3.1. AYNEN İFA VE BUNA BAĞLI TALEPLER
3.1.3. Cezai Şart
3.1.3.2. İfaya Eklenen Cezai Şart
Além dos quatros atributos essenciais retrocitados, Starfield (2002) estabelece que a APS seja qualificada por outros três aspectos: atenção focada na orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural dos profissionais de saúde e gestores. Para a autora, são tão importantes quanto os quatros atributos essenciais, constituindo-se em um complemento que fortalece os essenciais. No processo de validação do PCATool no Brasil, o atributo de competência cultural foi retirado (HARZHEIM et al., 2006), por isso não fez parte desta pesquisa.
O atributo “Orientação Familiar” tem como foco a família como primeiro espaço social de identificação e explicação dos significados de adoecer e morrer para as pessoas, sendo reconhecida como coadjuvante do cuidado, permitindo que os profissionais de saúde conheçam a sua dinâmica e assistam em suas necessidades.
Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), os documentos do Ministério da Saúde incorporam em seus textos a abordagem da família na atenção à saúde, originando, em 1994, o Programa Saúde da Família, posteriormente transformado em Estratégia Saúde da Família (ESF), responsável pela orientação do modelo assistencial, executado por meio de um processo de trabalho multiprofissional (BRASIL, 1990a).
Starfield (2002) assinala que a orientação familiar requer que o sistema de saúde considere a pessoa em seu ambiente familiar, buscando avaliar as necessidades, riscos à
saúde, sua dinâmica e determinantes de saúde-doença, dentro dela. A mesma autora enfatiza que a “orientação familiar” se materializa quando acontece uma atenção integral, considerando a pessoa dentro do seu contexto familiar, observando mais de perto as suas necessidades e exposições aos riscos de adoecer e morrer, assim como quando há uma coordenação dos recursos.
A execução deste atributo no campo da prática diligencia a necessidade de que aconteçam mudanças no processo de trabalho das equipes de saúde, uma vez que ainda há conflitos ante as práticas individuais e curativistas da assistência e da gerência na área da APS, exigindo, de tal modo, relações horizontalizadas e participativas entre os usuários, família e comunidade e os profissionais de saúde (PEDUZZI et al., 2011); novas práticas em que os usuários e suas famílias sejam protagonistas do processo de cuidar. A diferença entre o teor teórico dos postulados da APS e sua prática concorre para que a presença e extensão do atributo “Orientação Familiar” perca seu potencial e, deste modo, a atenção ao adulto seja pouco resolutiva (ARAÚJO et al., 2014).
Estudos realizados no Paraguai, Argentina, Uruguai, Colômbia e África do Sul, bem como noutros países, apontam avaliações negativas no atributo “Orientação Familiar”, pela dominância do modelo biomédico de atenção (RODRÍGUEZ-RIVEROS et al., 2012; GÓMEZ et al., 2012; BERRA et al., 2013; BERTERRTCHE; SOLLAZZO, 2012; RODRÍGUEZ-VILLAMIZAR et al., 2013; MOSQUERA et al., 2013; SHIMIZU, 2013; BRESICK et al., 2016).
Analisando a frequência das três perguntas constantes nesse atributo, os usuários atribuíram avaliações positivas atinentes à escuta pelo profissional de saúde sobre as ideias dos usuários no momento do planejamento terapêutico e cuidado individual, ou para componente da família, e que o médico/profissional se reuniria com membros de sua família, caso fosse necessário.
Outros ensaios expressaram escores negativos para este atributo na óptica dos usuários (RODRÍGUEZ-VILLAMIZAR et al., 2013; VIANA, 2012; OLIVEIRA, 2012; ARAÚJO et al., 2014; DASCHEVI et al., 2015; SHIMIZU, 2013; PRATES et al., 2017).
Diferentemente dos achados negativos atribuídos a “Orientação Familiar” dos autores supracitados, que demonstraram fragilidade da APS, nesta investigação ocorreu a avaliação positiva, expressando que, mesmo diante de barreiras de acesso – “Acessibilidade”, integralidade negativa, contudo, com medição positiva do atributo “Longitudinalidade”, permite asseverar que a família é priorizada pelas eSF, em seu processo de trabalho.
Na orientação familiar, o profissional, no momento da tomada de decisão, deve empenhar-se pela troca de informações, de maneira objetiva e respeitosa ante as diferenças sociais, linguísticas e culturais, assim como na elaboração de planos de intervenções mais harmônicos com as necessidades dos usuários e sua família (PAULA et al., 2017).
Destaca-se o fato de que a percepção da família como parceira do provedor do cuidado no momento de indagar sobre a terapêutica realizada traduz-se num meio de corresponsabilizá-la pelo tratamento. Consoante, porém, Oliveira e Verissimo (2015), a opinião do usuário não é uma prática costumeira da eSF. Starfield (2002) assinala que, para uma orientação familiar, o profissional necessita conhecer os instrumentos de abordagem familiar, visando a reconhecer e melhor realizar o histórico do usuário e sua família. Um histórico com informações detalhadas no prontuário da família permite a continuidade do cuidado.
Desde que instituído o SUS, a visita domiciliar passou a ser percebida como eixo transversal e estratégia da equipe de saúde da APS, objetivando a concretização de quatro princípios da APS - Acessibilidade, Longitudinalidade, Integralidade e Coordenação, além, de adotar três princípios doutrinários do SUS: Universalidade de Acesso, Integralidade da Atenção e Equidade (SOSSAI; PINTO, 2010).
Entende-se que a saúde do usuário provoca impacto sobre a família por se constituir uma importante rede apoio. Neste sentido, o olhar somente para a pessoa doente é perder a totalidade da pessoa, deixando de fora a vivência familiar, como sujeito da história singular, com capacidade para o enfrentamento de doença de seu familiar. A doença provoca, tanto na família como na pessoa doente, respostas de adaptação, assim como altera as relações entre si e com a comunidade.
Por isso, uma das maneiras de o profissional aproximar-se e estabelecer vínculo com a família e conhecer sua dinâmica é por meio da visita domiciliar (VD), que faz parte das ações do processo de trabalho da ESF (PAULA et al., 2017). Ela permite conhecer e reconhecer as condições de vida dos usuários e as modalidades de relacionamento, além de aprofundar o vínculo com a família, aumentando, assim, a melhor adesão às orientações dos profissionais de saúde, admitindo um planejamento de ações de prevenção e promoção da saúde e contribuindo para a participação dos usuários e família e seu empoderamento no seu autocuidado.
Ficou evidenciado na pesquisa de Thumé et al (2010) que a visita domiciliar consentiu o maior acesso de idosos aos cuidados e, consequentemente, confirmando que esta ação facilita o atendimento à população com dificuldades de deslocamentos aos serviços de
saúde. É uma prática que agencia que os profissionais de saúde estabeleçam vínculos com a família e comunidade, com vistas a conquistar a confiança dos usuários e, assim, acatar com maior facilidade as orientações em saúde (PENSO et al., 2017).
Essa prática voltada para a orientação familiar com a sua participação no processo terapêutico tenta subverter a hegemonia do modelo centrado na doença e no médico. Silva, Baitelo e Fracolli (2015) expressam críticas ao instrumento PCATool, que faz uma avaliação reducionista, centrada na doença e nas ações curativas, não abrangendo as características essenciais que dão identidade à ESF, do que discordamos, tendo em vista que em todos os atributos constam questões de estrutura e processo que incluem preocupações com a estrutura dos serviços e muito mais voltadas ao processo de trabalho orientado para ações de prevenção e promoção de saúde, muitas pertinentes à realidade atual dos DS das UBS estudadas, além de ações curativas.
Nessa acepção, a constituição de vínculo entre o profissional e a família, desencadeando ações que promoverão a autonomia da família e permite o seguimento do cuidado ao usuário e a sua demanda pelo serviço (FEITOSA et al., 2016).
Igualmente, a visita domiciliar representa o momento ideal para a equipe realizar ações de vigilância da saúde ao usuário adulto, tendo em vista a ocasião de detectar situações de vulnerabilidade social e outros determinantes, sociais, culturais e econômicos, que podem afetar o usuário. Também incumbe aos profissionais de saúde desenvolver, durante a VD, ações de promoção e prevenção de agravos, com vistas a estimular a autonomia e o empoderamento das pessoas e da família, para o enfrentamento dos determinantes sociais da saúde.
Enfim, percebe-se que é importante a Equipe de Saúde da Família enfatizar ações junto à família no sentido de alcançar a formação de vínculo. Essa relação, horizontalizada, acolhedora e humanizada, permitirá aos profissionais maior acesso aos problemas, necessidades e preferências da família, promovendo o incremento de um apropriado planejamento de cuidados centrado nos adultos, sua família e comunidade.