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3. Osmanlı Devleti’nde İskân İşiyle İlgilenen Komisyon Ve Kuruluşlar

1.3 Mübadele İle Türkiye’ye Gelenler Ve İskân Uygulamaları

1.3.6. Mübadillere Mal Ve Arazi Dağıtımı

A teoria da enunciação, entendida aqui como a teoria que estuda as marcas deixadas pelo sujeito no enunciado e não o próprio sujeito, de acordo com Normand (1996), fundamentado nos estudos de Émile Benveniste, pressupõe a existência de um sujeito, porém o seu interesse se volta, propriamente, para o sentido do enunciado. Dessa forma, entende-se o enunciado como sendo uma frase ou sentença que resulta da produção discursiva, levando-se em conta o contexto em que ocorreu. Portanto, o objeto pode ganhar sentido pela ação do sujeito. Dessa forma, conforme afirma Fiorin (1999, p. 31) [...] o sujeito, que, por um ato, gera o sentido, é criado pelo enunciado , acrescenta, ainda, o autor que o sistema de enunciação é passível de ser estudado por uma teoria do discurso narrativo.

Émile Benveniste (1998) foi um dos teóricos franceses que se dedicaram a teorizar sobre a enunciação. O enunciado para esse autor é a colocação em funcionamento da língua por um ato individual de utilização. Como produto da enunciação, o enunciado é um ato individual que pressupõe um sujeito ou alguém - locutor/enunciador - que enuncia. Se alguém enuncia, só pode enunciar algo para outro ou outros. O enunciado constitui uma relação verbal entre dois sujeitos. Enunciar pressupõe dizer alguma coisa a alguém, dentro de uma competência lingüística e discursiva. O discurso é uma relação verbal entre alocutário e enunciatário. O enunciado deve constituir um sentido, como marca de realidade e uma significação. Ou seja, dizer alguma coisa a alguém, servir para a comunicação entre as pessoas.

Assim, o enunciado não é uma frase ou um aglomerado de frases, mas um conjunto de idéias que, em contexto, dão sentido ao discurso. A enunciação faz parte do processo de comunicação social. E, se o signo é estável em sua condição, o sentido pode trazer um valor novo ao signo, afetando a sua significação no processo social, na prática da linguagem. Bakhtin (1997) enfatiza que é através da enunciação que a interação verbal é realizada como fenômeno social. Ele concebe a interação verbal como todas as formas de diálogo, ou seja, atos de fala, que podem ser resumidos sob o termo discurso, seja oral, escrito, seja imagético. Segundo Bakhtin (1997, p. 14) a enunciação pode ser entendida como:

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[...] uma ilha emergindo de um oceano sem limites, o discurso interior. As dimensões e as formas dessa ilha são determinadas pela situação da enunciação e por seu auditório. A situação e o auditório obrigam o discurso interior a realizar-se em uma expressão exterior definida, que se insere diretamente no contexto não verbalizado da vida corrente, e nele se amplia pela ação, pelo gesto ou pela resposta verbal dos outros participantes na situação de enunciação (BAKHTIN, 1997, p. 125).

Fiorin (1999), em outra perspectiva teórica, afirma que o enunciado não pode ser considerado apenas uma frase, mas, sim, um todo de significação para os seus interlocutores. Para que uma frase qualquer seja um enunciado, deve conter um sentido, e este, por sua vez, ser realizado em uma dada situação. Dessa forma, uma frase em um contexto pode se tornar um enunciado. O enunciado, produto de uma enunciação, constitui o discurso, seja ele formado por uma frase, seja várias frases. O enunciado é, portanto, a frase além de sua forma fonética ou morfológica. Uma oração, uma frase, podem não ser um enunciado completo nos limites gramaticais de sua estrutura, no interior do sistema abstrato da língua.

Além disso, estabelecem-se também como componente, as condições de verdade (sentido), cuja diferença entre frase e enunciado está em que ela é caracterizada por qualquer seqüência de sons - fonemas - que contenha uma ou mais palavras, mas que não realiza um ato de fala. O enunciado, construído a partir de frases enunciativas, exprime algo, dá algo a entender ou possui uma pretensão de verdade. No entanto, nesse ponto se distancia da visão aristotélica segundo a qual toda frase tem um sentido, nem todas apresentam algo, mas sim apenas aquelas que podem ser verdadeiras ou falsas . Estes aspectos abrem perspectivas para uma aproximação da teoria do imaginário como sendo algo que faz uma aproximação da verdade. Sobre essa questão, Fiorin (1999, p. 35) afirma que, quando se produz um enunciado, estabelece-se uma 'convenção fiduciária' entre enunciador e enunciatário, a qual determina o estatuto do veredictório do texto . Para que um enunciado sirva como uma instância de mediação, assegurando que o discurso passe da competência (o dizer) para a performance (o compreender), levam-se em conta leis discursivas que balizam a troca de informação: a informatividade e a exaustividade, conforme explica Fiorin (1999).

Além das competências do dizer e do compreender , adiciona-se a do ver , considerando-se a observação de imagens. Dessa trilogia, ressalta-se que, no momento da análise documental, as relações entre ver e compreender são vitais para poder representar o dizer . Bakhtin (1990) coloca a necessidade de se estabelecer diferença entre explicar e

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compreender . Para esse autor, a diferença fundamental está no fato de que a explicação não suscita relações dialógicas basta uma consciência única ou um único sujeito , enquanto a compreensão implica a existência de mais de um sujeito e, portanto, admite consciências múltiplas. Assim, o verbo explicar vem de ex-plicare que significa esclarecer , expor organizadamente. A preposição latina ex , se tomada separadamente, apresenta-se com vários sentidos, incluindo o de sair ou estar fora , ensejando distanciamento. O verbo compreender , deriva de com-praendere cuja significação figurada é apanhar , tomar em conjunto , envolver , vincular e encadear . Se tomado, isoladamente, o prefixo cum significa reunião , simultaneidade e intensidade . Assim, etimologicamente, compreender pressupõe tomar em conjunto o que se mostra vinculado e, portanto, muito mais próximo de atender os preceitos da complexidade dialógica, escapando do formato de explicação única e definitiva. No debate estabelecido por Ricceur (2007, p. 520), ele menciona que, por um lado, admite-se que a narratividade não constitui uma solução alternativa a explicação e a compreensão; por outro, afirma o autor que a:

Composição da intriga constitui, no entanto, um autêntico componente da operação historiográfica, mas em outro plano, diferentemente do da explicação/compreensão, em que ela não entra em concorrência com os usos do porque no sentido causal ou até final.

A respeito dessa idéia, da não obrigatoriedade explicativa da narração, Ricceur (2007, p. 251) alerta que não se trata de uma desclassificação da narratividade, muito pelo contrário, ele afirma que a [...] operação de configuração narrativa entra em composição com todas as modalidades de explicação/compreensão. Nesse sentido, a representação, sob o seu aspecto narrativo, como sob outros aspectos, [...] não se acrescenta à fase documental e à fase explicativa, mas as acompanha e as sustenta .

Voltando a Fiorin (1999), na lei da informatividade não se trata apenas de manter uma conversação entre os interlocutores. Para Fiorin (1999, p.34), todas as situações de comunicação deveriam ser informativas e, se não o são, soam um pouco estranhas . Para tanto, há uma exigência de que, sobre um dado tema, o enunciador apresente as informações mais fortes e marcantes do fato. Não se pode, quando se quebrou um objeto, dizer apenas que ele caiu (FIORIN, 1999, p. 34). Segundo esse argumento de Fiorin (1999), esse fato não diz respeito à informação simplesmente, mas à taxa de informação ou à taxa de informatividade que se deve apresentar numa troca verbal. Esses conceitos são perfeitamente aplicáveis na produção de produtos documentários, por exemplo, a partir de uma imagem que

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se constitui de um registro de um tempo que não é o agora e de um lugar que não é o aqui , mas que são passíveis de (re)interpretação e (re)apresentação, ou seja: de representação. E, como não se pode dar voz a uma criança com uma linguagem de adulto, ao dar voz ao passado, convém uma linguagem esteticamente adequada ao seu tempo. Porém, a insistência em tratar a informação como "fenômeno", envolve a ilusão de uma apreensão perceptiva do referente como condição pré-discursiva do discurso e não permite que se vislumbrem suas próprias tomadas de posição ou seus diferentes lugares discursivos nas formas de representações imaginárias do referente informação.

Dessa maneira, a questão do contexto ou situação é importante para que seu sentido tenha uma relação de significação entre os interlocutores. Esses conceitos contribuem para a formação de premissas de análise e representação de documento histórico considerando-se que o documento utilizado para gerar o produto documentário pode expressar idéias ou falar e nesse dizer pode apresentar polifonia e discursos metafóricos que é preciso considerar para captar as subjetividades presentes nos diferentes conteúdos a serem mediados pela representação.

Para tanto, alguns componentes são necessários, conforme Cervoni (1989): os utilizadores (sujeitos), que são o locutor e o alocutário a quem se dirige o enunciado, e também o tempo e o lugar em que o enunciado é produzido. Dessa maneira, aproxima-se, mais uma vez, das categorias essenciais de Ranganathan personalidade, matéria, energia, espaço e tempo e dos elementos da narrativa, na tentativa de encontrar formas de operacionalização desses princípios teóricos, para a geração de produtos documentais a partir de obras artísticas.

3.3 A narrativa literária como aliada da análise e da representação de conteúdos