente, tem início no final dos anos sessenta, do século XX. Devido à mudanças econômicas e sociais que afetaram a sociedade em geral, surgiu a necessidade de compreensão e conhecimento da vida cotidiana das pessoas, principalmente a descrição esclarecedora dos contextos escolares e da parcela desfavorecida e marginalizada da sociedade, os que se encontram ‘do outro lado’, pois surge a necessidade de beneficiar a humanidade e sua cultura e contribuir com mudanças sociais, questões que o método quantitativo não daria conta (BOGDAN; BIKLEN, 1994).
Nesse período, inicia-se a abertura de vários debates entre os/as pesquisadores/as quantitativos e qualitativos, sendo os últimos até então, considerados marginais. Desta feita, começam a crescer as pesquisas em educação com o enfoque qualitativo e a utilização de diversos procedimentos metodológicos e temas:
Alguns investigadores qualitativos em educação efectuaram “trabalho de campo” - observação participante, entrevistas em profundidade ou etnográfica – despendendo grandes quantidades de tempo nos locais de investigação e com os sujeitos ou documentos de investigação. Registraram os seus apontamentos por escrito como modo de preservar os dados a
analisar, incluindo grande quantidade de descrições, registros de conversas e diálogos [...] (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.40).
O autor e a autora apresentam cinco características principais das pesquisas qualitativas. Na primeira característica, colocam que a fonte de dados é relacionada ao ambiente natural como principal instrumento da investigação e o/a pesquisador/a deve estar inserido em diversos espaços como escolas, bairros, permanecendo bastante tempo nesses locais, na tentativa de desvelar questões educativas, utilizando exclusivamente anotações do campo. “Os investigadores qualitativos frequentam os locais de estudo porque se preocupam com o contexto. Entendem que as ações podem ser melhor compreendidas quando são observadas no seu ambiente habitual de ocorrência [...]” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.48).
A segunda característica apontada pelo/a autor/a, é que a pesquisa tem que ser descritiva, através de palavras ou imagens, para melhor apresentar os dados e resultados. Em terceiro lugar, afirmam que os/as pesquisadores/as se preocupam mais com o processo do que com os resultados, desta maneira, é possível compreender, a realidade da pesquisa. Ao apontarem a quarta característica os/as autores/as chamam a atenção para a análise dos dados sem hipóteses pré-estabelecidas, pois, na pesquisa qualitativa se trabalha de forma indutiva e a teoria do objeto pesquisado é elaborada após o pesquisador passar o tempo necessário com os sujeitos e recolher os dados precisos. Neste caso, o papel principal do pesquisador é contribuir com a construção de conhecimento. De acordo com a quinta e última característica, o/a pesquisador/a qualitativo tem que estar preocupado com a construção dos significados dados naquele contexto pelos/as colaboradores/as da pesquisa, suas visões de mundo. Essa construção deve ocorrer em conjunto com os envolvidos na pesquisa (pesquisadora/o e colaboradores/as) (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.51).
[…] Os investigadores qualitativos estabelecem estratégias e procedimentos que lhes permitam tomar em consideração as experiências do ponto de vista do informador. O processo de condução de investigação qualitativa reflecte uma espécie de diálogo entre os investigadores e os respectivos sujeitos, dado estes não serem abordados por aqueles de uma forma neutra.
Todas as relações humanas carecem de horizontalidade, inclui-se o/a pesquisador/a e colaboradores/as no processo do trabalho, do contrário, o primeiro corre o risco de fazer o papel de opressor, impondo sua própria verdade (FREIRE, 1979).