3. Osmanlı Devleti’nde İskân İşiyle İlgilenen Komisyon Ve Kuruluşlar
1.3 Mübadele İle Türkiye’ye Gelenler Ve İskân Uygulamaları
1.3.2 Mübadillerin Yerleşim Yerlerinin Tespit Edilmesi
Anos depois, mais precisamente no início dos anos 1950, o advento de novas tecnologias e as demandas por novas atividades de informação, ligadas aos interesses nacionais, no contexto da Guerra Fria e da Big Science, começam a produzir efeitos na literatura norte-americana sobre a Biblioteconomia. Cabe aqui pontuar que, tanto para o
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Estado norte-americano quanto para o soviético, com o desenvolvimento da industrialização, as atividades ligadas à informação passam a ser encaradas como assunto estratégico de Estado. É nesse período que várias escolas de Biblioteconomia norte-americanas se estabeleceram em institutos tecnológicos e os efeitos desta mudança puderam ser mais precisamente entendidos somente décadas mais tarde (BUCKLAND, 1996, p. 71 e 73).
Como bem lembra Robredo (2003), não se pode deixar de mencionar o importante papel da Unesco no desenvolvimento da Documentação em geral e, particularmente, da Ciência da Informação, em especial com a criação de seus Programas UNISIST (United Nations Information System in Science and Technology) e NATIS. Estas instituições sempre defenderam um modelo cooperativo, ligado à concepção do conhecimento como um bem da humanidade , visando, prioritariamente, o intercâmbio bibliográfico internacional. Porém, percebe-se a persistência de visões dicotômicas, quando dos encontros promovidos nas tentativas de concretização de tais propostas, o que dificultou a interlocução (SHERA; CLEVELAND, 1977).
Cabe aqui recuperar que a União Soviética já investia na área de Documentação antes mesmo de os Estados Unidos iniciarem essa movimentação. Segundo Richards (1996), a URSS construiu um complexo sistema de importação e tratamento da informação de periódicos científicos do Ocidente, para suprir seus próprios cientistas e tecnólogos. Fundou, também, o Instituto para a Informação Científica (VINITI), que dispunha de serviço de informação com a finalidade central de manter os cientistas soviéticos atualizados, em especial no que faziam os norte-americanos, notadamente no que se referia a pesquisas nucleares e programas espaciais.
Nesse contexto, cabe especular sobre o fato de que a Ciência da Informação e seu objeto de estudo e trabalho foram concebidos no espírito da guerra fria e da corrida armamentista. Constata-se, assim, um reforço da crença na antinomia da disseminação versus controle. Nesse aspecto, é preciso considerar que o VINITI teve mais o papel de agência de controle da informação do que de disseminação. Esse fato, provavelmente, determinou sua forte e contínua manutenção pelo governo, conforme comenta Richards (1996, p. 87). Assim, é possível verificar que, na época, havia mais semelhanças que diferenças no papel exercido pelo Estado Estados Unidos e União Soviética no que tange ao controle estratégico por meio da gestão de informação.
Outro ponto, evidenciado por Buckland (1996), refere-se ao que ele chamou de "retardo" dos Estados Unidos, com relação à Europa, na adoção e disseminação das práticas da Documentação. Esse fato deve-se, entre outras questões, ao cisma ocorrido entre
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bibliotecários e documentalistas americanos, entre o final do século XIX e o período pós- Segunda Guerra. A discussão acerca da cisão promovida pela diferença de ponto de vista a respeito das atividades de documentação, no seio das práticas informacionais e no corolário ideológico discursivo da tradicional Biblioteconomia, encontrou eco no "conservadorismo" do curso de graduação ofertado pela Universidade de Chicago, tida como o centro intelectual da Biblioteconomia americana, à época. Isso demonstra que a questão central era mais profunda. As críticas em seu entorno baseavam-se na discrepância entre as áreas de interesse do curso de Chicago a imprensa antiga, a leitura e as bibliotecas públicas e os principais focos de interesse da documentação as inovações tecnológicas e os serviços voltados para as necessidades da ciência e dos centros de pesquisa e desenvolvimento (BUCKLAND, 1996).
Nesse mesmo contexto, Bowles (1999, p. 161), ao tratar do que ele intitula de "guerra da informação" entre bibliotecários e documentalistas, estabelece as oposições representativas da disputa: biblioteca versus centro de informação ; estética e humanidades versus ciência e tecnologia . Argumenta, ainda, que no discurso sinalizador dessa disputa, separaram-se também os públicos aos quais destinariam os seus serviços. Para os bibliotecários coube atender às necessidades genéricas de adultos, crianças e pesquisadores da área de humanas , enquanto os documentalistas deviam atender à elite , representada pelos setores governamentais e industriais modernos .
Observa-se então que, em última análise, a demarcação de territórios entre biblioteconomia e documentação, áreas que viriam dar aporte teórico à denominada Ciência da Informação, deu-se por meio de práticas discursivas que fazem refletir uma suposta separação das atividades e interesses advindos de uma visão tecnológica, economicista e gerencial, em contraponto à visão humanística e social. Na esteira dessa dicotomia, veio uma série de outras adjetivações que influenciaram, e ainda influenciam, as escolhas profissionais e os interesses de pesquisa com base numa hierarquia de valores.
Dessa forma, sintetiza-se o discurso predominante sobre Biblioteconomia versus Ciência da Informação, demonstrando-se que algumas expressões muito usuais na primeira metade do século XIX caracterizam o discurso de valoração e enquadramento dicotômico, norteadores das associações relativas a cada área disciplinar e a seus respectivos objetos e propósitos, conforme pode ser visualizado no Quadro 1 a seguir:
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BIBLIOTECONOMIA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Bibliotecas Centros de informação
Informação para o bem da humanidade Informação para o desenvolvimento Desenvolvimento social e cultural Desenvolvimento científico, tecnológico e
econômico
Conservadora Inovadora
Estética e humanidades Ciência e tecnologia
Proletariado Elite
Cultural Estratégico-político e econômico-administrativo
Bem social de livre acesso público Bem privado e estratégico
Necessidades genéricas Necessidades governamentais e industriais Pesquisa nas áreas de humanas Pesquisa nas ciências exatas e biológicas
Quadro 1 Biblioteconomia versus Ciência da Informação
Importante relembrar, ainda, ser justamente no momento do pós-guerra que se encontram as primeiras referências aos valores políticos e estratégicos da informação. Para Saracevic (1992), as três maiores agências de fomento para as atividades de Documentação nos Estados Unidos foram o Departamento de Defesa, a National Science Foundation e o National Institute of Health. Ditavam os padrões da Ciência da Informação norte-americana e exerciam influência em outros países, inclusive no Brasil. Pode-se dizer que, impulsionados pelo Sputnik soviético, os Estados Unidos, ao se lançarem numa corrida rumo aos programas de educação científica e de exploração espacial, incrementam também o setor e a implantação de vários sistemas de informação científica e tecnológica (SHERA; CLEVELAND, 1977; BOWLES, 1999; HAYES, 1998).
Dessa maneira, tanto nos Estados Unidos quanto na União Soviética e em alguns outros países da Europa Ocidental, as atividades de documentação demarcam uma transformação na dominância de sentidos de legitimidade das atividades ligadas à informação e provocam uma mudança de enfoque. A informação passa de bem social público, humanístico-cultural, para bem privado, político e estratégico. Essa visão moldava os centros de documentação e informação criados à época (HARDER, 2000). Nesse desenrolar dos fatos, a Ciência da Informação ganha novo status em termos de sua importância, diante do boom de publicações, ocorrido no período pós-guerra, e do conseqüente gargalo criado para a organização da informação científica e tecnológica (BOWLES, 1999).
Segundo Shera e Cleveland (1977), inclui-se ainda, como um momento de grande relevância, a realização da Conferência de Washington (1958). Esse acontecimento reuniu os pesquisadores de projeção mundial e sinalizou a passagem da documentação para a ciência da informação, marcando o início de uma nova fase. Tal fato permite captar o espírito científico-
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tecnológico e o tom político-estratégico reinantes no nascedouro dessa ciência, que determinou não só o seu caráter, como também os aparatos técnicos e metodológicos usados no processamento de informação (HERNER, 1984).
Projetava-se uma Conferência da FID, com o tema central: Pesquisa sobre a base teórica da informação , a se realizar em 1968, na cidade de Moscou. Embora não ocorresse, Mikhailov reuniu os trabalhos e contribuições produzidos para tal fim, publicados em 1969 pelo VINITI e conhecidos como documento FID 435. O artigo de Merta (1969), que deveria ter sido apresentado na Conferência, trouxe importantes contribuições; já à época, ele criticou os autores que limitavam o âmbito do campo da Ciência da Informação às atividades que dizem respeito somente à coleta, ao processamento e à disseminação da informação. Esse autor incluiu como parte integrante do fluxo, ou processo de informação, o ato de originar informação, que tanto pode ser factual como descritiva, bem como modelos e meios de efetividade do movimento da informação que vai do criador a seu usuário (MERTA, 1969).
Ainda nos anos 60 do século XX, outras possíveis direções começavam a ser apontadas, sob a liderança da UNESCO, por meio do UNISIST. Apresentou-se outra marca discursiva em relação à informação para o desenvolvimento , ampliando o leque de adjetivações para o este último: científico, tecnológico, econômico, social e cultural; bem como alargou-se a concepção do conhecimento para o bem da humanidade . Afirmava-se, ainda, que o uso desse conhecimento deveria prestar-se à superação dos "desequilíbrios internacionais", revigorando, assim, os princípios da FID (GOMES e ZAHER, 1972). Em âmbito internacional, pode ser constatada a influência dessa abordagem da informação nos debates promovidos pelo Advanced Study Institute in Information Science (1972), da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que sem dúvida alguma teve importante papel na promoção de reflexões da Ciência da Informação sobre si mesma (BELKIN, 1975).
Como podem ser observadas, as discussões em torno da visualização de perspectiva da pesquisa em Ciência da Informação ocorreram ao longo do tempo e, segundo Ingwersen (1992), os conceitos e métodos se firmam e ganham destaque na Conferência de Copenhagen (1977). Esse evento se mostrou um dos principais fóruns, mundialmente difundido, com a preocupação de identificar questões e domínios de importância para a pesquisa em Ciência da Informação. Assim, o esforço teórico em torno da informação, praticado desde o surgimento da Cibernética de Wienner em 1947 e da Teoria Geral dos Sistemas, de Bertalanffy, em 1951, veio a florescer no final dos anos 1950. E, nos eventos internacionais, a expressão Ciência da Informação começa a ser utilizada para designar uma área do conhecimento que trata da informação científica, título que viria a se firmar
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internacionalmente, conforme menciona Borko (1968). No início dos anos 1960 começa a busca por fundamentação teórica para a nova área, que se definia como uma ciência que:
Investiga as propriedades e comportamento da informação, as forças que governam o fluxo de informação e os meios de processamento da informação para maximizar a acessibilidade e uso. O processo inclui a origem, disseminação, coleta, organização, estocagem, recuperação, interpretação e uso da informação. O campo deriva ou relaciona-se com a matemática, a lingüística, a psicologia, a tecnologia computacional, as operações de pesquisa de operações, as artes gráficas, as comunicações, as ciências biblioteconômicas, a gestão e alguns outros campos (SHERA; CLEVELAND, 1977, p.265)
Entre as definições consideradas clássicas, encontra-se a de que a Ciência da Informação é [...] uma disciplina orientada a problema relacionado com a efetiva transferência da informação desejada, do gerador humano para o usuário humano de acordo com Belkin e Robertson (1976).
Saracevic (1992, p. 8) contribui, ainda, com o rol de definições, que identifica como objeto da Ciência da Informação o [...] estudo do comportamento, propriedades e efeitos da informação em todas as suas facetas, e o estudo de uma variedade de processos de comunicação que afetam e são afetados pelos seres humanos . Para Wersig e Neveling (1975), essa ciência é uma disciplina que se concentra em processos de informação e visa, em primeira instância, à redução da incerteza. Tal fato ocorre porque, justamente, possibilita a compreensão de um fenômeno, ou a informação sobre um determinado assunto ou problema, minimizando os riscos na tomada de decisão. Para os soviéticos, também, a Ciência da Informação é o dado de valor para a tomada de decisão (YOVITS, Apud BELKIN, 1975, p. 57). É, portanto, estratégica. Em 1970, a informação e as operações a ela relativas passam a ser abordadas como um fenômeno e não mais como um constructo. E, dessa maneira, completa-se o processo de sua fundação como ciência; seu objeto se torna parte do real, isto é, ganha características de concretude. A busca de um conceito conveniente ou adequado que demonstre o imbricamento entre a constituição da área disciplinar e a construção de seu objeto de forma coesa, correspondente e articulada, ainda requer algum esforço de reflexão.
Para alguns autores soviéticos, o conceito de informação deve ser balizado pelos objetivos da Informática (Informatika), uma palavra cujo significado equivale à denominação Ciência da Informação para os russos. É considerada como uma ciência social dirigida a um objetivo de transferência mais efetiva da informação denotadamente científica (BELKIN, 1975). Em geral, observa-se que as definições e conceitos propostos estabelecem estreita
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relação entre a informação e os usuários humanos. Assim, as práticas informacionais são dadas como algo pertencente somente à espécie humana e que dela tem total dependência.