• Sonuç bulunamadı

8. İslam Ortaçağı

8.2. İslam Felsefesinin Doğudaki Önemli Temsilcileri

8.2.1. Farabi ve Erdemli Şehir

8.2.1.2. Erdemli Şehir

Wells9 em seu artigo “Semitoc mediation, dialogue and the construction of knowledge” foi perspicaz ao realizar um movimento dialógico de trazer uma diversidade de teóricos e pesquisadores para a discussão sobre mediação semiótica e diálogo. Wells,! nesse! artigo,! apresenta! diferentes! conceitos! da! psicologia,! semiótica,! linguística!e!sociologia.!O’Connor e Michael (2007) resumem as ideias de Wells, nesse artigo, em:

1) A aquisição da linguagem e uso da linguagem na interação com outros são formas de mediação (semelhante ao uso de ferramentas);

2) O diálogo é uma forma de mediação semiótica que sustenta a aprendizagem e o pensamento dos indivíduos, grupos e culturas em geral; 3) Signos, interações e socialização (todas as formas de mediação semiótica) podem ser mais ou menos “dialógicas”;

4) No processo de aquisição da linguagem, as crianças adquirem um sistema de signos que é implícito na sua cultura. A “dialogicidade”, ou a posição de produtor de significado da cultura local, é internalizada na medida em que os signos são internalizados. Desta forma, as crianças de diferentes culturas, diferentes classes sociais, ou em ambientes escolares diferentes assumem mais do que a linguagem, eles assumem diferentes valores ou “potenciais significados” e as expectativas relativas a fazer sentido no diálogo com os outros ou em pensar por conta própria.

O nosso objetivo é apresentar como esse autor utiliza a noção de dialogia nos seus trabalhos. Nesta seção nos ateremos a apresentar a parte em que ele discute a dialogia de acordo com Bakhtin e em debate com os autores Lótman e Tomasello.

Para Wells (2007) “entrar em diálogo” pode ser entendido como o início de um encontro comunicativo entre dois ou mais indivíduos. No entanto, para iniciar e manter um episódio de interação linguística, os participantes têm que trabalhar para estabelecer e posteriormente manter acordo sobre o tema e a finalidade da sua conversa. Para esse autor existem três sentidos para “entrar em diálogo”.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O primeiro sentido é sobre a intersubjetividade necessária para dar prosseguimento em uma conversa. O segundo está ligado a ideia de significados compartilhados, no qual “uma ponte é lançada entre mim e o outro”. Se uma das extremidades da ponte depende de mim, então a outra depende do destinatário (VOLISHINOV, 1973, P. 86, apud WELLS, 2007).

O terceiro sentido de “entrar em diálogo” é apresentado nos trabalhos de Bakhtin. Wells trabalha com duas funções do discurso, o monológico e o dialógico, e trabalha com três posições: de Bakhtin, de Lótman e de Tomasello.

Wells, baseado nas ideias de Bakhtin, afirma que toda comunicação é dialógica. Mas as diferenças aparecem nas formas nas quais os falantes se posicionam em relação ao seu destinatário e na natureza das respostas que pretendem obter.

Uma ideia que esse autor trabalha é a da responsividade, que é entendida como uma abertura para posições contrárias. Nessa perspectiva, Wells, diz que Lótman (1988, apud WELLS, 2007) propôs que textos poderiam ser lidos ou ouvidos de duas maneiras e que diferem entre si sobre a dimensão de responsividade. A primeira maneira seria o texto “monológico”, do orador ou do escritor, que não assume nenhuma expectativa de uma tréplica e na qual tudo é compreendido e aceito sem nenhuma objeção. Para Lótman, a função monológica é importante para transmitir significados culturais, preservando assim a continuidade e estabilidade das crenças e valores dentro de uma cultura. Portanto, a natureza desse texto é de autoridade, pois não está aberta para a ideia das outras pessoas.

A segunda maneira é quando o texto convida o destinatário a se posicionar frente a ele. Para Lótman, um texto deixa de ser um link passivo em transmitir informações constante entre a entrada (o remetente) e a saída (o receptor). Para Wells esse texto é dialógico, no sentido bakhtiniano.

Wells identifica em Tomasello (1999, apud WELLS, 2007) uma distinção um pouco semelhante nos seus relatos sobre o desenvolvimento cultural da cognição humana, na qual propõe o que ele chama de “efeito catraca” para explicar a natureza cumulativa da evolução cultural. Como ele observa, o “progresso” depende da criatividade de indivíduos ou de grupos particulares em inventar e melhorar as ferramentas culturais.

Da mesma forma, enquanto Lótman utiliza claramente Bakhtin para valorizar a função criativa dos textos dialógicos, ele também não descarta o valor da função monológica. Como Tomasello, ele reconhece que a continuidade, bem como a inovação, é necessária para uma sociedade saudável e, para esse fim, os textos de conhecimento cultural precisam ser utilizados tanto monológica quanto dialogicamente.

O’Connor e Michaels, sintetizaram em um quadro, reproduzido a seguir, as três posições para diferenciar entre o discurso monológico e dialógico de Wells.

Monologia Dialogia

Bakhtin Expressão utilizada “autoridade” – significado fixo

Expressão utilizada “internamente persuasivo” – significado negociado

Lótman Texto como dispositivo de transmissão ou “monológico” (função: cria memória comum para o grupo)

Texto como 'dispositivo de pensar' (função: gera novos significados)

Tomasello As práticas culturais como a transmissão social (efeito catraca, então a aprendizagem cultural é mantida)

As práticas culturais funcionam para dar suporte a invenção criativa

Quadro 2 - Duas funções do discurso: monológico e dialógico retirado de O’Connor e Michaels (2007).

Wells, em seus trabalhos, demonstra como o discurso dialógico oferece oportunidades para a aprendizagem, as quais, geralmente, não são suportadas apenas pelo discurso monológico. Ele discute, também, a necessidade da postura dialógica, baseado nos trabalhos de Dewey sobre prática docente. Ele relata, em alguns de seus trabalhos, como os professores tentam aumentar a frequência e a profundidade do discurso dialógico em sala de aula, mas descobrem que muitas vezes isso não é fácil (O’CONNOR e MICHAELS, 2007).