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SANAYİNİN YIĞILMASI KONUSUNDA YAPILAN ÇALIŞMALAR

2. BÖLÜM: YIĞILMA EKONOMİLERİ VE TÜRKİYE’DE İMALAT SANAYİNDE

2.3. SANAYİNİN YIĞILMASI KONUSUNDA YAPILAN ÇALIŞMALAR

Foi na chamada “Escola de Berlim” que Wertheimer, Köhler e Koffka37 fundaram a Psicologia da Forma, ou Psicologia da Gestalt, no começo do século XX. Seu ideal era de contrapor-se ao pensamento dominante na Psicologia do século anterior, que impunha como método a análise das propriedades das sensações humanas, ignorando ou minimizando a relevância de seus conteúdos. Podem-se notar em seus trabalhos três fortes influências: Kant, Husserl e Ehrenfels.

De Kant, os gestaltistas herdam a preocupação com a forma. Como o filósofo, valorizam os estudos da percepção humana, e levam suas investigações ao laboratório, priorizando o sentido da visão. Entretanto, não corroboram a dicotomia kantiana matéria/forma, que supõe um equilíbrio estático ao psiquismo. Ao contrário, acreditam na imanência da forma, isto é, em um equilíbrio dinâmico inerente à estrutura percebida, não apenas no nível do pensamento – como Kant – mas antes disso, em um estágio físico.

Portanto, a percepção visual organiza-se em uma forma, uma estrutura, uma gestalt38 (palavra alemã adotada em quase todas as outras línguas pela dificuldade de uma tradução fidedigna) não porque o cérebro tenha tal poder ordenador puro – e é nesse ponto que divergem de Kant –, mas porque as forças naturais assim se organizam. Para tal comprovação, usaram experimentos com circuitos elétricos, efeitos sonoros e outros elementos estruturais.

Isso resulta em uma visão diferenciada da relação parte/todo. Negando a teoria atomística imperante no século XIX, os gestaltistas defendem que o todo não é uma soma das partes, mas contém uma propriedade singular, sendo mais que o fruto de um mero processo aditivo.

Tal conceito fora herdado a eles por Ehrenfels, que em 1890 publica “Über Gestaltqualitäten” (“Sobre as qualidades da Gestalt”), trabalho em que, ao analisar melodias e figuras, nota a presença de um todo orgânico que contém uma qualidade inerente a ele, independentemente do conteúdo das partes. Uma melodia, embora composta por notas, é reconhecida pelo ouvinte por conter uma medula estrutural (Gestalt) que lhe confere a

37 Apesar de Wertheimer ser um pouco mais velho que seus dois colegas, os estudos dos três são de tal forma interligados – tanto no período em que pesquisaram juntos, em Berlim e nos Estados Unidos, como nas fases em que se separaram – que este trabalho considerará suas teorias como uma só, dada a dificuldade em se identificar o papel individual de cada um nas descobertas do grupo.

38 Os dicionários de língua portuguesa registram os termos Gestalt (plural: Gestalten, fiel ao alemão) e Guestalte (plural: guestaltes). Decidiu-se pela primeira forma, por ser a mais corriqueira em trabalhos acadêmicos.

personalidade. É por causa disso que, mesmo tocada em um tom diferente (ou seja, cada uma de suas notas é alterada), ela continua sendo identificada pelo fruidor. Isso acontece porque, embora suas partes tenham sido modificadas, o todo permanece o mesmo, seja pela manutenção do tempo entre as notas, seja pelo seguimento de uma escala musical. As notas musicais da melodia, independentemente do tom, reagem entre si de maneira a produzir o mesmo todo. Paul Guillaume (1966, p. 19) explica a conclusão do filósofo austríaco:

O essencial, nos fatos físicos como nos fatos psíquicos, é a possibilidade de reagirem uns sobre os outros, realizadas por certas condições de proximidade no espaço e no tempo. São essas relações de causalidade que dão uma existência real ao todo físico, assim como à melodia percebida. [grifos originais]

Essas relações de causalidade são responsáveis por uma dinâmica interna auto- regulável do sistema (seja ele uma figura vista ou uma melodia escutada) que sempre busca o mesmo equilíbrio. A tal fenômeno, portanto, Ehrenfels deu o nome de gestalt.

O passo adiante que os pesquisadores da Escola de Berlim deram em relação ao seu antecessor austríaco foi descobrir que a percepção (todo) também não é a soma das sensações (partes) e “algo mais”. O todo é apriorístico às partes, que apenas passam a existir uma vez que ele seja desmembrado. Desse modo, os elementos constituintes de uma totalidade apenas existem em função desta. Determinada nota em uma melodia é diferente da mesma nota tocada isoladamente, já que no segundo caso ela não estaria submetida à engrenagem de uma melodia, e seria, per se, um todo. No primeiro exemplo, ela existe em virtude da melodia em que está inserida.

Os gestaltistas confrontam, ainda, uma melodia com um acorde: ambos são combinações de notas. A primeira, entretanto, contém partes identificáveis, enquanto o segundo tem tal grau de coesão que é impossível à percepção desmembrá-lo. São, respectivamente, formas fracas e fortes.

Já de Husserl, a influência mais significativa foi a de concentrar a preocupação no

fenômeno. Tanto na Fenomenologia como na Teoria da Forma, a recepção perceptiva e a

experiência psíquica, em suas significações e inteligibilidades, não são submetidas à relação sujeito-objeto. Tal dicotomia, em si, nasce do fenômeno, e da maneira como ele é percebido.

Os pensadores da escola de Berlim, entretanto, divergem de Husserl quanto à sua visão do todo, que consiste na crença de que todo objeto, embora parte de uma multiplicidade de estímulos, contém em si um caráter uno e acabado, que ele chama de essência. O método para se atingir tal unidade é a imaginação transcendental, com a qual se supera a natureza

multifacetada da percepção e se atinge esse núcleo essencial do percepto. Os gestaltistas refutam o todo como “essência”, mas o vêem como uma qualidade inerente e natural ao objeto, dada imediatamente ao perceptor, e não como algo a “ser buscado”.

Desse modo, a relação todo/parte descrita pelos teóricos da Forma difere tanto da crença kantiana de que a totalidade nasce do encontro forma e matéria em nível psíquico, como do postulado de Husserl de que o todo é um núcleo indivisível da idéia de um objeto. Também de Ehrenfels eles se afastam, ao negar ser a “Gestalt” a soma das partes adicionada a algum outro elemento. Para Wertheimer, Köhler e Koffka, o todo ou gestalt é uma realização, em nível fenomênico, que nasce da organização funcional de forças naturais, cujo equilíbrio dinâmico atinge uma estrutura medular apriorística às suas partes, que apenas passam a existir quando de seu desmembramento intencional por parte do perceptor.

Tal processo contém três estágios de integração: em nível físico, mais elementar, quando as forças espaciais ainda são mais independentes; no cérebro, dá-se a fase fisiológica, em que o elemento espacial desaparece, e a coesão se intensifica; e finalmente a fase

psíquica, em que se dá o fenômeno da percepção, bem como sua posterior significação, após

a total integração dos elementos constituintes. Köhler (1978, p. 80) explica que

O estado final somente será atingido quando mediante alterações consecutivas de cada ponto interno, as forças e relações internas se relacionarem e atuarem entre si, de tal forma que não mais provoquem nenhuma alteração de estado, ou seja, do processo (agora) estacionário. Entre as três fases citadas da relação parte/todo existe, para os gestaltistas, um princípio básico, que é o do isomorfismo: uma identidade ou correspondência (mas não igualdade) entre elas, ou seja, entre as forças do mundo-em-si, de seu análogo cerebral e do resultado percebido. Cada uma de tais estâncias é denominada “correlato”: quase-igualdade do mesmo fenômeno perceptivo. É tal qualidade que confere fidedignidade à percepção.