• Sonuç bulunamadı

1.1.1. Yaşadığı Dönem

1.1.1.2. İlmî Durum

Nascido em 1510, em Gandia (Valência), filho de uma família abastada, acumulou diversos títulos de nobreza, entre os principais o de duque de sua terra natal e vice-rei da Catalunha. Pedro da Ribadeneira (1945) informa que três grandes perdas o fizeram decidir pela vida sacerdotal: a morte da imperatriz D. Izabel aos 36 anos, a quem dedicou anos de serviço; a morte da princesa Catarina; e principalmente a morte de sua amada esposa, Leonor de Castro, com quem teve oito filhos.

Borja optou pela Companhia de Jesus para seguir seu propósito junto a Deus. Ignacio Echaniz S.J. (2006) narra que para Inácio de Loyola aprová-lo na Ordem associou o seu ingresso à condição primeira de manter a opção em segredo enquanto provia seus filhos do que necessitassem, até a maior idade. Enquanto isso, ele devia se doutorar em Teologia para depois renunciar ao título de nobre, e de fato e de direito assumir suas funções como jesuíta.

56 Nesse ínterim, Borja dedicou sua vida a orações e a longos períodos de jejum, o que se refletiu na iconografia que foi costumeiramente representada de duas formas: corpo gordo e magro (indicando antes e depois do jejum), com a face de um homem maduro, sem barba ou muito rala e muitas vezes com camadas de pele enrugada.

Tornada pública sua condição de presbítero, adquiriu importância capital na administração da Ordem, sendo ele, segundo Pedro da Ribadeneira (1945), Henrique Rosa S.J. (2004) e Ignacio Echaniz S.J (2006) o responsável pela fundação de uma série de colégios, ajudando até com recursos financeiros na construção do Colégio Romano (ou Colégio Universal), onde fez o seu doutoramento, e em partes da construção da Igreja de Gesù.

Na condição de Geral, dedicou especial atenção aos noviciados, enviou missionários para a América e a Europa, visando à expansão geográfica da Companhia e promoveu oficialmente a hiperdulia através do incentivo à criação de Congregações Marianas entre os alunos dos colégios.

Os autores afirmam que Borja gozava de grande prestígio, a ponto de o papa Pio V entregar a ele o direito da Companhia exercer o ministério da confissão na Basílica de São Pedro em Roma e de ser ele convocado pelo legado papal para ratificar junto a várias cortes a liga contra os turcos31. Falece no retorno a Roma e sua festa fúnebre foi assistida por cardeais, um dos quais representava o papa, que a essa altura já era Gregório XIII.

Ainda seguindo os dizeres de Pedro da Ribadeneira, Henrique Rosa S.J. e Ignacio Echaniz S.J, Borja publicou uma série de tratados com métodos para recitação do rosário e outros sobre o arrependimento, para quando o crente temesse na Fé pela falta de resposta divina. Por esse motivo, é possível ser representado com dois ou mais livros: os Exercícios Espirituais e outros indicando a face teológica e douta (FIG. 25). Incluem-se na produção composições de músicas sacras e profanas; por isso, às vezes é possível encontrá-lo iconograficamente com instrumentos ou notas musicais.

Juan Roig (1950) diz que ao incentivo de Borja na Companhia aos sacramentos da Confissão e da Eucaristia frequente, fizeram constar entre os seus atributos particulares a temática do Santíssimo Sacramento, que era representada pelo ostensório ou pela hóstia consagrada.

31

Para aprofundamento histórico, ver: RIBADENEIRA, Pedro da S.I. Historias de la Contrarreforma. Biblioteca de Autores Cristianos/Universidade de Salamanca, Madrid, Espanha, 1945. p. 1355.

57

Figura 26: São Francisco de Borja, 141 cm alt., final

do século XVII, escultura em madeira. Museu de Arte Sacra, Belém, Pará.

Fonte: Foto de Antônio Sales.

As renúncias aos títulos de nobreza que precisou fazer para ingressar na Ordem são lembradas com a coroa de duque e a coroa imperial, vista fora da cabeça como reverência a Nossa Senhora, a Deus e a todos os santos. A segunda aparece geralmente sobre um crânio, recordando a morte da imperatriz Izabel e a promessa de não mais servir a um reinado (FIG. 25).

O crânio é outro elemento recorrente em sua iconografia, apresentado numa das mãos, apoiado sobre uma mesa ou posicionado ao lado dos pés, indicando, segundo os relatos de seus biógrafos, os sete anos que viveu escondido em meditação no deserto, a fim de declinar do convite do papa para ser cardeal (FIG. 25 e 26).

Vale salientar que o retiro espiritual não foi visto com bons olhos por Inácio, que logo tratou de proibir comportamento similar de qualquer outro membro que se desviasse do modo de viver jesuíta. Juan Roig (1950) afirma que este episódio gerou outro atributo a Borja: o chapéu sombreiro de cardeal, que lembra também o período em que acompanhou a comitiva papal nos assuntos oficiais (FIG 25).

 

Figura 25: São Francisco de Borja. Gravura de

Hieronimus Wierix, séc. XVI.

Fonte: MARTINS, Fausto Sanches. O conceito de

Nihil Inhonestum nos tratados artísticos pós- tridentinos. Faculdade de Letras da Universidade do

58 A exemplo de São Francisco Xavier, sua iconografia é bem variada, podendo aparecer ainda com a pintura de uma Virgem bizantina (em razão do seu incentivo ao culto a Maria, nos colégios) e o rosário (lembrando os métodos de oração que ele criou) (FIG. 25).

Na nossa pesquisa localizamos apenas uma escultura do santo, no acervo do MAS/PA, apesar do Inventário jesuítico informar que a sua imagem figurava em todas as igrejas locais. É difícil, no entanto, precisar a localização original dessa peça, mas a hipótese plausível é a de que tenha sido da capela doméstica localizada acima da sacristia da Igreja de São Francisco Xavier (ou Santo Alexandre), que a ele era dedicada.