1.1.5. Eserleri
1.1.5.2. Nevevî’nin Hayatında Tamamlayamadığı Eserler
Fausto Martins (2004) afirma que o apreço pelo Mistério Trinitário (entendido pelo autor, como celeste e terrestre) foi muito incentivado na Companhia (FIG. 32 e 33), incluindo- se em descrições pormenorizadas das visões de Inácio no Diário Espiritual (1544-1545) e na
Autobiografia (1553-1555); nos escritos de Pedro Fabro em Memórias Espirituais e no Diário Espiritual de Francisco Borja, entre outros. Nas representações visuais, não raro o tema
aparece associado a cenas nas quais os padres se faziam presentes.
Dentro do assunto, a imagem de Cristo era marcadamente trabalhada, isolada ou acompanhada por um elemento do Mistério. É importante observar que, ao contrário do que se via em outros lugares do Brasil, no Pará não era comum esse tipo de representação e não é de nosso conhecimento haver obras com o tema na região pesquisada.
Por vezes, Cristo era representado na forma de criança, associado aos símbolos identificadores da Ordem ou aos sinais do Gólgota (FIG. 34 e 35). No Inventário de 1760, constam esculturas de Jesus Menino como imagens de presépio ou para exposição no Natal. Na visita a campo, vimos apenas uma obra em Vila do Conde, Barcarena (ver catálogo - volume 2).
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Figura 35: Antonius II Wierix, O Menino Jesus Ressuscitado Triunfando do Mal e da Morte, antes de 1604, gravura a buril. Fonte: SOBRAL, Luís de Moura.
Espiritualidade e propaganda nos programas iconográficos dos jesuítas portugueses. Disponível em: Biblioteca
Digital da Cidade do Porto.
Figura 33: Prancha 65 - Inácio de Loyola
apresentando as Constituições da Companhia de Jesus a Santíssima Trindade e a Nossa Senhora. Vita Beati P. Ignatii Loyolae Societatis Iesu Fundatoris. Pedro de Ribadeneira S.J., edição de 1609.
Fonte: Biblioteca Nacional Digital.
Figura 32: A Santíssima Trindade Celeste e
Terrestre. Hieronimus Wierix, século XVI. Fonte: MARTINS, Fausto Sanches. O
conceito de Nihil Inhonestum nos tratados artísticos pós-tridentinos. Faculdade de
Letras da Universidade do Porto, 2004. p. 713-726.
Figura 34: Hieronymus Wierix, Menino Jesus Salvator Mundi, antes de 1619, gravura a buril.
Fonte: SOBRAL, Luís de Moura.
Espiritualidade e propaganda nos programas iconográficos dos jesuítas portugueses. Disponível em:
67 No que diz respeito à forma adulta de Cristo, a exemplo dos demais institutos eclesiásticos, são observadas as passagens do Novo Testamento. O jesuíta Jerônimo Nadal (1607) dedicou especial atenção a esse assunto, produzindo uma série de 153 gravuras, publicadas em Adnotationes et meditationes in Evangelia, que serviram de matriz para o trabalho de artífices em várias partes do mundo.
As representações podiam ser sóbrias e elegantes, mesmo nos temas da Paixão (FIG. 36); gloriosas quando se tratavam da Ressurreição e Ascensão (FIG. 37). No entanto, o mais comum no período pós-tridentino eram imagens que capazes de provocar a comoção do fiel com o sofrimento do Filho.
Figura 36: Jerônimo Nadal, Deposição do Corpo de
Cristo. Gravura 122.
Fonte: Anotações e Meditações do Evangelho, 1607.
Sobre essa questão, no dizer de Blunt (2001, p. 167), era preferida a representação de Cristo “atormentado, sangrando, cuspido, com a pele arrancada, ferido, deformado, pálido e
de má aparência”, a fim de trazer a piedade eucarística e a devoção ao lenho da Cruz.
A imagem de Jesus aparece de maneira frequente em pinturas e em esculturas dentro de igrejas, colégios e seminários da Companhia. A saber, na igreja de Belém figurava na
Figura 37: Jerônimo Nadal, Ascensão de Cristo
ao céu. Gravura 132.
Fonte: Anotações e Meditações do Evangelho, 1607.
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Figura 38: Cristo Morto, 161 cm alt., século XVIII, escultura em madeira. Museu de Arte
Sacra, Belém, Pará.
Fonte: Foto de Antônio Sales.
capela-mor, ao centro: Cristo Morto no esquife, Cristo Ressuscitado no trono escalonado (em dias especiais), o Santíssimo Sacramento na talha do retábulo e o nome de Cristo no forro da pintura do teto, ao fundo do camarim34, além de orago em uma das capelas laterais.
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Na base do trono estava uma Nossa Senhora da Conceição, ladeada nos nichos por Santo Inácio e São Francisco Xavier.
Figura 40: Cristo Ressuscitado, 86 cm alt.,
século XVIII, madeira policromada. Museu de Arte Sacra, Belém, Pará.
Fonte: Foto de Antônio Sales.
Figura 39: Cristo Crucificado, 47 cm alt., século XVIII, madeira policromada. Igreja Madre de Deus, Vigia, Pará.
69 Nas matrizes artísticas da matéria da piedade eucarística, estão as impressões de inúmeras gravuras que serviram a pinturas (FIG. 41). Os jesuítas foram grandes incentivadores à comunhão entre o século XVI e o XVIII, apesar da polêmica quanto a sua frequência, pois Trento reiterou, em 1551 o quarto Concílio de Latrão estabelecendo a Eucaristia como prática anual.
Figura 41: Santo Inácio de Loyola e S. Francisco de Borja e a Alegoria da Eucaristia. Juan de Valdés Leal.
Museu de Belas Artes de Sevilha.
Fonte: O’MALLEY, John W S.J., BAILEY, Gauvin A. & SALE, Giovanni S.J. The jesuits and arts: 1540-
1773. 2 printing. Saint Joseph's University Press: Philadelphia, 2005. p.226.
O´Malley (2004) assegura que a Companhia defendia a administração semanal, integrando um movimento já em andamento, liderado por jovens institutos eclesiásticos. Após a revisão da Fórmula, em 1550, foram enfatizados na Ordem os ministérios da confissão e da comunhão, colocando a Eucaristia e a Penitência diretamente ligadas uma à outra; estes sacramentos eram os únicos que a Companhia podia administrar, por não serem “pastores paroquiais”35.
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O’Malley (2004) afirma que a Companhia não atendia ao bispado, o que a impossibilitava de administrar os sacramentos comuns das ordens. Ocupavam-se dos ministérios que se dirigiam à ajuda da salvação das almas dos fieis.
70 Para O´Malley (2004), o instituto jesuítico se ocupou da confissão como mecanismo de absorção dos pecados, da consolação, do conforto, da reconciliação e do consequente crescimento espiritual do fiel. Era imprescindível o aspecto carismático dos padres na pregação do Evangelho e da Sagrada Escritura, acreditando-se estarem eles inflamados pelo Espírito Santo.
O autor segue dizendo que, no intuito de assegurar a boa conduta do sacerdote junto ao fiel, Nadal, Polanco, Loarte e outros jesuítas escreveram sobre a finalidade desses dois sacramentos e inventariaram os pecados existentes, reforçando em seus textos a importância da qualificação do confessor.
O´Malley afirma que em muitos casos era necessário ao padre usar da casuística (exames de consciência - casus conscientiae) herdada do medievo tardio, adaptada e somada a textos de contemporâneos seus. O tema da casuística gerou uma série de preleções a religiosos e a leigos, vindo a se tornar depois um curso específico sobre o assunto, ministrado nas diversas universidades europeias da Companhia.
Sobre o assunto em foco, conforme Ribadeneira (1945) e O’Malley (2004), Inácio recomendara aos membros da Companhia a leitura do livro a Vida de Cristo escrito por Ludolfo Cartusiano, da Saxônia(referência de caráter privilegiado nos Exercícios Espirituais), dedicando atenção especial a dois capítulos fundamentais na constituição da espiritualidade jesuítica: a Eucaristia e a “recepção repetida”, por crer nos benefícios dos Mistérios de Cristo (Paixão, Morte e Ressurreição).
Inácio incentivou também a escrita de livros dedicados a essa questão, a fim de garantir, para as gerações que se seguiriam, o seu pensamento como fundador e o dos companheiros das fases iniciais da Ordem.
Ribadeneira e O’Malley informam que em 1555 foi impresso o primeiro título: De
frequenti usu sanctissimi eucharistae sacramenti libellus de autoria de Cristóforo de Madrid
(Nápolis), no qual ele argumentava, a partir de testemunhos bíblicos e da própria experiência da Companhia, em favor da frequência semanal (a comunhão diária seria uma exceção à regra). Foi seguido de várias edições, circuladas por vezes como leitura associada ao texto de Polanco sobre a Confissão; outros exemplos são o Dieta Salutis e Stimulum divini amoris e
Meditationes vitae Christi.
O’Malley menciona que os primeiros jesuítas estavam convencidos de que, agindo dessa forma, retomavam uma prática da “igreja primitiva” – nascentis ecclesiae, quando o fiel
71 comungava todos os dias para que Cristo vivesse dentro dele. Para isso, utilizavam fontes diversas; entre elas, a Suma Teológica de São Tomás de Aquino.
O’Malley (2004) narra que o sacramento da Eucaristia era praticado inicialmente nas celebrações durante as missas e festividades de Corpus Christi36. Fausto Martins (2004), por sua vez, afirma que com o passar do tempo foi inserido na Adoração das 40 horas, gerando novas expressões iconográficas nos séculos XVII e XVIII, como a temática do Santíssimo Sacramento que consta entre os atributos de Francisco de Borja, conforme já visto anteriormente neste capítulo.
Estranhamente, até agora não vimos no Pará pinturas ou esculturas devocionais que fizessem alusão a esse tipo de iconografia, à exceção de um elemento da talha do retábulo da capela-mor da antiga igreja do Colégio de Belém.