I. BÖLÜM
2.2. Konya Đttihat ve Terakki Okulu
2.2.2. Okul Yönetimi
2.2.2.3. Namdar Rahmi Bey (KARATAY, 1896–1953)
5.1.2.1 Amor e companheirismo entre casal
Em todas as fases, o amor e a união dos casais foram apontados como fatores que diminuíram as desavenças e também possibilitaram uma postura conciliadora da parte dos casais. Vivências que permitem a privacidade, a solidariedade e o respeito às diferenças também foram considerados fundamentais para negociar ou administrar as divergências (FERES-CARNEIRO, 2011).
Na nossa sociedade, o que promove a conjugalidade é a união por amor, e este é, segundo Calligari (2004), o mais intenso vínculo entre as pessoas. Este vínculo amoroso possibilita o surgimento de proteção da vida à construção do casal, e, posteriormente, da família e dos grupos. Por isso, a vida conjugal em que os vínculos amorosos não se façam presentes, geralmente carece de significados e sentido, conduzindo ao esvaziamento.
As mudanças vividas com a chegada desses sentimentos é representada pela fala de M1:
Você já começa a se preocupar com coisas mais importantes e começa a achar isso infantil, certas atitudes. Tem certas coisas que agente não se importa mais [...] “Eu acho que isso é uma coisa positiva da vida a dois, você começa a conviver com a pessoa, você vai descobrindo aos poucos(M1).
A conjugalidade, como todos os demais fatores da vida humana, tem sido impactada pelos excessos de individualismo peculiares à contemporaneidade e o amor romântico se fortaleceu, direcionando as relações, enquanto a família se torna cada vez mais nuclear, em razão da dialética da individualidade x conjugalidade, onde se estabelece o amor romântico. Porém, a construção de novos modos de compor esta dialética requer tempo; não é o tempo do “para sempre”, mas, sim, o tempo presente que se compõe de tempo passado, para construir um tempo futuro (SOLOMON, 1990).
Isso instaurou um grande viés da modernidade, porque as lutas, antes direcionadas a instituições, regras familiares e normas sociais, sofreram deslocamentos para o interior do sujeito, que agora é livre para efetuar escolhas e, portanto, para assumi-las também. À medida que a modernidade solicita ao homem uma única coisa – a felicidade – coloca-o na total responsabilidade por sua vida, inaugura e convida todos para dançarem o baile da vida com um ritmo jamais apreendido pelas gerações anteriores. O desejo da partilha existe enquanto necessidade de desenvolvimento humano e memória de uma subjetividade estabelecida a partir de outra pessoa (CORSO; CORSO, 2005).
Diante dessa dialética, os autores pontuam que “é preciso ter cada vez mais confiança em si, à medida que se desenvolve um amor partilhado, já que dois seres só se tornam um quando se mantêm dois” (ANDREAS-SALOMÉ, 1990, apud NARCISO; RIBEIRO, 2009, p.104).
O amor romântico, descrito por Berscheid (2010), também denominado por Paixão, Eros, é definido como uma ligação afetiva entre duas pessoas e se faz representar através do cuidado mútuo e do componente sexual, expresso em paixão e desejo. Diante dessas vivências, o simples olhar ou o toque entre o casal pode desencadear a liberação de endorfinas, que, por complexos caminhos, se espalham por todo o corpo como opiácios naturais, eliminando a dor e oferecendo prazer. Produzem alterações no batimento cardíaco, na respiração e transpiração e no bem- estar físico dos amantes. Com esses atributos do amor romântico, ficam claros os picos de emocionalidade prazerosa, que correspondem ao sentimento de amor romântico por sua ligação com o desejo, a sensualidade, a excitação e o aumento de ativação fisiológica, sendo esses marcadores experienciais decorrentes de sua ligação com a surpresa, a incerteza e o medo. Entretanto, sempre está presente,
também, a sensação de ameaça, de ruptura da relação e de acontecimentos interruptivos do amor, o que a torna tão profundamente experienciada (DUARTE, 2012).
5.1.2.2 Ter objetivos comuns
Dentro dos impactos que o mundo moderno impõe às conjugalidades, um deles é a difícil tarefa de conciliarem seus sonhos. Veja-se o caso do casal oito, exemplificado pela fala de M8, que abriu mão de seu trabalho para seguir H8 ao
exterior. Caso contrário, o jovem casal teria que ficar morando em países diferentes por um longo período de tempo, situação difícil de ser administrada. Viverem separados em função dos sonhos de cada um ou mesmo por necessidades de sobrevivência é um grande fenômeno do mundo pós-moderno, com o fim do trabalho fixo e garantido, interpondo novos fatores de risco para os casais.
O casal oito buscou administrar a situação na medida em que se mantiveram juntos e enfrentaram as dificuldades advindas do desemprego, sem fazer um uso destrutivo disso para a relação. Através do apoio familiar, da paciência, do diálogo e das decisões assumidas pela dupla, enfrentaram a realidade de modo a se fortalecerem.
Porque logo que a gente foi viver junto apareceu uma oportunidade para ele ir para fora do país para expandir a empresa (X) e se aperfeiçoar na engenharia (M8). Aí ficou a questão se só eu pedia demissão deste trabalho para ir, se ela ficava e eu ia. Se ela também deixaria o trabalho para ir (H8).
Outra experiência de sonhos compartilhados foi a do casal um, em que M1,
para dar apoio a H1, decide realizar o mesmo curso superior, a fim de motivá-lo e, com isto, também realiza um antigo sonho seu.
Decidimos estudar engenharia. Para mim porque eu trabalho em fábrica e para ela também, porque no banco ajuda muito. [...] porque eu estou há uns 10 anos parado, só trabalhando e para eu voltar, engenharia é muito cálculo e ela tem uma facilidade enorme em cálculo, então eu comecei a incentivá- la para ver se ela entrava junto comigo, para poder me ajudar, me incentivar também. Só que depois que nós entramos, eu vi que não é um bicho de sete cabeças (H1).
Observa-se aqui, que o que permitiu ao casal superar os desafios foi a verificação de sonhos em comum e, apesar das diferenças, foi possível olhar para as convergências.
5.1.2.3Saber conviver com as diferenças
Administrar as diferenças foi uma subcategoria manifestada por todos os casais. Alguns a trouxeram como fator de crescimento e amadurecimento, outros como fator de risco. De um modo geral, teve no processo do ciclo vital um impacto maior no início das conjugalidades como grande fonte de insatisfação, pois é o momento em que as individualidades se fazem mais presentes. Assim, com o passar dos anos e a convivência, essas diferenças podem fazer movimento decrescente, mas pode ser que alguns pontos sigam como divergentes e outros até se acentuem nos casais.
A possibilidade de pensar e sentir de modo diferente sobre as experiências da vida e poder expressar essa diferença é um dos sinais de saúde das relações conjugais, uma fonte de enriquecimento para o casal. Assim, a existência de conflitos não é ruim para a relação, desde que a possibilidade de resolução contenha também afetos positivos, carregados de humor, acordo, aceitação e uma escuta ativa(NARCISO; RIBEIRO, 2009).
Os casais trazem a dificuldade na administração dessas diferenças de vários modos:
[...] A maior dificuldade é em relação a você aprender a conviver com outra pessoa (M1).
[...] Não vou poder ficar retrucando, porque é a dois, se for para ficar retrucando sempre, não vai dar certo. Tem que ficar quieto, deixar, acalmar e depois chegar e conversar (H1).
Todas as possibilidades cognitivas, como o raciocínio, a memória, as percepções e as emoções associadas a um controle relacional vêm sendo apontados nas pesquisas como variáveis que podem contribuir para a organização
da conjugalidade. As primeiras porque permitem melhores conexões entre passado, presente e futuro como também maior percepção entre suas causalidades e as emoções, ao estabelecerem níveis de dependência moderados, permitindo assim o surgimento das individualidades necessárias ao estabelecimento de uma boa relação. Viabilizam ao casal um melhor modo de lidar com os conflitos advindos do dia a dia, sendo esse um meio importante para se medir o bem-estar conjugal (NARCISO; RIBEIRO, 2009). Os casais dessa pesquisa expressam o uso que fazem de estratégias, como a adequação das expectativas às realidades trazidas com o casamento, compartilhando de modo mais igualitário tarefas domésticas e despesas, buscando apoio nas famílias de origem, dialogando e acreditando em uma força cuidadora maior como alavancas, que se processaram através de múltiplas e contínuas ações, que permitiram melhorar a administração das diferenças, o amadurecimento e o fortalecimento da conjugalidade.
Eu acho que a coisa mais difícil de viver junto é combinar assim, as ideias dela com as minhas. Acostumar a ter como sua ideia, seu modo de ver uma ideia que é do outro (H8).
Em um mundo repleto de instabilidade, é necessário que, nas relações de intimidade, a estabilidade se faça presente e, mais que manifestações de medos, possam os casais se relacionar afetivamente e demonstrar seu amor. As construções afetivas precisam de tempo e a liquidez das relações modernas não permite que os casais consigam, minimamente, sair das múltiplas influências da modernidade para poder se ouvir melhor.
Outra estratégia para construir a tolerância em relação às diferenças é se concentrar nas formas pelas quais essas diferenças se complementam e as apresentar como parte daquilo que faz com que a relação funcione. A estabilidade de um dos parceiros pode equilibrar a atitude aventureira do outro. “[...] As diferenças podem se tornar um aspecto positivo na relação de um casal, algo de que os parceiros se orgulhem, em vez de considerarem uma ameaça destrutiva” (BARLOW, 2008, p. 673).
No processo da administração das diferenças, muitas vezes, ocorrem entre os casais o estresse que podemos conceituar de duas formas: 1) estresse experimentado por um parceiro e que afeta o outro e a relação indiretamente; 2)
estresse experimentado diretamente na relação conjugal (BOLDENMANN et al., 2005). Ou seja, no primeiro caso as problemáticas se concentram mais no nível pessoal, embora afete a dupla e, no segundo caso, ele já expressa uma questão do relacionamento em si. O aspecto mais importante a ser considerado é que o modo como os casais administram suas diferenças, envolvendo graus distintos de estresse, está diretamente ligado à influência que as famílias de origem têm na construção de expectativas e na forma pela qual os indivíduos se relacionam como casal. A análise e a ajuda oferecida aos casais em suas dinâmicas relacionais não podem ficar restritas a um olhar simplista dos comportamentos em si, mas requer olhares mais amplos, envolvendo vários contextos e níveis de interações (BOLDEMAN et al. 2005).
Assim, dentre os elementos que auxiliam à conjugalidade, como apontado na fase de aquisição, o amadurecimento, foi comum a todas as fases, produzido pelo tempo e, como consequência do enfrentamento, tornando-se um fator de proteção para as próximas vivências. Podendo ser entendido como parte de um processo de resiliência que permitiu uma vivência mais próxima da realidade, por meio do qual os casais puderam abrir mão do amor romântico para viverem a construção de um amor possível. O amadurecimento pode ser, ao mesmo tempo, fruto de um processo que se dá de modo gradual na trama das relações.
O casal de dois anos de união trouxe o amadurecimento como fruto das primeiras experiências que tiveram em relação a viver longe das famílias de origem. Na medida em que puderam enfrentar, juntos, as dificuldades, organizaram seus recursos e formularam estratégias de enfrentamento que os fortaleceram para os novos desafios da vida, podendo, com isso, verificar que o processo da resiliência se constituiu de modo dinâmico e interativo.
Mas foi bom que a gente amadureceu. Essa vida a dois, se morasse na cidade dos pais, tinha a casa dos pais, então qualquer coisa já ia para a casa do pai, da mãe. Lá tudo nós enfrentamos juntos. Esse foi o lado bom, passar os dois juntos, dificuldades juntos, brigas juntos (M1).
Já no casal oito, de cinco anos de união, o amadurecimento consequência dos enfrentamentos apareceu ligado mais às dificuldades econômicas,requerendo grande investimento na carreira profissional para responder aos padrões econômicos desejados. Ao afirmar que:
Nem acho que as dificuldades financeiras que passamos foram só ruins, serviram para amadurecer e pensar bem antes de tomar uma decisão (H8).
Assim, não por acaso aqui esta categoria apareceu relacionada às duas categorias de maior risco na fase de aquisição - as dificuldades econômicas e a separação das famílias de origem. Pois, constituir um novo casal requer dos parceiros, fundamentalmente, a possibilidade de se separarem das famílias de origem e, para tal, necessitam de independência financeira que viabilize ao casal se ver e ser visto pelos outros com recursos e capacidades de autossustentação.