B. KAMULAŞTIRMA BEDELİNİN TESPİTİ 1 Tebligat ve İlanların Yapılması
2. Mahkemenin Tarafları Anlaşmaya Davet Etmes
Enfim, sem a técnica não logramos ser verdadeiramente humanos. Nem no corpo, nem na alma. (Bento apud Moreira, 2006, p. 157).
Expectativa no ginásio, o conjunto Russo é o próximo a apresentar-se na Olímpiada de Londres-2012. O burburinho das arquibancadas denuncia o quanto essa equipe é esperada. Bicampeã Olímpica, a Rússia impõe-se, ousa e surpreende nas escolhas coreográficas. O que virá dessa vez?
As ginastas concentram-se a espera do chamado oficial que anuncia a entrada no tablado de competição. Como podemos perceber na foto 1, corpos a espera do chamado, provavelmente tensos pela expectativa da apresentação, ornamentados por um rico collant, a vestimenta de apresentação, cujo poder é apresentado através da vivacidade dos cristais que o decoram. Os bordados majestosos dos collants reforçam o investimento financeiro que é colocado sobre as ginastas. Muito brilho para ocultar os temores. Fracassar não é tão excepcional assim e a GR, no momento da apresentação é imprevisível. Elas não podem errar, o sucesso na apresentação dessa equipe é quase uma certeza.
Foto 1 Equipe Russa – Olimpíada de Londres 2012
<Fonte: Disponível: www.facebook.com/pages/russian-national-team-of-rhythmic-gymnastic/> Acesso em; 04jan2014
O locutor anuncia: Apresenta a Rússia. As ginastas entram com passos firmes, decididos, imponentes, um batalhão que desliza fortemente pelo tapete com a força da tradição5 ginástica construída ao longo de muitos anos. As cores vivas, entre o vermelho e o amarelo que se espalham sobre o collant que vestem, são o prenuncio de uma composição vibrante e alegre. Corpos que parecem idênticos, padronizados, que entram e colocam-se no tapete para dar início à coreografia. Gritos nas arquibancadas, amadas ou não, essas ginastas não passam despercebidas, são sempre surpreendentes.
As russas estão prontas, a expressão das atletas (foto 2) é de que tudo podem dentro da ginástica rítmica. As vitórias por anos seguidos ratificam um inconteste favoritismo. Mesmo que reconheçamos a imprevisibilidade da GR, poucas equipes apresentaram tanta regularidade de resultados nesse ciclo olímpico (2009-2012) como as russas.
A figura inicial apresenta o pretenso paradoxo que caracteriza essa escola ginástica, a sobriedade da técnica clássica que acompanha a formação das ginastas desde a iniciação até a equipe principal e a desconstrução das formas em corpos retorcidos inspirados pela música escolhida, formando um contraponto que instiga sua apreciação.
Foto 2 - Equipe Russa – Olimpíada de Londres 2012
<Fonte: www.facebook.com/pages/russian-national-team-of-rhythmic-gymnastic/282502091820725> Acesso em: 04jan2014
5 A Rússia tem construído ao longo do século XX e XXI, uma escola ginástica que tem sido referência na GR em diversos
Num conjunto misto como o que foi descrito, nesse caso composto por três fitas e dois arcos, o desafio é a interação simbiótica entre os diferentes aparelhos e as ginastas como se fossem de uma mesma natureza, cinco corpos em um só corpo. Formas, texturas e cores divergindo ao mesmo tempo em que buscam a unidade necessária ao conjunto. Elas iniciam evidenciando essa diferença que será contestada a cada colaboração, momento em que as ginastas estão interligadas através do movimento, e a cada troca de aparelhos. Os corpos buscam seu lugar no espaço ginástico ao mesmo tempo em que interagem uns com os outros, com a música e com os diferentes implementos.
A música escolhida, uma montagem de Safri Duo, Cristina Aguilera, Kenny G e Glória Stefan, sugere uma coreografia ágil, veloz, que incita a habilidade das ginastas e aumenta a expectativa de todos os espectadores6.
A coreografia já se inicia com uma colaboração onde os arcos são lançados ao mesmo tempo pelas fitas. Em seguida, realizam nova colaboração em subgrupos com lançamento e recuperação das fitas após passagem sobre uma das ginastas. Um início veloz, como indicado pela música e com a agilidade proposta pelas últimas coreografias russas7.
As primeiras colaborações ampliam a figura formada sobre o tablado e na sequência seguinte a pretensa uniformidade dos movimentos e dos corpos é confirmada. Após pequenos lançamentos e respondendo ao pulsar da música, as ginastas deslocam- se com energia, espaço e tempo envolvidos e vividos a cada acorde. Ao movimentarem-se rapidamente podem provocar nos espectadores um sufocamento momentâneo graças à rapidez com que executam os elementos coreográficos. O corpo que ao relacionar-se com o mundo através do movimento é tempo e espaço, assim segue mostrando o que é capaz de realizar nesse tempo e nesse espaço, que imbricados compõe esse corpo e todas as suas percepções desse mundo se dão através dessa interdependência. (CAMINHA, 2010).
6 Músicas componentes do conjunto russo arcos e fitas 2012:
Kroc on wood (Safri Duo) http://www.youtube.com/watch?v=vwdVc_Wn-ig / Acessado em: 03jan2014
tough love at last (Cristina Aguiera) http://www.youtube.com/watch?v=U4pR5U82RL8/ Acessado em: 03jan2014 At last (Kenny G) http://www.youtube.com/watch?v=HfLvYHlnevY/ Acessado em: 03jan2014
oye (Glória Stefan) http://www.youtube.com/watch?v=gyPkWqC_ebQ Acessado em 03jan2014
7 Ação onde uma ginasta depende da outra para executar um movimento. Podem ser as cinco ginastas ao mesmo
Podemos questionar: como podem realizar tantos movimentos em tão pouco tempo e com tanta agilidade?
Não vemos mais as fitas ou os arcos, mas sim os enlaces, deslocamentos e passos rítmicos que respondem as exigências da modalidade em conexão com o belo emoldurado pela área de competição. O percebido confirma a qualidade da movimentação das ginastas. Corpos treinados extremamente técnicos, em sequências velozes, com trocas de aparelhos e colaborações entre as ginastas que refletem as horas de treino, repetições a ponto da exaustão, precisão nas recuperações dos aparelhos. Nada é por acaso, os movimentos selecionados imbricam-se uns nos outros e sempre preparam mais uma surpresa. Poucos percebem tamanho esforço se não acompanham o processo de preparação das ginastas. Elas nos fazem crer que tudo é simples, que é possível. A GR pode encantar a todos e as ginastas escondem sob uma mascara de perfeição e tranquilidade, os verdadeiros sacrifícios realizados para que se consiga realizar uma coreografia tão intrincada. A imagem estampada na foto 3 representa um desses momentos onde a complexidade do movimento aos olhos do espectador, pode parecer simples.
Foto 3 - Equipe Russa – Colaboração de risco
<Fonte: Disponível em www.facebook.com/pages/russian-national-team- of-rhythmic-gymnastic/> Acesso em: 04jan2014
A mistura dos aparelhos, ora fita com fita, ora arco com arco e em seguida fitas com arcos, cria a expectativa de que pode acontecer algum imprevisto. As ginastas arriscam–se ao enroscarem–se aos aparelhos em movimentos ágeis e vivazes, em duplas, trios ou individualmente explorando toda a área de competição.
Uma troca de aparelhos em cascata seguida de um lançamento dos dois arcos pela fita, passagens por dentro do arco, passagem através das fitas, ginastas que rolam por baixo ou saltam por cima, sincronia absoluta. A música convida o público a interagir com as ginastas, eles respondem com palmas, e elas com mais trocas e colaborações. A energia da coreografia parece expandir-se por todo o ginásio.
Até que a música é contida, o andamento torna-se mais lento, vemos emergir um novo corpo, o sensual, sedutor, ondulante, deslizando sobre o tapete com uma languidez proposital. A coreografia promove um momento de um respirar compassado, o público parece relaxar, mas para as ginastas a tensão na execução dos elementos coreográficos permanece. A alternância rítmica denuncia a compreensão do fazer ginástico e suas singularidades. A possibilidade de alternar ritmicamente uma sequência de movimentos é um dos princípios originais da GR. Nessa fase da coreografia todos os movimentos tornam-se mais lentos, no entanto não se deixam amornar em monótonas representações, continuam ágeis e precisos, corpos extraordinários.
A velocidade é retomada a partir de um surpreendente lançamento dos arcos e das três fitas por uma ginasta que o faz utilizando o pé durante um elemento de rotação (Foto 4). O ginásio parece explodir de emoção! Elas executam a colaboração corretamente, nada mais as detém. Seguem–se pivôs em fuetté8 sincronizados e eficientes, seguidos por saltos com grande afastamento das pernas ao mesmo tempo em giram no ar com passagem dos aparelhos por baixo delas, trocas com relançamentos das fitas e dos arcos, novas colaborações e passos rítmicos ao som da percussão que sobressai nesse momento da música.
8 Elemento de rotação próprio do ballet clássico, onde a perna em suspenção abre em um ângulo reto com o tronco e
Foto 4 - Equipe Russa – Colaboração dos arcos lançados pelas fitas.
<Fonte Disponível em www.facebook.com/pages/russian-national-team-of-rhythmic-gymnastic> Acesso em: 04jan2014
A mudança no andamento musical enfatiza além de uma das características solicitadas pela GR, a alternância rítmica, uma particularidade da Rússia nas provas de conjunto; a irregularidade tanto da música quanto das figuras formadas sobre o tapete. Elas fogem da geometria clássica e compreensível, tradicional na maioria dos países e criam formações fugazes, pouco definidas e rapidamente transformadas. A variação nos deslocamentos e nas direções, alternando com os passos rítmicos, também auxilia a ideia de imprevisibilidade, dificultando, muitas vezes a visualização ou antecipação do que vem a seguir.
Enrolamentos nas fitas e recuperações inesperadas dos aparelhos, seguidas por passagem por dentro de um círculo formado por essas mesmas fitas presas umas nas outras, completam as diversas surpresas desse conjunto.
A capacidade de resistir à intensidade e velocidade da coreografia, expressando–se com alegria e mantendo a qualidade técnica da apresentação, além da executarem ao final da composição, exercícios virtuosos individualmente e em grupo, personificam o principal objetivo da GR: a estreita relação entre corpo, aparelho e música. Na foto 5 é registrado um desses movimentos inusitados capazes de nos fazer questionar o poder da criatividade que através do treinamento relaciona e incorpora diferentes técnicas, assim possibilitando a imbricação corpo-aparelho-música na GR.
Foto 5 - Equipe Russa – Colaboração final
<Fonte: Disponível em www.facebook.com/pages/russian-national-team-of-rhythmic-gymnastic/> Acesso em: 04jan2014
Encerrado o conjunto, explodem os aplausos e o resultado é confirmado; as russas são novamente campeãs olímpicas. Na foto 6 percebemos a serenidade do dever cumprido estampado no olhar de cada ginasta, tranquilas com as medalhas sempre desejadas e a cada apresentação perseguidas. Como deter uma equipe tão surpreendente? Por vários campeonatos ao longo do ciclo olímpico, elas não obtiveram êxito, no entanto ao chegar a principal competição da modalidade, não fraquejam, justificam a fama e porque não, todo o investimento feito por elas mesmas e por todo o aparato9 que as rodeiam.
Foto 6 – Resultado final – Rússia campeã
9 As ginastas russas têm a sua disposição centro de treinamento, treinadores específicos para cada prova, coreógrafos,
mestres de ballet, preparadores físicos, fisioterapeutas, estilistas, consultoria com especialistas para cada aparelho como os malabaristas, por exemplo, aparelhos de última geração, enfim, tudo o que puder auxiliar na preparação de campeãs está a disposição das ginastas. (Fonte: Camila Ferezin, atual técnica da seleção brasileira de GR, durante uma palestra em Natal/RN – setembro 2013).
<Fonte: Disponível em www.facebook.com/pages/russian-national-team-of-rhythmic- gymnastic/> Acesso em: 04jan2014
Durante a descrição, questionamentos surgiram e tematizaram inúmeras divagações: Que corpo foi apreciado durante a descrição do conjunto russo? De onde vem à segurança na execução de tantas tramas coreográficas e tantos movimentos arriscados? Como conseguem associar as inúmeras exigências técnicas a uma coreografia tão rápida e intrincada, onde raramente as ginastas permanecem no mesmo lugar? Deparamo-nos com uma constatação que poderia responder as indagações. O corpo que vislumbramos no conjunto russo é, sem desconsiderar qualquer outra percepção, um corpo técnico, que se apoia de um lado em pilares científicos que sistematizam metodologias de treinamento, e de outro se utiliza de técnicas corporais, como o ballet clássico, por exemplo, para moldar o corpo pretendido a luz dos ditames esportivos e assim buscar o inatingível, a perfeição.
Um corpo que tem na técnica um dos seus saberes e que através do treino constrói uma imagem impactante, criando e recriando referências para todo o mundo ginástico. Um corpo que adequa–se a todas as atualizações propostas pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) sem que perca sua magnitude, como percebemos na citação de Llobet (1998) abaixo:
Pensemos por un momento en la actuación de una gimnasta en el transcurso de una competición, no importa de qué nivel; ¿qué es lo que nos llama la atención? En primer lugar, la gran coordinación de su ejecución (con o sin aparatos) y su permanente interrelación con la música; pero por debajo de esta primera impresión, se adivina la importancia de las capacidades físicas y numerosas horas de entrenamiento. (LLOBET, 1998, p. 51).10
Esse observar despertou-nos o desejo de desvelar o corpo técnico representado com tantos paradoxos, sutileza e força, agilidade e explosão, simplicidade e ousadia, nuances que instigaram o nosso olhar a, curiosamente, embrenhar-se na sua descrição e buscar as respostas para as questões surgidas.
10Tradução: Pensemos por um momento na atuação de uma ginasta no transcurso de uma competição, não
importa de que nível; o que é que mais nos chama a atenção em seus movimentos? Em primeiro lugar a grande coordenação de sua execução (com ou sem aparelhos) e sua permanente inter-relação com a música; mas por baixo dessa primeira impressão se adivinha a importância das capacidades físicas e o número de horas de treinamento.
Para entendermos as aparentes contradições que permeiam o entendimento de Corpo Técnico visualizado na apreciação do conjunto russo de três fitas e dois arcos, nos voltamos, inicialmente, ao surgimento da modalidade como um dos desdobramentos da Ginástica enquanto prática corporal do final do XIX e início do século XX. Consideramos importante refletir sobre o conceito de técnica partindo da origem da modalidade, porque entendemos o tempo como o desdobrar de uma vida onde o passado e o porvir encontram-se nas tramas do presente constituindo o que somos. Para Merleau-Ponty (1994/2011),
Em meu presente, se eu retomo ainda vivo e com tudo aquilo que ele implica, há um êxtase em direção ao porvir e em direção ao passado que faz as dimensões do tempo se manifestarem, não como rivais, mas como inseparáveis; ser presentemente é ser sempre, e ser para sempre. A subjetividade não está no tempo, porque ela assume ou vive o tempo e se confunde com a coesão de uma vida. (MERLEAU-PONTY, 1994/2011, p. 566)
Não podemos esquecer como afirma Nóbrega (2002, p. 1) que “Cada época constrói seu próprio modelo de corpo, embora sempre esteja em contato com modelos anteriores”. Sendo assim, partimos do pressuposto de que o corpo que hoje se transforma em configurações inacreditáveis constituiu–se a partir dessa relação espaço-tempo que não segmenta o vivido, pois está ancorada na paisagem do mundo e com ele se relacionando, criando o novo a partir de um modelo de ginástica já existente. De fato, essa ousadia tornou-se uma característica potente da GR, o desafio de encontrar o novo é imperioso e necessário, desde a sua origem.
Na trilha dessas informações descobrimos que a GR surgiu em meio a uma concepção de corpo pautada na ciência clássica que o explicava e reduzia a um simples objeto. Essa compreensão buscava na mecânica a explicação para seu funcionamento, fragmentando-o em partes, transformando-o num corpo segmentado e sem unidade. Essa ideia,
Formou-se e propagou-se, principalmente no Ocidente, o corpo dualista, objetivado pela ciência e pela técnica. Os olhos gelados da ciência foram tanto os responsáveis pela sua formação, quanto pela sua disseminação (SAWDAY apud MEDEIROS, 2005 p. 8).
É nesse período que segundo Soares (2005) surge o “Movimento Ginástico Europeu”, tido como expressão da cultura, do cotidiano e dos divertimentos do povo. Essa
manifestação apresentava em seu interior princípios de ordem e disciplina que deveriam ser potencializados. Com o objetivo de difundir esse entendimento cria–se a Ginástica Cientifica que se pautava na ciência, na técnica e nas condições políticas da Europa fruto da revolução industrial.
Na Europa, ao longo de todo o século XIX, a ginástica cientifica afirmava– se como parte significativa dos novos códigos de civilidade. Exibe um corpo milimetricamente reformado, cujo porte ostenta uma simetria nunca antes vista. Nada está solto ou largado. Nada está fora do prumo. Este corpo fechado e empertigado tentou banir qualquer vestígio de exibição do orgânico e, sobretudo, qualquer indício de perda de fixidez, qualquer sinal de um estado de mutação. (SOARES, 2005, p. 17)
A ginástica dessa época possuiu, portanto, um caráter disciplinador, metódico e pautado na aquisição de condições físicas que transformassem os corpos antes indolentes em corpos fortes e ágeis necessários aos interesses da época. Como percebemos na foto 7, foram criados aparelhos especiais que se destinavam a desenvolver a força, a resistência, melhorar a postura e moldar os corpos, a luz dos ditames médicos, ortopédicos e estéticos que se pretendia como pré-requisitos importantes para o homem que se desejava no final do séc. XIX (SOARES, 2005).
Ainda segundo Soares (2005) essa foi à compreensão que fundamentou as propostas ginásticas do ocidente pensadas por médicos, higienistas e filantropos, que viam nas atividades livres como o circo, por exemplo, um perigo para a ideia de um corpo útil, limpo e disciplinado proposto pela ciência “A atividade física fora do mundo do trabalho deveria ser útil ao trabalho” (SOARES, 2005, p.24). O circo ou qualquer outra forma de expressão representavam um perigo, pois despertava o riso, o encantamento, a liberdade. A institucionalização desses movimentos dentro dos ginásios nada mais eram, segundo Soares (2005) a tentativa de controlar o uso do corpo, domestica-lo “Era necessário criar um homem novo em sua aparência, linguagem e sentimentos, dentro de um tempo e espaço remodelados, através de uma pedagogia do signo e do gesto que procede do exterior para o interior” (PERROT apud SOARES, 2005, p. 19). Essa é uma das características da ginástica que permanece até a atualidade assim como o modelo científico que a inspirou.
Foto. 7 – Aparelho ginástico – 1851 – prática ao ar livre
<Fonte: disponível em www.edukbr.com.br/artemanhas/ginástica.asp> Acesso em: 03jan2014
No início do século XX a compreensão de corpo disciplinado começou a ser questionada. Novas reflexões em diversas áreas do conhecimento, das artes e da própria ginástica evidenciaram a potencialidade do corpo como uma unidade. Os movimentos verticalizados dos corpos da “ginástica científica” puderam ondular–se. Os movimentos disciplinados e ordenados puderam buscar novas configurações. A música e a dança ousaram em transformar-se e ao transformarem–se possibilitaram novos olhares para os corpos domesticados pela ginástica científica (LANGLADE, A.; LANGLADE, N. 1970).
No interior desses movimentos renovadores encontramos as origens da GR. Esse modelo ginástico é resultante de reflexões e críticas a conhecimentos cristalizados e institucionalizados na Europa Central no final do séc. XIX e início do séc. XX. A ginástica de Rudolf Bode, estudioso idealizador da ginástica expressiva, tornada ginástica moderna e que viria a tornar-se a GR como a conhecemos atualmente, tinha características que a diferenciava dos demais modelos de práticas corporais no período do seu delineamento.
A possibilidade de agrupar aos exercícios corporais, a música, a dança, a expressividade e posteriormente a manipulação de objetos portáteis, como os lenços que visualizamos na foto 8, era de fato uma inovação que caminhava lado a lado com outras revoluções na dança, na música, nas artes e na educação.
FIG 8 -Ginástica expressiva – conjunto de lenços – década de 50
<Fonte: disponível em http://www.nsa.bg/bg/faculty/department/branch,48/subpage,95> Acesso em 03jan2014
Para Langlade, A. e Langlade, N. (1970, p. 100-101) “Diferente de outras formas de ginástica, a rítmica de Bode, oferece uma graduação de seus exercícios baseada em conceitos diferentes das progressões biológicas e progressões pedagógicas”, isso porque na GR, originalmente, a natureza orgânica, o caráter de totalidade, em todas as fazes do movimento é a sua verdadeira essência. Os autores comentam também que na rítmica de Bode, o movimento sempre pode desenvolver–se, tem um amplo caminho a seguir e, portanto, é sempre inacabado.