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Kaçma-Kovalama Esasına Bağlı Oyunlar 1. Ebe oyunu

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM 3. GELENEKSEL HALK BİLGİSİ

3.4. Oyunlar ve Oyuncaklar

3.4.2. Çocuklara Mahsus Oyunlar

3.4.2.4. Kaçma-Kovalama Esasına Bağlı Oyunlar 1. Ebe oyunu

A partir de 1920 e do reagrupamento das pulsões, Freud reformula o primeiro dualismo pulsional: não se trata de um dualismo fundado na oposição entre pulsões de autoconservação (do eu) e pulsões sexuais, mas sim de pulsões de vida (que incluem as autoconservativas) e pulsão de morte, o que já anuncia, de alguma maneira, o estatuto que posteriormente será outorgado ao masoquismo. A pulsão de vida visa à manutenção da vida e à ligação; já a pulsão de morte visa o desligamento, a anulação de todas as excitações. O caráter sexual da pulsão se configura pela articulação entre a pulsão e um objeto que instaure o diferencial prazer-desprazer. Ou seja, é o investimento em um objeto que leva a pulsão a assumir seu caráter sexual, constituído por contraposição à pulsão de morte enquanto energia pura e dispersa.

Se em 1920 a questão da satisfação masoquista ainda permanece interrogada, é em 1924, em O Problema Econômico do Masoquismo, que Freud irá postular que o masoquismo,

o retorno da pulsão ao próprio eu, revela o retorno a uma fase anterior, uma regressão. Tal concepção impõe uma retificação na teoria, pois o masoquismo assume um caráter originário na vida psíquica. Em uma nota de rodapé, acrescentada em 1924, ao texto Três Ensaios sobre

a Teoria da Sexualidade (1905, p. 160, nota de rodapé n. 2), Freud escreve: “Considerações posteriores, que puderam apoiar-se em determinadas hipóteses acerca da estrutura do aparato psíquico e das classes de pulsões operantes nele, me fizeram modificar em boa medida meu juízo sobre o masoquismo”.

Tal formulação, de que há um masoquismo originário que opera no psiquismo, acompanha a elaboração do conceito da pulsão de morte. Em O Problema Econômico do

Masoquismo (1924, p.205), Freud coloca que:

Após sua parte principal (da pulsão de morte) ter sido transposta para fora, para os objetos, dentro resta como um resíduo seu o masoquismo erógeno propriamente dito que, por um lado, se tornou componente da libido e, por outro lado, ainda tem o ego como seu objeto.

O masoquismo surge como esse “resto” que permanece interno, tal como uma estase da pulsão de morte. Ou seja, um resíduo que representa uma maneira de preservar a destrutividade no interior do psiquismo e a enlaça às pulsões eróticas.

O que vai se delineando, dessa forma, é que mais e mais o fenômeno do masoquismo se distancia do campo do pacto perverso apenas para revelar, em termos da fantasia inconsciente, uma forma de satisfação pulsional paradoxal. Se por um lado o masoquismo encontra sua expressão erógena radical no dispositivo de gozo próprio da perversão, por outro lado o masoquismo primário revela a possibilidade de gozo de cada sujeito nessa posição em seu caráter originário, e não apenas sintomático. O masoquismo torna-se, assim, um dos argumentos privilegiados para a reflexão sobre a coalescência entre as pulsões de vida e de morte.

Ainda no texto O Problema Econômico do Masoquismo (1924), Freud irá distinguir mais duas formas de expressão masoquista, o masoquismo feminino e o masoquismo moral. Tais formas evocam a questão da possibilidade de gozo na passividade.

O masoquismo feminino refere-se a uma posição feminina do sujeito: ser castrado, ser copulado, dar à luz um bebê. É importante lembrar que o dito masoquismo feminino não é, para Freud, inerente à mulher, mas refere-se, sim, a expressões imaginárias de práticas masoquistas enquanto posição passiva, o que ele considera como “papel da mulher na relação sexual”. Essa concepção do masoquismo feminino será bastante fértil para auxiliar a discussão sobre o movimento masoquista de se fazer objeto, presente, como já foi apontado, como um movimento próprio do eu, independente do gênero.

Por ora será utilizada uma nota de rodapé dos Três Ensaios sobre a Teoria da

Sexualidade (1905, p. 226, nota de rodapé n. 1), na qual Freud designa as razões pelas quais considera a dualidade masculino/feminino bastante problemática:

É essencial compreender que os conceitos masculino e feminino, cujo significado parece tão inequívoco às pessoas comuns, estão entre os mais confusos que ocorrem na ciência. É possível distinguir pelo menos três casos. Masculino e feminino são usados por vezes no sentido de atividade e passividade, por vezes em um sentido biológico e por vezes, ainda, num sentido sociológico. O primeiro destes três significados é o essencial e o mais útil na psicanálise. Quando, por exemplo, a libido foi descrita no texto acima como masculina, a palavra estava sendo usada, pois uma pulsão é sempre ativa, mesmo que tenha em mira um objetivo passivo [...] Tal observação mostra que nos seres humanos a masculinidade ou feminilidade puras não se pode encontrar. Todo indivíduo, ao contrário, revela uma mistura dos traços de caráter pertencentes ao seu próprio sexo e ao sexo oposto, e mostra uma combinação de atividade e passividade, concordem ou não estes últimos traços de caráter com seus traços biológicos.

O que Freud postula é que essa dualidade semântica masculino/feminino só pode ser considerada quando inserida na série ativo/passivo ou, melhor dizendo, fálico/castrado. Essas metáforas estão absolutamente implicadas na questão do masoquismo feminino, bem como na

equiparação que Freud faz entre o infantil e o feminino. Ser castrado, copulado, açoitado revela a fantasia de ser tratado como uma criança pequena e desamparada, posição caracteristicamente feminina (1924).

O masoquismo moral refere-se à interação entre eu e supereu, na qual o último desempenha um papel exigente, uma vez que o eu não esteve à altura das exigências feitas pelo seu ideal. Aparentemente dessexualizado, o masoquismo moral na verdade põe em cena a constelação edípica, na qual a moralidade torna-se sexualizada, seguindo a lógica da discussão, já feita, sobre o texto Bate-se em uma Criança (1919), em que há o assujeitamento do filho em nome da garantia ilusória de ser mais amado que os irmãos.

O que o masoquismo moral revela, em última instância, é o masoquismo do eu frente às exigências do supereu. Tal vínculo se demonstra como o que Freud designa por “obscuro poder do destino” (1924, p.209). Tido como secundário, o masoquismo moral opera a partir do retorno do sadismo ao eu, e é fortalecido pelo masoquismo originário em seu estatuto de estrutura.

Pelo que foi até agora exposto, o masoquismo, de seu estatuto exclusivamente perverso, passa a ser considerado em seu papel constituinte e estruturante, traduzindo-se como sendo a disponibilidade em se posicionar enquanto representação de objeto de gozo do Outro, o que nesta reflexão pode ser considerado como vítima do desejo do Outro. O primário carrega em si a concepção daquilo que é pré-subjetivo, o que revela a necessidade de que o sujeito passe pela perda desta posição para sair em busca do laço com o outro.

É assim que - na lógica dessa proposição de que o masoquismo, e não mais o sadismo, assume uma função estruturante - as pulsões não podem mais ser articuladas como uma expressão própria do ser humano, mas sempre na relação do sujeito com seu objeto. É nesse sentido que Lacan considera o masoquismo originário como efeito da alienação radical do sujeito na linguagem, que será discutida adiante em maior profundidade.

É a partir do entendimento de sua condição estruturante que podemos compreender como o gozo masoquista opera uma forte resistência ao processo analítico, tal como descrito por Freud sob a denominação de “reação terapêutica negativa”. Analogamente, podemos evocar o apego da vítima ao seu sofrimento, suas reiteradas acusações e queixas contra quem a fez sofrer, e sua relação monótona com a queixa. Além disso, o masoquismo moral revela uma importante faceta que articula moral e gozo, pois não é pela culpa que o eu quer ser castigado, mas porque há uma ressexualização, por meio do castigo, do complexo de Édipo. Dito de outra maneira, há um gozo presente no excesso de rigor moral do supereu, e é isto que produz o sentimento de culpa. No masoquismo moral o sentimento de culpa inconsciente descortina uma forma específica de gozo: o desejo de ser maltratado pelo pai, que se revela na fantasia “bate-se em uma criança”, derivada do amor edípico experimentado numa posição passiva que, ainda que modulado de diferentes maneiras no menino e na menina, não está atrelado ao gênero.