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Edim Sonucu GerçekleĢtikten Sonra Ortaya Çıkan Zararlar

Para teoria de frames duas implicações da globalização se colocam mais visíveis: a emergência de uma estrutura de oportunidades internacional e a formação de um framing global. No primeiro caso, Tarrow (2006) argumenta que embora a globalização traga consigo uma série de desafios aos movimentos sociais, tornando complexo o processo de mobilização e coordenação das ações, ela traz também uma estrutura de oportunidades dentro do qual o ativismo transnacional pode emergir. Entre as oportunidades geradas, o autor destaca três tendências: (1) um aumento da densidade horizontal nas relações entre os estados, os funcionários governamentais e atores não-estatais; (2) um aumento das ligações verticais entre os níveis subnacional, nacional e internacional; e (3) um reforço na estrutura formal e informal, que convida o ativismo transnacional e facilita a formação de redes envolvendo atores estatais, não-estatais e internacionais.

No caso da formação de um framing global, há um alinhamento que ocorre fora das fronteiras domésticas e que cria uma extensa rede de colaboração entre

movimentos sociais em diversas partes do mundo. Estes movimentos compartilham idéias que os levam a ter um entendimento comum acerca dos significados da ação coletiva (McAdam & Rucht, 1993). Conforme argumentei antes, a difusão de idéias entre movimentos sociais não é algo que ocorre apenas no âmbito transnacional, vimos que a noção de master frame nos ajuda a compreender como determinados

frames podem influenciar mais de um movimento social (cf. Snow & Benford, 1992).

Contudo, a medida que esta difusão ultrapassa as fronteiras nacionais, novas questões emergem e a compreensão deste processo tende a envolver o conhecimento do que está sendo difundido, de como a difusão ocorre e de qual é o impacto da difusão (Givan, Roberts & Soule, 2010a).

Estratégias de mobilização, táticas de protesto e frames de ação coletiva são alguns dos conteúdos que podem ser difundidos entre movimentos sociais fora das fronteiras domésticas. Entre as estratégias de mobilização, estão a obtenção de recursos por meio de Fundações e/ou ONGs que colaboram também com a mobilização de pessoal e com a obtenção de apoio político de atores estatais e não- estatais. Entre as táticas de protesto, estão as marchas, ocupações, boicotes e outras ações que desafiem o status quo. No caso dos frames de ação coletiva, o conteúdo difundido refere-se ao diagnóstico, prognóstico e motivação que produzem um entendimento compartilhado de como estas funções se alinham ao contexto de lutas transnacional. Embora estes conteúdos, em virtude das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), se desloquem com certa facilidade do seu ponto de origem para além das fronteiras nacionais, Givan, Roberts e Soule (2010a) destacam que não se trata de um simples transplante, mas sim, de um complexo trabalho de adaptação criativa e de aprendizado político por parte dos grupos que os recebem. Sendo que, em muitos casos, o sucesso ou o fracasso dos conteúdos difundidos dependem muito mais de como foram recebidos do que dos conteúdos em si (Chabot, 2002).

Estes conteúdos se espalham de um lugar para o outro, entre os movimentos sociais, por meio de três mecanismos que possuem caráter relacional, não-

relacional e mediador. Cada um deles possui dinâmica própria e podem aparecer de

forma isolada ou combinada. A difusão relacional ocorre por meio das relações interpessoais ou interorganizacionais que envolvem o contato direto entre ativistas que se identificam com uma determinada questão. Há um processo de atribuição de

si. Neste contexto emerge a figura central do “cosmopolita enraizado”, um tipo de ativista transnacional8 que mobiliza recursos e oportunidades – domésticas e internacionais – em nome do movimento social, utilizando-os contra os oponentes, ou a favor dos objetivos comuns que ele compartilha com os aliados transnacionais (Tarrow, 2006). Trata-se do ativismo “além das fronteiras”, que pode incluir a ação de imigrantes, exilados, ecologistas, voluntários e outros militantes de todos os tipos. O diálogo entre estes ativistas internacionais é um dos principais catalisadores da difusão relacional (Chabot, 2010).

No caso da difusão não-relacional, ela ocorre sem que haja contato direto entre ativistas. Os conteúdos são difundidos por múltiplos canais de comunicação, o que tende a produzir uma teorização destes conteúdos que, a partir disso, tornam-se “modelos globalmente disponíveis” e podem ser acessados em qualquer momento e lugar (Strang & Meyer, 1993). Tratam-se dos conteúdos disponibilizados pela mídia (televisão, rádio, jornais e revistas), pela internet (redes sociais, e-mails, blogs, vlogs e websites) e/ou pela academia (livros, teses, artigos e comunicações), que ao serem apropriados e legitimados por ativistas, circulam entre eles e entre diferentes movimentos sociais dentro e fora do contexto doméstico.

A difusão mediada ocorre quando existe uma “[...] a ligação de dois ou mais atores sociais previamente desconectados por uma unidade que medeia as relações uns com os outros e/ou ainda com outros lugares” (Tarrow, 2006, p.190). Neste caso os conteúdos dependem de um mediador para que se difunda entre ativistas e movimentos sociais. Este mediador pode ser um lugar (redes de colaboração criadas para mediar as ligações entre o ativismo local e global) e/ou um ator social (organizações operando em nível transnacional e/ou grupos paralelos) que facilitam a difusão. Em alguns casos, a difusão pode ser influenciada pelas preferências, crenças e interesses do mediador, gerando um bias que pode afetar os conteúdos que estão sendo difundidos (Bunce & Wolchik, 2010).

Por meio destes mecanismos um conteúdo pode se espalhar por diversos movimentos em diferentes contextos sociais. O impacto desta difusão no contexto

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O ativista transnacional possui algumas características que o tornam peça-chave na difusão de conteúdos elaborados fora do contexto doméstico. De acordo com Tarrow (2006), geralmente estes ativistas (1) não iniciam sua carreira no nível internacional, eles emergem primeiro no contexto doméstico e só depois se projetam; (2) a maior parte deles retornam para suas atividades domésticas transformados pela experiência que tiveram internacionalmente; e (3) eles são melhor educados que seus compatriotas, melhor conectados, falam outras línguas e viajam com mais frequência. O que os torna especiais é a sua habilidade de ampliar as atividades do movimento para diferentes níveis de ação, tirando vantagem das oportunidades internacionais que surgem.

local pode assumir múltiplas facetas, desde a aceitação seguida de uma assimilação destes conteúdos, até uma resistência, seguida de um refluxo ou contra-movimento. O impacto da difusão pode ser melhor compreendida quando analisamos a difusão dentro dos processos de contenção transnacional.