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3. Osmanlı Devleti’nde İskân İşiyle İlgilenen Komisyon Ve Kuruluşlar

2.3. Balkanlardan Gelenler İçin İskân Uygulamaları

2.3.3. Göçmenlerin İskân Yerlerinin Tespiti ve Yerleştirilmeleri

2.3.3.3 Diğer Bölgeler

aconteceu a primeira exposição em Londres, o mundo assiste aos grandes eventos das exposições universais. Entre o final do século XIX e início do século XX, foram realizadas diversas exposições pelo mundo todo com o objetivo de exibir a riqueza das nações . Elas traduziam o progresso técnico-científico e as transformações sociais e urbanas pelas quais passou o mundo ocidental. O Brasil tanto realizou exposições nacionais como também esteve presente nas chamadas exposições universais, realizadas principalmente na Europa e nos Estados Unidos (PESAVENTO, 1997).

A visão de progresso construído principalmente sob os auspícios da ciência e da tecnologia industrial, mas também da educação e das artes em geral, fez das exposições a síntese daquilo que o século XIX entendeu e definiu por modernidade. No espírito da época, o entendimento de liberdade passava fortemente pela idéia de livre mercado e pela valorização do cosmopolitismo. Essas idéias tinham como base a crença de que o conhecimento humano objetivo faria da produção algo transnacional e sem limites, sob a égide da ideologia e da felicidade com base no progresso e prosperidade material sempre crescentes, que harmonizariam o mundo em torno da indústria e da circulação de mercadorias (BARBUY, 2004). Assim, as exposições universais pretendiam ser um retrato em miniatura desse mundo capitalista idealizado, moderno e avançado, composto de espetáculos nos campos da ciência, das artes, da arquitetura, dos costumes e da tecnologia. A idéia predominante era a de mostrar e ensinar as virtudes do tempo presente e prospectar um futuro, excepcionalmente bom. O poder da indústria apresentava-se muito concretamente aos olhos dos visitantes e Paris firmou-se como organizadora mundial das mais espetaculares exposições do século XIX. Para muito além das exibições de produtos, criou as exposições-cidades estonteantes em suas arquiteturas fantasiosas, exóticas e coloridas, com luzes, muitas luzes, máquinas e mais máquinas, ilusionismos tecnológicos, jardins, festas noturnas e a apresentação de músicas, comidas em cenários de diferentes partes do mundo (PESAVENTO, 1992).

No entanto, vivia-se em meio a grandes contradições. As cidades onde as exposições foram montadas - Londres, Paris, Chicago, entre outras - símbolos da modernidade e do progresso técnico, conviviam, ao mesmo tempo, com os problemas advindos das desigualdades econômicas, sociais e culturais, provocando a marginalização em larga escala. As desigualdades e os conflitos sociais eram agudos e as exposições se tornariam uma espécie de arenas pacíficas , ilhas de demonstração do sucesso tecnológico e

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econômico. A pretendida harmonia entre os povos era apenas uma utopia das classes dominantes, que encontraram nas exposições, quer em âmbito nacional ou internacional, o seu veículo mais completo de projeção. Dessa forma, de tempos em tempos e por alguns meses se mantinham em funcionamento cidades temporárias, maquetes de um mundo idealizado e que se pretendia um dia tornar realidade. A partir de 1876, os EUA também organizaram várias delas. Foi em exposições universais que Monet encantou-se com a estética japonesa e a transportaria, mais tarde, para suas obras e seus jardins, que Debussy foi seduzido pelos ondulantes sons orientais, que percorreriam para sempre suas músicas e que Santos Dumont confirmou sua paixão pela máquina (BARBUY, 2004). O Brasil, da segunda metade do século XIX, mantinha-se distante dos incipientes meios de comunicação de massa tornando a sua participação nesses eventos essencial para dar ao mundo alguma visibilidade de um país distante e selvagem, no qual os limites entre realidade e imaginário eram difíceis de serem estabelecidos. Esses eventos, por se organizarem em forma de exposições, tinham o poder sedutor de uma realidade que era virtual em sua concepção, mas palpável em sua realização. Uma forma nova de convivência, aceitação e legitimação das faces real e irreal do mundo moderno. Ela era efêmera, mas podia ser visitada, registrada, fixada na retina e na memória. Além disso, podia-se experimentar o fluxo fervilhante das multidões de freqüentadores perplexos diante de tantas novidades e maravilhas (BARBUY, 2004).

No Brasil o produto da ciência e das artes, durante o século XIX, era de certa forma também valorizado. A aristocracia agrária brasileira opôs as profissões liberais de um lado e os ofícios manuais e mecânicos de outro, numa hierarquia de valores politicamente bem definida. No horizonte cultural das elites, o saber retórico, normativo, jurídico, científico e artístico que elas dominavam, elevava-se numa posição claramente superior à atividade técnica e às suas aplicações, em geral exercidas pelos imigrantes menos abastados e pela mão de obra escrava. Essa oposição entre as artes liberais , voltadas às faculdades do espírito e da inteligência humana, e as artes mecânicas , dedicadas à ação prática e ao trabalho braçal, em geral, correspondia à triste realidade dicotômica de uma sociedade escravocrata, que se mantinha à custa da desigualdade de oportunidades entre os brasileiros. Desde os seus primórdios, a expansão cafeeira mostrou que sua viabilidade dependeria de uma mão-de-obra barata e abundante e de um sistema de transporte massiço e eficaz para escoar sua produção. Mesmo assim, não impediu que surgisse, no Brasil, a idéia de que as técnicas modernas advindas da Revolução Industrial e a industrialização do país deveriam constituir-se num dos pilares do desenvolvimento econômico e da independência da nação. Nessa perspectiva, o primeiro decreto brasileiro autorizando a construção de uma estrada de ferro foi sancionado

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em 1835, pelo Regente Padre Diego Antônio Feijó. A inauguração do primeiro trecho do Porto de Mauá a Fragoso, próximo à Raiz da Serra - que depois passou a se chamar Vila Inhomirim e que se chamou de Estrada de Ferro Mauá , deu-se quase dez anos depois, em 30 de abril de 1854. (OLIVEIRA, 1950). Arquitetura do ferro, de tecnologia inglesa, presente na arquitetura ferroviária em muitas cidades brasileiras compunham o primeiro grande

espetáculo industrial do século XIX no Brasil.

Dessa forma, quando o café tornou-se a principal atividade econômica do país, na segunda metade do século XIX, para integrá-lo aos novos circuitos do mercado internacional, foi necessário associá-lo ao aço, ao carvão e ao vapor (ARAÚJO, 1988). Esse contexto não desmotivou a participação brasileira naquelas exposições universais que, ora ocorriam em países europeus, ora nos Estados Unidos da América. Como visto, esses eventos, ao lado de exibirem para o mundo os produtos das engenharias e do industrialismo nascente, prestavam- se também ao espetáculo do capitalismo, fazendo a apologia do progresso, da superioridade e da eficiência do povo europeu. Porém, as exposições escondiam o papel do seu principal protagonista: o trabalhador e os excluídos aos quais se pode atribuir esse desenvolvimento. Nessa dinâmica, as exposições serviam como instrumento de mistificação e alienação, mas não impediram de alertar parte da incipiente burguesia brasileira para a necessidade de se superar a herança colonial e a prática escravagista.

Dessa forma, é preciso relembrar que a cafeicultura brasileira do século XIX consolidou-se e manteve sua hegemonia econômica apoiando-se na mão-de-obra escrava e na utilização da ferrovia. Portanto, uma esdrúxula combinação entre um arcaísmo social e uma inovação tecnológica marcou a cultura nacional daquela segunda metade do século. Seus efeitos e defeitos prolongaram-se pela República Velha até a revolução de 1930, quando niciou-se a modernização do país. Nesse clima, as exposições nacionais cumpriam um importante papel de preparação para a participação brasileira nas exposições universais. Para garantir a representatividade do estande brasileiro, nos certames estrangeiros, cada província realizava suas feiras para escolher os produtos que iriam compor a amostra nacional. Esse movimento era acompanhado de perto pelo imperador D. Pedro II, até o final do processo, quando entregava pessoalmente os prêmios com os quais os produtores eram agraciados. Dentre os prêmios e reconhecimentos existiam os diplomas que eram concedidos às pessoas e instituições participantes21.

21 Um exemplar desse tipo de diploma, exibido no Anexo A, foi encontrado no Arquivo Público do Estado de São Paulo, cujas bordas danificadas e manchas no papel, bastante amarelado pelo tempo, atentam no seu estado de conservação e a passagem do tempo. Por este motivo e pela raridade que representa o documento decidiu-se

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A primeira Exposição Nacional ocorreu em 1861 e a primeira apresentação brasileira em exposições internacionais no ano seguinte, em 1862. Fica evidente que a participação do Brasil nesse evento não era uma competição industrial, mas, sim, como um território de solo fértil, pacífico, inteligente e laborioso exportador de produtos agrícolas. Enfim, como a síntese de um país rural . (SCHWARCZ, 2004, p. 397).

Em 1875, a cidade de Pedro , Petrópolis, na Província do Rio de Janeiro, foi sede da Exposição Nacional que preparou o Brasil para a participação na Exposição Universal que ocorreria no ano seguinte, 1876, na Filadélfia. A construção do pavilhão para abrigar o que ficaria como amostra temporária, encobriu um esplêndido jardim público, com cristal e ferro vindos da França, (SCHWARCZ, 2004, p. 244).

Ali, onde antes era um jardim, surge, então, o Palácio de Cristal com sua cúpula frondosa, buscando imitar a imponente construção inglesa, erguida para abrir e abrigar a primeira Exposição Universal, realizada em Londres, em 1851. Para essa primeira exposição foi construido no Hyde Park um enorme pavilhão de aço e vidro com seções dos diferentes produtos dos vários países participantes, ficando conhecido como Palácio de Cristal . No seu interior um ambiente cálido, translúcido e arborizado que o tornara um dos maiores símbolos da arquitetura do ferro e do vidro , que viria a ser sinônimo de modernidade e influenciaria a arquitetura do mundo todo por permitir leveza estética, conforto e variedade de formas. Os cenários montados, para abrigar essa primeira exposição universal e as subseqüentes, tornaram-se sinônimo de requinte, inventividade e riqueza, exigindo dos expositores uma adequada correspondência nesses níveis. Portanto, é um engano imaginar que ao se percorrer os pavilhões do Brasil, encontrava-se apenas um amontoado de produtos da terra. Nas exposições universais cada país exibia os seus produtos segundo uma classificação pré- estabelecida pelos organizadores que agrupava em prédios distintos: matérias-primas, indústria leve, indústria pesada e referências à educação, ao progresso cientifico e artístico. O Brasil não tinha máquinas para mostrar e só se destacava na matéria-prima e produtos agrícolas, o que reforçava a representação de um império tropical, paraíso das frutas, da fauna e das florestas. Além dos produtos agrícolas, havia o nativo como principal protagonista na produção de redes, flechas e plumagens, retirada da variedade de aves brasileiras. No entanto, a crítica que se faz com relação à participação brasileira nesses eventos do século XIX era ao modo como os produtos eram apresentados. Peças de artesanato, miniaturas de aldeias e por arrolá-lo, na forma de anexo, por não se enquadrar nos critérios estabelecidos para seleção amostral para análise.

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cabeças de animais empalhados eram apresentados de tal maneira que só se reforçavam estereótipos sobre o país, melancolicamente deixando de fazer propostas para o futuro do Brasil (BARBUY, 2004). O Império Brasileiro investia na organização e apresentação de seus produtos e em publicações de livros de caráter informativo, em diversos idiomas, como francês, alemão e inglês, além de português, falando sobre a geografia e a economia do país. Essas obras eram distribuídas com o intuito de tornar o país mais visível, internacionalmente. O imperador reforçava com sua própria presença, permanecendo sentado à frente do seu estande como num palco ideal para se contrapor à realidade de um império enfraquecido.

Com a ocorrência da Primeira Guerra Mundial (1914-1919), porém, caiu por terra a fé ilimitada no progresso e a indústria deixou de ser vista, no mundo todo, como a grande solução para a humanidade. As exposições, entretanto, logo retornaram renovadas e insistentes. No período entre as guerras, em 1937, a Exposição Internacional de Artes e Técnicas da Vida Moderna, em Paris, marcou o início de um redirecionamento, no qual era dado maior espaço às ciências, às artes, à literatura e a outras manifestações intelectuais, sem, contudo, deixar de lado as exibições da indústria. Em 1939, em Nova York, foram eliminados os sistemas classificatórios de produtos (para eles foram destinadas as feiras industriais). A pretensão era a de se estar "Construindo o Mundo de Amanhã", como enunciava seu tema. Em suma, as exposições continuavam e continuam a refletir idéias de mundo de valores coletivos em exibição, de futuro de acordo com aquilo que se considera a questão-chave em cada momento.

Mesmo assim, as exposições universais desafiam o tempo, as mudanças de mentalidades e permanecem sendo, há quase cento e cinqüenta anos, eventos de grande porte, com afluxo intenso de público, interesse diplomático e, naturalmente, campo para a reflexão. Historicamente, porém, o fenômeno divide-se entre antes e depois da Primeira Guerra Mundial, desde a primeira exposição universal, no ano de 1851, em Londres até o grande conflito internacional (BARBUY, 2004).

O cartaz, a seguir, exibe uma alegoria da Exposição Nacional que ocorreu em 1875, em Petrópolis, e representa uma síntese iconográfica da modernidade nos trópicos do Brasil, mais precisamente do ruralismo brasileiro representado pela (agri)cultura. Nessa época, era comum o uso de paisagens ao fundo e bordas ornamentadas com motivos botânicos como os ramos estilizados, os pássaros e outros elementos da natureza usados para compor as curvas assimétricas que dão forma a imagem artística bem ao sabor da moda da época.

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