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Para se chegar à análise deste trabalho, antecederam as seguintes etapas: a) elaboração dos roteiros de entrevistas, b) realização das entrevistas, c) transcrição das entrevistas, d) coleta de dados secundários, e) análise dos dados, e f) descrição das análises.

A organização da análise foi realizada nos dados provenientes das transcrições17 completas das 13 entrevistas gravadas (Tabela 2), documentos e observações. Das entrevistas realizadas, nove foram com pesquisadores e quatro com gestores de NIT. Para evitar a identificação dos entrevistados, foram utilizados códigos. Por exemplo, a referência NIT UFV/CPPI R.G. informa onde a entrevista foi coletada (NIT UFV/CPPI),na sequência, traz as

17 Um quadro explicativo foi criado no Anexo II com a descrição das normas utilizadas para fazer as transcrições das entrevistas.

iniciais do nome do entrevistado (R.G.), preservando, assim, sua identidade. Quando uma entrevista é concedida por um pesquisador, os caracteres PQ. A.C.A. informa a sua origem (pesquisador - PQ.), trazendo, na sequência, as iniciais do nome do entrevistado (A.C.A.), preservando, assim, sua identidade.

Tabela 2 – Lista de codificação e tempo de entrevista

Entrevistado Universidade Tempo de entrevista

PQ. A.C.A. UFV 01:01:30 PQ. A.J.V. UFMG 01:25:41 PQ. J.C.D.M. UFMG 01:32:13 PQ. J.L.C. UFV 01:35:47 PQ. J.P.R.F.M. UFJF 01:08:14 PQ. M.M.T. UFV 01:52:04 PQ. M.P.B. UFMG 02:32:21 PQ. M.V.R. UFJF 01:52:50 PQ. N.R.B.R. UFJF 00:39:45

NIT UFJF/CRITT A.S.S. UFJF 00:47:29

NIT UFMG/CTIT J.C.C.M. UFMG 00:39:07

NIT UFV/CPPI F.F.A. UFV 00:31:32

NIT UFV/CPPI R.G. UFV 01:11:30

TOTAL 16:50:03

Fonte: Elaborado pelo autor.

Dentre os vários tipos ou técnicas para se fazer a pesquisa qualitativa, nesse estudo inspirou-se na “teoria fundamentada”. Essa teoria, para Strauss e Corbin (2008, p. 25), foi

“derivada de dados, sistematicamente reunidos e analisados por meio de processo de pesquisa.

Nesse método, coleta de dados, análise e eventual teoria mantêm uma relação próxima entre si”. Para essa teoria, um pesquisador deveria iniciar a sua pesquisa com uma área de estudo, e a teoria nascer a partir dos dados, devido ao fato da teoria derivada de dados ser mais próxima da realidade (STRAUSS; CORBIN, 2008). Ainda para esses autores, a criatividade é um ingrediente importante por estar relacionada à capacidade do pesquisador em elaborar roteiros de entrevista com questões estimulantes e de construir categorias.

A teoria fundamentada de Strauss e Corbin (2008, p. 103) auxiliou no processo analítico do presente estudo, por meio da codificação aberta (Quadro 4), que é um processo analítico em que “os conceitos são identificados e suas propriedades e dimensões são descobertas nos dados”. Assim, um conceito representa um fenômeno de rotulação ou nomeação.

Quadro 4 – Exemplo de conceituação por meio da codificação aberta

Tem uma série de relacionamentos com empresas que não são feitos exclusivamente pelo NIT da UFV., né. Então, aqui em Viçosa é diferente de outros lugares que NIT é responsável por tudo, desde tramitação burocrática interna segundo as resoluções, nos valores das leis, mas também todo um trabalho estratégico de aproximação e de:: exposição das tecnologias [“PARTICULARIDADE DO NIT”]. Então, dessas duas últimas frases minhas já demonstram um pouco de, do que é natural nos processos de transferência de tecnologia. Nós temos duas situações, uma é a total liberdade professores desenvolverem projetos por sua inteira, por seu inteiro interesse e autonomia [“AUTONOMIA DO PESQUISADOR NO DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS DE

PESQUISAS E PARCERIAS”]. Nesse, nesse sentido, quer dizer, ele assim que entra em contato com o

professor, então independente de saber que a CPPI existe, ele começa a receber apoio nosso [“BOM

RELACIONAMENTO DO PESQUISADOR COM O NIT”]. Infelizmente na maioria das vezes essa procura é

tarde, quando a tecnologia está em fase de quase assim, encaminhamento pro pedido de redação etc. Ah, porque infelizmente? Por que na maioria das vezes, você vai e faz uma busca de anterioridade nesse período, e aquela tecnologia ela não tem uma atividade inventiva, e até o nível de novidade dela não é lá o imaginado na cabeça do professor [“IMPORTÂNCIA DA INTERAÇÃO DO PESQUISADOR COM O NIT SER ESTABELECIDA NO INÍCIO DA PESQUISA PARA QUE O NIT POSSA AVALIAR O SEU POTENCIAL DE

INOVAÇAO”]; [“A QUALIDADE DE UMA TECNOLOGIA DEPOSITADA EM UM PEDIDO DE PATENTE REPRESENTA UMA DIFICULDADE A TRANSFERÊNCIA”]. Então, a primeira coisa é isso,

liberdade total do professor, o caminho tendo sucesso ele vai registrar, né, vai procurar a gente [“AUTONOMIA

DO PESQUISADOR NO DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS DE PESQUISAS E PARCERIAS”].

Fonte: Elaborado pelo autor com base em um trecho de uma entrevista.

No presente estudo, como mencionado na seção “3.4 Procedimentos de Coleta de dados”,

empregou-se dois roteiros de entrevistas, um destinado aos pesquisadores e outro aos gestores dos NITs. Nas treze entrevistas realizou-se a codificação aberta por meio da nomeação ou rotulação. A parte da entrevista apresentada no Quadro 4 foi considerada relevante por ser realizada com o coordenador do NIT da UFV, que também exerce a coordenadoria geral da Rede Mineira de Propriedade Intelectual (RMPI), desde 2011.

Após a elaboração dos conceitos identificados nos textos, passou-se para o momento de agrupar os conceitos. Para Strauss e Corbin (2008, p. 114), “agrupar conceitos em categorias é importante porque permite ao analista reduzir o número de unidades com as quais trabalha. Além

disso, as categorias têm poder analítico porque têm o potencial de explicar e de prever”. As

categorias para eles seriam conceitos derivados de dados, que representam o fenômeno estudo. Uma vez que as categorias foram identificadas, é possível que o pesquisador as desenvolva em termos de propriedades e dimensões (STRAUSS; CORBIN, 2008). Para os autores, as propriedades são as características ou atributos de uma categoria. As dimensões

“representam a localização de uma propriedade ao longo de uma linha ou de uma faixa”

(STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 117). Como forma ilustrativa, apresenta-se o exemplo de Strauss e Corbin (2008, p. 114).

Por exemplo, se uma pessoa observa 10 objetos no céu e os rotula como “pássaro”,

depois observa cinco objetos diferentes e os rotula como “avião”, e depois observa mais

sete objetos e os chama de “pipa”, mais cedo ou mais tarde ela pode se perguntar o que esses objetos têm em comum e chegar ao conceito de “voo”. Esse termo não apenas

permite aos objetos serem classificados, mas também explica o que eles estão fazendo (em termos de ação).

No caso deste exemplo, o “voo” foi a categoria identificada, que posteriormente foi desenvolvida em propriedades e dimensões (STRAUSS; CORBIN, 2008).

O que queremos fazer agora é definir o que queremos dizer com “voo” – por que, quando, por quanto tempo, a que distância, a que velocidade e a que altura. Queremos dar especificidade à categoria por meio da definição de suas características particulares. Também estamos interessados em saber como essas propriedades variam ao longo de seus escopos dimensionais. Por exemplo, pássaros voam mais baixo, mais devagar e por período de tempo menores do que aviões. Esses objetos diferentes, embora similares no sentido de ter capacidade de voar, não são similares quando comparados variação em

nosso conceito de “voo” (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 117).

O exemplo possibilita visualizar que existem três propriedades, propriedade de altura, de velocidade e de duração (Quadro 5). A propriedade de altura apresenta variação de alta a baixa; a propriedade de velocidade possui variação de rápido a lento; e a propriedade de duração, variação de longa a curta (STRAUSS; CORBIN, 2008). Ainda, os autores relatam que as propriedades e dimensões aumentam o conhecimento do pesquisador em relação ao conceito ‘voo’.

Quadro 5 – Desenvolvimento da categoria voo em termos de propriedades e dimensões

CATEGORIA Exemplo: Categoria voo

Propriedade 1 Exemplo: Propriedade de Altura

Dimensão 1 - Exemplo: Alta

Dimensão 2 - Exemplo: Intermediária Dimensão 3 - Exemplo: Baixa Propriedade 2

Exemplo: Propriedade de Velocidade

Dimensão 1 - Exemplo: Rápido Dimensão 2 - Exemplo: Intermediária Dimensão 3 - Exemplo: Lento Propriedade 3

Exemplo: Propriedade de Duração

Dimensão 1 - Exemplo: Longa Dimensão 2 - Exemplo: Intermediária Dimensão 3 - Exemplo: Curta Fonte: Elaborado pelo autor.

Desse modo com o Quadro 5, o exemplo criado por Strauss e Corbin (2008) pode ser sintetizado de forma a ilustrar o desenvolvimento da categoria voo em termos de propriedades e dimensões.

IV. COMPREENDENDO O PROCESSO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA