• Sonuç bulunamadı

1.2. Şehrin Kentsel Dokusu

1.2.4. Dini, Sosyal ve Ticari Mekanlar

1.2.4.1. Dini ve Sosyal Mekanlar

1.2.4.1.3. Hamamlar

persistência, ao mesmo tempo ilimitada e sem ilusões.”34

Albert Camus

Nesta parte do trabalho, consta o relato dos depoimentos colhidos. Para cada um dos entrevistados foi construído um esboço de suas histórias, conforme suas próprias palavras, procurando resumir pontos importantes de suas vidas e de como elas foram afetadas pela aids, incluindo, também, alguns comentários genéricos a respeito de como foi o meu contato com eles e as minhas impressões acerca do tipo de relacionamento que mantivemos ao longo da pesquisa. Discutirei alguns pontos importantes desses relatos, fazendo um entrelaçamento de falas, lapsos, sentimentos que puderam ser capturados no decorrer das entrevistas, buscando pinçar conteúdos que possam ser trabalhados no momento de análise, quando irei imbricar os relatos uns sobre os outros, articulando-os com o referencial teórico freudiano, focando tanto questões singulares, quanto aspectos que possa haver em comum.

Como se trata de um trabalho que implica em cuidados éticos especiais, os nomes que aparecem ao longo desses relatos são todos fictícios, incluindo os nomes dos parentes, dos amigos e, também, dos profissionais de saúde citados. Em relação aos nomes fictícios dos próprios entrevistados, pedi a eles que dissessem como gostariam de serem denominados na pesquisa e em outros trabalhos posteriores que façam uso desse mesmo material. Dois deles o fizeram: Ágata e Walker. Os outros dois, Helenita e Ivo, optaram por eu mesmo os nomeasse.

Suas falas ao longo desse trabalho serão apresentadas sempre em itálico e algumas informações que possam levar a identificação de seus nomes verdadeiros serão sutilmente alteradas, assim como algumas falas e histórias foram subtraídas pelo mesmo motivo.

O objetivo dos relatos que virão a seguir será de expor fragmentos da história dos entrevistados e as hipóteses sobre os modos de funcionamento da dinâmica psíquica de cada um deles e como a aids interfere (ou não) nas mesmas. Nesse momento do trabalho, não será

feita nenhuma articulação direta com o referencial teórico, embora, subjacente ao material, possam surgir algumas hipóteses psicodinâmicas que serão discutidas posteriormente.

1- A história de Ágata: aids como um instrumento para a mudança

Joana morava no interior do Acre e sonhava se casar com um seringueiro. Apaixonou- se por Antônio, um amigo de infância, mas ele casou com outra. Quando tinha dezesseis anos foi “roubada” por José, um seringueiro beberrão e, às vezes, violento. Desse amor vivido num seringal foram gerados seis filhos - um a cada dois anos - apesar de algumas surras que Joana levava, principalmente quando José bebia. Num desses dias, após ter recebido algum dinheiro da produção da semana do látex colhido na floresta, José tomou muita cachaça com os amigos num boteco, comendo tracajá como aperitivo. Inebriados, falaram de mulheres, da campanha do Brasil na Copa de 1970, acompanhada com dificuldade pelo rádio de ondas curtas e à socapa se queixavam da política do governo para a borracha da Amazônia. No caminho do boteco para casa caiu de uma ponte, teve várias fraturas e faleceu, deixando Joana sozinha com cinco filhos pequenos e grávida de uma menina que viria a se chamar Ágata.

Não havendo opções, Joana e sua prole de pequenos emigraram para uma cidade no interior do Amazonas, onde foram morar com uma tia de Ágata. Mas essa irmã de Joana não era tão bondosa como a distância e os poucos contatos faziam parecer. Ela não foi nada hospitaleira para com eles. Joana, sentindo-se maltratada e sem apoio, resolveu “fugir” daquela situação. Casou-se com Pedro, também um alcoólatra, mas com uma vantagem sobre o falecido: não batia em Joana. Ágata nasceu e Pedro a criou como se fosse sua filha. Joana e Pedro também se amaram bastante e tiveram outros filhos, mas, doze anos depois, cada um resolveu seguir caminhos “separados”. Nesse tempo, Joana já trabalhava como zeladora em uma escola, na qual Ágata veio a estudar as séries iniciais e a ajudava na limpeza diária.

Criança, Ágata percebia um interesse por algo pouco falado, coisas que as pessoas não revelavam, mas os seus olhinhos e ouvidos atentos observavam. Descobria coisas, principalmente coisas dentro si – desejos. Desejos que movimentavam mais ainda sua curiosidade, mas que, claramente, iam de encontro com a moral pela qual era educada por sua mãe religiosa e pelas freiras do colégio marista que viria a freqüentar na adolescência. Lia

muito. Livros e revistas que pudessem saciar seu interesse por sexo. Mas ninguém lhe ensinava ou a orientava – lamenta-se, hoje. Quando lhe falavam, diziam apenas que sexo é pecado e isso – acredita – ajudou a aumentar o seu interesse. Ninguém, contudo, a orientou que o sexo, além de ser uma fonte de prazer, também tem seus riscos.

Transformou-se em uma moça desinibida e namoradeira, tendo consciência de que era atraente aos homens. Fazia uso dessas qualidades para seduzir, para dominar e gerenciar suas relações. Nunca fui prostituta – compara – nunca cobrei pelo meu prazer. Mas dentro da

sexualidade, em todos os meus relacionamentos, sempre priorizei o meu prazer. Na sua vida,

tudo passava a ser relacionado à sexualidade - ao sexo-chacra* - como ela gosta de teorizar sobre o seu passado.

Além de contrariar o padrão de educação moral recebida, Ágata também se descobre uma moça diferente da suas colegas, pois não sonhava em se casar e ter filhos. Ainda menina, planejava cursar uma faculdade, ter a sua casa e o seu carro. Torna-se uma mulher

centralizadora, egoísta e perfeccionista, que profissionalmente prefere ser machista,

competitiva e ambiciosa. Filho? Não é aquele desejo! Não deixa de ser uma pessoa com forte sentimento de religiosidade. Vai à missa freqüentemente e se condena por suas atitudes.

Quando deixa a casa da mãe e se muda para Porto Velho, reside algum tempo com uma das irmãs mais velhas. Termina o magistério e começa a trabalhar como professora. Começa a não se sentir à vontade na casa dessa irmã e convida uma outra irmã, Sheila, para irem morar juntas – “sozinhas”, conforme suas palavras. Roque, o irmão-artista, caçula da família, junta-se a elas.

Nesse mesmo tempo, conhece um rapaz casado. Diferente dos outros personagens de sua história, ele não é nomeado. É apenas referido como “uma pessoa”, “aquele rapaz”.

A mulher dele estava viajando e eles começam um romance bem interessante. Como

numa novela, encantam-se, enamoram-se e a vida deles segue nesse ritmo por mais de dois

anos. Ela se condena, lembra das palavras da mãe e das irmãs do colégio marista; procura

* Expressão usada na projeciologia para se referir a sexo + chacra, que seria o “chacra radical ou sexual básico da consciência humana.” Chacra, por sua vez, é definido como “Núcleo ou campo limitador de energia consciencial (...) energético dentro do soma, fazendo a junção com o psicossoma, atuando como ponto de conexão pelo qual o chacra radical ou sexual básico da consciência humana flui de um veículo consciencial para outro.” Cf. http://www.iipc.org.br/as-ciencias/glossario-c-d.htm [acessado em 16/05/2005].

escapar, sair daquela situação. Mas ele a procura, insiste e ela não resiste - não consegue romper o romance. Talvez essa relação ficasse assim por um longo período, mas, num dia qualquer de 1993, começa a suspeitar de uma gravidez. Suspeita confirmada, é hora de contar para ele. No entanto, ele sendo um homem casado, família constituída e desconhecedora da vida dupla que levava, pede que ela aborte. Ela não quer, pois isso contraria mais ainda seus padrões morais.

Ágata se vê só, sem apoio e sem condições de cuidar de um filho. Não vê alternativa que possa contrapor àquela proposta. Aborta, mas a lembrança do filho sempre a acompanha.

Às vezes, consigo identificar o rostinho dele e é sempre do sexo masculino. Rompem o

romance e, na mesma época, consegue passar no vestibular. Entrar na universidade a ajuda a superar a dor da separação e a elaborar o mal-estar das lembranças do aborto. Com o tempo, retoma o ritmo de sua vida, tem outros romances, mas nada sério, sem compromissos. Era só

sexo - resume.

Assim foi sua vida por aproximadamente um ano, quando, no início de 1995, começa a namorar Sandro, um militar. No carnaval, resolvem se isolar do mundo e curtir o romance só os dois, como numa lua-de-mel, longe da agitação que toma o país em tempos de folia. Apaixona-se e decidem fazer um pacto de fidelidade. Para viverem um amor mais livre, sem a

neurose da aids, fariam o teste. Assim ficou combinado.

Ele já tinha feito, faltava ela. O feriado da Páscoa se aproximava e eles planejavam repetir os dias de isolamento do mundo como havia ocorrido no carnaval. Tudo ia bem, mas “aquela pessoa” aparece no seu trabalho dizendo para ela fazer o teste da aids, porque ele havia feito e o resultado foi positivo. Estava tranqüila porque, anteriormente, o meu

namorado havia feito o teste e tinha dado negativo. Então, a imaturidade, né? A inexperiência de relacionar um ao outro.

Foi fazer o exame usando a conhecida desculpa de doar sangue. Precisou usar subterfúgios para que a aceitassem como possível doadora, pois sua massa corpórea é inferior ao mínimo exigido pelos programas de coleta de hemoderivados. Chega o resultado e as poucas linhas do Elisa* apontam para a possibilidade de ela portar em seu sangue o temível vírus da aids. Foi informada de que precisava fazer um outro exame (Western-blot) e, por

isso, talvez tenha tido, num relance, a vontade de esconder do namorado. Preferiu contar, pois não são incomuns os resultados falsos-positivos e, habitualmente, fazem pelo menos três exames para se ter a certeza da soropositividade. Tudo isso lhe dava esperanças. Mas, no segundo exame, o resultado também foi positivo e Sandro, antes mesmo de esperar, decidiu desistir dela. Naquele mesmo dia, deixou-a em casa e disse: “Vamos ser amigos. Se você

precisar é só ligar.”

Ágata fez, então, o terceiro exame, e sua tranqüilidade de outrora já não era a mesma. A vida se tornava pura angústia. Havia pouca esperança de que tudo aquilo não passasse de um grande susto. Ao sair da instituição onde fez os exames, com o envelope na mão, imaginava que estava começando a pagar o preço pela vida que tirou. Quando você mata, a

morte vai te acompanhando. Viu um ônibus que vinha na avenida que precisava atravessar.

Pensou, então, em resolver o seu luto de uma maneira radical. Mas recuou, pois não teria tamanho domínio sobre sua vida. Não tinha esse direito... Ou, como viria declarar posteriormente: Essas questões da vida e da morte não cabem a mim a escolha.

A Páscoa de 1995 se torna um marco. Desde aquele momento, passa a recordar as datas importantes de sua vida tendo como referência aquela data festiva. No entanto, para ela, é sinônimo de muita tristeza, o avesso dos dias do carnaval anterior.

Um ano depois conheceu Frank, uma pessoa normal e equilibrada, com uma família estruturada, com pai e mãe presentes, como Ágata gosta de acentuar. É o avesso do Sandro, o ex-namorado. Frank trabalha em um hospital e gosta de cuidar da aparência física, de malhar o corpo, mas não é muito de estudar e pouco preza questões ligadas à fé religiosa, bastante diferente dela nesses aspectos.

Namoravam há três meses e haviam feito sexo, sempre com camisinha. Ele, no entanto, insistia para dispensarem o preservativo. Numa noite, quando namoravam e um apagão afligiu a cidade, Ágata resolveu lhe contar, pois o namoro ganhava alicerces e se adiasse poderia tornar mais difícil revelar um segredo que poderia trazer revolta ou rejeição, como havia acontecido anteriormente. Frank havia perdido a mãe recentemente e em função disso, ela imagina, deva ter sofrido muito, pois teria somado uma perda à outra. Diferente do ex-namorado, Frank não a rejeitou e continuou a desejá-la tanto quanto antes.

Romperam várias vezes, mas nunca conseguiram ficar muito tempo um longe do outro. Um desses rompimentos foi motivado pela insistência de Ágata para que Frank fizesse o teste da aids. Como ele se limitava a dar desculpas para não fazer o exame, ela ameaçou terminar o namoro. Coloquei ele contra a parede. Ele fez o que ela pediu, mas não foi buscar o resultado.

Percebendo a resistência de Frank em ir até a unidade de saúde buscar o resultado, Ágata decidiu pegar o exame por conta própria, pois sendo conhecida pelos funcionários acreditava que lhe entregariam. De fato entregaram, talvez por ter dado negativo – imagina.

Quando o encontrei, disse: “Olha, vai seguir a tua vida porque eu não tenho futuro pra você, eu não posso te dar um filho. Não sou a pessoa pra você. Procure uma mulher saudável, que possa te dar um filho” Ele pegou o exame e foi embora, mas não passava um dia que não

telefonasse para ela e a acusava de tê-lo expulsado de sua vida. Passado seis meses, retomaram o namoro e ela descobria que gostava muito dele, nos altos e baixos da vida.

Numa das vezes em que Ágata ficou muito doente, Frank ficou muito abalado e começou a apresentar sinais de depressão. Pessoas de sua família acharam aquela sua reação estranha e começaram indagar o porquê de tamanho sofrimento. Sem forças, precisando do apoio de alguém, acabou contando para uma das suas irmãs. Posteriormente, outros parentes também foram sabendo e não deixaram de apoiar o relacionamento, embora uma das irmãs possa ter dito ao Frank para ele dar um fim nisso tudo, porque ela quer sobrinhos e entende que Ágata não pode oferecer isso a ela.

Chegamos assim a um ponto importante na vida de Ágata. Ter ou não filhos, desejar ou não desejar ser mãe. Esse dilema se instalou com a aids e redimensionou a maneira como percebe os próprios desejos e o seu destino. Não se sente segura para engravidar, pois mesmo com técnicas modernas de concepção assistida, há, ainda, riscos de transmissão do HIV da mãe para o feto. Não tenho coragem de dar isso pra ninguém, principalmente para um filho.

Entende que, se casar e não puder gerar um filho, tornará Frank incompleto, mas, ao mesmo tempo, não gostaria que o desejo de ter um filho fosse a finalidade da união entre eles. Além disso, percebia o medo dele em se casar com ela, o que a deixa preocupada de ele assumir uma relação por se sentir pressionado, contra a sua vontade. Esperava então de Frank a decisão de se casarem, seguindo todos os rituais como uma forma de mostrar, principalmente para os parentes, que ele estava assumindo o compromisso, apesar da aids e da

possibilidade de não gerarem sobrinhos e netos.

Decidiram morar juntos, apesar de Ágata ter resistido a esta situação durante muito tempo. Fizeram vários planos para o casamento, inclusive com o registro dos proclamas nos cartórios, mas adiaram-no por três vezes. Sobre esses fatos, declarou na última entrevista: A

gente quer, eu quero, eu gosto muito dele.

Além de administrar essas questões de namoro, casamento, ter ou não ter filhos, há de se considerar que, diante da aids, é preciso redimensionar outros aspectos da vida. Com a soropositividade, é preciso ter um olhar mais atento para a saúde, ir ao médico com mais freqüência e ser obrigado a submeter-se regularmente a exames laboratoriais para verificar taxas de células de defesa e contagem de carga viral. Com Ágata, três anos depois da fatídica Páscoa de 1995, esses exames apontaram à necessidade de ela aderir aos esquemas de tratamento anti-retrovirais, ou seja, ela mudava da condição de HIV-positivo para a de doente de aids. Desse diagnóstico, emergiram novas preocupações. A primeira é constatar a vulnerabilidade do corpo, ficando-se sujeita mais facilmente ao adoecimento. A segunda preocupação foi de saber da necessidade de tomar vários remédios, todos os dias - quiçá para o resto da vida - cujos efeitos colaterais nela são devastadores.

Esses problemas aconteceram e várias infecções oportunistas se instalaram em seu corpo e se somaram a outros problemas de saúde, não diretamente relacionado à aids. Nessa época, estava com acúmulo de serviço em seu trabalho, que acrescentados as intrigas cotidianas na família, levaram-na a apresentar sintomas de “depressão e stress”, conforme definia. Por efeito circulatório, essas questões acabaram se imbricando entre si, impossibilitando até para a própria Ágata saber se eram elas que afetavam a aids, ou se era o contrário.

Quanto aos remédios, a adaptação não foi fácil e, mais de sete anos depois, ela continuava a ter dificuldades em seguir corretamente a posologia recomendada. Queixa-se do tamanho dos remédios que obrigam-na a tomá-los com algo pastoso para poder engoli-los e, principalmente, dos efeitos colaterais, como lipodistrofia, varizes e gastrite. Adversidades que a levam ao limiar de suportabilidade e, por diversas vezes, influenciaram sua decisão de suspender o uso da medicação. Além desse mal-estar imediato, causado pelos remédios, sofre pela transformação de seu corpo, deixando de ser a mulher bonita e atraente de outrora.

Um outro problema, dentro do contexto do tratamento, são as consultas e os exames que freqüentemente precisa fazer. Há sempre o risco das saídas rotineiras no horário de trabalho levantarem suspeitas ou de encontrar um conhecido na unidade de saúde onde se localiza o SAE. Cada dia que passa, ir ao SAE, pra mim, é mais complicado.

Ágata, contudo, procura ter uma rotina independente da aids ou apesar dela. Trabalha mesmo quando está com febre ou outro mal-estar. Não admite a possibilidade de se aposentar por causa da doença, pois entende que a realidade das pessoas que vivem com o auxílio- doença oferecido pelo Estado é de miséria. Tem responsabilidade para com a sobrinha (Lucinha) e para com a mãe (Joana), que está ficando idosa, embora ainda trabalhe e tenha reencontrado e casado com Antônio, seu antigo amor da infância.

Em relação à sobrinha, o compromisso é de ajudar a criá-la, uma promessa feita para Sheila, sua irmã, quando ela estava grávida e pensava em abortar. Tenho consciência que

preciso trabalhar, me manter. Por isso não vou ficar despreocupada e buscar uma migalha do governo

Fez duas pós-graduações simultâneas no período em que as entrevistas eram realizadas, inclusive a maioria das entrevistas no ano de 2002 foi realizada entre seu horário de trabalho e as aulas. Por ter levado uma vida tão agitada, começou a apresentar sintomas de

stress e adoeceu. Não conseguia relaxar, apareceu herpes e precisou ficar dois dias em casa,

na cama. Terminado um dos cursos, a vida ficou mais calma, conforme descreve, e voltou a fazer hidroginástica - medida que ajudou a melhorar sua condição física.

Na sua luta contra a aids, no entanto, o principal recurso de apoio encontra-se nos seus sentimentos religiosos. Empenha-se numa busca incessante de respostas para várias questões da vida, da morte e do porquê somos o que somos. Nesse movimento em busca de respostas e de suporte emocional, participou de alguns grupos religiosos ou esotéricos. No ano de 1999, por exemplo, começou a participar do grupo religioso União do Vegetal (UDV)*, o qual faz uso do chá alucinógeno conhecido como ayahuasca ou mariri.** Tomava esse chá, mas

* Nome da religião que Ágata participava naquele momento da pesquisa, a qual faz uso da ayahuasca (ver nota de rodapé seguinte).

** Trata-se de um chá feito pela decocção de ramos e folhas do caapi e da espécie Psychotriade. É usado secularmente por

índios da região, possivelmente advindo do Peru. O efeito desse chá, ao ser ingerido, é denominado de “borracheira”, consistindo em uma espécie de transe e provocando um estado de semiconsciência. Esse chá é freqüentemente utilizado em rituais que resgatam tradições indígenas ou em algumas religiões espíritas.

começou a sentir que a combinação dele com os anti-retrovirais não estava lhe fazendo bem. Quando bebia o chá, sentia cefaléias, dores no estômago e vômitos. É porque a minha matéria

está danificada por causa da medicação. Ela elimina o vírus, mas ataca outras coisas do organismo da gente.

Na última entrevista relatou que havia deixado de freqüentar a União do Vegetal e