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Ġdari Red Kararlarına Ġtiraz (Usulü, Mercii ve Süresi)

TÜRK ANAYASA MAHKEMESĠ UYGULAMASI KAPSAMINDA BĠREYSEL BAġVURUDA USUL BAKIMINDAN KABUL

B. Ġdari Red Kararlarına Ġtiraz (Usulü, Mercii ve Süresi)

Anteriormente, foram analisadas algumas teorias da ciência da administração utilizadas como modelos de gestão empresarial. A mera aderência a uma destas na tentativa de otimização organizacional não configura qualquer tipo ilícito, visto que não se encontram em sua estrutura quaisquer características aptas a lesionar o patrimônio, em sentido amplo, do empregado.

Contudo, numa sociedade supercompetitiva, algumas formas de gerenciamento da força de trabalho foram criadas em paralelos para a ampliação dos rendimentos. Estas, por sua vez, podem violar um gama de direitos dos empregados e configurar o assédio moral organizacional, como se verá a seguir.

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Segundo Karina da Silva Menezes e Thiago Lima Carneiro (2016), o gerenciamento da força laboral por injúria consiste na introdução metódica, de maneira excessiva e imoderada, de condutas opressoras que resultam na lesão à dignidade e aos direitos personalíssimos do empregado, através de humilhações e da criação de situações vexatórias a alvos indefinidos.

Assim, pode-se entender que o assédio moral coletivo seria aqui caracterizado pelo contínuo comportamento agressivo e despeitoso dos empregadores, e de seus prepostos, em detrimento da classe empregatícia, de forma indistinta, e com o intuito de alcançar as metas empresariais.

Nota-se que se trata da utilização desvirtuada de um tipo de motivação que utiliza de maneira simples e excessiva o reforço negativo, concretizado através do aviltamento no ambiente de trabalho de forma difusa, relegando, assim, ao ostracismo as normas protetivas constantes no ordenamento jurídico pátrio.

A jurisprudência nacional reconhece a existência desta conformação lesiva, senão vejamos:

“ASSÉDIO MORAL, RIGOR EXCESSIVO E GESTÃO POR INJÚRIA - DISTINÇÕES E CARACTERIZAÇÕES. […] Assim, a sobrecarga de trabalho, por si só, não significa assédio, a não ser quando é extremamente exagerada com o objetivo deliberado de prejudicar o empregado. Por outro lado, a gestão por injúria

pode se caracterizar por atos de empregadores ou por prepostos que se comportam agressivamente, e que constantemente insultam e pressionam seus empregados. Porém, a gestão por injúria não visa, via de regra, a um empregado específico e, sim, a todos os empregados, indistintamente, que passam a ser injuriados, para que produzam mais, para que atinjam

determinadas metas. […]” (TRT 3 – RO 960407 00840-2005-100-03-00-7, 4ª

Turma, Luiz Otavio Linhares Renault, DJ 28/07/2007).

Assim, verifica-se que este tipo de gestão é fruto do desvirtuamento do poder diretivo, de controle e disciplinar do empregador, que se vale de sua prerrogativa de mando, de fiscalização e de punição para insultar, ofender e pressionar o subordinado para a obtenção de melhores resultados.

Exemplos deste tipo de gestão foram presenciados enquanto uma supervisora incutia o medo nos colaboradores através de constantes críticas em forma de xingamentos, tais como “Vocês são muito descansados. O que vocês achavam que estão fazendo aqui?”, enquanto a equipe almoçava dentro do horário previamente estipulado; ou como “Vocês são umas lesmas caquéticas mesmo!”, frase dirigida ao corpo de cozinheiras que estavam com o almoço dentro do cronograma.

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2.4.2 GESTÃO POR ESTRESSE

Este recurso administrativo paralelo pode ser entendido como um conjunto de condutas estruturalmente estabelecidas no ambiente empresarial que fomentam o sentimento de necessidade de produtividade acelerada, que pode ser atingido através de cobranças recorrentes, estabelecimento de plano de metas que não possibilita o integral cumprimento, criação de prazos diminutos para a execução de tarefas, implantação sistema de rankeamento de produtividade (SOBOLL. 2008).

A constante imposição de situações desenhadas para deixar o trabalhador sob pressão com o objetivo de aumento da eficiência e da eficácia e com a consequente sobreposição de humilhação e de submissão a situações vexatórias pelo seu descumprimento é considerada como a principal expressão do assédio moral organizacional (GUIMARÃES. 2012).

Karina da Silva Menezes e Thiago Lima Carneiro (2016) ressaltam a inexistência de finalidade de comprometimento do ambiente de trabalho e de violação dos direitos do empregado, mas que as suas características trazem sérias consequências para a saúde psicológica e física deste.

O straining, como também é conhecido, atinge indistintamente o trabalhador e sua autoestima. É patente a violação do direito à honra, à imagem e à dignidade dos empregados alvejados pelo conjunto de práticas abusivas.

Um exemplo particularmente alarmante, tanto pelo notório mau gosto quanto pela grande recorrência com que esta situação ocorre no cotidiano empresarial é o caso de utilização de humilhações coletivas em reuniões para avaliação de resultados, que se dizem motivacionais, como no julgado abaixo transcrito:

“WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL. REUNIÕES MOTIVACIONAIS COM DANÇA E REBOLADO. ASSÉDIO MORAL ORGANIZACIONAL. As reuniões motivacionais com dança e rebolado, submetendo os trabalhadores a "gritos de guerra", com exposição ao ridículo, implicam assédio moral organizacional. Hipótese em que caracterizada a conduta patronal genérica composta pela denominada gestão por estresse ou straining. Indenização devida” (TRT 4 – RO 0001048-74.2013.5.04.0301, 6ª Turma, Roberto Antônio Carvalho Zonta, DJ 09/12/2015).

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Outro exemplo é o caso dos analistas de crédito de alguns bancos privados, como o Santander, os quais têm uma meta de análise inexequível, qual seja o de análise de um contrato de concessão de crédito a cada três minutos, a fim de pressionar ao máximo seu empregado para a obtenção de melhores resultados.

2.4.3 GESTÃO POR MEDO

A gestão por medo ocorre com a utilização da intimidação, da atemorização, do amedrontamento, de maneira implícita ou explícita, como principal instrumento de motivação para que o empregado adote os objetivos empresariais como os seus próprios.

Lis Andrea Soboll (2008) adverte que este tipo de gestão poderá se concretizar, por exemplo, com a constante ameaça de desligamento do trabalhador da empresa. Desta forma, o empregado é manipulado a se submeter às determinações do superior hierárquico sem questionamentos, pois, se assim não for, poderá perder a fonte de seu sustento.

A autora ainda elenca a possibilidade de ameaça de submissão do trabalhador a situações constrangedoras como mecanismo apto a condicioná-lo a cumprir, independentemente de quanto tempo leve, as metas preestabelecidas (SOBOLL. 2008).

Karina da Silva Menezes e Thiago Lima Carneiro (2016) asseveram que também caracteriza a gestão por medo a prática de incutir no colaborador o sentimento de ameaça e o incentivo à competição antiética, além do fomento de relações destrutivas, para melhor controlar o empregado em prol da produção.

A jurisprudência do colendo Tribunal Superior do Trabalho encara a gestão pelo medo e a gestão pelo estresse como o mesmo fenômeno, como é possível depreender do julgado abaixo:

“[…] Tal prática corresponde ao que se convencionou denominar de "administração por estresse" ou ''gestão pelo medo", uma forma de assédio moral coletivo que reduz cada empregado a uma peça de engrenagem a ser descartada no primeiro momento em que, por qualquer motivo, não atender às expectativas do empregador, tornando- o, de um mês para o outro,"um "perdedor", uma "pessoa limitada, que não sonha, não cresce, não proporciona nada de muito interessante para os demais integrantes da equipe" e uma "laranja podre", para se utilizar de algumas das várias expressões depreciativas constantes dos comunicados em apreço […]” (TST – AIRR 114400- 95.2009.5.06.0009, 7ª Turma, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DJe 21/06/2013) .

Estas três formas de gestão paralelas são reflexo da supercompetitividade e da superconcorrência existente na sociedade moderna em razão da internacionalização

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econômica. Infelizmente, incorporam-se ao discurso economicista como essenciais para a sobrevivência empresarial.

Apesar da perpetuação dessas práticas no cotidiano brasileiro, não existe qualquer dispositivo legal específico destinado à tipificação do assédio moral, seja interpessoal ou organizacional. A tensão entre as fontes materiais tem pendido para os interesses patronais, contudo necessário se faz uma análise da necessidade, ou não, de tipificação para a efetiva proteção dos direitos fundamentais do empregado.